
Assisti “Corra que a Polícia Vem Aí!” e saí do cinema com aquela sensação boa de quando a gente encontra algo que estava faltando há anos: uma comédia realmente engraçada, com humor ácido, sem medo de ser escrachada – e ao mesmo tempo, fiel ao espírito do original. É um dos melhores reboots de comédia que vi em anos. E olha que eu já tinha perdido as esperanças nesse gênero na telona. Mas agosto trouxe duas surpresas em cartaz no cinema, que são a comédia policial desse texto e “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda”.
O filme não tenta reinventar a roda. Ele entende o que fez a franquia original funcionar e mantém a fórmula: piadas rápidas, visuais absurdas, diálogos cheios de trocadilhos e um timing perfeito para o pastelão. E no meio dessa bagunça deliciosa, quem brilha é Liam Neeson no papel de Frank Drebin Jr. — filho do inesquecível detetive interpretado por Leslie Nielsen. Neeson entrega um desempenho tão sério que acaba sendo ainda mais engraçado. Ele é atrapalhado, charmoso e absurdamente convincente nas situações mais sem noção possíveis.
O elenco de apoio também é um golaço. Pamela Anderson, como Beth Davenport, tem uma química ótima com Neeson, e os dois dividem algumas das melhores cenas. E ela está lindíssima. Tem ainda Paul Walter Hauser, Kevin Durand e Danny Huston, que entram no jogo com personagens caricatos na medida certa. É aquela mistura de nomes improváveis que, por algum motivo, funciona maravilhosamente.
Com apenas 84 minutos, Corra que a Polícia Vem Aí! não perde tempo e mantém um ritmo acelerado do começo ao fim. Não é um filme para assistir quietinho comendo pipoca; é para rir alto, quase se engasgar, e sair comentando as melhores piadas no caminho de volta para casa. É o tipo de comédia que a gente estava precisando — divertida, sem filtros e com um respeito enorme ao que veio antes. Para mim, um filmão que já entrou na lista dos melhores do ano. E deveria ter 2 horas de duração.