
O sucesso do Domingão com Huck depende muito mais de olhar para dentro, para a própria história do Domingão do Faustão, do Caldeirão do Huck, e da própria televisão do que tentar inventar moda a qualquer custo. O que faz o público se conectar é a essência dos programas de auditório que, durante anos, foram sinônimo de domingo na televisão brasileira: entretenimento leve, quadros de impacto e reverência à cultura popular. Huck precisa entender que carregar essa herança é um trunfo e não um peso, e que tentar criar um programa com quadros desconexos só afasta a audiência.
É muito nítido que quando o programa aposta em formatos já consagrados, como a Dança dos Famosos, o resultado é positivo. Outro quadro que funciona muito bem é o Batalha do Lip Sync, especialmente quando traz duas figuras icônicas para dublar artistas de peso. Isso é divertido, é leve e tem apelo popular — a fórmula certa para um domingo à noite. Mas, por outro lado, insistir em quadros como esse dos anônimos cantando é um erro crasso. O público de domingo não quer ver uma versão esticada de Raul Gil em horário nobre. Isso funciona para um sábado à tarde, não para um domingo em que a expectativa é alta.
O quadro de anônimos cantando simplesmente não tem carisma, não prende quem está em casa e ainda quebra o ritmo do programa. É arrastado, repetitivo e não combina com o clima que o público espera para encerrar o fim de semana. No lugar disso, Huck deveria apostar ainda mais na nostalgia, nas homenagens e nas histórias dos bastidores da televisão, resgatando momentos que marcaram gerações. Isso sim gera identificação, emoção e garante que o público fique até o final do programa.
Outro problema é a tentativa de forçar a barra com quadros de humor sem graça. Colocar Rafael Portugal e Ed Gama para fazer esquetes que não arrancam uma risada sequer é desperdiçar tempo e audiência. A intenção de deixar o programa mais leve é boa, mas a execução está completamente equivocada. Não é enchendo o programa de atrações aleatórias que ele vai se tornar dinâmico; muito pelo contrário, fica perdido, sem identidade.
No fundo, o que o Domingão com Huck precisa é de menos invenção, menos enrolação com os Lata Velha da vida e mais reverência à própria TV. Respeitar o que já foi construído, entender o que emociona e diverte o público de domingo, e saber exaltar a história da televisão brasileira. Quando Huck acerta a mão na emoção e na memória afetiva, o programa cresce, emociona e faz sentido. Quando se perde em quadros sem propósito, vira apenas mais um programa de auditório esquecível que é trocado por Patrícia Abravanel facilmente no controle remoto.
lembro de quando ele reproduziu o palco do domingo legal no programa, foi mto foda
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