O show de Shawn Mendes no Lollapalooza Brasil 2025 foi uma celebração vibrante da conexão especial entre o artista e o público brasileiro. Ele tem uma vibe única que entrega a cada canção. Desde a abertura com “There’s Nothing Holdin’ Me Back”, Shawn demonstrou uma energia contagiante, cativando os fãs presentes no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Seu show foi um dos melhores do festival até agora, junto com a queridinha da geração Z, Olivia Rodrigo e o popstar brasileiro Jão.
A setlist equilibrada transitou entre sucessos consagrados e faixas mais recentes do astro canadense. Clássicos como “Treat You Better” e “Señorita” foram entoados em coro pela plateia, evidenciando a sintonia entre o cantor e seus admiradores. Músicas do álbum “Shawn”, lançado em novembro de 2024, também marcaram presença, incluindo “Isn’t That Enough” e “Heart of Gold”, esta última acompanhada por uma emocionante homenagem dos fãs, que ergueram balões amarelos em memória de um amigo do cantor.
A performance de “Mas Que Nada” foi um dos pontos altos da noite. Ao interpretar o clássico brasileiro, Shawn reafirmou seu apreço pela cultura nacional. Ao final da canção, ele surpreendeu ao dizer em português: “A vida presta”, uma referência à atriz Fernanda Torres, que viralizou nas redes sociais. A relação de Shawn Mendes com o Brasil é marcada por momentos significativos.
Desde sua estreia no país em 2017, no Rock in Rio, o cantor expressa carinho pelo público brasileiro. Em 2019, retornou para apresentações individuais, embora tenha enfrentado desafios, como o cancelamento de um show em São Paulo devido a problemas de saúde. Após uma pausa na carreira para cuidar da saúde mental, Shawn escolheu o Rock in Rio 2024 para seu retorno aos palcos, declarando: “Brasil, você é uma luz neste mundo”.
Esse amadurecimento artístico foi evidente no Lollapalooza 2025. Shawn apresentou arranjos sofisticados e uma presença de palco confiante, refletindo sua evolução como músico e intérprete. A interação calorosa com os fãs, descendo do palco para abraçá-los e incorporando elementos da cultura brasileira em sua apresentação, reforçou a autenticidade de sua conexão com o país. Suas passagens pelo Brasil sempre deixam marcas e boas lembranças.
O encerramento com “In My Blood”, acompanhado por fogos de artifício, simbolizou não apenas a grandiosidade do espetáculo, mas também a resiliência de um artista que, ao longo dos anos, construiu uma relação sólida e afetuosa com seus fãs. Shawn Mendes não apenas entregou uma performance memorável, mas também reafirmou seu lugar especial no coração do público latino, assim como fez em Buenos Aires na semana passada. Além de tudo, mostra que está vivendo a melhor fase da carreira e da vida com o amadurecimento que demonstra no palco.
Essa música nunca pode ficar de fora das playlist’s dos principais estádios do mundo, especialmente os da Colômbia, do México, do Oriente Médio, de Portugal e claro, da Argentina. Nessa semana então, tocou em dobro. O compositor por trás do sucesso “Balada” (Balada Boa – Tchê Tchê Rere Tchê Tchê) de Gusttavo Lima é Cássio Sampaio. Natural de Pernambuco, ele se destacou no mercado da música sertaneja ao criar hits que marcaram época, em especial por escrever tanta música boa sozinho.
Além de “Balada”, música que virou a chave da carreira de Gusttavo e também deu nome ao escritório do cantor, Cássio também é o responsável por “Festa na Piscina”, gravada por Carlos & Jader, e o sucesso icônico “Inquilino”, interpretado por Naiara Azevedo. Seu talento para compor refrões marcantes e melodias envolventes fez com que suas músicas fossem gravadas por grandes nomes do gênero.
Foto: @cassiosampaiooficial
“Balada”, lançada em 2011, se tornou hit mundial e atemporal, levando a música brasileira para diversos países no mundo. A letra chiclete acabou consolidando Gusttavo Lima como um dos principais nomes do sertanejo universitário. Ela chegou para o repertório do segundo DVD do cantor faltando poucas horas para o projeto ser gravado. Improvisando nos arranjos, Maestro Pinocchio nem conseguiu ensaiar com a banda e a música foi feita ao vivo, gravada diversas vezes para se tornar um video que iria pro DVD. Isso também ajudou o público a decorar a letra com muita facilidade e na mesma semana, ela já foi parar nas rádios se tornando o sucesso que é.
