Categoria: Música

Está na hora de Taylor Swift ter o seu Super Bowl

Atual líder do pop mundial é a favorita nas cotações para ser atração principal do Super Bowl em 2026

Foto: Televisa Music

Nos últimos dias, entre um destino e outro, peguei alguns Ubers que — por coincidência ou destino — estavam tocando Taylor Swift. Como se dissesse: “Toma aqui, adolescente!”. E tudo bem, eu até entendo. Tenho essa cara mesmo. Mas a verdade é que tenho 31 anos. Gosto da Taylor, claro, mas não com a intensidade apaixonada das adolescentes. Ou, pelo menos, não gostava tanto assim.

Quanto mais essa trilha sonora inesperada me cercava — no carro, no shopping, no rádio, em qualquer lugar — mais eu comecei a entender o porquê de ela ser a dona da indústria atualmente. Foi aí que decidi: vou parar e assistir esse tal de Eras Tour. E olha… Demorei, eu sei. Mas finalmente assisti ao The Eras Tour e entendi tudo. O hype faz sentido. O alvoroço das adolescentes faz sentido. A Taylor Swift? Um fenômeno. E não é só uma grande artista — ela está em outro patamar. The Eras Tour é, sem dúvida, um dos maiores shows que uma diva pop já fez na história.

Um espetáculo de três horas que mais parece uma viagem emocional coletiva. A produção é impecável, a narrativa é bem costurada, e Taylor domina o palco de um jeito que é quase hipnótico. Mas a mágica vai além da técnica. Ela tem algo que não dá pra ensinar: conexão. Não é só presença de palco, é presença de alma. Ela olha, canta, dança e você tem a impressão de que é tudo só pra você. Ela fala com a plateia e você sente que está conversando com uma amiga. Como pode?

Poucos artistas conseguem isso. Talvez Beyoncé, talvez Lady Gaga, mas em outra chave, em outro tom. A Taylor faz isso de um jeito quase ilógico. Não dá pra explicar. Você sente. E é por isso que o Eras Tour vai além de um show — vira uma experiência que muda algo dentro da gente. Juro. Saí transformada. Ela já passou do título de “diva pop”. O que ela tem com o público dela é um fenômeno geracional que a transformou na dona da industria musical na atualidade.

A geração Z ama a Taylor por um motivo: ela traduz sentimentos, fases da vida, traumas, alegrias e tudo o que vem no meio. E faz isso com música boa, com inteligência e com verdade. A loirinha é sensacional. Com atraso, sim. Mas entendi. Taylor Swift é simplesmente uma artista completa. E The Eras Tour é um showzaço. Não é exagero, é entrega. Ela não é só pop. Ela é um acontecimento. Por esses e outros motivos, merece ter seu Super Bowl em 2026.

Arlindo Cruz foi enredo em vida por duas escolas de samba, no Rio e em São Paulo

X-9 Paulistana fez desfile histórico no Anhembi com samba composto por Arlindinho

Foto/Reprod: O Globo

O samba perdeu hoje um de seus maiores mestres. Arlindo Cruz partiu, mas deixa um legado inestimável para a música e para a cultura brasileira. Um artista que viveu para o samba e, raridade entre os grandes, foi celebrado como enredo de escolas de samba ainda em vida — e não apenas uma, mas duas vezes.

A primeira homenagem veio em 2019, no Carnaval de São Paulo, pela X-9 Paulistana. O enredo ganhou ainda mais significado por ter o samba assinado por Arlindinho, filho de Arlindo. A escola foi a penúltima a entrar na avenida naquela noite de sexta para sábado, num amanhecer mágico que marcou a história do Anhembi. A X-9 e a família do cantor não mediu esforços para levá-lo à avenida: organizaram toda a logística para que ele chegasse de avião e pudesse viver aquele momento. E ele viveu intensamente. Visivelmente emocionado, sentiu a energia pulsante do Anhembi — na cidade onde começou sua trajetória como sambista. Foi, sem dúvida, um dos desfiles mais bonitos daquele carnaval.

Quatro anos depois, em 2023, veio a segunda homenagem, desta vez na escola do coração: o Império Serrano. Arlindinho, por escolha própria, não participou da composição do samva, deixando que a comunidade expressasse sua própria forma de celebrar o pai. Mais uma vez, Arlindo foi levado à avenida, agora na Marquês de Sapucaí, para viver um sonho de vida: ser enredo na verde e branco imperial. A emoção tomou conta, e o desfile ficou marcado na memória de quem ama o samba.

Apesar disso, o Império foi rebaixado naquele ano — uma decisão contestada por muitos, já que outras agremiações tiveram desempenhos muito mais fracos. Por coincidência, a Império desfilou naquele dia junto com a Portela e a Grande Rio (esta que tinha como enredo Zeca Pagodinho), proporcionando um domingo inesquecível na avenida para o carnaval carioca.

