Globo perde oportunidade de plantão nacional em guerra no Rio e prefere passar filme velho que ninguém assiste

Jornalismo bom se faz ao vivo para todos e é a principal função da TV aberta atualmente. Já são 64 mortos no RJ enquanto passa a Sessão da Tarde

Foto: G1

Enquanto o Rio de Janeiro vive um dos momentos mais críticos de sua história, com intensos confrontos entre forças de segurança e o tráfico nas comunidades da Penha e do Alemão no duelo mais sangrento de todos os tempos, a TV Globo optou por seguir sua programação habitual na tarde desta terça-feira. Em vez de acionar o tradicional Plantão Nacional, que historicamente mobiliza o país em coberturas emergenciais, a emissora manteve no ar um filme antigo da Sessão da Tarde — um título repetido e sem relevância jornalística. A decisão provocou indignação entre telespectadores e profissionais de comunicação, que esperavam uma postura à altura da gravidade dos acontecimentos.

A cobertura ficou restrita à Globo Rio, canal local, enquanto o restante do país assistia à ficção como se o caos urbano na segunda maior metrópole brasileira fosse um assunto regional. O contraste foi evidente: o jornalismo em tempo real migrou para a Globo News, disponível apenas para assinantes, reforçando a sensação de que a emissora deixou de lado sua função pública de informar a população. Em plena era das redes sociais e das transmissões instantâneas, o modelo engessado da TV aberta da Globo parece ter se afastado do compromisso com o factual.

Record e Band aproveitaram o vácuo e dominaram a audiência durante a tarde, exibindo imagens ao vivo, exclusivas e entrevistas com moradores das comunidades em conflito, além de especialistas em segurança pública. As duas emissoras entenderam o que o público esperava: informação imediata, não entretenimento. Enquanto isso, a Globo se mostrava distante, apostando em um conteúdo que há muito tempo perdeu o apelo do público e pode ser encontrado facilmente em qualquer plataforma de streaming.

Quer ver filme? Há o streaming. Quer ver novela? O Globoplay está disponível 24 horas. Mas jornalismo de verdade, aquele que mostra a realidade em tempo real e cumpre seu papel social, é função da TV aberta — e a Globo parece ter esquecido disso. Ao ignorar um conflito que paralisa o Rio e preocupa o país, a emissora mais poderosa do Brasil escolheu a comodidade da programação padronizada em vez da urgência da notícia. E numa tarde em que o país precisava de um plantão, o silêncio da Globo falou mais alto do que qualquer sirene.

Você precisa assistir “Caçador de Marajás”

Doc aborda momentos bizarros e icônicos de Fernando Collor, o ex-presidente playboy da ‘Casa da Dinda’ que colocou o Brasil numa presepada

Foto: Folha de SP

Assistir ao documentário Caçador de Marajás, disponível no Globoplay, é mergulhar numa das fases mais folclóricas e absurdas da política brasileira. A era Collor tinha de tudo: um presidente midiático, discursos messiânicos e uma estética de novela das oito. Fernando Collor de Mello surgiu como o salvador da pátria, o jovem moderninho que prometia “caçar os marajás” e acabar com a velha política. E o povo acreditou. Era o Brasil recém-saído da ditadura, carente de esperança e encantado com a imagem do político que parecia saído de uma capa de revista — bonito, articulado e, claro, muito playboy.

Mas o glamour virou tragédia nacional. Os bastidores da famosa Casa da Dinda — símbolo do luxo e do exagero — mostraram que o “caçador” acabou virando o próprio marajá. Dentro da mesma Casa da Dinda, Collor protagonizou uma das entrevistas mais icônicas da TV brasileira, concedida ao repórter Roberto Cabrini dias após seu impeachment. É ali que o personagem e o homem se misturam, num cenário de ostentação que resume o contraste entre o discurso popular e a realidade dos bastidores do poder. Cabrini, inclusive, é quem mergulha nas investigações sobre todo o período pós-impeachment, incluindo os mistérios que cercam a morte de PC Farias, figura central na derrocada do ex-presidente.

(Collor e Cabrini na piscina da Casa da Dinda)

Um dos grandes méritos do especial é a trilha sonora. O som da virada dos anos 80 pros 90 embala o caos político com hits que marcaram a época. A abertura ao som de “Pense em Mim”, de Leandro & Leonardo — faixa do disco Talismã, o mais vendido da história do sertanejo e com a música mais tocada da época — é um golpe de genialidade. É impossível não rir e, ao mesmo tempo, não lamentar. Como esquecer do Confisco da Poupança que deixou milhares de brasileiros em desespero?!

Maratonar Caçador de Marajás é essencial, principalmente num ano que antecede eleições. O documentário nos obriga a encarar o passado e entender como figuras carismáticas e discursos moralistas podem mascarar grandes armadilhas. O Brasil é um país de memória curta, mas é justamente lembrando Collor — e tudo o que veio com ele — que o eleitor pode aprender a não cair nas mesmas promessas de novo (tentar aprender, porque já caiu). No fim das contas, rir da tragédia não basta: é preciso não repeti-la.