Nos últimos anos, “Balada” se tornou uma das músicas mais tocadas nos estádios e ficou atrelada ao futebol brasileiro internacionalmente. Talvez pela letra e melodia contagiante, ela caiu no gosto das torcidas. Na última terça-feira, o goleiro Dibu Martízes chegou a postar o hit para comemorar a vitória da Seleção Argentina contra o Brasil, na goleada por 4×1 no Monumental de Núñez. Se a música já era queridinha dos boleiros, agora se tornou ainda mais. Sorte do Cássio, autor único desse hit futebolístico!
O cantor Wesley Safadão lançou recentemente o álbum “Bem-vindo ao Meu Mundo: Forró & Vaquejada”, marcando um retorno às suas raízes musicais e resgatando a essência do forró tradicional. Gravado no Parque de Vaquejada Arena Jampa, em João Pessoa (PB), o projeto celebra a cultura nordestina e conta com a participação de grandes nomes do gênero, como Xand Avião, Brasas do Forró, Edson Lima (Limão com Mel), Zé Vaqueiro, Mano Walter, Natanzinho Lima e Raí Saia Rodada.
Com 24 faixas, o álbum destaca-se por medleys como “Seis Cordas | Baião de Dois | Cavalo Lampião”, além de canções como “Manda Boi”, “Ponta de Faca” e “Pra Recomeçar”. Esses são clássicos que remetem ao forró de vaquejada, estilo que exalta as tradições nordestinas e tem forte ligação com as festas de vaquejada. A competição une a paixão do nordestino pelo forró, pelo cavalo Quarto de Milha e pela boa comida que sempre estão atrelados na modalidade.
O sucesso do álbum de Safadão reflete o desejo do público por um retorno às origens do forró, afastando-se de estilos mais recentes como o piseiro. O cantor atendeu a essa demanda ao revisitar suas influências e oferecer um trabalho autêntico que resgata a essência do forró tradicional. Safadão expressou sua satisfação com o projeto, afirmando: “Esse projeto sempre foi um sonho pra mim, pensei nele por muito tempo e estou muito feliz em saber que está cada vez mais próximo de se realizar.”
O álbum “Bem-vinda ao Meu Mundo” está evidenciando a receptividade do público a essa retomada das raízes musicais de Safadão. O artista reafirma seu compromisso com a cultura nordestina e consolida seu papel como um dos principais representantes do forró tradicional na atualidade. O forró de vaquejada se diferencia de outros estilos do forró por sua forte ligação com a cultura sertaneja e com as tradições dos vaqueiros nordestinos.
Enquanto o forró eletrônico e o piseiro incorporam elementos mais modernos e urbanos, a vaquejada mantém a essência rústica, com letras que falam da lida no campo, da paixão pelo gado e da vida do vaqueiro. Os instrumentos também são fundamentais para essa identidade: a sanfona, o triângulo e a zabumba têm presença marcante, garantindo o ritmo autêntico que embala festas e competições de vaquejada pelo Brasil. Esse resgate promovido por Wesley Safadão reforça o orgulho nordestino e prova que, mesmo em meio a tantas modernizações musicais, o Nordeste segue firme na valorização de suas raízes. Além de tudo, é um mercado a parte na música brasileira.
Tem gente indo em podcast rezar na madrugada, mas não vai contar sua própria história em programas que valorizam a música que cantam;
(Foto: Batista Lima no Nordecast, uma das melhores entrevistas do forró nos últimos tempos)
O cenário dos podcast’s no Brasil cresceu absurdamente da pandemia pra cá, se tornando um dos principais meios para artistas contarem suas histórias e se aproximarem do público. No entanto, no sertanejo, tem acontecido algo curioso: vários cantores evitam os podcasts do próprio segmento. Quando surge um convite para falar sobre a carreira, sobre a cena sertaneja ou até relembrar histórias dos bastidores, muitos simplesmente não vão. Enrolam, dão desculpas e, quando aceitam, desmarcam em cima da hora. Mas esses mesmos artistas não têm problema nenhum em aparecer em podcast’s de outros nichos, onde a pauta quase nunca envolve música sertaneja e o entrevistador nem ouve seus projetos para saber do que está falando.
