Carlos Junior: A voz essencial para o título da Rosas de Ouro

Foto: Instagram

Um dos intérpretes mais admirados do samba paulista é um nome que transcende os limites da música carnavalesca. Carlos Junior tem carreira, marcada por um talento incomum e uma voz potente, fez dele um dos maiores responsáveis pela animação nas avenidas durante o Carnaval de São Paulo. Desde sua estreia no Camisa Verde e Branco em 1988, até sua ascensão nas mais renomadas escolas de samba, o intérprete construiu uma trajetória de dedicação e amor ao samba que poucos conseguem igualar.

O início de sua jornada foi marcado por uma forte conexão com a batucada de Mestre Divino, que, segundo Carlos Junior, foi um dos grandes responsáveis por despertar sua paixão pelo samba. Em 1990, o cantor fez sua estreia como compositor, defendendo seu primeiro samba vencedor no Bloco Paraíso do Samba Jardim Tremembé, o que seria apenas o primeiro de muitos sucessos. Sua habilidade como intérprete e compositor logo chamou a atenção de outras escolas, e em 1993 ele se consagraria campeão pelo Camisa Verde e Branco, uma das maiores escolas de samba de São Paulo.

A partir de então, Carlos Junior consolidou seu nome no cenário do samba paulista. Vencedor de diversas eliminatórias no Camisa Verde e Branco, ele se destacou como intérprete oficial da escola, levando sua voz potente e seu carisma para as avenidas. O samba “4, vamos pensar…” de 2002, que ficou marcado como um dos maiores sucessos daquela década, foi um exemplo claro da qualidade e profundidade de seu trabalho. A partir de então, Carlos Junior se tornou uma das figuras mais requisitadas no meio do samba, sendo frequentemente convidado para compor e interpretar sambas nas mais diferentes escolas.

No entanto, foi sua passagem pela Império de Casa Verde que deu um novo impulso à sua carreira. Ao lado da escola da Zona Norte, Carlos Junior conquistou títulos importantes, sendo bi-campeão em 2005 e 2006 – ele fez um samba sobre o boi Nelore acontecer na avenida. Sua atuação na Império o consolidou como um dos grandes intérpretes do cenário paulista, e sua presença em palco tornou-se sinônimo de sucesso. Sua competência, tanto na gravação dos sambas quanto nas apresentações ao vivo, o fez se tornar uma referência para muitos novatos e veteranos do samba.

Após sua passagem pela Império de Casa Verde, Carlos Junior tomou um novo rumo em sua carreira ao se juntar à tradicional Vai-Vai. Na escola do bairro do Bexiga, Carlos Junior teve um impacto imediato, conquistando o “Troféu Nota 10” em sua estreia. Sua interpretação impecável no carro de som foi fundamental para a vitória da escola no carnaval de 2008 – com o grande samba “Acorda Brasil”. No ano seguinte, ele foi vice-campeão ainda com a Vai-Vai, o que reforçou ainda mais sua importância dentro do cenário do samba paulista. Porém, naquele mesmo ano pós-desfiles, a decisão da Vai-Vai de substituí-lo por Gilsinho gerou grande polêmica, e muitos bambas não entenderam a troca.

Após um período de incertezas, Carlos Junior anunciou seu retorno à Império de Casa Verde para o carnaval de 2010, onde permaneceu até 2022. Durante esse tempo, ele se consolidou ainda mais como um dos maiores intérpretes da história do carnaval de São Paulo, trazendo sua energia e talento para diversas eliminatórias e gravações. Em 2010, também estreou na Sapucaí com o Paraíso do Tuiuti, formando uma dupla de sucesso com Celsinho Mody. A partir daí, a carreira de Carlos Junior passou a se expandir também para o Rio de Janeiro, onde se firmou como um intérprete de grande prestígio.

Hoje, Carlos Junior continua a ser uma das figuras mais importantes do samba. Em 2024 chegou na Rosas de Ouro e o samba-enredo da escola caiu como uma luva para seu timbre irretocável na avenida. Mas a grande jogada foi neste ano, em 2025. Com aquele amanhecer em azul e rosa no Anhembi na manhã do sábado de carnaval, o samba da Roseira embalou o desfile com aura de campeã desde o esquenta. Parte do sucesso da agremiação da Brasilândia neste carnaval teve papel fundamental de Carlos Junior no carro de som, junto de seus companheiros de canto. Ele fez o samba crescer a cada ensaio técnico, que antes era olhado com desconfiança por alguns no “pré-carnaval”. A crítica achava o enredo muito comercial e que isso não faria o samba cair no gosto do público. Mas a letra com a interpretação de “Carlão” fez o samba ganhar algo melódico e com um sentimento de vitória no ar. Tudo ficou mais mágico com ele cantando.

Sua trajetória é marcada por um profundo respeito à tradição do samba, sempre buscando inovar sem perder a essência. Com sua voz marcante e sua habilidade em interpretar e emocionar o público, Carlos Junior segue sendo uma das maiores referências do samba paulista e nacional, com uma carreira que certamente ainda tem muito a oferecer. Este ano ele dedicou sua performance na avenida em homenagem ao ídolo Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou da Sapucaí. Carlos Junior agora soma 5 títulos na sua carreira conquistados no Anhembi: 3 com a Império de Casa Verde (2005, 2006, 2016), 1 com a Vai-Vai (2008) e o atual campeonato inesquecível com a Roseira (2025). Muitos outros ele ainda irá conquistar pelo talento e pela história que tem, sem dúvidas.

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