Categoria: Música

Pan Am, empresa aérea que aparece em ‘Quarteto Fantástico – Primeiros Passos’, tem história entre Frank Sinatra e Roberto Medina

Foto: BBC Arquivos

A Pan American World Airways, mais conhecida como Pan Am, foi uma das maiores e mais icônicas companhias aéreas do mundo durante grande parte do século XX. Fundada em 1927, a Pan Am se tornou símbolo de glamour, inovação e sofisticação nos céus. A empresa foi pioneira em diversas áreas da aviação comercial, sendo a primeira a operar voos transatlânticos regulares e a introduzir aeronaves a jato em rotas comerciais. Nos anos dourados da aviação, voar com a Pan Am era sinônimo de status. Suas aeronaves eram reconhecidas mundialmente, e a marca se tornou um verdadeiro ícone da cultura pop.

Tanto é que, décadas depois do encerramento de suas atividades em 1991, a Pan Am ainda desperta fascínio — e está de volta às telas. A lendária companhia aérea aparece agora no filme Quarteto Fantástico – Primeiros Passos, nova produção da Marvel que tem sido aclamada pelos fãs. A presença da Pan Am no longa funciona como uma homenagem à era de ouro da aviação e à sua forte ligação com a história americana presente na sociedade da época. Mas a Pan Am também viveu momentos marcantes fora das nuvens e do cinema — inclusive aqui no Brasil.

Uma dessas histórias envolve ninguém menos que Frank Sinatra, o astro da música internacional, e um show histórico no Rio de Janeiro. Em janeiro de 1980, Sinatra desembarcou no Brasil para se apresentar no Maracanã, em um evento que reuniria mais de 170 mil pessoas. No entanto, uma forte tempestade caiu sobre o Rio na noite do espetáculo, e o cantor, incomodado com o clima, chegou a avisar que iria embora sem subir ao palco. Foi aí que entrou em cena Roberto Medina, promotor do evento e fundador do Rock in Rio.

Temendo o cancelamento do show, Medina teve uma ideia ousada: ligou para a Pan Am e pediu que informassem ao empresário de Sinatra que o avião que o levaria de volta aos Estados Unidos havia “quebrado”. A mentira funcionou. Sinatra permaneceu, fez o show — e ao fim da apresentação, declarou que aquele havia sido o maior momento de sua carreira. A apresentação entrou para a história como um marco do entretenimento no estádio mais emblemático de todos os tempos.

Foto: O Globo

Mais do que isso: aquele show de 1980 serviu como inspiração e aval para a criação do primeiro Rock in Rio, em 1985. Muitos artistas internacionais, inicialmente receosos, só assinaram contrato após o incentivo do empresário e amigo de Sinatra, que garantiu que o Brasil tinha sim estrutura para receber grandes eventos. E o resto é história: o Rock in Rio se consolidou como um dos maiores festivais de música do planeta. Assim, a Pan Am, mesmo após seu fim, continua presente em histórias extraordinárias — do universo Marvel às páginas inesquecíveis da música e do entretenimento mundial.

Sem inventar modismo, Leonardo acerta ao gravar lado B da própria carreira em mega projeto

Esposa do cantor tem acordado nas madrugadas para rezar pelo DVD, que celebra o legado de Leo no sertanejo

Foto: Newton Fonseca

Enquanto tantas duplas consagradas parecem perdidas tentando se reinventar no universo volátil do TikTok e do Spotify, Leonardo caminha na contramão — e, ironicamente, acerta em cheio. O cantor está gravando um novo DVD que terá parte do lado B da própria carreira. A escolha não poderia ser mais acertada. Nada de músicas feitas para viralizar, nada de parcerias forçadas com nomes da moda e nem tentando buscar hit com compositores sem essência. Leonardo aposta no que tem de mais valioso: o próprio legado. E isso, em tempos de pressa e fórmulas fáceis, é um gesto ousado, maduro e respeitoso com a grande história que ele construiu ao longo de décadas.

Enquanto nomes como Bruno & Marrone e Rionegro & Solimões seguem tentando fisgar um público mais jovem com apostas que muitas vezes soam deslocadas, Leonardo demonstra segurança e lucidez ao olhar para trás e reconhecer que seu acervo musical é mais do que suficiente para continuar encantando plateias. São 50 músicas escolhidas a dedo, passeando por clássicos da era Leandro & Leonardo e também por faixas da fase solo, especialmente aquele período mais “pop” e romântico dos anos 2000, que ainda ecoa forte na memória afetiva de milhões de fãs.

