Categoria: Música

20 anos do emblemático “Limão com Mel – Ao Vivo no Olympia”

O forró nordestino escreveu um dos capítulos mais grandiosos de sua história em 2005. No coração de São Paulo, em um dos palcos mais icônicos do país, a banda Limão com Mel não apenas lotou o Olympia, mas transformou aquela noite em um espetáculo inesquecível. O resultado? Um emblemático DVD que mudou a história desse gênero musical. “Um Amor de Novela – Ao Vivo no Olympia” rompeu suas barreiras e consolidou a banda como uma das maiores do Brasil no cenário que colocou o forró como protagonista das rádios dentro e fora do Nordeste.

Hoje, duas décadas depois, a grandiosidade desse projeto continua ecoando e chama ainda mais atenção por tudo que foi realizado. O que parecia um desafio quase impossível – uma banda de forró vinda do Nordeste dominar o principal palco da capital paulista – se tornou uma consagração. Com um repertório recheado de sucessos autorais, ingressos esgotados e interpretações emocionantes de Batista Lima à frente dos vocais e da direção musical, guiou a Limão com Mel por um show impecável que nunca foi esquecido. Do início ao fim, a banda foi levando o público a momentos de pura euforia que ficaram registrados no melhor álbum ao vivo da Limão.

O Olympia, palco que já havia recebido lendas da MPB, do samba e do sertanejo, abriu suas portas para um gênero que, por muitos anos, lutou por reconhecimento nacional. Mas naquela noite, não havia dúvidas: o forró tinha conquistado de vez seu espaço. Com uma produção cinematográfica à la Hollywood, iluminação e estrutura de ponta, o DVD registrou o auge da banda e se tornou um dos trabalhos mais emblemáticos da história do ritmo nordestino. Músicos como o sanfoneiro Maestro Pica-pau, são lembrados até hoje pelo trabalho feito nesse projeto.

Canções como “Um Amor de Novela”, “Esse Amor É Mil”, “Toma Conta de Mim”, “Play Record” e “Tome Amor” se tornaram verdadeiros hinos. A energia daquela gravação, com aquela formação da banda, junto do repertório que emplacou sucessos, se perpetuou por gerações. O impacto desse disco foi tão grande que o projeto ajudou também a abrir portas para outras bandas do segmento, solidificando o forró como um movimento de alcance nacional podendo dominar os palcos fora da região de sua origem.

Em seus 20 aninhos, o “Ao Vivo no Olympia” da Limão segue sendo uma referência. Ele foi um verdadeiro divisor de águas que reafirmou a força do forró e da cultura nordestina, para quem ousava ainda duvidar que uma banda lotaria aquele sagrado lugar da música brasileira. Para os fãs da Limão com Mel – e para os amantes do gênero que só cresce a cada dia – esse DVD não é apenas um disco ao vivo bem feito: ele é uma celebração, uma obra-prima e um orgulho para os forrozeiros de plantão.

Confira o Ao Vivo completo na Deezer, onde também tem as melhores playlist’s de forró: Limão com Mel – Ao vivo no Olympia

Marco Abreu é algo muito além dos violões

Foto: Instagram

Há artistas que admiramos de longe, como referências inatingíveis cujos nomes estão impressos em obras que moldam nossa relação com a música. Marco Abreu sempre foi um desses para mim. Não existe ninguém igual a ele. Cresci ouvindo, assistindo seus trabalhos e lendo seu nome nas fichas técnicas. Seu talento, sua sensibilidade musical, seu estilo único de fazer as cordas do violão tocar e seu papel na construção da sonoridade do sertanejo moderno, fazem dele um dos músicos mais brilhantes que conheço. Mas hoje, de uma forma que ainda me surpreende, posso dizer que tenho a honra de trocar ideias e conversar com ele sempre que posso. E isso é surreal para aquela criança de 2001, que o assistia em uma TV de tubo no programa do Gugu.

Marco Abreu é um nome fundamental na música brasileira, digamos que, um verdadeiro marco. Seu trabalho nos violões dos Acústicos de Bruno & Marrone gravados em 2000 e em 2001 se tornaram sinônimo de referência para qualquer músico no sertanejo. Em especial, aquele álbum histórico gravado em Uberlândia que transformou o mercado sertanejo, é apenas uma de suas muitas contribuições para a história de uma musicalidade impecável. Aliás, se você ainda chama o “Acústico do Bruno & Marrone” de “Acústico do Bruno & Marrone”, mude para “Acústico do Marco Abreu”. Ele é o dono de tudo que revolucionou o mercado ali.