Arlindo Cruz foi o sambista perfeito: compositor, intérprete poeta, ícone. Viveu para o samba e, com a mesma grandeza, viveu para ver o samba contar a sua própria história. Em vida, sentiu o calor da arquibancada e o abraço da avenida — no Anhembi e na Sapucaí. Hoje, o samba chora, mas também celebra o privilégio de ter convivido com um mestre que soube transformar vida em melodia, e melodia em eternidade.

Britney Spears está perdendo oportunidade de fazer uma turnê milionária e histórica

Público que cresceu acompanhando a cantora faria loucuras por um show da “princesa do pop

Foto: Televisa Entreteniment

Ícone revolucionário do pop, Britney Spears poderia estar protagonizando uma das maiores viradas da indústria musical. Depois de anos de silêncio forçado e batalhas pessoais expostas, ela tem em mãos algo que poucos artistas possuem: uma legião de fãs que cresceu com sua música e ainda sonha com seu retorno triunfal aos palcos. Um anúncio no intervalo do Super Bowl, evento que consagra lendas, seria o palco ideal para marcar esse renascimento. Britney não só tem nome, história e hits — ela tem o poder de transformar nostalgia em histeria coletiva.

Uma turnê pelas Américas — começando pelos Estados Unidos e passando com força pelo Brasil, México, Argentina e outros países que sempre a acolheram — teria tudo para ser um dos eventos mais lucrativos e emocionantes da década. O público dos anos 2000 está disposto a tudo: viajar, gastar, acampar por dias, simplesmente para vê-la cantar “… Baby One More Time”, “Crazy” ou “Toxic” ao vivo. Enquanto outros nomes pop se esforçam para construir um legado, Britney já tem o dela pronto — só falta reacender o palco.

Britney Spears não é apenas uma cantora; ela é um fenômeno cultural que mexeu com a indústria nos anos 2000. Desde sua estreia, se tornou um símbolo da virada do milênio, ditou moda, comportamento e quebrou recordes. A sonoridade que ela e Max Martin criaram juntos definiu o que seria o pop moderno — e moldou carreiras de nomes como Katy Perry, Taylor Swift e tantos outros. Canções como “Oops!… I Did It Again”, “Stronger”, “Overprotected” e “Piece of Me” ainda soam atuais, intensas e carregadas de identidade. Poucos artistas têm um repertório tão forte e reconhecível.

Max Martin, produtor sueco responsável por incontáveis hits globais, ajudou a construir o som de Britney. A química entre os dois era absurda. Ele entregava bases explosivas, e ela devolvia com vocais icônicos, danças coreografadas e presença cênica inconfundível. Juntos, pavimentaram o caminho para o que viria a ser o pop nos anos seguintes. Enquanto o mundo observa o declínio ou reinvenção de tantas estrelas, Britney ainda é um nome de impacto imediato — um relâmpago que nunca se apaga.

No fundo, Britney não precisa provar mais nada. Mas, se quiser, ela pode fazer história mais uma vez. Seu retorno não seria só uma celebração pessoal, mas um evento cultural de escala global. Está tudo pronto: o público, os hits, a estrutura. Só falta ela dizer “sim”. E quando isso acontecer, o mundo vai parar — como sempre parou para ouvir Britney Spears. Se não for no Super Bowl, quem sabe em Copacabana!

Pan Am, empresa aérea que aparece em ‘Quarteto Fantástico – Primeiros Passos’, tem história entre Frank Sinatra e Roberto Medina

Foto: BBC Arquivos

A Pan American World Airways, mais conhecida como Pan Am, foi uma das maiores e mais icônicas companhias aéreas do mundo durante grande parte do século XX. Fundada em 1927, a Pan Am se tornou símbolo de glamour, inovação e sofisticação nos céus. A empresa foi pioneira em diversas áreas da aviação comercial, sendo a primeira a operar voos transatlânticos regulares e a introduzir aeronaves a jato em rotas comerciais. Nos anos dourados da aviação, voar com a Pan Am era sinônimo de status. Suas aeronaves eram reconhecidas mundialmente, e a marca se tornou um verdadeiro ícone da cultura pop.

Tanto é que, décadas depois do encerramento de suas atividades em 1991, a Pan Am ainda desperta fascínio — e está de volta às telas. A lendária companhia aérea aparece agora no filme Quarteto Fantástico – Primeiros Passos, nova produção da Marvel que tem sido aclamada pelos fãs. A presença da Pan Am no longa funciona como uma homenagem à era de ouro da aviação e à sua forte ligação com a história americana presente na sociedade da época. Mas a Pan Am também viveu momentos marcantes fora das nuvens e do cinema — inclusive aqui no Brasil.

