Categoria: Televisão

Galvão Bueno precisa parar de meter Ayrton Senna em tudo

Foto/Reprodução: Gazeta Esportiva

Galvão Bueno tem muitas marcas registradas além da voz marcante. O “haja coração”, o “é tetra!”, a voz embargada de emoção… E a mania de comparar todo piloto que aparece com Ayrton Senna. Não importa se é um novato promissor ou um veterano consagrado: se fez algo marcante, lá vem o Galvão com o inevitável “Ai, me lembrou o Senna”. A Fórmula 1 muda, os tempos mudam, mas o fantasma de Senna segue sendo convocado em toda oportunidade.

O caso mais recente foi a ida de Lewis Hamilton para a Ferrari. Bastou sua estreia para Galvão soltar que isso “lembra Senna” em seu comentário no Jornal da Band. Antes disso, quando Charles Leclerc venceu em Monza pela primeira vez, a reação foi a mesma: “Ai gente, preciso falar que ele me lembrou Senna caminhando pro pódio”. Já aconteceu com Verstappen, já aconteceu com Alonso, já aconteceu até com Norris em um dia de chuva e com o Kimi Antonelli que acabou de chegar. A questão é: todo piloto talentoso precisa, obrigatoriamente, ser comparado com Ayrton Senna? O piloto brasileiro faleceu tem 31 anos, nunca terá sossego em ter o nome mencionado em vão, não só por Galvão, mas por todo mundo?

É compreensível que Senna tenha esse impacto no esporte até hoje. Ele foi um dos maiores da história e sua morte precoce congelou sua imagem no imaginário popular. Mas essa necessidade de colocá-lo como referência para tudo e todos acaba até desvalorizando seu próprio legado. Senna era único, tinha um estilo de pilotagem particular e um carisma que não se repete. Ficar tentando enxergar Senna em cada piloto que surge não apenas soa forçado, mas também tira o brilho da individualidade de cada um. Outro ponto, mencionar Senna em coisas fúteis também enche o saco.

A verdade é isso cansa. Vale lembrar que cada piloto tem sua própria história, óbvio. Hamilton é um fenômeno por méritos próprios. Leclerc venceu em Monza pelo talento e pela garra dele, não porque “parece Senna”. Verstappen domina a Fórmula 1 com um estilo muito diferente. Cada um constrói seu caminho, e forçar paralelos com Senna apenas cria expectativas irreais e comparações injustas.

No fundo, essa insistência em lembrar Senna o tempo todo diz mais sobre Galvão do que sobre os pilotos. Ele narrou a era Senna, viveu aquele auge e nunca conseguiu realmente desapegar. Seu entusiasmo é genuíno, mas chega um momento em que isso se torna cansativo. A Fórmula 1 segue em frente, novos ídolos surgem, mas Galvão continua preso ao passado. O verdadeiro viúvo de Senna é ele, nem é a Galisteu.

O mais curioso é que, se estivesse vivo, Senna provavelmente ficaria incomodado com essa mania de associá-lo a tudo. Ele queria ser lembrado como um grande piloto, mas também sabia que o automobilismo é uma evolução constante. Talvez seja hora de fazer o mesmo. Ayrton Senna foi uma lenda viva, um ícone, mas já passou da hora de deixá-lo descansar em paz. Aliás, feliz aniversário, Senninha. Hoje foi minha vez de colocar seu nome em vão, mas no intuito disso diminuir ou acabar de vez. Descanse e mande abraços aí em cima para o Gugu, outro que tem zero dias de paz.

Adriano da Nóbrega era muito superior a Ronnie Lessa

Foto/Reprodução: El País

Dentro do submundo do crime e das forças de segurança, Adriano da Nóbrega e Ronnie Lessa trilharam caminhos que, apesar de se cruzarem em certos momentos, apresentam diferenças notáveis. Ambos foram policiais militares, se envolveram em atividades ilícitas, mas enquanto Adriano construiu uma reputação de eficiência e respeito entre seus pares, Lessa teve uma trajetória marcada por menos reconhecimento dentro das corporações e do próprio meio criminoso.