É comum ver cantores sertanejos indo em podcast’s de nicho até mesmo religioso, de comédia, de desenvolvimento pessoal ou até de futebol – FUTEBOL. Eles falam sobre fé, sobre crescimento profissional, sobre desafios da vida, mas evitam contar sua trajetória no sertanejo quando têm a chance de fazer isso em um espaço que realmente entende do assunto. Parece que falar sobre a própria história no meio onde construíram suas carreiras virou algo desconfortável para alguns. E quando são perguntados de alguns assuntos da carreira, evitam se aprofundar com medo de cancelamento na internet, dependendo do motivo.
Enquanto isso, no forró, a situação é completamente diferente. Os artistas do gênero não só participam de todos os podcast’s relevantes do Nordeste como também falam tudo o que pensam, sem rodeios. Em algumas entrevistas, eles chegam a olhar diretamente para a câmera e mandar recado para outras pessoas do meio, sem medo da repercussão. Eles entendem a importância de fortalecer a própria cena e manter o público engajado, sem fugir de conversas difíceis ou polêmicas. Recentemente, no mesmo podcast citado acima, um ex-empresário do cantoe Felipão, do Forró Moral, descascou o cantor ao ser entrevistado. Passou uns dias, o artista foi em um podcast concorrente e o respondeu. Quem ganhou com isso? O público, os envolvidos na discussão, os dois podcast’s e o segmento que teve assunto para falar a semana toda.
Outro exemplo legal de uma boa entrevista foi justamente a de Batista Lima, ex-vocalista da Banda Limão Com Mel. O cantor falou de absolutamente tudo o que foi perguntado e até desabafou em certos momentos. Não teve medo de falar de valores financeiros, polêmicas, composições dele, bastidores da banda e da carreira solo. Foi uma aula que ele deu aos colegas de profissão no quesito de como dar uma entrevista sincera. Já no sertanejo, os artistas parecem pisar em ovos o tempo todo. Seja cantor, produtor, empresário ou compositor. Quando dão entrevistas, são extremamente cuidadosos com as palavras, evitam tocar em determinados assuntos e, muitas vezes, preferem se esconder atrás de assessorias e contratos publicitários. Poucos se arriscam a ser autênticos e falar com sinceridade sobre os bastidores do gênero, as dificuldades da carreira ou até sobre a própria visão do mercado sertanejo.
A grande questão é: por que esse medo por parte dos sertanejos? Por que os próprios artistas do meio não valorizam os espaços feitos para falar sobre o gênero? Será que é receio de perguntas difíceis? Medo de criar desavenças? Ou simplesmente falta de interesse, preguiça? Enquanto isso, os fãs ficam sem ouvir as verdadeiras histórias de seus ídolos nos podcast’s que mais entendem do assunto, enquanto veem esses mesmos artistas falando sobre tudo – menos sobre sertanejo – em outros lugares. Todos do sertanejo saem perdendo com essa postura. Até quando?
Edição está corrida, cortando conversas e deixando o público com vontade de ver mais
Foto: Globoplay
O programa Viver Sertanejo tem se consolidado como um dos maiores acertos da programação global nos últimos tempos, especialmente por resgatar a cultura sertaneja e colocar em evidência artistas que marcaram gerações. No entanto, apesar do grande potencial da atração, há pontos que merecem mais atenção, principalmente em relação ao tempo de duração e à edição dos episódios. Os fãs do programa e críticos apontam que a edição tem sido excessivamente cortada, o que prejudica o andamento das conversas e a continuidade dos assuntos, deixando os debates e interações truncados. Quando o objetivo é explorar as histórias e a carreira dos convidados, é fundamental garantir que o conteúdo seja exposto de forma mais completa.
O episódio mais recente, com Roberta Miranda e Gustavo Mioto, foi um exemplo claro dessa fragilidade. Muitos telespectadores acharam o programa monótono e sem a profundidade que o tema de ambos artistas merece. As entrevistas pareciam apressadas, sem o devido tempo para que os convidados falassem de suas experiências, suas trajetórias e, claro, de sua música. A edição enxuta demais retirou o ritmo natural da conversa e transformou o que deveria ser um momento de resgate da cultura sertaneja em algo corrido e sem emoção. Para um programa que tem como missão destacar o gênero, esse tipo de tratamento é frustrante, pois impede que a conexão entre o público e os artistas se aprofunde.
