Mesmo sem o Oscar de Melhor Filme, Conclave sai como grande vencedor da temporada

Foto: Prime Video

A obra-prima Conclave é, indiscutivelmente, o grande vencedor da última temporada do cinema, mesmo sem levar o prêmio de Melhor Filme no Oscar 2025. A obra se destacou por estar profundamente conectada com a realidade, trazendo uma narrativa que tocou o público de forma intensa e inesperada. É raro ver um filme com temática religiosa — ainda mais ligado à igreja católica — gerar tanta comoção e torcida genuína. E Conclave fez isso com sobriedade, talento e sensibilidade, sem apelar ou forçar emoções.

A forma como o filme foi feito também explica seu impacto. Entre todos os indicados, Conclave era o mais coerente, o mais sólido em termos de estrutura e mensagem. A direção foi precisa, o elenco brilhou com atuações marcantes e a história foi conduzida com o equilíbrio raro entre emoção e reflexão. Era o tipo de filme que deixava o espectador em silêncio no final, absorvendo tudo o que tinha visto. E convenhamos: quem, anos atrás, imaginaria que o público torceria tão intensamente por um filme católico?

A derrota, no fim das contas, teve gosto de injustiça. Não porque perder faz parte — e faz —, mas porque o filme que venceu, A Nora, não entregou o suficiente para justificar o prêmio de Melhor Filme. Não teve a força emocional, a relevância temática nem a mesma consistência narrativa. Foi uma escolha que muitos viram mais como política do que como mérito artístico, e isso só reforçou o quanto Conclave merecia mais.

Ainda assim, Conclave não saiu de mãos abanando: levou para casa o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado — e com justiça. A adaptação foi fiel ao livro sem perder o ritmo cinematográfico, transformando páginas em cenas com uma naturalidade impressionante. Foi uma obra impecável, tanto pelo cuidado com os detalhes quanto pela profundidade dos diálogos e personagens. Um roteiro que soube respeitar a essência da história e elevar seu impacto para a tela grande.

E como se tudo isso já não bastasse, Conclave chegou ao Prime Video exatamente na semana em que sua história se repete, agora, na vida real. A coincidência da morte do Papa Francisco ampliou ainda mais o simbolismo do filme e reafirmou seu lugar como o grande título da temporada. Mesmo sem a estatueta principal, Conclave venceu no que mais importa: na relevância, na entrega e no coração do público. E isso, no fim das contas, vale mais que qualquer prêmio. E se o longa amanheceu nesta segunda-feira em 2º lugar entre os mais assistidos na plataforma, amanhã vai acordar no topo, onde deverá permanecer por muito tempo.

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