Carnaval SP: Colorado do Brás e Tatuapé entregam luxo; Dragões fica perdida no enredo mais uma vez

Rosas de Ouro e Vai-Vai, apesar de tradicionais, não empolgam. Campeã deve desfilar neste sábado

Foto: Samba e Carnaval (X)

A primeira noite dos desfiles no Anhembi já mostrou que o Carnaval de São Paulo veio cheio de identidade, mas o seu melhor sempre fica para o sábado – com raras exceções. Teve escola jogando para ganhar e teve escola que ficou devendo. No recorte da estreia, duas se destacaram com folga: Acadêmicos do Tatuapé e Colorado do Brás. Cada uma à sua maneira, mas ambas com leitura clara de campeonato.

A Tatuapé apresentou um enredo de narrativa forte, apostando na emoção e na construção plástica limpa. O desfile veio naquele estilo “Vila Isabel 2013” — referência inevitável ao clássico campeão da Unidos de Vila Isabel com “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”. Foi uma escola organizada, compacta, com evolução redonda e comunidade cantando do começo ao fim. Nada espalhafatoso, mas extremamente eficiente. Desfile estratégico, de quem sabe somar décimo a décimo.

Já a Colorado do Brás apostou em um enredo que brincava com os mistérios da sexta-feira 13, dia em que desfilou – e entregou luxo e riqueza visual. Diferente dos últimos anos, a escola veio imponente. Alegorias grandes, fantasias bem acabadas e uma plástica impactante. Não foi apenas correta — foi opulenta e luxuosa. A Colorado entrou para ser notada, e conseguiu. Harmonia firme, bateria pulsando forte e um conjunto que cresceu ao longo da avenida. Foi um desfile que misturou emoção com poder visual.

Entre as que ficaram abaixo da expectativa, Rosas de Ouro e Vai-Vai decepcionaram. A Rosas apresentou um enredo com proposta interessante, mas faltou impacto e leitura clara na avenida. Já o Vai-Vai, mesmo com sua tradição e peso histórico, não conseguiu transformar seu enredo em espetáculo competitivo — faltou brilho e sobrou irregularidade. Outra que entrega luxo, Dragões da Real mais uma vez desfilou bonita, mas sem emoção e desconectada ao enredo.

A Barroca Zona Sul tinha um bom enredo nas mãos, conceitualmente forte, mas encontrou dificuldades no acabamento das alegorias e fantasias, o que comprometeu a força visual do desfile. É só a primeira noite, e Carnaval se decide nos detalhes. Mas se a pergunta for quem saiu na frente, a resposta é clara: Tatuapé e Colorado do Brás entenderam o jogo. Uma pela estratégia e consistência. A outra pelo luxo e pela imponência. Campeonato aberto, mas a régua já foi colocada lá em cima pelas duas. Que venha o sábadão!

River Plate só contratou pé de rato e está sem rumo na temporada

Foto: Arquivo Pessoal

O River Plate gastou, contratou, trouxe nome, trouxe currículo… mas futebol mesmo, que é bom, ficou no aeroporto de Ezeiza. A sensação é de que o clube empilhou reforços achando que isso automaticamente resolveria o problema estrutural de intensidade. E não resolveu. O time parece pesado, desconectado, sem alma. E para um River, isso é quase um crime institucional.

A contratação de Matías Viña é um símbolo desse momento. Veio com bagagem, status, expectativa alta… mas não mudou o nível da equipe. Não trouxe agressividade ofensiva constante, não virou líder, não elevou o ritmo. E não foi só ele. Também chegaram Aníbal Moreno e Fausto Vera, dois jogadores que vinham também do futebol brasileiro com rodagem e intensidade. Em teoria, peças prontas para dar dinâmica ao meio-campo. Na prática? Nada mudou. Não controlam jogo, não impõem físico, não aceleram transição. Parece que Marcelo Gallardo contratou sem nem assistir o DVD desses caras.

O que mais incomoda não é nem a parte técnica. É a falta de vontade. O River historicamente sempre foi intensidade, pressão, personalidade. Hoje é um time burocrático, que roda a bola sem profundidade e reage pouco quando toma golpe. Falta aquele jogador que chama a responsabilidade, que pressiona, que arrasta os outros. Falta garra. Falta sangue. Vale lembrar que nem para a Libertadores o time vai esse ano, pois conseguiu vaga apenas para a Sulamericana.

E aí fica a pergunta que ninguém quer responder: é erro de mercado? É erro de montagem? Ou é mental? Porque dinheiro foi investido. O time tem o maior patrocínio da Argentina. Nome foi contratado. Mas desempenho… nada. E no Monumental, a paciência nunca foi infinita. Se o River não reencontrar identidade rápido, a cobrança vai aumentar — e com razão.

