
Toda semana, sem exceção, eu me sento para assistir O Poderoso Chefão. Não importa quantas vezes eu já tenha visto, sempre encontro algo diferente para admirar. Esse filme é mais do que um clássico do cinema para mim — é um ritual, um conforto, quase como visitar uma família que, de certa forma, já se tornou minha também. Quando preciso refrescar a mente e colocar a cabeça no lugar, busco a ele.
Dirigido por Francis Ford Coppola e lançado em 1972, O Poderoso Chefão não é só uma obra-prima do cinema gangster, mas um dos maiores filmes de todos os tempos. Baseado no livro de Mario Puzo, ele nos leva ao universo da família Corleone, comandada pelo lendário Don Vito Corleone, vivido de forma magistral por Marlon Brando. Mas, para mim, o coração do filme está na transformação de Michael Corleone, interpretado por Al Pacino, como vocês sabem. Ele começa como um jovem que deseja distância dos negócios da família, apenas para ser inexoravelmente arrastado para esse mundo e, no final, se tornar algo ainda mais implacável do que seu pai jamais foi.
O que me fascina nesse filme é o equilíbrio entre brutalidade e elegância. A máfia, retratada aqui, não é apenas violência e crime, mas também lealdade, tradição e uma complexa rede de códigos de conduta. Há cenas que são pura poesia visual, como o casamento de Connie Corleone no início do filme, intercalado com as negociações de Don Vito no escritório, ou a sequência do batizado no final, onde Michael sela seu destino de forma irônica e devastadora. E um dos meus personagens favoritos, Luca Brasi, que no livro é gigante, mas no filme fez sua ponta de 3 minutos que pra mim é o suficiente para amar seu intérprete, Lenny Montana.
Outro ponto que me prende é a trilha sonora de Nino Rota. Aquela melodia principal, melancólica e imponente, me transporta imediatamente para o universo do filme. O simples ato de ouvir a música já me faz sentir como se estivesse prestes a entrar na casa dos Corleone, com seus corredores sombrios e conversas sussurradas. Ah, claro que meu crush pelo Michael é inevitável, mas com a perda de Brasi, quem entra na família para ser o protetor do novo Dom é lindo Al Neri.
Mesmo sabendo de cor cada cena, cada fala icônica (“I’m gonna make him an offer he can’t refuse”), cada olhar de Don Vito ou Michael, eu nunca me canso e faço esse compromisso semanal onde quer que eu esteja. Assistir O Poderoso Chefão não é apenas um hábito, é uma forma de reencontrar personagens que já se tornaram parte da minha vida. Para mim, esse filme não envelhece e não perde o impacto. Pelo contrário, ele só se torna mais fascinante a cada nova vez que eu o vejo e me faz de alguma forma mais forte para encarar meus medos ou desafios.