Escola tem nomes como Mileide Mihaile e Erika Januza entre opções, mas prefere alguém que nunca pisou numa quadra

A possibilidade de Virgínia Fonseca assumir o posto de rainha de bateria da Grande Rio vem causando desconforto até entre os integrantes da comunidade da escola. A influenciadora pode substituir Paolla Oliveira, que se despediu da função após anos de dedicação e participação ativa, não só nos desfiles, mas também no dia a dia da agremiação. Paolla era presença constante nos ensaios, nas festas com os ritmistas e, acima de tudo, era respeitada por sua entrega à escola. A conexão construída com a comunidade e com a bateria de Mestre Fafá fez com que ela fosse considerada uma verdadeira integrante da Grande Rio, e não apenas uma celebridade no posto.
Mestre Fafá, inclusive, destacou nas últimas entrevistas o carinho e o respeito por Paolla, lembrando que ela esteve presente no momento mais glorioso da história da escola: o título de campeã do Carnaval de 2022. E também ajudou muito a escola na pandemia, fazendo doações e ajudando em tudo no que poderia os integrantes de sua bateria. Esse triunfo de 2022 ficou marcado pela força do enredo, pela potência da bateria e pela entrega da Rainha. Paolla viveu duas fases no posto, mas foi nesse retorno que consolidou seu nome como eterno símbolo da Grande Rio. Sua despedida em 2025 foi muito especial. Em 2024, vestida de onça, fez um desfile emblemática e emocionante para quem acompanhou de perto sua trajetória.
Diante disso, a possível escolha de Virgínia Fonseca como nova rainha tem sido vista como uma quebra de identidade. Ainda que tenha números expressivos nas redes sociais, ela não tem qualquer vínculo com o universo do samba ou com a comunidade de Duque de Caxias. Ela nem sambar sabe. Para muitos integrantes da escola e para a própria comunidade, trata-se de uma tentativa de transformar um posto conquistado com suor e afeto em vitrine midiática. A escolha de uma celebridade sem vivência na escola pode soar como desrespeitosa diante da história construída nos últimos anos.
Além disso, a Grande Rio tem alternativas que agradariam muito mais à sua comunidade. A escola conta com nomes como Mileide Mihaile, que desfila há anos, tem samba no pé, carisma e já é figura conhecida e respeitada internamente. Outra opção é Erika Januza, que deixou a Viradouro recentemente e seria recebida com entusiasmo em Caxias. São duas mulheres que, além da beleza e presença, carregam história e envolvimento com o Carnaval, exatamente o que se espera de uma rainha de bateria.
A escolha de Virgínia, se confirmada, poderá ser interpretada como uma ruptura com o legado deixado por Paolla Oliveira. Um legado de comprometimento, de pé no chão e de identidade comunitária, que fez da Grande Rio uma escola ainda mais respeitada e próxima de sua gente. Que o brilho do Carnaval não seja ofuscado por decisões puramente estratégicas ou comerciais. Afinal, na avenida, o que faz diferença é a verdade do samba. Uma influencer que não respeita nem seus seguidores, se veste de Suzane Von Richthofen para depor em uma CPI, não agrega em nada no Carnaval – muito menos ocupando o posto mais importante de uma musa em uma das escolas que, saiu do rótulo de “puxadinho do Projac”, para mudar de patamar na Liesa nos últimos seis anos. Agora, a Grande Rio está jogando fora tudo o que construiu, se apequenando novamente por pura engajamento barato.