Adriano da Nóbrega era um militar altamente qualificado. Seu ingresso no Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) do Rio de Janeiro não foi por acaso: ele conquistou o primeiro lugar no curso de formação, um feito que não apenas exigia preparo físico e mental extremo, mas também o destacava entre os melhores da corporação. Seu conhecimento técnico sobre armamentos era tão profundo que, segundo relatos, conseguia identificar e desmontar armas sem nunca ter tido contato prévio com elas. Essa habilidade, aliada à sua inteligência operacional, fazia dele uma peça valiosa dentro e fora das fileiras oficiais. Mesmo após Adriano sair do caminho certo e entrar na contravenção de vez, seguiu sendo admirado por colegas.

Já no comando do “Escritório do Crime”, tinha passe livre em grandes eventos, inclusive no Carnaval onde entrava com credencial da Vila Isabel no pescoço. Por outro lado, Ronnie Lessa, apesar de também ter uma trajetória policial e ligação com o crime organizado, nunca alcançou o mesmo nível de respeito e nem pisava na Sapucaí. Diferente de Adriano, ele não entrou no BOPE pelo curso, e sua presença no meio policial e criminoso não gerava a mesma admiração.

Sua atuação como pistoleiro de aluguel, embora letal, era mais associada à frieza e à execução mecânica do que a um planejamento sofisticado ou a uma presença dominante no cenário do crime. Enquanto Adriano tinha todo um planejamento quando recebia uma encomenda, gravando tudo a seu favor e guardando provas que jogava todos no ventilador, Lessa era descuidado nessa parte. O que o acabou prejudicando no fim da história de Marielle, por exemplo.

A comparação entre os dois pode ser sintetizada em uma analogia cinematográfica: se Adriano da Nóbrega fosse um personagem de “O Poderoso Chefão”, ele se assemelharia a Luca Brasi — um homem temido, calculista e altamente eficiente no que fazia. Um executor com inteligência estratégica, respeitado por aliados e temido por inimigos. Já Ronnie Lessa, apesar de seu histórico de violência, não atingiu esse mesmo patamar de influência ou reconhecimento, sendo mais uma peça funcional do que um nome de peso na hierarquia do crime. “Ah, mas o Lessa não seria o Al Neri do filme?” Jamais. Esse personagem se assemelha muito mais a Marcos Falcon, história já contada por aqui.

Essa diferença de status entre Ronnie Lessa e Adriano da Nóbrega também se refletiu nos desdobramentos de suas histórias. Enquanto Adriano passou anos fugindo, ganhando sem querer 1 ano sabático no litoral até ser morto em uma operação que levantou inúmeras suspeitas sobre queima de arquivo; Lessa acabou preso e exposto, sem a mesma rede de proteção ou prestígio para evitar sua queda. Sem contar que Adriano tem um livro dedicado a ele (Decaído), com sua foto na capa. Lessa foi tema de livro também, mas não tem um como protagonista. A vida de Adriano rende filmes que chegariam a Cannes e ao Oscar. Já a vida de Lessa rende no máximo colunas policiais que contam quais livros ele anda lendo na prisão (dizem que até livro de coach ele tem lido. Quer sair pior do que entrou do regime?)…

Bom, sabemos que Adriano causava pavor em qualquer bicheiro. Lessa quando foi bater de frente com o “Michael Corleone carioca”, perdeu a perna. E ainda tem gente que ousa a comparar ambos. Como disse Vera Araújo em uma entrevista ao Inteligência Ltda: “Lessa tinha inveja enorme de Adriano, por ser meio que um lobo solitário. Enquanto Adriano, mesmo depois de sua morte continua sendo cultuado pelos colegas de profissão”. Detalhe não menos importante, Ronnie Lessa foi praticamente expulso de Rio das Pedras pelo Adriano quando houve um “embate” que nem direto aconteceu, mas foi o suficiente pro ex-tatuador deixar a área onde o “brabão” era soberano.