Batalha do Marketing Digital: Primo Rico tentará superar Thiago Finch na Black Friday

Correndo por fora, Daiane Cavallcante – que aparece comendo bolacha em suas promos – também está na briga pelo recorde

Foto: Instagram @thiagofinch

Está aberta a grande batalha no marketing digital brasileiro. De um lado, o império Finch, liderado pelo próprio “He-Man do mercado”, Thiago Finch, que no ano de 2023 cravou um recorde histórico: R$128 milhões em um único lançamento. Do outro, a nova aliança formada por Thiago Nigro, Bruno Perini, Érico Rocha e Leandro Ladeira — o que muita gente já apelidou de “Quarteto Fantástico” do momento. Quatro cabeças pensantes, quatro gigantes do ensino online, quatro egos em busca de um troféu: superar o reinado de Finch na Black Friday das vendas.

Enquanto o público se divide, uma figura vem roubando a cena nos bastidores: Daiane Cavallcante, a “Mulher-Maravilha” desse confronto. Sem superprodução, sem explosão de anúncios, ela aparece tranquila, comendo bolacha em seus vídeos de divulgação — e é justamente essa simplicidade que tem conquistado o público. Daiane promete um evento na segunda semana de novembro, nas mesmas datas em que Thiago Finch também prepara seu mega espetáculo digital. O duelo promete ser quente, e a internet, claro, já escolhe seus lados como se fosse final de Copa do Mundo.

Foto: Instagram @daianecavallcante

De um lado, os fiéis seguidores de Finch aguardam ansiosamente por mais uma revolução de copy, estética e gatilhos que o transformaram em fenômeno da internet. Sabem que passei um tempo sem acompanhá-lo e por um momento pensei que ele tinha realizado o sonho de ser um grande ator de Hollywood. Por que? O ator que fará o live-action de He-Man é a cara dele… Mas ele segue seu reinado no marketing digital.

Do outro lado, os curiosos querem entender o que o time de Primo Rico e companhia tem de tão especial nesta oferta de 2025, “recheada” de conteúdo — e, ao mesmo tempo, tão arriscada por sua complexidade. Érico Rocha, o mago dos lançamentos, tenta organizar a tropa, mas a impressão é que o público pode se perder no meio de tantas promessas, bônus e estratégias.

No fim, o que está em jogo não é só quem vende mais — é quem domina a atenção do público em um mercado saturado de fórmulas mágicas, promessas vazias e frases de efeito. O público agora quer produtividade de verdade para conseguir mudar seus destinos e viver do digital como seus mentores favoritos. Thiago Finch chega com seu carisma e seus números imbatíveis. Daiane Cavallcante, com autenticidade e uma narrativa que foge do padrão. E o “Quarteto Fantástico”, com uma superprodução de peso e capital intelectual.

Quem leva essa? O He-Man com sua espada de super vendas, a Mulher-Maravilha com sua personalidade humilde; ou o Quarteto Fantástico com seus poderes combinados? O campo de batalha digital está armado — e o público, como sempre, vai decidir o vencedor.

Foto: Instagram @primorico

Time de Julius em ‘Todo Mundo Odeia o Chris’, Dodgers tenta bicampeonato na final do beisebol

Toronto Blue Jays sonha quebrar jejum de 30 anos contra os atuais campeões da MLB (que tem o melhor cachorro-quente dos Estados Unidos)

Foto: Paramount+

A noite promete ser histórica na Major League Baseball (MLB). A final da World Series deste ano coloca frente a frente o Los Angeles Dodgers — atuais campeões — e o Toronto Blue Jays, que sonham em encerrar um jejum que já dura três décadas. A série é disputada em melhor de 7 jogos: vence quem chegar primeiro nas quatro vitórias. É o formato clássico do beisebol americano, que faz cada partida parecer uma final por si só, com drama, estratégia e emoção em cada rebatida.

O Blue Jays vive o momento da redenção. Desde o título conquistado em 1993, a franquia canadense nunca mais levantou o troféu. Foram anos de altos e baixos, tentativas frustradas e reconstruções que pareciam nunca engrenar. Agora, com uma nova geração de talentos e um elenco ajustado, o time volta à decisão com sede de história — não apenas para os torcedores locais, mas para todo o Canadá, que vê o beisebol como uma paixão silenciosa, porém fiel.

Do outro lado, os Dodgers chegam embalados e comandados pela maestria de Shohei Ohtani. Campeões na última temporada, a equipe californiana mantém o peso da tradição e do favoritismo. São um dos clubes mais simbólicos da MLB, conhecidos pelo glamour de Los Angeles, pela força do elenco e — claro — pelo título de “melhor cachorro-quente dos Estados Unidos”, segundo o lendário Julius de Todo Mundo Odeia o Chris. O personagem eternizou o amor pelos Dodgers e virou um símbolo curioso da cultura pop esportiva, mostrando como o time ultrapassa o campo e vive também no imaginário popular.

A série promete ser equilibrada, com o time de Toronto buscando quebrar o jejum e o de Los Angeles tentando manter sua dinastia moderna. A cada entrada, o que se vê é mais do que um jogo: é uma batalha de gerações, estilos e histórias. No fim, a World Series não é apenas o auge do beisebol — é um retrato fiel da emoção americana em outubro. E, desta vez, pode ser o mês em que o Blue Jays volta a sorrir ou o Dodgers confirma, mais uma vez, que o trono da MLB é mesmo de Hollywood.

Foto: ESPN

“Maguila – Prefiro ficar louco a morrer de fome” estreia no Globoplay

Grande lenda do boxe brasileiro ganha documentário inédito que conta sua história dentro e fora dos ringues

Maguila vs Foreman em 1990 (Foto: Ring Magazine)

Um documentário completo sobre Adilson Maguila chegou hoje ao Globoplay e é impossível não sentir um misto de emoção e saudade. Maguila foi mais do que um campeão: ele foi o responsável por colocar o boxe brasileiro nas madrugadas da televisão, quando o país inteiro parava pra ver um homem simples, de fala arrastada e coração enorme, enfrentar gigantes do esporte mundial. Era o nosso herói de luvas, que lutava com alma, suor e sorriso. Maguila era o tipo de atleta que fazia o público acordar no dia seguinte falando das lutas, das entrevistas, das piadas e das histórias que só ele sabia contar.

Muita gente da geração dos anos 90 nem lembra direito das lutas, mas conheceu Maguila pela televisão. Ele se tornou uma figura popular, um personagem querido da cultura brasileira. Passou por programas de humor, pelo jornalismo popular do Aqui Agora, onde comentava política e economia do jeito mais simples e direto possível — como quem conversa com o povo da feira. Maguila era engraçado, espontâneo e autêntico. O Brasil inteiro se via nele, e talvez por isso tenha sido tão amado. Era o lutador que virou comentarista, o campeão que virava meme antes mesmo de existir internet.

Mas por trás do carisma, havia um pioneiro. Maguila foi o cara que abriu caminho para o boxe nacional. Enfrentou gigantes como Evander Holyfield e George Foreman — este último, aliás, foi um divisor de águas. A luta com Foreman colocou o boxe brasileiro em outro patamar. Eu, inclusive, tive a sorte de trocar uma mensagem com o próprio George Foreman no Twitter, anos atrás quando eu era jornalista boxística. Falei sobre o Brasil e ele respondeu dizendo que adorava o país e que se lembrava da luta com Maguila. Nunca esqueci disso. Naquele momento, percebi o tamanho do que Maguila representava. Foi ele quem me fez amar o boxe — não apenas como esporte, mas como símbolo de superação.

Por isso, o documentário do Globoplay é mais do que uma homenagem. É um acerto de contas com a história. “Maguila – Prefiro Ficar Louco a Morrer de Fome” revisita a trajetória de um homem que saiu da fome para o ringue, do ringue para a fama, e da fama para o coração do povo. É a história de um brasileiro que lutou até o fim — dentro e fora das cordas. Um ídolo que merece ser lembrado, celebrado e, acima de tudo, respeitado. Vale muito a pena assistir!

Três Graças: Enfim a novela do ano chegou

Foto: Globoplay

Desde o primeiro capítulo, “Três Graças” mostrou que Aguinaldo Silva continua sendo um dos mestres da teledramaturgia brasileira. Logo na estreia, o autor deixou claro que sabe conduzir uma boa história — com ritmo, mistério, diálogos afiados e personagens que já nasceram marcantes. É o tipo de trama que prende o público desde a primeira cena, com uma trilha sonora que caiu como uma luva – especialmente na abertura com a “Clareou”, composta por Rodrigo Leite e Serginho Meriti.

Já o elenco é simplesmente impecável. Cada ator parece ter sido escolhido a dedo, e a química entre eles salta aos olhos. Há uma harmonia de talento e presença que faz o telespectador acreditar em cada gesto, em cada emoção. Dá pra sentir que o elenco está entregue, confiante no texto e na direção. Desde Dira Paes a Grazi Massafera, Marcos Palmeira, Arlete Salles; e com a estreia de Belo nas novelas, o elenco é primoroso como não se via há tempos.

A novela está tratando de muitos temas importantes, mas um se destaca como o mais sério e necessário de ser abordado: a falsificação de remédios. Um assunto grave, com repercussões reais na vida de milhares de pessoas de baixa renda, e que ganha na trama um olhar humano e ao mesmo tempo eletrizante no roteiro. É uma mistura perfeita entre crítica social e puro entretenimento — marca registrada de Aguinaldo Silva. E cá entre nós, poucas coisas me enojam tanto na corrupção como mexer com a saúde das pessoas. Isso vai desde o hospital público sem condições de atendimento a falsificação de remédios essenciais.

Três Graças” é uma novela com um enredo sólido, que não se perde em exageros ou tramas paralelas sem propósito. Não enfia publi a todo custo como a novela anterior. É envolvente, bem escrita e visualmente linda. Ela é realista e atinge o povo de verdade. Tudo indica que, enfim, veio aí um grande sucesso do horário nobre — do tipo que o público sentia falta e a TV brasileira precisava resgatar. Depois de tanta coisa mal feita nesse horário, a emissora acertou a mão de vez para entregar um novelão. O público agradece!