Durante anos ele foi violonista e guitarrista da dupla, deixando sua marca nos melhores álbuns que Bruno & Marrone fizeram com as produções de Maluly e Dudu Borges. Sua trajetória também passa por projetos premiados, como o disco “Pra Ser Feliz”, de Daniel, produzido também por Dudu, com quem segue colaborando. Um exemplo recente dessa grande parceria é a música “Haverá Sinais”, de Jorge & Mateus com Lauana Prado. O clipe me prende não apenas pela música, mas pela oportunidade de vê-lo em cena no estúdio. Sou capaz de passar horas revivendo os arranjos que ele comanda nos dedos seja nas playlist’s, nos discos ou DVD’s.

Desde os álbuns gravados do Bruno & Marrone, ao registro de George Henrique & Rodrigo no posto de gasolina em Goiânia naquele DVD de 2011, é sempre um presente sentir aquele som inconfundível mais uma vez. Seu violão dá identidade a cada música, as quais se tornaram eternas como “Ligação Urbana”, “Feriado Nacional”, “Um Bom Perdedor”, “Inevitável”, “Grama de Quintal”, “Receita de Amar”… Cada acorde carrega um pedaço da história de Marco no sertanejo e, de alguma forma, da minha vida também. Ele é algo que vai muito além dos violões para mim. Já esteve no meu fone em momentos difíceis que superei escutando seus acordes.

Além da admiração profissional, há momentos que fazem essa conexão se tornar ainda mais especial. Como no dia em que, sabendo que sou setorista do River Plate (ARG), ele me mandou o placar de River x Atl. Mineiro na Libertadores. O time de Marcelo Gallardo perdia por 3×0, e ele brincou dizendo que a situação estava feia para mim. Ri muito como poucas vezes. Ele, fanático pelo São Paulo, não perde uma boa provocação aos rivais e sempre compartilhamos memes sobre futebol.

Certa vez, também falamos sobre outro gênio, o produtor/compositor e multi-instrumentista Piska. Marco contou que só o encontrou uma vez no estúdio Mosh, quando ele levou uma música para o Bruno. Fiquei imaginando como teria sido se esses dois talentos tivessem convivido de verdade, mesmo que em estúdios. A música brasileira certamente teria ganhado ainda mais com essa possível amizade.

Mas se existe algo de que tenho certeza, é que eu já sou uma grande privilegiada. A música me deu muito, mas ter o Marco Abreu como amigo é um presente que jamais imaginei receber um dia. Ele é a trilha sonora de muitos dos momentos que marcaram a minha vida e marcam até hoje. Agora é ainda mais especial ouvir os violões e as guitarras dele, lembrando que posso contar para o Marco, em algum momento do dia, que treinei ouvindo “Amor de Carnaval” e que lembrei dele com a camisa vermelha que o vestia no Acústico.

Talvez ele fique totalmente sem graça quando ler todas essas palavras. Ele não gosta de muitos elogios… Mas de alguma maneira, esse texto talvez sirva para que ele nunca se esqueça o quanto mexe com as pessoas através de seu dom!

Amargurado, César Augusto esquece do próprio legado em entrevista

Foto: Youtube

César Augusto é, sem sombra de dúvida, um dos maiores compositores e produtores da música sertaneja. Seu nome está gravado em álbuns icônicos, em canções que embalaram gerações e em parcerias que ajudaram a moldar o sucesso da música brasileira. No entanto, em sua mais recente entrevista, ele pareceu mais preocupado em ajustar contas com o passado do que em celebrar a grandiosidade de sua trajetória.

Foi uma conversa carregada de ressentimento, com indiretas, recados diretos e desabafos que, embora tenham seu lugar, acabaram deixando de lado algo muito mais importante: sua própria história. Ele tem todo o direito de falar o que pensa, por ser quem é. Mas o que poderia ser um registro riquíssimo de sua carreira virou um palco de mágoas ou uma sessão de terapia em Campinas, sem espaço para uma real imersão em tudo o que ele construiu.

Por exemplo, faltaram menções essenciais a nomes como Lucas Robles e Nil Bernardes, parceiros que tiveram participação ativa em sua jornada musical. O produtor Piska, figura fundamental no sertanejo, também não teve o devido reconhecimento, mencionado apenas em alguns minutos de uma resposta no início da entrevista. Assim como César Rossini, outro nome que esteve ao lado de César Augusto em momentos fundamentais de sua carreia, inclusive sendo parceiro na dupla Cesar & Cesar.