No fim, a trajetória de cada um revela que no mundo do crime, nem todos são lembrados da mesma forma — e o respeito conquistado dentro desse universo faz toda a diferença, mesmo que para o mal caminho. E o final de ambos também deixa escancarado que o crime jamais compensa. O que nos rende são boas histórias para contarmos e rir igual o Delegado Vinícius George em “Vale o Escrito”.

“Viver Sertanejo” precisa de mais tempo e de conteúdos extras no Globoplay

Edição está corrida, cortando conversas e deixando o público com vontade de ver mais

Foto: Globoplay

O programa Viver Sertanejo tem se consolidado como um dos maiores acertos da programação global nos últimos tempos, especialmente por resgatar a cultura sertaneja e colocar em evidência artistas que marcaram gerações. No entanto, apesar do grande potencial da atração, há pontos que merecem mais atenção, principalmente em relação ao tempo de duração e à edição dos episódios. Os fãs do programa e críticos apontam que a edição tem sido excessivamente cortada, o que prejudica o andamento das conversas e a continuidade dos assuntos, deixando os debates e interações truncados. Quando o objetivo é explorar as histórias e a carreira dos convidados, é fundamental garantir que o conteúdo seja exposto de forma mais completa.

O episódio mais recente, com Roberta Miranda e Gustavo Mioto, foi um exemplo claro dessa fragilidade. Muitos telespectadores acharam o programa monótono e sem a profundidade que o tema de ambos artistas merece. As entrevistas pareciam apressadas, sem o devido tempo para que os convidados falassem de suas experiências, suas trajetórias e, claro, de sua música. A edição enxuta demais retirou o ritmo natural da conversa e transformou o que deveria ser um momento de resgate da cultura sertaneja em algo corrido e sem emoção. Para um programa que tem como missão destacar o gênero, esse tipo de tratamento é frustrante, pois impede que a conexão entre o público e os artistas se aprofunde.

Outro ponto que tem gerado insatisfação é a falta de conteúdos exclusivos no Globoplay. Em um momento em que as plataformas de streaming se tornaram cada vez mais essenciais para o consumo de conteúdo, é imprescindível que o Viver Sertanejo tenha episódios e materiais extras disponíveis para os fãs. Conteúdo tem de sobra. A exibição apenas na TV aberta limita a experiência dos telespectadores que gostariam de se aprofundar mais nos bastidores das gravações, nas entrevistas e até em momentos que não foram ao ar devido à edição. Isso seria uma ótima oportunidade para o programa expandir ainda mais seu alcance e fidelizar um público que já demonstra interesse pelo universo sertanejo, mas que sente falta de um contato mais íntimo com os artistas.

Além disso, alguns episódios apresentaram problemas claros na escolha dos convidados. No programa com Gino & Geno e Israel & Rodolffo, por exemplo, a dinâmica entre os artistas não foi explorada da forma que poderia. E houve uma sensação de que o episódio estava “empurrado”, com cortes secos sem nenhuma interação com o que tava acontecendo. A interação entre os convidados parecia desconexa e sem a fluidez necessária para manter o ritmo do programa. Situações como essas indicam que, para o Viver Sertanejo continuar sendo um sucesso, é necessário um cuidado maior na curadoria dos convidados, buscando sempre uma química mais evidente entre eles, o que faz toda a diferença em um programa desse estilo.

Em outro episódio, o programa com Rick & Renner e Trio Parada Dura também demonstrou sinais de apressamento. A edição rápida e a falta de tempo para as discussões mais profundas prejudicaram a performance de um episódio que tinha tudo para ser histórico. O Trio Parada Dura, com sua trajetória única e imensa importância para a música sertaneja, teve seu espaço reduzido de forma drástica. Quando o assunto é um artista icônico, que marcou a história de várias gerações, o programa deveria ter se dedicado a retratar melhor suas vivências e o impacto cultural do grupo, dando-lhes o espaço merecido para compartilhar suas memórias.