Beija-Flor e Viradouro são as únicas que podem surpreender na Sapucaí

Correndo por fora, Vila Isabel, Imperatriz e Grande Rio precisam tirar carta da manga

Foto: Viradouro

Carnaval é emoção, é técnica, é dinheiro na avenida — mas, acima de tudo, é arrepio e surpresas. Em 2026, apenas duas escolas largam na frente quando o assunto é capacidade de parar a Sapucaí no grito e no choro: a Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos do Viradouro. Não é só sobre luxo ou sobre alegoria gigantesca. É sobre narrativa que pulsa, que tem alma, que conversa com ancestralidade e identidade. São as duas únicas, hoje, com real potencial de arrebatar o sambódromo no fator emoção.

A Beija-Flor aposta no Bembé — manifestação religiosa e cultural de resistência, de fé e de memória coletiva. É um enredo que carrega peso histórico, espiritualidade e um discurso potente. Quando a azul e branco resolve falar de ancestralidade, ela varre a avenida. Ela encena. Ela faz a Sapucaí virar terreiro, virar palco de exaltação e bate todas as concorrentes. Se vier com o samba afinado e aquela comunidade cantando como sabe, pode ser daqueles desfiles que transcendem nota e entram para a história, como foi ano passado.

Do outro lado, a Viradouro vem com enredo sobre o Mestre Ciça — personagem central da batida que moldou gerações. Falar de quem construiu o ritmo é falar da própria essência do Carnaval. E a vermelho e branco de Niterói sabe transformar homenagem em espetáculo competitivo. Se a bateria encaixar com o peso simbólico do tema, é o tipo de desfile que cresce da concentração até o último módulo de jurados, criando aquela atmosfera de “estamos vendo algo especial acontecer”. A Viradouro vai surpreender e calar os críticos que o diziam que o enredo não era forte.

Correndo por fora, mas com arsenal pesado de luxo e orçamento, aparecem escolas que também vêm com enredos fortíssimos. A Acadêmicos do Grande Rio mergulha no Manguebeat, exaltando Chico Science e todo o movimento cultural que sacudiu o Recife nos anos 90. A Unidos de Vila Isabel presta homenagem a Heitor dos Prazeres, um dos pilares do samba carioca, figura fundamental na construção da identidade musical do Rio. Já a Imperatriz Leopoldinense aposta na força cênica e artística de Ney Matogrosso, um artista que por si só já carrega teatralidade, ousadia e impacto visual.

São enredos grandiosos, com potencial plástico imenso e sambas que prometem vir fortes. Mas, quando o assunto é arrebatamento puro, aquela sensação de que o desfile saiu do controle e tomou conta da Sapucaí, Beija-Flor e Viradouro hoje parecem um passo à frente. As demais precisam tirar carta da manga. E Carnaval, você sabe, não se ganha só com dinheiro e luxo. Se ganha quando a arquibancada compra junto com a escola sua ideia acontecendo na avenida!

Foto: Rio Carnaval

Grande Rio tem bom enredo, mas é ofuscada pela rainha de bateria

Escola tem um dos enredos mais conceituais de 2026, mas aparece na mídia por outro motivo

Foto: O Globo

O carnaval sempre foi território de cultura, identidade e resistência. E quando a Acadêmicos do Grande Rio escolhe levar para a Avenida o enredo “Manguebeat”, ela não está apenas contando uma história — está reafirmando um movimento que revolucionou a música brasileira. O manguebeat nasceu nos anos 1990 como um grito criativo vindo de Recife, misturando maracatu, rock, hip hop e crítica social. Era lama, era antena parabólica fincada no mangue. Era o Brasil urbano dialogando com suas raízes.

No centro dessa revolução estava Chico Science, artista visionário que, ao lado da banda Nação Zumbi, transformou a cena cultural pernambucana e influenciou gerações. Chico não era só música — era discurso, era estética, era posicionamento. Sua obra falava de desigualdade, de identidade nordestina e de um Brasil profundo que nem sempre ganha espaço no horário nobre. Trazer esse universo para o Sambódromo é uma decisão potente, que conecta carnaval com consciência cultural.

O enredo é bom. É rico. É pulsante. Tem conceito, tem pesquisa, tem lastro histórico. Mas, como acontece tantas vezes na era das redes sociais, a narrativa acaba desviada. O noticiário, os portais e os trending topics preferem focar na rainha de bateria, Virgínia Fonseca, que naturalmente chama atenção por sua popularidade e alcance digital. E aí a discussão deixa de ser sobre cultura e vira sobre figurino, corpo e engajamento.

Não se trata de diminuir ninguém. Rainha de bateria é parte do espetáculo. Mas quando o brilho individual ofusca o discurso coletivo, o carnaval perde um pouco da sua essência. O desafio da Grande Rio é justamente esse: fazer com que o batuque fale mais alto que o hype. Porque Manguebeat é movimento, é resistência, é identidade. E merece ser lembrado pelo que representa — não pelo que viraliza.