Além disso, o diálogo deixou de lado diversas composições memoráveis que mereciam uma explicação. A música “Mentira que Virou Paixão”, no disco de Leonardo em 1999, teve a gravação de todos os instrumentos pelo Piska? Por que a música repete o arranjo do início no meio? Leonardo só gravou a primeira parte e teve uma emenda? Como foi fazer a versão que foi o feat de Leonardo com Alan Jackson, “Meu grito de Amor”?

Outra música que merecia atenção era a “Felicidade, que Saudade de Você”. Por que ela é tão profunda e diferente da linguagem da época? Como foi feita? A música “Antes de Voltar pra Casa”, de quem foi a ideia de fazer um arranjo tão marcante? Ela tem uso de terça voz e ecos, isso a fez ser destaque naquele disco de 2000? Álbum considerado o melhor de Zezé di Camargo & Luciano por muitos críticos. Como foi a produção da “Tarde Demais” com Chrystian, autor da música, fazendo backing vocal no disco? A música “Irmão da Lua, Amigo das Estrelas” é muito a frente ao seu tempo, como ela foi feita na questão dos arranjos? Como a “Sonho de Amor”, uma regravação pop, entrou no repertório de Zezé e Luciano?

Esses são apenas alguns exemplos de canções que carregam a assinatura de César Augusto, seja na produção ou na composição, mas que foram ignoradas na conversa. Outro assunto que seria incrível abordar era sobre a produção do DVD de Zezé Di Camargo & Luciano Ao Vivo (2000), um marco na carreira da dupla, que sequer foi mencionada. Assim como os álbuns de 1995 (o mais vendido da dupla), de 1998 (considerado o mais conceitual de ZC&L), ou o disco Double Face que venceu o Grammy Latino em 2010. Todos esses projetos são verdadeiras referências no gênero até hoje.

Mais um ponto que merecia uma profundidade na sessão de terapia, ops, entrevista, foi seu trabalho com Eduardo Costa. A música “Anjo Protetor”, composta em parceria com o cantor, é um dos destaques dessa colaboração, mas passou despercebida. Músicas feitas por César Augusto e Cláudio Noam, como a “Eu Aposto” nem foram lembradas. E porquê não citar outras que fizeram parte, por exemplo, do disco “Pecado de Amor”, eleito por muitos o melhor trabalho de Eduardo Costa em estúdio. Parte desse repertório integrou o “Acústico” do cantor gravado no Brook’s Bar em São Paulo, que é um marco na carreira de Eduardo. O DNA das composições de César estão em muitos desses trabalhos do cantor mineiro.

O mesmo vale para clássicos como “Pare!”, que teve uma história bonita com uma fã, mas não teve detalhes do arranjo e da gravação contados. Piska também gravou todos os instrumentos nela? E a querida “Minha Estrela Perdida” – aliás, quando ele finalmente ia falar sobre essa obra, a entrevista tomou outro rumo e o assunto se perdeu. Só sabemos que a coitada levou nota 3 de um famoso cantor.

E não foi só com Zezé & Luciano e Eduardo Costa que faltou aprofundamento. Grandes discos de Gian & Giovani e Bruno & Marrone também ficaram de fora. O álbum “Cilada de Amor” (1999) e o icônico “Paixão Demais” (2000), que traz a gravação única de “Passou da Conta”, são registros importantíssimos do sertanejo e têm a marca de César Augusto, mas pouco (ou nada) foi dito sobre eles. A clássica “Agarrada em Mim”, nem preciso dizer que passou batida também. Assim como “Cansei de Namorar a Solidão”, feita para a dupla Gian & Giovani em 1993.

Outras obras que mereciam uma boa história contada para o público eram “Madrugada em meu Olhar” (ZC&L 1994), “Vem ficar Comigo” (ZC&L 1995), “Demorou Demais” (ZC&L 2000), “Alguém” (João Paulo & Daniel 1995), “Ela tem o dom de me fazer Chorar” (JP&D 1997), “Eu era Assim” (ZC&L 2002), “Diz pro meu Olhar” (ZC&L 2001) e “Loucura Demais” (Chrystian & Ralf 1993).

No fim das contas, a entrevista decepcionou por dois motivos. Faltou conhecimento e vontade por parte do host do podcast (como sempre), pois parece que ele aprendeu sobre sertanejo no Wikipédia. Mas também faltou o entrevistado olhar mais para seu grande legado na música, dentro e até mesmo fora do sertanejo, do que para os rancores do passado. Uma pena!