Uma dessas histórias envolve ninguém menos que Frank Sinatra, o astro da música internacional, e um show histórico no Rio de Janeiro. Em janeiro de 1980, Sinatra desembarcou no Brasil para se apresentar no Maracanã, em um evento que reuniria mais de 170 mil pessoas. No entanto, uma forte tempestade caiu sobre o Rio na noite do espetáculo, e o cantor, incomodado com o clima, chegou a avisar que iria embora sem subir ao palco. Foi aí que entrou em cena Roberto Medina, promotor do evento e fundador do Rock in Rio.

Temendo o cancelamento do show, Medina teve uma ideia ousada: ligou para a Pan Am e pediu que informassem ao empresário de Sinatra que o avião que o levaria de volta aos Estados Unidos havia “quebrado”. A mentira funcionou. Sinatra permaneceu, fez o show — e ao fim da apresentação, declarou que aquele havia sido o maior momento de sua carreira. A apresentação entrou para a história como um marco do entretenimento no estádio mais emblemático de todos os tempos.

Foto: O Globo

Mais do que isso: aquele show de 1980 serviu como inspiração e aval para a criação do primeiro Rock in Rio, em 1985. Muitos artistas internacionais, inicialmente receosos, só assinaram contrato após o incentivo do empresário e amigo de Sinatra, que garantiu que o Brasil tinha sim estrutura para receber grandes eventos. E o resto é história: o Rock in Rio se consolidou como um dos maiores festivais de música do planeta. Assim, a Pan Am, mesmo após seu fim, continua presente em histórias extraordinárias — do universo Marvel às páginas inesquecíveis da música e do entretenimento mundial.

Sem inventar modismo, Leonardo acerta ao gravar lado B da própria carreira em mega projeto

Esposa do cantor tem acordado nas madrugadas para rezar pelo DVD, que celebra o legado de Leo no sertanejo

Foto: Newton Fonseca

Enquanto tantas duplas consagradas parecem perdidas tentando se reinventar no universo volátil do TikTok e do Spotify, Leonardo caminha na contramão — e, ironicamente, acerta em cheio. O cantor está gravando um novo DVD que terá parte do lado B da própria carreira. A escolha não poderia ser mais acertada. Nada de músicas feitas para viralizar, nada de parcerias forçadas com nomes da moda e nem tentando buscar hit com compositores sem essência. Leonardo aposta no que tem de mais valioso: o próprio legado. E isso, em tempos de pressa e fórmulas fáceis, é um gesto ousado, maduro e respeitoso com a grande história que ele construiu ao longo de décadas.

Enquanto nomes como Bruno & Marrone e Rionegro & Solimões seguem tentando fisgar um público mais jovem com apostas que muitas vezes soam deslocadas, Leonardo demonstra segurança e lucidez ao olhar para trás e reconhecer que seu acervo musical é mais do que suficiente para continuar encantando plateias. São 50 músicas escolhidas a dedo, passeando por clássicos da era Leandro & Leonardo e também por faixas da fase solo, especialmente aquele período mais “pop” e romântico dos anos 2000, que ainda ecoa forte na memória afetiva de milhões de fãs.

O repertório do DVD é um prato cheio para quem ama sertanejo de verdade, daquele que emociona sem precisar recorrer a fórmulas modernas ou hits descartáveis. Músicas que talvez não tenham sido os maiores sucessos nas rádios, mas que carregam a alma de uma carreira construída com consistência, talento e carisma. É a chance de ver canções esquecidas ganharem luz novamente, sob uma nova produção, mas com o mesmo coração e romantismo de sempre. Aliás, Poliana Rocha, esposa do cantor, tem feito orações para o projeto ser muito abençoado. Pelo jeito que as coisas andam, tem dado muito certo.

A produção musical está nas mãos de Newton Fonseca, nome forte por trás de projetos de artistas como Gusttavo Lima, Naiara Azevedo, Zé Felipe e tantos outros. Com Leonardo, ele tem mantido uma parceria afinada, e tudo indica que este DVD será mais um marco na carreira do cantor. Um projeto ambicioso, mas ao mesmo tempo sóbrio, sem pretensões comerciais mirabolantes — apenas a intenção de revisitar a própria trajetória com dignidade e bom gosto. E essa vai ser justamente a fórmula do sucesso que o projeto terá. Leonardo mostra, mais uma vez, por que segue sendo um gigante.