O repertório do DVD é um prato cheio para quem ama sertanejo de verdade, daquele que emociona sem precisar recorrer a fórmulas modernas ou hits descartáveis. Músicas que talvez não tenham sido os maiores sucessos nas rádios, mas que carregam a alma de uma carreira construída com consistência, talento e carisma. É a chance de ver canções esquecidas ganharem luz novamente, sob uma nova produção, mas com o mesmo coração e romantismo de sempre. Aliás, Poliana Rocha, esposa do cantor, tem feito orações para o projeto ser muito abençoado. Pelo jeito que as coisas andam, tem dado muito certo.

A produção musical está nas mãos de Newton Fonseca, nome forte por trás de projetos de artistas como Gusttavo Lima, Naiara Azevedo, Zé Felipe e tantos outros. Com Leonardo, ele tem mantido uma parceria afinada, e tudo indica que este DVD será mais um marco na carreira do cantor. Um projeto ambicioso, mas ao mesmo tempo sóbrio, sem pretensões comerciais mirabolantes — apenas a intenção de revisitar a própria trajetória com dignidade e bom gosto. E essa vai ser justamente a fórmula do sucesso que o projeto terá. Leonardo mostra, mais uma vez, por que segue sendo um gigante.

Ele não precisa se reinventar pensando em lançamento para agradar um novo público, não precisa se adequar às regras do jogo atual. Basta valorizar o que construiu. Ao contrário de muitos colegas que estão tropeçando ao tentar agradar novas audiências, Leo permanece firme, fiel ao que sempre foi: um artista de essência, com uma discografia poderosa e uma presença de palco que atravessa gerações, seja solo ou ao lado do ‘Amigos’. E esse novo DVD é a maior prova disso que ele representa. O novo projeto deve ter o mesmo impacto que o seu primeiro show no Canecão em 1991, que mexeu com o mercado mostrando a força do sertanejo de verdade na música brasileira. E atualmente, só Leonardo tem esse poder nas mãos.

Maior banda de pagode do planeta, Raça Negra fica apenas em 4º na lista sem noção da Billboard

“Oh flor, cê gosta de Raça Negra??”

A Billboard Brasil, sem nada de útil pra fazer na vida, decidiu fazer uma lista com as 25 maiores bandas de pagode do país. E sinceramente? Eu não consigo entender a lógica por trás desse ranking. A começar pela posição de alguns grupos que, ao meu ver, foram completamente negligenciados ou colocados fora de contexto. Não dá pra levar a sério uma lista dessas quando ela ignora critérios fundamentais como impacto cultural, influência no gênero e relevância histórica. É quase como se tivessem feito a seleção a partir de uma playlist aleatória, sem levar em conta a verdadeira trajetória do pagode no Brasil.

Até dá pra reconhecer um ponto positivo: ao menos lembraram do grupo Kiloucura, que ficou em 15º lugar. Um dos grandes sucessos do Kiloucura foi a música “Pela vida inteira” do compositor Riquinho. Uma grata surpresa ver o nome deles ali, porque geralmente são deixados de lado nessas listas mais comerciais. Mas aí você olha pro topo e leva um susto: Exaltasamba em 1º lugar. Com todo o respeito, o Exalta tem sua grandeza, mas é top 3 com folga. Não dá pra aceitar que Exaltasamba e Sorriso Maroto estejam acima do Raça Negra. O grupo não é só o maior do pagode — é simplesmente o grupo que inventou o conceito de pagode popular como o conhecemos. Sem eles, não haveria nem espaço pra que outros grupos dessem continuidade ao movimento.

O Raça Negra é, simplesmente, o grupo top1 do planeta em qualquer ranking que se faça. Eles foram a porta de entrada, a semente de um gênero inteiro. Sabe o que representa Chitão & Xororó para o sertanejo e a Calcinha Preta para o forró? O Raça Negra é isso para o pagode! Abriram caminho quando o samba romântico ainda era olhado com desconfiança e transformaram o pagode num fenômeno nacional. O vocal do Luiz Carlos, os arranjos, o carisma, as composições dele com Elias Muniz… nada ali é por acaso. É um grupo que ultrapassa gerações e continua relevante até hoje. Colocar qualquer outro grupo acima deles é ignorar toda a base do que é o pagode brasileiro.