Fiquem aí com a “Antes de Voltar pra Casa” pra animar o dia de vocês, já que ela segue com segredos de sua produção guardados…

“Diogo na Cozinha” surpreende com lado intimista de Diogo Nogueira

Foto: Instagram

Se você ainda não assistiu ao Diogo na Cozinha, programa comandado por Diogo Nogueira no GNT, reverse na agenda todas as segundas-feiras, às 21h. Integrando a programação de verão do canal, o cantor e compositlr proporciona uma experiência deliciosa – em todos os sentidos! Diogo mostra seu talento, agora como apresentador, trazendo à telinha uma faceta intimista e cheia de carisma que só confirma o que já sabemos: Diogo é um artista completo.

Reconhecido no samba pela voz inconfundível e pelas belas letras que já compôs nos enredos do carnaval, Diogo não apenas faz música; ele cria histórias e emoções que se transformam em trilhas sonoras da vida de muita gente. Nessa nova empreitada como apresentador, ele prova que sua versatilidade vai muito além dos palcos e do estúdio. Essa versão chef de cozinha nós já sabíamos que ele tinha, pois sempre aparece ao lado de Paolla Oliveira cozinhando em uma tarde de domingo nas redes sociais.

Dessa vez, além de cozinhar para convidados especiais nos episódios do programa, compartilha receitas que fazem parte do seu dia a dia, sem complicações e com muito sabor para o público também fazer em casa. De quebra ele também dá dicas de drinks para aproveitar o calor da estação. O programa é incrível ao misturar boa conversa, culinária de primeira e claro, a leveza de quem domina a arte de encantar em tudo no que faz. Entre panelas e receitas, Diogo recebe seus convidados, conta histórias e mostra um lado descontraído que faz com que o público se sinta na cozinha de casa, em ótima companhia.

Na estreia do Diogo na Cozinha, ele fez o prato que conquistou Paolla. Inclusive ela foi a primeira convidada, junto do cantor Criolo. Diogo Nogueira continua se reinventando, mantendo a essência que o consagrou no samba, mas mostrando que seu talento vai muito além da música. Se o futebol perdeu um jogador do Flamengo (sonho que Diogo já teve), a música ganhou uma estrela.

Agora a TV também tem um novo host, para programas de entretenimento e de boas histórias pra contar. Com Diogo na Cozinha, ele não só nos alimenta de sabor, mas também de cultura, música de qualidade e inspiração. Se ainda não entrou nessa roda de samba e sabor, dá tempo de conferir os próximos episódios. Vai ter receita para o verão e até mesmo para o carnaval. Pra encerrar, falando em verão, além da música “Pé na Areia”, Diogo também tem uma outra música que é a cara da melhor estação do ano: “Bota pra Tocar Tim Maia”. Coloquem na playlist!

Foto: Reprodução/GNT

Kendrick Lamar se prepara para mais um show histórico no Super Bowl

Foto: Getty Imagens

O Super Bowl LIX, marcado para 9 de fevereiro de 2025 no Caesars Superdome em Nova Orleans, trará um emocionante reencontro entre o Kansas City Chiefs e o Philadelphia Eagles. Os Chiefs, liderados pelo talentoso quarterback Patrick Mahomes, buscam seu terceiro título consecutivo, um feito inédito na NFL. Do outro lado, os Eagles, comandados por Jalen Hurts, almejam vingança pela derrota sofrida no Super Bowl LVII em 2023. A expectativa é de um confronto acirrado, refletido na linha de aposta inicial que favorece os Chiefs por apenas 1,5 pontos. Em quem nosso money boxeador Floyd Mayweather vai apostar os dólares?

Além do espetáculo em campo, o show do intervalo deste ano será protagonizado por Kendrick Lamar, um dos rappers mais influentes da atualidade. Esta será sua segunda apresentação no Super Bowl, após sua participação memorável em 2022 ao lado de Dr. Dre, Snoop Dogg, Eminem, Mary J. Blige e 50 Cent. A escolha de Lamar como atração principal destaca a crescente importância do rap na cultura americana e sua influência internacional.

