Mocidade Alegre e Tucuruvi foram muito técnicas, mas não riscaram o chão de uma campeã;

A segunda e última noite de desfiles das escolas de samba de São Paulo mostrou que a cidade sabe fazer Carnaval mais do que nunca, como vem sendo feito com qualidade desde sua revolução em 2005. Entre acertos técnicos, plásticas ousadas e enredos que emocionaram (ou não), o sambódromo recebeu apresentações que podem mexer com a apuração de terça-feira. Vamos aos destaques deste sábado.
Águia de Ouro: Fez o que precisava fazer
O enredo sobre Benito di Paula era muito bonito e a escola entregou um desfile correto, sem grandes riscos. No fim, cumpriu tabela e não deve ter problemas correndo risco com disputa na parte de baixo da tabela.
Império de Casa Verde: O Tigre Guerreiro não rugiu tão alto dessa vez
Com um enredo confuso e uma plástica que esteve bem abaixo do padrão que a escola costuma apresentar, a escola não surpreendeu. O grande destaque continua sendo a bateria, conhecida como a “Barcelona do samba”. Mas, pela fase atual do time espanhol, talvez seja hora de rebatizá-la para “Real Madrid”.
Mocidade Alegre: Tinha tudo para ser a melhor da noite, mas não foi
Começou impecável tecnicamente para defender seu título, mas não conseguiu emocionar como em anos anteriores, quando saiu ovacionada com um enredo parecido em 2014, por exemplo. Alguns erros amadores podem custar o tricampeonato para a escola de Solange Bichara.
Gaviões da Fiel: Entregou seu desfile mais bonito dos últimos 23 anos
Arriscou com um enredo inédito em sua história e foi gigante em todos os quesitos. Sem dúvidas, a melhor da noite. Destaque absoluto para Ernesto, que segue como o intérprete mais longevo à frente de um carro de som no Carnaval paulistano.
Acadêmicos do Tucuruvi: Tecnicamente correta e visualmente muito bem trabalhada
A escola emocionou com um enredo necessário e impactante. Conseguiu fazer com a temática indígena o que o Salgueiro não fez com o superestimado “Hutukara” no ano passado. Deve voltar entre as campeãs por mérito.
Estrela do Terceiro Milênio: Um enredo inédito e essencial no Carnaval
Abordar a comunidade LGBTQIA+ trouxe cor e representatividade à avenida, sem deixar de mostrar as dores enfrentadas por essas pessoas em uma sociedade preconceituosa. Apesar do impacto social e visual, deve apenas cumprir tabela, já que há escolas mais fortes na briga contra o rebaixamento.
Vai-Vai: Fez a tarefa de casa encerrando o Carnaval
Desfilando no horário que é a sua cara, a escola da Bela Vista fez o que se esperava. Apresentou um desfile com a alma que a consagrou. O enredo combinou perfeitamente com seu estilo, mas a plástica e o samba ficaram abaixo do que o Vai-Vai merece. Ainda assim, fechou a noite com pé-direito.
Conclusão pós-amanhecer no Anhembi:
Mais uma vez, São Paulo provou que faz um Carnaval de excelência. As escolas paulistanas não devem nada a ninguém – só não enxerga isso quem tem o ego batendo no satélite do Starlink. Agora, resta ver como será o julgamento, que sempre é uma caixinha de surpresas. Para o bem ou para o mal, tudo pode acontecer.
Na minha irrelevante e humilde opinião, o título está entre Rosas de Ouro e Gaviões da Fiel. Foram as duas que conseguiram riscar o chão do Anhembi com instinto de verdadeiras campeãs.
Boa sorte a todas na terça-feira!