
O final de Round 6 decepcionou. Não só a mim, claro. Para uma série que começou com um soco no estômago, cheia de tensão, crítica social e reviravoltas intensas, era esperado um desfecho à altura do fenômeno mundial que ela foi — e isso não aconteceu. A melancolia do último episódio não foi uma escolha estilística poderosa, foi um esvaziamento daquilo que a série prometeu e entregou tão bem ao longo dos episódios anteriores. A sensação é de que o roteiro afrouxou justamente na reta final, quando a história mais precisava de impacto e ousadia.
Até as teorias mirabolantes criadas pelos fãs nas redes sociais, principalmente no TikTok, eram mais emocionantes, mais criativas e faziam mais sentido do que a resolução escolhida pela série coreana. É como se o roteiro tivesse medo de ousar, de ir além. E nesse medo, acabou sacrificando boa parte da alma que fez Round 6 explodir no mundo todo. O final foi um desperdício criativo, que deixou no ar aquela incômoda pergunta: “Era só isso?”.
Claro que, dentro da proposta da série, a morte do protagonista, Seong Gi-hun, poderia até fazer sentido. A trajetória dele já caminhava para um desfecho trágico, e isso era algo que os fãs até esperavam — e aceitariam, se bem construído. Mas o problema é que não foi apenas a morte dele que pesou. Foi todo o resto: a falta de clímax, o esvaziamento da crítica, o tom morno que se instaurou ali nos episódios finais, onde antes havia explosão, tensão, angústia e loucura. Round 6 terminou como se tivesse cansado de si mesma.
No fim das contas, faz parte. Nem toda série sabe como se despedir, e Round 6 tropeçou justamente nesse adeus. Agora, resta torcer para que os spin-offs e derivados que já estão a caminho consigam resgatar um pouco do espírito original, ou pelo menos entregar algo mais envolvente. Porque se depender apenas do final da temporada principal, o gosto que fica é de frustração. A série terminou com mais perguntas do que respostas, mortes forçadas e com o ‘Frontman’ bad com a vida – igual a nós depois de assistir.