Time estrelado faz temporada mediana desde o início do ano, jogando com preguiça e sem ambição por títulos

O River Plate vive um momento delicado e precisa repensar urgentemente sua postura dentro e fora de campo. O time, que já foi sinônimo de garra e competitividade, hoje parece apático, sem a mesma fome de vitória que o consagrou em anos como 2015 e 2018. O elenco atual é formado por jogadores que já conquistaram praticamente tudo: Copa do Mundo, títulos na Europa, Libertadores, fortunas acumuladas. Mas justamente por isso falta a motivação que diferencia um time vencedor de um time apenas competente. Em campo, o River tem perdido a cabeça com facilidade, e sem ambição não há camisa pesada que resolva. Justamente esses quesitos podem pesar na eliminação da Libertadores.
Marcelo Gallardo, técnico símbolo de liderança e grande responsável pelas conquistas da última década, também tem sua parcela de culpa. Suas atitudes têm irritado torcedores e imprensa: quando vence, fala; quando perde ou empata, se cala. Esse comportamento passa uma mensagem ruim, como se só fosse válido se manifestar nos momentos bons, fugindo das responsabilidades nos maus resultados. Tanto no Campeonato Argentino quanto na Libertadores, a falta de autocrítica e a postura fechada de Gallardo alimentam ainda mais as críticas.
Dentro de campo, algumas peças têm se tornado problemas em vez de soluções. Acuña é um jogador de temperamento explosivo, que muitas vezes prejudica mais do que ajuda. Miguel Borja, quando entra, parece alheio, não consegue mudar o jogo nem impor presença. Facundo Colidio, que já teve atuações promissoras, hoje vive uma fase péssima, sem confiança e sem impacto. Juan Fer Quintero voltou, mas parece carregar mais peso do que futebol, lembrando o pior de Higuaín, e até aqui não acrescenta em nada. São nomes importantes, mas que não entregam o que se espera de jogadores do River Plate.
Se nada mudar, o River corre o risco de se apequenar dentro das competições que disputa. A camisa é gigante, mas a atitude tem sido pequena. O clube precisa de jogadores famintos, de comando firme e de um treinador que entenda que também deve dar explicações nas derrotas. Quem mostra um pouco disso no atual elenco estrelado talvez seja Seba Driussi. Sem sede de vitória, sem autocrítica e sem coragem de encarar os problemas, o River Plate não vai reencontrar o caminho da grandeza que um dia fez dele o time mais temido da América.