Agora, se formos falar de sonoridade, aí sim, o grupo Revelação entra com força e representatividade. Porque se o Raça Negra criou o terreno, o Revelação plantou outra árvore ali — trouxe uma sonoridade mais refinada, mais voltada ao samba de raiz, com arranjos mais complexos e letras que elevaram o nível da composição dentro do pagode. As composições de Xande de Pilares e Mauro Jr, em especial, são a essência do legado do Revelação. Pra mim, eles são o grupo mais relevante do ponto de vista musical. Estão no top 2, sem sombra de dúvida.

O Exaltasamba fecha esse pódio com justiça no top 3, pelo sucesso comercial e pela renovação da linguagem do gênero nos anos 2000. O grupo só chegou onde chegou pelo talento de cada um no grupo, como Chrigor e Péricles, os arranjos de Isaías e produções de Bira Hawaí e Prateado. O sucesso do Exalta passa principalmente pelo trabalho do Pinha, que não por acaso tem o apelido de “presidente” como o Bira Presidente do Fundo de Quintal. Claro que nunca esqueço dele na banheira do Gugu, dançando a “Vem pra ficar comigo”. Aliás, mencionando os produtores, além de Bira e Prateado, Arnaldo Saccomani fecha a trindade do pagode nas produções que mudaram a história do gênero.

Enfim, a Billboard precisa parar de querer se enfiar em todos os gêneros como se tivesse a autoridade pra isso. Com todo o respeito, nem tudo precisa passar pelo crivo de um ranking estilo americano ou com metodologia duvidosa. O pagode tem sua própria história, sua própria hierarquia construída nas ruas, nas rodas de samba, nos programas de TV populares. E atualmente tem pessoas capacitadas para falar do gênero com propriedade, como Leandro Brito do maior podcast de pagode e samba do Brasil. Quem vive e sente o pagode sabe muito bem quem são os verdadeiros gigantes dessa história — e, nesse pódio, o Raça Negra nunca vai perder o trono.

George Henrique & Rodrigo detalham tudo sobre conturbada saída de escritório no ‘Tem Base’

Bastidores sórdidos que a dupla viveu durante os últimos anos foram contados em conversa que rendeu revelações e desabafos;

Foto: Tem Base Podcast

Depois de 14 anos sob a gestão do escritório Worldshow, que tem como produto principal a consagrada dupla Bruno & Marrone, George Henrique & Rodrigo anunciaram oficialmente sua saída da empresa no início deste ano. A decisão, embora já ventilada nos bastidores do sertanejo, ganhou contornos reveladores após matérias publicadas por Leo Dias. Agora, a participação da dupla no podcast Tem Base, de Müller Bento e Juliana; os irmãos expuseram detalhes da complicada saída do escritório e episódios delicados que viveram ao longo do tempo em que estiveram vinculados aos ex-empresários. Segundo eles, o acúmulo de desgastes internos, promessas não cumpridas e dificuldades no direcionamento da carreira foram fatores decisivos para o rompimento.

Com uma trajetória marcada por grandes sucessos, George Henrique & Rodrigo conquistaram seu espaço no cenário sertanejo com canções que rapidamente caíram no gosto do público. “Receita de Amar” foi um dos primeiros hits a projetar a dupla nacionalmente, abrindo caminho para outros grandes sucessos na carreira como “Vai Lá em Casa Hoje”, “Promessa de Cachaceiro”, “De Copo em Copo” e a energética “Bagunça Minha Vida”. O talento da dupla, aliado a composições certeiras, consolidou uma base fiel de fãs, especialmente após o emblemático primeiro DVD gravado em um posto de combustíveis de Goiânia, que se tornou um símbolo da identidade jovem, romântica e popular dos dois.

Durante a conversa no Tem Base, George Henrique & Rodrigo não apenas detalharam os bastidores da saída, mas também relataram episódios sórdidos vividos dentro do escritório, como negligência de compromissos, falta de apoio estratégico em momentos decisivos da carreira e um distanciamento crescente entre artistas e gestão. Um dos fatos derradeiros para a dupla tomar a decisão de novos rumos na carreira foi ter ficado de fora – literalmente – do projeto “Inevitável”, iniciado no ano passado por Bruno & Marrone.

