
Desde o primeiro capítulo, “Três Graças” mostrou que Aguinaldo Silva continua sendo um dos mestres da teledramaturgia brasileira. Logo na estreia, o autor deixou claro que sabe conduzir uma boa história — com ritmo, mistério, diálogos afiados e personagens que já nasceram marcantes. É o tipo de trama que prende o público desde a primeira cena, com uma trilha sonora que caiu como uma luva – especialmente na abertura com a “Clareou”, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti.
Já o elenco é simplesmente impecável. Cada ator parece ter sido escolhido a dedo, e a química entre eles salta aos olhos. Há uma harmonia de talento e presença que faz o telespectador acreditar em cada gesto, em cada emoção. Dá pra sentir que o elenco está entregue, confiante no texto e na direção. Desde Dira Paes a Grazi Massafera, Marcos Palmeira, Arlete Salles; e com a estreia de Belo nas novelas, o elenco é primoroso como não se via há tempos.
A novela está tratando de muitos temas importantes, mas um se destaca como o mais sério e necessário de ser abordado: a falsificação de remédios. Um assunto grave, com repercussões reais na vida de milhares de pessoas de baixa renda, e que ganha na trama um olhar humano e ao mesmo tempo eletrizante no roteiro. É uma mistura perfeita entre crítica social e puro entretenimento — marca registrada de Aguinaldo Silva. E cá entre nós, poucas coisas me enojam tanto na corrupção como mexer com a saúde das pessoas. Isso vai desde o hospital público sem condições de atendimento a falsificação de remédios essenciais.
“Três Graças” é uma novela com um enredo sólido, que não se perde em exageros ou tramas paralelas sem propósito. Não enfia publi a todo custo como a novela anterior. É envolvente, bem escrita e visualmente linda. Ela é realista e atinge o povo de verdade. Tudo indica que, enfim, veio aí um grande sucesso do horário nobre — do tipo que o público sentia falta e a TV brasileira precisava resgatar. Depois de tanta coisa mal feita nesse horário, a emissora acertou a mão de vez para entregar um novelão. O público agradece!