1ª noite no Carnaval do Rio: Mangueira coloca favoritas no bolso, UPM brilha e Viradouro desfila burocrática

Foto: Carnavalize

Na primeira noite de desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, quatro agremiações encantaram o público com enredos ricos e apresentações marcantes. Vamos aos destaques!

Unidos de Padre Miguel: Muito forte no que se propôs e ligou o sinal de alerta pra quem desfila com o regulamento embaixo do braço

Abrindo a noite, a Unidos de Padre Miguel trouxe o enredo “Iá Nassô: A Mãe dos Orixás”, uma homenagem a Iá Nassô, uma das fundadoras do Candomblé da Barroquinha, que deu origem à Casa Branca do Engenho Velho. A escola destacou a importância dessa figura na preservação e disseminação das tradições afro-brasileiras, com alegorias e fantasias que exaltavam a cultura e a religiosidade de matriz africana. Desfilou com muita beleza e ligou o sinal de alerta para escolas que nos últimos anos fazem o básico pra não serem rebaixadas. A UPM se mostra candidata para permanecer no Grupo Especial, não só pelo investimento financeiro, mas também pela força de sua comunidade que cantou do início ao fim. O intérprete Bruno Ribas mostrou também que está em uma grande fase da carreira no comando do carro de som do ‘Boi Vermelho’;

Imperatriz Leopoldinense: A mais técnica da noite, mas sem aura de campeã

Em seguida, a Imperatriz Leopoldinense apresentou o enredo “Oxalá no Reino de Oyó”, baseado em um itã que narra a visita de Oxalá ao reino de Xangô. A escola explorou a mitologia iorubá, trazendo para a avenida a riqueza das lendas e a simbologia dos orixás, com destaque para a relação entre Oxalá e Xangô. Fez um desfile digno de receber chuvas de notas 10. Faltou apenas aquele “molho” que a consagraria como grande favorita ao título. Vai brigar no topo, mas pode ser derrotada justamente por não ter tido “aura” de campeã. Leandro Vieira, carnavalesco da escola, continua sendo um dos melhores artistas revelados no carnaval carioca nesses últimos tempos;

Unidos do Viradouro: Desfilou com uma carga emocional que mais a atrapalhou do que ajudou

Terceira escola a desfilar, a Unidos do Viradouro, apresentou o enredo “Malunguinho – o Mensageiro de Três Mundos”. A narrativa abordou a figura de Malunguinho, uma falange espiritual afro-ameríndia presente nos terreiros de Catimbó, Toré e Umbanda, inspirada na figura de João Batista, o último líder do Quilombo do Catucá. A escola destacou a resistência e a espiritualidade presentes na cultura afro-brasileira. Lutando para defender seu título, Viradouro entrou como grande favorita, mas fez um desfile burocrático que não lembrou nem de longe o de 2024. A carga emocional que a escola carregava parece ter atrapalhado sua evolução. Tecnicamente continua com muita beleza no trabalho de seu carnavalesco, o craque Tarcísio Zanon;

Estação Primeira de Mangueira: A que mais brincou de ser escola de samba de verdade na avenida

Encerrando a noite, a Estação Primeira de Mangueira trouxe o enredo “Da Pequena África à Nova Geração: A Mangueira Conta Sua História”. A escola ressaltou a influência dos povos batus para a formação cultural do Rio de Janeiro e do Brasil. Mostrou que realmente é a dona das multidões como canta seu samba, mas teve problemas técnicos que podem a prejudicar em um julgamento acirrado. No entanto, foi a única que desfilou sem pressão e brincou na avenida provando sua essência em ser uma gigante do carnaval carioca. Destaque ainda para a estreia do seu carnalesco, Sidnei França, nome já consolidado no carnaval de São Paulo e atualmente fazendo grande trabalho no Vai-Vai.

Cada escola, com sua singularidade, proporcionou ao público uma grande noite, celebrando a diversidade e a riqueza da cultura brasileira através de enredos que exaltam nossas raízes e tradições. Mas a campeã carioca ainda não desfilou na Sapucaí.

Entram na avenida nesta segunda-feira:

  1. Unidos da Tijuca
  2. Beija-Flor de Nilópolis
  3. Salgueiro
  4. Vila Isabel

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