A franqueza com que trataram os temas surpreendeu e revelou um lado pouco conhecido da relação entre escritórios e artistas no universo sertanejo. O público muitas vezes nem faz ideia do que acontece fora dos palcos. Enfim, livres do vínculo com a Worldshow, George Henrique & Rodrigo seguem com a missão de reestruturar a carreira de maneira mais independente, apostando na própria visão artística e no relacionamento direto com o público. A saída marca o fim de um ciclo, mas também o início de uma nova fase, com a promessa de mais liberdade, autenticidade e espaço para arriscar novos caminhos no cenário musical. Talentos eles tem de sobra, pois são uma das duplas mais completas em um mercado tão carente de coisa boa nos últimos tempos.

Assistam ao podcast completo a seguir:

Ao maior do sertanejo: Piska

Foto/Reprodução: Cifras.com

O dia 22 de abril é sempre especial. Celebramos com saudade e reverência o legado de um dos seus maiores nomes nos bastidores da música – para mim, o maior: Carlos Roberto Piazzoli, o Maestro Piska. Em décadas de trabalho no rock e no sertanejo, foi muito mais do que um maestro. Piska foi um verdadeiro arquiteto sonoro do sertanejo moderno, um gênio dos arranjos, da harmonia e da emoção nas suas composições e melodias. Neste dia que seria o seu aniversário, sua contribuição permanece viva em cada acorde, em cada solo de guitarra e em cada canção cuidadosamente construída por ele ao longo dos anos 80, 90 e 2000. Seu estilo simplão e cabelo esvoaçante nem se refletem nas robustas obras que marcaram a música e mudaram o cenário nacional para sempre.

Maestro Piska, pode sim, ser considerado o maior arranjador e maestro da história da música sertaneja. Seu trabalho se destacou não apenas pela técnica impecável, mas principalmente pela sensibilidade artística. Ele sabia como poucos traduzir a dor, o amor, a saudade e a esperança em orquestrações que marcaram época. Era também um multi-instrumentista respeitadíssimo, com domínio de diversos instrumentos, o que lhe dava uma visão única de cada canção com a qual se envolvia. Quando ouço uma por uma, particularmente posso até sentir sua presença onde estiver.

Como compositor, deixou verdadeiras joias que continuam emocionando o público. Entre as composições mais marcantes está “Mentira que virou Paixão”, eternizada por Leonardo, uma canção de entrega intensa e melodia envolvente que tem todo seu DNA. Piska gravou todos os instrumentos dela no estúdio Mosh. Já em “Antes de Voltar pra Casa”, interpretada por Zezé Di Camargo & Luciano, Piska ofereceu uma canção profunda, com arranjo sofisticado e letra tocante, que se encaixou perfeitamente no estilo sentimental da dupla que fez em 2000 seu melhor disco – ao lado daquele de 1998, justamente.

Foto/Reprodução: Instagram

Outras obras de sua autoria também dominaram as paradas de sucesso e foram uma revolução sonora, como “Minha Estrela Perdida” e “Alguém”, gravadas por João Paulo & Daniel — verdadeiras pérolas do romantismo sertanejo, que só reforçam a versatilidade e o talento de Piska em compor temas universais com alma caipira. E quem não se emociona ao ouvir “Preciso Ser Amado”, novamente na voz de Zezé Di Camargo & Luciano, que mistura intensidade e vulnerabilidade de forma única? Ela tem uma das dobras de guitarras mais bem feitas pelo Maestro.

Além das composições, são seus arranjos orquestrais que se tornaram capítulos à parte na história do sertanejo. Ele elevou o gênero a um novo patamar técnico e emocional. Canções como “Eu Era Assim”, “Loucura Demais” e “Pare!” são exemplos perfeitos de como Piska conseguia transformar uma música em uma verdadeira experiência sensorial. “Pare!”, inclusive, também de sua autoria, é uma obra-prima que sintetiza sua genialidade: letra forte, melodia marcante e uma orquestração de arrepiar com uma introdução inconfundível. Aliás, um de seus primeiros arranjos que foi sucesso no sertanejo está na música “Eu Juro”, gravada por Leandro & Leonardo. Em seguida seu legado se iniciava de vez em 1994, na faixa “Foi a Primeira Vez” de ZC&L.

Além do sertanejo, Piska deixou sua marca também no pop e no rock nacional. Seu trabalho ficou principalmente em evidência com o trio KLB, sucesso nos anos 2000. O senhor Carlos Roberto Piazzoli partiu cedo demais, mas seu nome brilha em cada palco e em cada música que seus arranjos ecoam. Seu legado é eterno, não apenas pelas obras que assinou, mas pelo estilo, pela elegância e pela alma que deu ao gênero. Sem contar que ele era um ser humano incrível pelo que amigos e familiares relatam. Hoje, no dia em que completaria mais um ano de vida, fica o reconhecimento e a gratidão dos que reconhecem sua importância na música brasileira. O maestro multi-talentoso se foi, mas seu legado permanece e continuará a ser reverenciado eternamente.