Ele não precisa se reinventar pensando em lançamento para agradar um novo público, não precisa se adequar às regras do jogo atual. Basta valorizar o que construiu. Ao contrário de muitos colegas que estão tropeçando ao tentar agradar novas audiências, Leo permanece firme, fiel ao que sempre foi: um artista de essência, com uma discografia poderosa e uma presença de palco que atravessa gerações, seja solo ou ao lado do ‘Amigos’. E esse novo DVD é a maior prova disso que ele representa. O novo projeto deve ter o mesmo impacto que o seu primeiro show no Canecão em 1991, que mexeu com o mercado mostrando a força do sertanejo de verdade na música brasileira. E atualmente, só Leonardo tem esse poder nas mãos.

Maior banda de pagode do planeta, Raça Negra fica apenas em 4º na lista sem noção da Billboard

“Oh flor, cê gosta de Raça Negra??”

A Billboard Brasil, sem nada de útil pra fazer na vida, decidiu fazer uma lista com as 25 maiores bandas de pagode do país. E sinceramente? Eu não consigo entender a lógica por trás desse ranking. A começar pela posição de alguns grupos que, ao meu ver, foram completamente negligenciados ou colocados fora de contexto. Não dá pra levar a sério uma lista dessas quando ela ignora critérios fundamentais como impacto cultural, influência no gênero e relevância histórica. É quase como se tivessem feito a seleção a partir de uma playlist aleatória, sem levar em conta a verdadeira trajetória do pagode no Brasil.

Até dá pra reconhecer um ponto positivo: ao menos lembraram do grupo Kiloucura, que ficou em 15º lugar. Um dos grandes sucessos do Kiloucura foi a música “Pela vida inteira” do compositor Riquinho. Uma grata surpresa ver o nome deles ali, porque geralmente são deixados de lado nessas listas mais comerciais. Mas aí você olha pro topo e leva um susto: Exaltasamba em 1º lugar. Com todo o respeito, o Exalta tem sua grandeza, mas é top 3 com folga. Não dá pra aceitar que Exaltasamba e Sorriso Maroto estejam acima do Raça Negra. O grupo não é só o maior do pagode — é simplesmente o grupo que inventou o conceito de pagode popular como o conhecemos. Sem eles, não haveria nem espaço pra que outros grupos dessem continuidade ao movimento.

O Raça Negra é, simplesmente, o grupo top1 do planeta em qualquer ranking que se faça. Eles foram a porta de entrada, a semente de um gênero inteiro. Sabe o que representa Chitão & Xororó para o sertanejo e a Calcinha Preta para o forró? O Raça Negra é isso para o pagode! Abriram caminho quando o samba romântico ainda era olhado com desconfiança e transformaram o pagode num fenômeno nacional. O vocal do Luiz Carlos, os arranjos, o carisma, as composições dele com Elias Muniz… nada ali é por acaso. É um grupo que ultrapassa gerações e continua relevante até hoje. Colocar qualquer outro grupo acima deles é ignorar toda a base do que é o pagode brasileiro.

Agora, se formos falar de sonoridade, aí sim, o grupo Revelação entra com força e representatividade. Porque se o Raça Negra criou o terreno, o Revelação plantou outra árvore ali — trouxe uma sonoridade mais refinada, mais voltada ao samba de raiz, com arranjos mais complexos e letras que elevaram o nível da composição dentro do pagode. As composições de Xande de Pilares e Mauro Jr, em especial, são a essência do legado do Revelação. Pra mim, eles são o grupo mais relevante do ponto de vista musical. Estão no top 2, sem sombra de dúvida.

O Exaltasamba fecha esse pódio com justiça no top 3, pelo sucesso comercial e pela renovação da linguagem do gênero nos anos 2000. O grupo só chegou onde chegou pelo talento de cada um no grupo, como Chrigor e Péricles, os arranjos de Isaías e produções de Bira Hawaí e Prateado. O sucesso do Exalta passa principalmente pelo trabalho do Pinha, que não por acaso tem o apelido de “presidente” como o Bira Presidente do Fundo de Quintal. Claro que nunca esqueço dele na banheira do Gugu, dançando a “Vem pra ficar comigo”. Aliás, mencionando os produtores, além de Bira e Prateado, Arnaldo Saccomani fecha a trindade do pagode nas produções que mudaram a história do gênero.

Enfim, a Billboard precisa parar de querer se enfiar em todos os gêneros como se tivesse a autoridade pra isso. Com todo o respeito, nem tudo precisa passar pelo crivo de um ranking estilo americano ou com metodologia duvidosa. O pagode tem sua própria história, sua própria hierarquia construída nas ruas, nas rodas de samba, nos programas de TV populares. E atualmente tem pessoas capacitadas para falar do gênero com propriedade, como Leandro Brito do maior podcast de pagode e samba do Brasil. Quem vive e sente o pagode sabe muito bem quem são os verdadeiros gigantes dessa história — e, nesse pódio, o Raça Negra nunca vai perder o trono.