Outro erro que chamou atenção foi no programa com o Baitaca, um grande nome da música gaúcha. Sua participação foi limitada e as explicações sobre sua música “Do Fundo da Grota” foram cortadas, prejudicando a compreensão do público sobre o significado e a relevância daquela canção. Esse tipo de situação é preocupante, pois o programa perde a oportunidade de explorar aspectos fundamentais da música regional e das histórias que, muitas vezes, ajudam a enriquecer a própria identidade do sertanejo. A edição apressada impede que a riqueza dessas histórias seja apresentada de forma adequada.

Um episódio que também causou certo desconforto foi aquele com Michel Teló, que demonstrou um certo desconcerto ao assumir, em diversos momentos, o papel de apresentador, especialmente ao tomar a frente de Daniel. Embora ambos sejam grandes nomes da música sertaneja, a postura de Teló gerou uma sensação de desequilíbrio na apresentação, que parecia mais voltada para o seu ego do que para a valorização da música sertaneja em si. Dava a inpressão de que ele estava no extinto “Bem Sertanejo”. Sabemos que ele sonha com um programa próprio, mas não era o momento de demonstrar isso. Enfim…

O Viver Sertanejo continua sendo um grande trunfo da Globo, com um formato que, se bem aproveitado, pode se tornar uma referência definitiva para o gênero. O programa precisa de mais tempo para que as conversas fluam de forma natural e menos atropelada. Também seria essencial que a edição fosse mais cuidadosa, garantindo que as histórias não fiquem pela metade e que o público possa realmente aproveitar a experiência completa.

Uma solução: NINGUÉM QUER VER AUTO ESPORTE DE MANHÃ, TIRA ESSA DESGRAÇA DE PROGRAMA. AUTOMOBILISMO É COISA DA BAND. DEIXEM O GLOBO RURAL E O VIVER SERTANEJO NA GRADE DA MANHÃ DO DOMINGO, PRONTO! Com esses ajustes, o projeto tem o potencial de ser tão bom quanto seus primeiros episódios, resgatando a verdadeira essência do sertanejo e oferecendo um conteúdo mais profundo e emocionante para seus fãs.

Alguém está bem feliz com a derrota do Corinthians: O SBT

Foto: Miguel Schincariol / AFP

O Corinthians se esforçou para derrotar o Barcelona de Guayaquil na Neo Química Arena, mas foi desclassificado da Libertadores da América por ter perdido o jogo de ida por 3 a 0. O placar na altitude pesou e favoreceu o time equatoriano, que vai para a fase de grupos da competição. Mesmo com a dura derrota, o alvinegro paulista não se despede de competições internacionais em 2025, apesar da queda precoce na Libertadores.

O Timão não teve a temporada a perder internacionalmente. O clube vai entrar direto na fase de grupos da Sulamericana, competição que no ano passado quase chegou nas mãos do Corinthians que alcançou às semi-finais. A vaga no torneio do segundo escalão da América do Sul é uma espécie de prêmio de consolação aos times que batem na trave e não avançam à fase de grupos da Libertadores. Uma forma de manter também clubes de tradição competitivos no continente, enquanto outras vagas são ocupadas por times de menor expressão na Liberta – Simón Bolívar chora.

A Sulamericana terá mais um ano de transmissão no SBT, emissora que deve ter torcido em seus bastidores nessa noite contra o time de Itaquera. O motivo, claro, para ter a garantia de audiência no meio da semana com o Corinthians jogando pela competição. No ano anterior, o SBT teve muitas alegrias no Ibope graças ao time atuando em sua telinha na Sula. Em algumas ocasiões chegou a liderar a guerra pela audiência em cima das novelas chatíssimas da Globo. Nesse horário nobre e sem opção, até quem não era “Gaviões da Fiel” ficava ligado na emissora de Silvio Santos.