Há 20 anos, Calcinha Preta revolucionava o forró no seu Ao Vivo em Belém

Parece vocalista do Shaman, mas é Marlus Viana em seu primeiro ao vivo na Calcinha Preta;

Há exatas duas décadas, a Calcinha Preta cravava seu nome na história do forró eletrônico com um dos maiores marcos do gênero: o DVD ao vivo em Belém do Pará. Gravado em 16 de abril do ano de 2005, o projeto vendeu mais de 1 milhão e 600 mil cópias, conquistando o Brasil com um espetáculo grandioso, ousado e popular como nunca antes visto no segmento. Belém virou o palco da consagração de uma banda que já era fenômeno no Nordeste e se consolidava como gigante em todo o país. Se o sertanejo considera o disco “Talismã” de Leandro & Leonardo a grande virada de chave no gênero, esse disco da Calcinha Preta foi a grande virada de chave do forró.

Esse DVD veio na sequência do estrondoso sucesso do primeiro ao vivo feito em Salvador, e não apenas manteve o padrão: elevou o nível de tudo. Em Belém, a Calcinha Preta inovou com o formato do palco que se conectava com 80 mil pessoas presentes na Arena Yamada e trouxe um repertório que simplesmente explodiu nas rádios e nos corações dos fãs. Sucessos grandiosos como “Manchete dos Jornais”, “Hoje a Noite”, “Mágica”, “Furunfa”, “Baby Doll” e “A Calcinha é Nossa” se tornaram hinos, e cada faixa nesse álbum parecia vir pronta para grudar na cabeça do público. Era um disco sem lados B — todas as músicas eram, literalmente, fenômenos nacionais.

A resposta do público que lotou a arena em Belém e vibrou a cada acorde foi imediata, consagrando a banda em seu primeiro auge conquistado em uma sólida carreira. Os arranjos de guitarra, com a assinatura inconfundível de Cloves Sena, deram peso e identidade à sonoridade da banda, aproximando o forró de outras vertentes e agradando até quem não se dizia fã do estilo. Outro ponto marcante foi a produção musical de Chrystian Lima, que entregou uma sonoridade apurada, envolvente e moderna.

Os figurinos do balé também viraram parte do espetáculo: roupas ousadas, brilhos, recortes e atitude. Junto deles, os icônicos figurinos dos vocalistas também parecia algo de novela — e isso fazia parte do charme de cada um. A estética visual da banda ajudava a comunicar que o forró também podia ser pop, fashion e contemporâneo. Silvânia Aquino, Daniel Diau, Raied Neto, Paulinha Abelha e Marlus Viana fizeram história com um estilo único visto no forró. No conjunto da obra, as vozes marcantes do quinteto fez cada canção ganhasse um toque mágico de tudo que estava sendo feito ali.

Inclusive foi também o primeiro DVD com a presença de Marlus Viana, que chegou com uma voz potente e um visual que lembrava um vocalista de banda de heavy metal, quase um cantor do Angra ou do Shaman. Mas foi justamente essa mistura improvável que deu certo. Marlus trouxe um tom romântico e explosivo que casou perfeitamente com a identidade sonora que a banda estava construindo – e ele nem precisou engolir “o navio e o mar” para isso. A Calcinha Preta mostrava que podia ter coração partido em suas letras melódicas, mas também representava muita atitude em seu repertório.

Vinte anos depois, esse álbum permanece como um marco. Não apenas para a Calcinha, mas para toda uma geração que aprendeu a amar o forró com violões marcantes, a guitarra como protagonista e as letras emblemáticas que encantam o público até hoje. Além de fazer todos furunfarem no momento de diversão. Uma banda que sempre foi muito mais do que uma revolução musical no forró: ela é a maior do Brasil, a maior do planeta — e o registro de Belém segue como prova viva desse título. Um clássico absoluto que nunca sai dos nossos ouvidos. E como sempre digo, esse foi o maior DVD de rock no Brasil, pois pra mim a banda é sinônimo de heavy metal pesado, além de forró.

Confira o Ao Vivo em Belém completo: