Caçador de Marajás: José Sarney impressiona por memória e imortalidade em série documental sobre Collor

O homi tá melhor que todos nós de saúde…

Foto: Arquivo Pessoal / Globoplay

Estou assistindo à série documental Caçador de Marajás, que retrata o período de Fernando Collor de Mello em seu auge político feita no Globoplay — e uma das figuras que mais me chamou atenção foi José Sarney. Nascido em 24 de abril de 1930, Sarney completou 95 anos em 2025. O que me impressiona não é apenas a longevidade, mas a clareza da memória, a riqueza dos detalhes que ele compartilha — muitos políticos daquela geração já se foram ou se recolheram ao silêncio, mas ele segue firme, ativo, contando causos, bastidores, com aquela desenvoltura marcada pela experiência de décadas.

É fascinante ver como, no documentário, os testemunhos dele ajudam a dar cores à “loucura” da vida do playboy Collor — a política brasileira, o poder, os erros, os excessos — e Sarney aparece como uma espécie de espectador privilegiado que estava lá, que viu, que lembra. Essa vitalidade — ver alguém de 95 anos postando nas redes sociais sua rotina saudável, exercitando-se, mantendo a cabeça firme — funciona quase como um espelho invertido para os muitos jovens que acham que “velho” ou “aposentado” significa “desligado”. Ele humilha (no bom sentido) muitos “jovens” por aí com sua força de vontade: levantar cedo, ler, escrever, estar presente. É quase como se a história viva estivesse ali nos vídeos, nas entrevistas, um personagem que recusa desaparecer.

E pensar: tantos protagonistas daquela época — militares, políticos, intermediários — já se foram. E Sarney, eis-que aparece “imortal” aos olhos de quem assiste. Não no sentido literal, claro, mas no sentido simbólico de permanecer relevante, lúcido, participante. Isso me leva a refletir sobre como a política se faz — e se desfaz — ao longo do tempo; sobre como o protagonismo muda de rosto, e como alguns person­agens históricos resistem, não só por cargos ou pompas, mas por presença, por palavra viva. No documentário, os trechos em que ele narra encontros, momentos tensos, bastidores do poder, adquirem uma potência especial porque vêm de alguém que acumulou histórias.

Por fim, gostaria de dizer que essa combinação — série documental + depoimentos de quem “viveu” o período — me faz revisitar nossa própria percepção de tempo e legado. A geração de Sarney, Collor, outros tantos foi marcada por um Brasil em mutação, por tensão, por transição. E ao ver Sarney ainda ali, ainda contando, ainda ativo, é como se ele nos lembrasse de que a história não é apenas arquivo morto — está viva, pulsando, e às vezes nos olhando de frente. Assistir “Caçador de Marajás” me fez valorizar esse viés humano, essa continuidade, e me deixou com uma impressão: se política é efêmera, memória bem vivida e bem contada é quase eterna.

E se você ainda não assistiu a série de Fernandinho Collor, assista!

Backstreet Boys também agitaram o pop com videoclipe de terror

Maior hit da boyband, composto por Max Martin, teve clipe inspirado em personagens do Halloween para consagrar o grupo mais influente do pop até hoje

Foto: Reprodução

Em 1997, os Backstreet Boys lançaram aquele que se tornaria o hino definitivo da boyband: Everybody (Backstreet’s Back). Misturando pop dançante com uma estética sombria e teatral inspirada em filmes de terror, o clipe transformou o grupo em criaturas de um castelo assombrado — lobisomem, múmia, vampiro e até o próprio Drácula. A direção ousada, cheia de efeitos e coreografias icônicas, fez o vídeo ser comparado a Thriller, de Michael Jackson, e marcou uma nova era para o pop dos anos 2000.

A canção, com seu refrão explosivo e repetitivo (“Everybody! Yeah!”), foi um dos primeiros grandes hits globais da MTV, ajudando a consolidar o formato de videoclipes como ferramenta essencial na cultura pop. A estética gótica misturada com o pop dançante abriu caminho para artistas que, nos anos seguintes, também exploraram o visual sombrio como elemento de identidade — de NSYNC a Britney Spears. Mais de duas décadas depois, Everybody continua a ser um dos momentos mais aguardados nos shows dos Backstreet Boys.

Na atual turnê mundial, o hit voltou com força total, acompanhando uma geração que cresceu com o som da boyband e agora vibra ao reviver essa nostalgia em arenas lotadas. E é impossível falar de música pop sem reconhecer o legado dos Backstreet Boys. O grupo se consagrou como a maior boyband e um dos maiores fenômenos da história da indústria musical, com mais de 130 milhões de discos vendidos e hits que atravessaram gerações. Eles provaram que o pop pode ser atemporal — e que o talento, a harmonia e o carisma continuam sendo os ingredientes que mantêm viva a chama dos anos dourados do pop mundial.

No Halloween, quando as playlists ganham um toque de mistério e diversão, Everybody sempre ressurge. Afinal, poucos hits conseguiram unir terror, dança e pop de maneira tão memorável — e provar que os Backstreet Boys continuam, literalmente, de volta! 🧛‍♂️🎃

Maior clipe da indústria musical, “Thriller” é exaltado no Halloween

Foto: Rolling Stone Brasil

Em 1983, Michael Jackson lançava o videoclipe de Thriller. E o mundo nunca mais foi o mesmo. Dirigido por John Landis, o curta-metragem de quase 14 minutos não foi apenas um clipe musical — foi um divisor de águas. Jackson transformou o que antes era um simples vídeo promocional em uma verdadeira produção cinematográfica, com roteiro, personagens, efeitos especiais e uma história de arrepiar. A música já era um sucesso, mas o clipe fez dela uma lenda — misturando terror, dança e carisma em doses perfeitas.

O impacto foi tão grande que Thriller redefiniu o que significava lançar um clipe. A partir dali, artistas começaram a enxergar o audiovisual como parte essencial de sua obra, e não apenas como um complemento. A MTV, ainda jovem na época, viu sua audiência explodir. O canal se tornou o templo da música pop, e Michael, seu maior profeta. Cada passo de dança, cada olhar, cada movimento de zumbi virou referência. Thriller não só dominou as paradas — ele moldou toda uma geração de artistas e produtores.

E o clipe ainda carrega um simbolismo poderoso: a perfeita fusão entre o medo e o espetáculo. Por isso, todo Halloween revive Thriller — seja nas festas, nas redes sociais ou nas ruas cheias de fantasias. O som da risada maléfica e a coreografia dos mortos-vivos continuam sendo o retrato mais divertido do terror pop. Michael conseguiu o impossível: transformou o medo em ritmo e o susto em celebração.

Mais de quarenta anos depois, Thriller continua insuperável. Nenhum artista conseguiu repetir com tamanha genialidade a mistura entre música, cinema e performance. Michael Jackson não apenas lançou um clipe — ele criou um marco cultural que atravessa gerações. E é por isso que, neste e em todos os Halloweens, o mundo ainda dança ao som do rei. Vale ainda conferir o doc ‘Thriller 40’, na Paramount+, que conta a história dessa grande obra. Esse é um dos legados do maior astro pop, eternamente vivo, mesmo entre os mortos.

´´Springsteen – Deliver Me From Nowhere´´: Filme é depressivo igual a gente, mas com a genialidade de Bruce

Foto: Televisa Entretenimento

O longa Springsteen: Deliver Me From Nowhere acerta em cheio ao revisitar aquele momento de virada na carreira de Bruce Springsteen — o período conturbado, criativo e pessoal em que ele grava o álbum Nebraska em 1982. O que torna esse filme tão potente é a combinação entre a fidelidade ao espírito da obra de Springsteen e o “fan-service” maravilhoso para quem já vibra com o “Boss”: as cenas de estúdio caseiro, o ambiente bruto da gravação no quarto, o conflito íntimo com fama e identidade — tudo isso está lá, de modo visceral e sincero.

E falando em fan-service, o filme entrega com generosidade os trejeitos, a linguagem do rock, o cenário de New Jersey e os momentos de ruptura com o que era esperado comercialmente. É como se os fãs mais apaixonados dela tivessem sido convidados para acender as luzes no palco e conferir tudo de pertinho. Essa “carta de amor” ao universo Springsteen tem um peso emocional raro, e ainda se reveste de um tom de “making-of da alma” mais do que apenas “a vida de um astro”. No centro disso tudo, a atuação de Jeremy Allen White como Springsteen se destaca glamorosamente — ele não apenas imita, mas encarna o espírito de um artista que negocia entre mito e vulnerabilidade.

Jeremy Allen White brilha ao capturar tanto o swagger do rock’n’roll quanto o tormento interno: é o músico cansado de rótulos, buscando algo autêntico, crendo que aquela voz interior pode falar mais alto do que qualquer hit comercial. Ele se transforma, e isso é raro em biografias desse tipo. O elenco ao seu redor apoia magistralmente essa jornada, mas é ele quem carrega o filme — sua performance faz com que esqueçamos que estamos assistindo alguém compondo o mito e passemos a realmente “sentir” o caminho de Springsteen. E isso, numa cinebiografia tão esperada, é ouro puro.

Para os fãs de música boa, para quem já sentiu o arrepio de ouvir “Born in the U.S.A.” ou “Atlantic City”, e para quem gosta de cinema que vai além do entretenimento “padrão”, esse filme é um achado. Ele tem alma, tem história, tem reverência — e ao mesmo tempo não se prende à reverência cega: questiona, revela fissuras, mostra dor. É depressivo igual a gente. mas um filmaço que merece ser conferido — não é divertido, mas é envolvente, com a trilha sonora rodando alto e o coração preparado para vibrar. Vale a pena a pipoca e o combo do cinema.

Ninguém aguenta mais regravações no sertanejo!

Repertório já saturou. E agora, de quem é a culpa? – como dizia Marília

Foto: @flavinhocoelho

Ninguém aguenta mais! O sertanejo virou um looping eterno de regravações — e o pior: agora nem é mais só de modão antigo ou anos 90/2000. Estão regravando pop, pagode, forró e até NXZero como se fosse uma moda do Sabadã Sertanejo do Gugu. O repertório parece ter acabado e, junto com ele, a criatividade para inovar. O que antes era um gênero de originalidade, que dava palco para novas histórias e melodias liderando o mercado, hoje virou um grande karaokê de hits reciclados sendo engolido por outros gêneros musicais.

E aí vem a pergunta: De quem é a culpa? Os compositores garantem que o material inédito existe — e de qualidade. Mas o problema, segundo eles, começa nas audições. Os artistas chegam procurando o hit pronto, a “música bagaceira” que vai render dancinha, viral no TikTok e agenda cheia pelo Brasil. Pouco importa se a letra tem alma, se a melodia emociona ou se vai durar. O importante é estourar, nem que seja por quinze dias e alavancar o cachê.

O resultado disso é um mercado medroso e preguiçoso, onde todo mundo quer copiar o sucesso do outro. A cada semana, um novo lançamento “inspirado” em alguém ou um ep cheio de regravações batidas. O sertanejo, que sempre foi o espelho da vida real, das paixões e sofrência do povo, perdeu muito da sua essência. Hoje o foco é o hit passageiro, não a canção que marca uma geração. E as regravações que poderiam ser revisitadas sem problemas, também saturou o ouvido do público. Os artistas ficam no óbvio como por exemplo: “Vamos regravar Rick & Renner”. “Qual vai ser: Ah, a Feiticeira…” que na verdade se chama “Ela é Demais” (Elias Muniz).

A discussão ganhou um novo capítulo nessa noite quando o músico Flavinho Coelho, conhecido por seus marcantes violões nos álbuns de João Bosco & Vinícius, fez uma enquete em seu perfil perguntando justamente isso: A culpa é do artista ou das músicas sem qualidade? O resultado foi um empate técnico — e simbólico. Porque, no fundo, o problema é coletivo. Falta coragem dos artistas e falta ousadia de todos no mercado para apostar no novo.

A verdade é que o público também tem parcela nisso. O consumo rápido alimenta a pressa dos artistas, e o ciclo se repete: quanto mais descartável o gosto, mais descartável a música. Mas o sertanejo sempre renasce — e talvez esteja chegando a hora de uma nova virada, em que o original volte a valer mais que o reciclado. Porque se é pra ouvir regravação, que pelo menos seja do próprio artista se regravando (em um DVD ao vivo de verdade, sem aquela mixagem que deixa a plateia com voz de auditório do Ratinho nos áudios quando lançado). O sertanejo precisa voltar a contar histórias novas — não apenas repetir refrões. Mas quem fará isso sem medo e parar de ficar escorado nas regravações dos outros?

Aniversário do melhor de todos os tempos

É tempo de Garrincha, meu anjo-da-guarda (da pá-virada)

Foto: Arquivo Pessoal

Hoje o futebol celebra o nascimento de um gênio: Manoel Francisco dos Santos, o eterno Mané, o inesquecível Garrincha. Um homem de pernas tortas, mas de talento puro e inquestionável. O craque que virou o símbolo da alegria em campo, o driblador que desmontava zagueiros e arrancava sorrisos até dos adversários. O Botafogo foi seu palco, e ali, um jovem chamado Jairzinho — que mais tarde seria o Furacão da Copa de 70 — pulava o muro de General Severiano só para ver o ídolo treinar. Era Garrincha quem ensinava, sem precisar falar, o que era ser livre dentro das quatro linhas.

Garrincha era mais do que um jogador: era um espetáculo. Enquanto muitos dependem de gatorade e treinos de alta performance, para ele bastava um campo, uma bola e um par de pernas tortas para transformar o impossível em rotina. Sua energia parecia vir do samba, da boemia, da Portela e da Mocidade Independente. Era do carnaval tanto quanto era do futebol. O Brasil não o amava apenas por seus dribles, mas por sua autenticidade. Garrincha não jogava, ele brincava — e essa leveza é o que o tornava imortal.

Dentro e fora de campo, sua personalidade era forte, inquieta e intensa. Garrincha era o retrato do brasileiro que vive entre a dor e a alegria, mas escolhe sorrir mesmo assim. Seu sorriso era tão famoso quanto seus dribles — um convite para lembrar que o futebol, acima de tudo, é diversão. Cada gol, cada arrancada, cada finta de Garrincha era um pedaço de arte popular, uma homenagem à simplicidade e à genialidade que convivem em quem é realmente do povo.

Quando nasci, em um 30 de outubro, Deus me deu um anjo-da-guarda de chuteiras (e da pá-virada igual a mim). Tinha que ser ele, do dia 28. O homem que escrevia torto por linhas e pernas tortas, mas sempre escrevia bonito. No destino, herdei um pouco dessa essência: o amor pelo futebol, pela liberdade, pela alegria sem explicação. Garrincha foi e sempre será o reflexo do que encanta, improvisa e emociona.

Não por acaso, vi seu time do coração conquistar a América no Monumental ano passado – melhor não falarmos do Botafogo nesta temporada. Que imensa honra ver aquela conquista de perto. Pude sentir Garrincha comigo naquele dia, assim como sinto a cada dia que piso em um estádio ou onde eu estiver. Feliz aniversário, ao maior do futebol!