O Corinthians inicia a Copa Sulamericana com expectativas elevadas, especialmente após a contratação de jogadores de renome internacional. Além de Memphis, outros membros do elenco estrelado têm se destacado nesse início de ano. O meia argentino Rodrigo Garro, com sua visão de jogo e capacidade de articulação, tem sido peça-chave na criação de jogadas ofensivas. O atacante Yuri Alberto, após um início de temporada abaixo do esperado quando chegou ao clube, reencontrou seu faro de gol e terminou o ano como vice-artilheiro da equipe.

Com esses craques, o Corinthians busca conquistar o título que escapou no ano passado, almejando consolidar-se novamente como uma das principais forças do futebol sul-americano. Por enquanto, no próximo fim de semana o time tem o desafio de encarar a primeira final do Paulistão. Este transmitido com sucesso pela Record, vai ter novamente o clássico contra o Palmeiras na decisão do título.

Em suma, SBT e Record tem mostrado mais uma vez que podem ser potências no esporte, derrubando o monopólio da Globo e conquistando um público que estava afastado por algum motivo de ambas as TV’s.

Caso Irmãos Menendez sofre reviravolta

Foto: ABC News

O caso dos irmãos Erik e Lyle Menendez voltou a ganhar destaque nos últimos meses e recebeu uma onda de apoio muito positiva para que os irmãos pudessem ter a pena revista pela Justiça. No entanto, o procurador de Los Angeles, Nathan Hochman, rejeitou hoje a petição para um novo julgamento. Os irmãos, condenados à prisão perpétua pelo assassinato dos pais, Jose e Kitty Menendez, alegam que foram vítimas de anos de abuso sexual por parte do pai e que isso motivou o crime. Novidades no caso envolvendo crimes graves por parte de Jose Menendez vieram à tona recentemente, como nos depoimentos do ex-Menudo Roy Rosselló.

A recente tentativa de reverter a sentença ainda teve como base novas alegações de testemunhas que reforçam a narrativa do abuso, algo que já foi apresentado durante os julgamentos dos anos 1990, mas que não impediu a condenação por homicídio qualificado. No entanto, a história dos Menendez ganhou uma nova perspectiva nos últimos anos, especialmente após o lançamento da série documental da Netflix “The Menendez Murders: Erik Tells All” e o fenômeno nas redes sociais que se seguiu com a série baseada no caso, “Monstros: Irmãos Menendez: Assassinos dos Pais” que rendeu indicações ao Globo de Ouro ao elenco.

A série reacendeu a comoção pública em torno do caso, levando muitos a questionar se os irmãos receberam um julgamento justo ou se foram vítimas de um sistema que ignorou seu sofrimento. Campanhas nas redes sociais e um grande número de apoiadores vêm pedindo que suas sentenças sejam reconsideradas, argumentando que a justiça falhou ao desconsiderar o histórico de abusos na decisão final.

Apesar da nova onda de apoio, Hochman manteve a condenação, afirmando que as novas provas não são suficientes para justificar um novo julgamento. A decisão frustrou aqueles que acreditam que Erik e Lyle foram punidos de maneira desproporcional, enquanto outros defendem que o assassinato dos pais, independentemente das circunstâncias, foi um crime imperdoável.

O caso Menendez continua a dividir opiniões e a gerar debates sobre trauma, abuso e o funcionamento do sistema judicial. Para os irmãos, a luta por justiça ainda não acabou, e para o público, a questão permanece: foram eles assassinos frios ou vítimas desesperadas que não viram outra saída? Você no lugar deles teria feito o mesmo? Independente dessas questões, o caso merecia ser revisto. Mas a Justiça americana é complexa e não será fácil reverter uma pena a favor deles.

Discurso de Leonardo DiCaprio no Oscar completa nove anos e nada mudou

Foto: ABC News

Em fevereiro de 2016, Leonardo DiCaprio subiu ao palco do Oscar para, enfim, receber sua tão aguardada estatueta de Melhor Ator, por seu desempenho em O Regresso. Ao invés de se ater aos agradecimentos tradicionais ou fazer desabafos de vingança pelas indicações anteriores não vencidas, ele usou seu discurso para falar sobre um tema que sempre foi uma de suas principais bandeiras: o meio ambiente. DiCaprio alertou o mundo sobre o aquecimento global, a destruição de ecossistemas, o desrespeito às populações indígenas e a necessidade urgente de agir antes que fosse tarde demais.