Outro ponto que tem gerado insatisfação é a falta de conteúdos exclusivos no Globoplay. Em um momento em que as plataformas de streaming se tornaram cada vez mais essenciais para o consumo de conteúdo, é imprescindível que o Viver Sertanejo tenha episódios e materiais extras disponíveis para os fãs. Conteúdo tem de sobra. A exibição apenas na TV aberta limita a experiência dos telespectadores que gostariam de se aprofundar mais nos bastidores das gravações, nas entrevistas e até em momentos que não foram ao ar devido à edição. Isso seria uma ótima oportunidade para o programa expandir ainda mais seu alcance e fidelizar um público que já demonstra interesse pelo universo sertanejo, mas que sente falta de um contato mais íntimo com os artistas.
Além disso, alguns episódios apresentaram problemas claros na escolha dos convidados. No programa com Gino & Geno e Israel & Rodolffo, por exemplo, a dinâmica entre os artistas não foi explorada da forma que poderia. E houve uma sensação de que o episódio estava “empurrado”, com cortes secos sem nenhuma interação com o que tava acontecendo. A interação entre os convidados parecia desconexa e sem a fluidez necessária para manter o ritmo do programa. Situações como essas indicam que, para o Viver Sertanejo continuar sendo um sucesso, é necessário um cuidado maior na curadoria dos convidados, buscando sempre uma química mais evidente entre eles, o que faz toda a diferença em um programa desse estilo.
Em outro episódio, o programa com Rick & Renner e Trio Parada Dura também demonstrou sinais de apressamento. A edição rápida e a falta de tempo para as discussões mais profundas prejudicaram a performance de um episódio que tinha tudo para ser histórico. O Trio Parada Dura, com sua trajetória única e imensa importância para a música sertaneja, teve seu espaço reduzido de forma drástica. Quando o assunto é um artista icônico, que marcou a história de várias gerações, o programa deveria ter se dedicado a retratar melhor suas vivências e o impacto cultural do grupo, dando-lhes o espaço merecido para compartilhar suas memórias.
Outro erro que chamou atenção foi no programa com o Baitaca, um grande nome da música gaúcha. Sua participação foi limitada e as explicações sobre sua música “Do Fundo da Grota” foram cortadas, prejudicando a compreensão do público sobre o significado e a relevância daquela canção. Esse tipo de situação é preocupante, pois o programa perde a oportunidade de explorar aspectos fundamentais da música regional e das histórias que, muitas vezes, ajudam a enriquecer a própria identidade do sertanejo. A edição apressada impede que a riqueza dessas histórias seja apresentada de forma adequada.
Um episódio que também causou certo desconforto foi aquele com Michel Teló, que demonstrou um certo desconcerto ao assumir, em diversos momentos, o papel de apresentador, especialmente ao tomar a frente de Daniel. Embora ambos sejam grandes nomes da música sertaneja, a postura de Teló gerou uma sensação de desequilíbrio na apresentação, que parecia mais voltada para o seu ego do que para a valorização da música sertaneja em si. Dava a inpressão de que ele estava no extinto “Bem Sertanejo”. Sabemos que ele sonha com um programa próprio, mas não era o momento de demonstrar isso. Enfim…
O Viver Sertanejo continua sendo um grande trunfo da Globo, com um formato que, se bem aproveitado, pode se tornar uma referência definitiva para o gênero. O programa precisa de mais tempo para que as conversas fluam de forma natural e menos atropelada. Também seria essencial que a edição fosse mais cuidadosa, garantindo que as histórias não fiquem pela metade e que o público possa realmente aproveitar a experiência completa.
Uma solução: NINGUÉM QUER VER AUTO ESPORTE DE MANHÃ, TIRA ESSA DESGRAÇA DE PROGRAMA. AUTOMOBILISMO É COISA DA BAND. DEIXEM O GLOBO RURAL E O VIVER SERTANEJO NA GRADE DA MANHÃ DO DOMINGO, PRONTO! Com esses ajustes, o projeto tem o potencial de ser tão bom quanto seus primeiros episódios, resgatando a verdadeira essência do sertanejo e oferecendo um conteúdo mais profundo e emocionante para seus fãs.