Bira Haway será insubstituível no pagode

Produtor musical que revolucionou o gênero formou a trindade das produções, ao lado de Saccomani e Prateado

Foto: DVD Revelação – 30 anos

Bira Haway é um daqueles nomes que talvez não tenham sido sempre estampados na linha de frente dos palcos, mas sem os quais o pagode simplesmente não teria se tornado o que é hoje. Produtor musical lendário e intérprete de escola de samba, Bira foi um verdadeiro arquiteto de sonoridades. Morreu no dia 25 de janeiro deste ano, aos 74 anos, deixando um vazio difícil — para não dizer impossível — de ser preenchido. O pagode perde um de seus pilares mais sólidos, e o samba se despede de um artista completo, que entendia o gênero por dentro e por fora. Bira formou a grande tríade dos produtores do pagode, ao lado de Arnaldo Saccomani e Prateado.

Como produtor, Bira foi visionário. Ele ajudou a moldar a identidade sonora de grupos que se tornaram gigantes do pagode nacional, como Exaltasamba, Molejo, Soweto e Samprazer. Mais do que hits, ele criou caminhos: modernizou arranjos, trouxe balanço, identidade e profissionalismo a um gênero que ainda lutava por espaço e respeito no mercado musical brasileiro. Seu trabalho foi determinante para que o pagode deixasse de ser apenas um fenômeno de nicho e se tornasse um produto forte, popular e sustentável.

Talvez um de seus legados mais simbólicos seja a “revelação” — no sentido mais literal da palavra — do Grupo Revelação. Bira acreditou, apostou e ajudou a construir a trajetória de um dos grupos mais importantes do gênero. Não por acaso, esteve à frente da produção do DVD de 30 anos do grupo, lançado no ano passado, fechando um ciclo histórico com quem ajudou a colocar no mapa do pagode nacional. É aquele tipo de participação que atravessa décadas e permanece relevante do começo ao fim.

Um outro feito de Bira como produtor foi encontrar o grande sucesso do Soweto, enquanto selecionava repertório para o Exaltasamba. Ele ouviu “Farol das Estrelas”, fez Péricles gravar a guia e passado uns dias colocou a música para Belo gravar na banda. A música de Altay Veloso e Paulo Cesar Feital, deu nome ao disco e se tornou um dos maiores hinos do pagode 90. Coisas assim, só um felling apurado como o dele conseguiria ser capaz.

Fora dos estúdios, Bira Haway também brilhou como cantor e intérprete de escola de samba. Foi a voz da Estácio de Sá no primeiro ano de Mestre Ciça como mestre de bateria, mostrando que sua musicalidade não conhecia fronteiras entre samba e pagode. Seu trabalho foi inestimável para a consolidação do gênero no Brasil. Bira não foi apenas importante — ele foi essencial. E por tudo o que construiu, influenciou e deixou, pode-se dizer sem exagero: Bira Haway é insubstituível. Fique com a entrevista especial que ele concedeu para o Leandro Brito no principal podcast de pagode do país.

O Diabo Veste Prada 2 tem novo trailer e data de estreia

Foto: Instagram

Depois de anos no campo do “será que um dia sai?”, a sequência de O Diabo Veste Prada finalmente ganhou data oficial. A revista Vogue cravou: o filme tem pré-estreia nos cinemas dia 30 de abril e lançamento em dia 1º de maio, reacendendo uma chama que nunca se apagou de verdade. Porque vamos combinar: poucos filmes dos anos 2000 envelheceram tão bem, atravessaram gerações e continuaram sendo referência estética, cultural e até profissional como esse.

O retorno do elenco original é, por si só, um acontecimento. Anne Hathaway volta como Andy Sachs, personagem que virou símbolo de amadurecimento profissional (e emocional) para muita gente. Meryl Streep, claro, reassume o papel de Miranda Priestly, uma das figuras mais icônicas da história do cinema recente — fria, afiada, temida e absolutamente fascinante. E sim, ele também está de volta: Stanley Tucci, o inesquecível Nigel, assistente da Miranda, agora ainda mais prestigiado depois de brilhar em Conclave. Um trio que não precisa provar mais nada.

O primeiro filme não virou clássico por acaso. O Diabo Veste Prada ultrapassou o rótulo de “filme de moda” para falar sobre ambição, poder, escolhas e o preço do sucesso. Virou meme, virou referência de figurino, virou linguagem. Miranda Priestly entrou para o panteão dos grandes personagens do cinema, e Andy virou espelho de toda uma geração tentando se encontrar no meio do caos profissional. É aquele tipo de filme que você reassiste sabendo todas as falas — e mesmo assim se diverte como se fosse a primeira vez.

Por isso a expectativa pela continuação é tão grande. Estamos esperando essa sequência há anos, especulando caminhos, imaginando reencontros e querendo saber onde esses personagens estão hoje, num mundo completamente diferente daquele dos anos 2000. Se o novo filme conseguir manter a ironia, a inteligência e o olhar afiado sobre o mercado criativo e o poder — agora em tempos de redes sociais, fast fashion e cancelamentos — o dia 1º de maio tem tudo para virar data comemorativa no calendário cinéfilo. E fashionista também, obviamente.