O rap, desde suas raízes nas comunidades afro-americanas, evoluiu para se tornar uma força dominante na música popular, abordando questões sociais, políticas e culturais. Um gênero que precisou ver muito sangue derramar para chegar ao topo, hoje ocupa o espaço merecido no cenário da música brilhando no intervalo mais asisstido da TV mundial. Artistas como o próprio Kendrick Lamar têm sido fundamentais nesse processo de engrandecer o rap, utilizando suas plataformas para promover diálogos sobre temas cruciais. Sua performance no Super Bowl LVI em 2022 foi amplamente elogiada por sua energia e mensagem poderosa no ‘Dre Day’, consolidando ainda mais sua posição no panteão dos grandes nomes do rap até então.

A expectativa para sua segunda apresentação no Super Bowl é enorme. Os fãs aguardam ansiosamente para ver como Lamar vai superar sua performance anterior e que surpresas ele levará ao palco. Dessa vez ele é a estrela principal do show mais aguardado nos eventos americanos. Com a adição de SZA como convidada especial, conhecida por sucessos como “Kill Bill” e “BMF”, a promessa é de um espetáculo inesquecível que celebrará a riqueza e a diversidade do rap americano. 

Neste ano, o Super Bowl LIX não será apenas uma batalha épica entre dois dos melhores times da NFL pelo título máximo da bola oval. Será também uma celebração da cultura do rap e do hip-hop que trará Kendrick Lamar, vencedor de 17 Grammy’s, como protagonista. Seu show deve reafirmar a importância e o impacto do gênero que revolucionou a sociedade, dando voz aos que precisam se provar em dobro para conquistar seu lugar no mundo.

Erro no ‘Domingão do Huck’ levanta debate sobre a valorização dos compositores

Neste domingo (26), durante o programa ‘Domingão do Huck’, a cantora Lauana Prado encantou o público ao interpretar sua nova música de trabalho, “Saudade Burra”. Porém, um detalhe no GC (gerador de caracteres) acabou chamando atenção e causando um desconforto dos fãs e profissionais da música.

O programa exibiu o nome de Simone Mendes como compositora da faixa, quando, na verdade, ela é a participação especial (feat) na canção:

Foto: Reprodução/Globoplay

Os verdadeiros compositores de “Saudade Burra” são Felipe Marins (da dupla Felipe & Rodrigo), Flavinho do Kadet (autor da Tem Cabaré Essa Noite), Tiago Marcelo (autor da Humilde Residência) e Léo Souzza (da dupla CountryBeat).

O erro pode parecer pequeno, mas levanta uma discussão importante: a desvalorização dos compositores no mercado musical. Já se sabe que esses profissionais, que são a essência por trás de qualquer grande sucesso, muitas vezes ficam fora dos holofotes e têm seus nomes ignorados pelo público. Com a internet isso até tem mudado, mas ainda a passos lentos. Quando, enfim, seus créditos são exibidos, como em um programa de grande audiência, ainda podem ocorrer equívocos como este, que apagam suas contribuições e reforçam a falta de reconhecimento.

Imagina para o público comum que já se acostumou a ver uma música com os nomes dos compositores no GC da TV, pensar que Simone Mendes compôs uma música sozinha e deu para Lauana gravar com ela? Que história bonita, mas não passaria de uma fanfic. Para muitos compositores, ver sua obra reconhecida em rede nacional, principalmente domingo no horário nobre é uma conquista rara e significativa. Por isso, erros como o do ‘Domingão do Huck’ não são apenas descuidos técnicos; eles revelam um reflexo de como o mercado ainda precisa valorizar mais esses artistas que estão nos bastidores.

Não é de hoje que as TV’s erram nomes de autores da música brasileira. Recentemente isso aconteceu inclusive no elogiado programa ‘Viver Sertanejo’. No episódio dos compositores, por ironia, trocaram o nome da compositora Valéria Costa pela Waléria Leão na música “Endereço”. Veja no print que recebi de uma amiga, Jéssica Garrido:

Reprodução/Globoplay

Para os leigos, uma música não começa no palco ou no estúdio de gravação. Ela começa no papel, no processo criativo de quem traduz sentimentos e histórias em letras e melodias que tocam milhões de pessoas. Esperamos que os verdadeiros compositores de “Saudade Burra” recebam o devido reconhecimento em outras ocasiões por esse novo sucesso da Lauana.

E que situações como essa sirvam de alerta para a importância de valorizar todos os profissionais envolvidos na cadeia musical, dentro e fora dos holofotes. Afinal, sem compositores, não há música. Aliás, aproveita e confere a música. A produção musical foi de Eduardo Pepato. Ela tem uma linguagem e um estilo diferente das mesmices que andam tocando por aí!