Ele destacou que 2015 havia sido o ano mais quente da história e deixou um aviso claro: “Não tomemos este planeta como algo garantido”. Nove anos depois, a tragédia anunciada em seu discurso não só se confirmou, como se agravou. Se em 2016 a marca de 2015 como o ano mais quente da história parecia assustadora, os recordes de temperatura continuaram sendo quebrados ano após ano. Em 2024, o planeta enfrentou o ano mais quente já registrado, e as previsões apontam que 2025 pode ser ainda pior.

Ondas de calor extremo, incêndios florestais incontroláveis, secas prolongadas e furacões cada vez mais destrutivos tornaram-se a norma, não a exceção. Os mesmos cientistas que alertavam sobre isso na época do discurso de DiCaprio agora falam com desespero sobre a inação dos governos e a continuidade do modelo econômico baseado na exploração sem limites da natureza. No seu discurso, Leo foi infático ao dizer que era hora de parar a procastinação em relação ao cuidado do planeta.

A destruição das florestas tropicais, outro ponto mencionado por DiCaprio, também se intensificou nos últimos anos. A Amazônia continua sofrendo com desmatamentos recordes, incentivados por interesses econômicos e políticos que priorizam a expansão do agronegócio e da mineração em detrimento da preservação ambiental. Povos indígenas, que ele citou como “aqueles na linha de frente da luta para proteger nosso planeta”, seguem sendo assassinados e expulsos de suas terras em conflitos muitas vezes ignorados pela mídia global. Os compromissos assumidos por líderes mundiais em cúpulas ambientais continuam sendo pouco mais do que discursos vazios, sem mudanças estruturais significativas.

O alerta de DiCaprio sobre o aquecimento global também se provou mais urgente do que nunca. Na época, os líderes internacionais comemoravam o Acordo de Paris, assinado em 2015, como um marco na luta contra as mudanças climáticas. No entanto, nove anos depois, muitos países falharam em cumprir suas metas de redução de emissões de carbono. Aliás, muitos países já saíram do acordo firmado. A queima de combustíveis fósseis segue em alta, a transição para energias renováveis avança de forma desigual, e corporações continuam colocando seus lucros acima do futuro do planeta. A consequência disso é um cenário onde a temperatura global se aproxima perigosamente de um ponto irreversível.

A fala de DiCaprio em 2016 foi certeira ao dizer que o clima “está mudando agora, mais rápido do que qualquer cientista havia previsto”. Se naquele momento os sinais do colapso climático já eram visíveis, agora eles são impossíveis de ignorar. O problema não é mais um risco distante para as próximas gerações, mas uma realidade que já impacta milhões de pessoas com desastres naturais cada vez mais frequentes e intensos. Mesmo assim, a resposta global continua lenta e insuficiente. O mesmo alerta que DiCaprio fez há nove anos poderia ser repetido, palavra por palavra, hoje – só que agora em um contexto ainda mais grave. E pelo caminho que estamos seguindo, caso o ator volte a ganhar mais um Oscar, seu discurso nem mudará e será ainda mais desesperador.

Nove anos depois daquele discurso histórico, apenas o que mudou foi a intensidade da crise ambiental, não a postura da humanidade. Continuamos tratando o planeta como um recurso inesgotável, ignorando os avisos da ciência e deixando que interesses econômicos falem mais alto do que a necessidade de sobrevivência. Se em 2016 Leonardo DiCaprio pediu ação antes que fosse tarde demais, em 2025 a pergunta que fica é: ainda temos tempo para mudar o curso da história, ou já passamos do ponto de não retorno? Talvez o meteoro seja a única salvação!