Um dos intérpretes mais admirados do samba paulista é um nome que transcende os limites da música carnavalesca. Carlos Junior tem carreira, marcada por um talento incomum e uma voz potente, fez dele um dos maiores responsáveis pela animação nas avenidas durante o Carnaval de São Paulo. Desde sua estreia no Camisa Verde e Branco em 1988, até sua ascensão nas mais renomadas escolas de samba, o intérprete construiu uma trajetória de dedicação e amor ao samba que poucos conseguem igualar.
O início de sua jornada foi marcado por uma forte conexão com a batucada de Mestre Divino, que, segundo Carlos Junior, foi um dos grandes responsáveis por despertar sua paixão pelo samba. Em 1990, o cantor fez sua estreia como compositor, defendendo seu primeiro samba vencedor no Bloco Paraíso do Samba Jardim Tremembé, o que seria apenas o primeiro de muitos sucessos. Sua habilidade como intérprete e compositor logo chamou a atenção de outras escolas, e em 1993 ele se consagraria campeão pelo Camisa Verde e Branco, uma das maiores escolas de samba de São Paulo.
A partir de então, Carlos Junior consolidou seu nome no cenário do samba paulista. Vencedor de diversas eliminatórias no Camisa Verde e Branco, ele se destacou como intérprete oficial da escola, levando sua voz potente e seu carisma para as avenidas. O samba “4, vamos pensar…” de 2002, que ficou marcado como um dos maiores sucessos daquela década, foi um exemplo claro da qualidade e profundidade de seu trabalho. A partir de então, Carlos Junior se tornou uma das figuras mais requisitadas no meio do samba, sendo frequentemente convidado para compor e interpretar sambas nas mais diferentes escolas.
No entanto, foi sua passagem pela Império de Casa Verde que deu um novo impulso à sua carreira. Ao lado da escola da Zona Norte, Carlos Junior conquistou títulos importantes, sendo bi-campeão em 2005 e 2006 – ele fez um samba sobre o boi Nelore acontecer na avenida. Sua atuação na Império o consolidou como um dos grandes intérpretes do cenário paulista, e sua presença em palco tornou-se sinônimo de sucesso. Sua competência, tanto na gravação dos sambas quanto nas apresentações ao vivo, o fez se tornar uma referência para muitos novatos e veteranos do samba.
Após sua passagem pela Império de Casa Verde, Carlos Junior tomou um novo rumo em sua carreira ao se juntar à tradicional Vai-Vai. Na escola do bairro do Bexiga, Carlos Junior teve um impacto imediato, conquistando o “Troféu Nota 10” em sua estreia. Sua interpretação impecável no carro de som foi fundamental para a vitória da escola no carnaval de 2008 – com o grande samba “Acorda Brasil”. No ano seguinte, ele foi vice-campeão ainda com a Vai-Vai, o que reforçou ainda mais sua importância dentro do cenário do samba paulista. Porém, naquele mesmo ano pós-desfiles, a decisão da Vai-Vai de substituí-lo por Gilsinho gerou grande polêmica, e muitos bambas não entenderam a troca.
Após um período de incertezas, Carlos Junior anunciou seu retorno à Império de Casa Verde para o carnaval de 2010, onde permaneceu até 2022. Durante esse tempo, ele se consolidou ainda mais como um dos maiores intérpretes da história do carnaval de São Paulo, trazendo sua energia e talento para diversas eliminatórias e gravações. Em 2010, também estreou na Sapucaí com o Paraíso do Tuiuti, formando uma dupla de sucesso com Celsinho Mody. A partir daí, a carreira de Carlos Junior passou a se expandir também para o Rio de Janeiro, onde se firmou como um intérprete de grande prestígio.
Hoje, Carlos Junior continua a ser uma das figuras mais importantes do samba. Em 2024 chegou na Rosas de Ouro e o samba-enredo da escola caiu como uma luva para seu timbre irretocável na avenida. Mas a grande jogada foi neste ano, em 2025. Com aquele amanhecer em azul e rosa no Anhembi na manhã do sábado de carnaval, o samba da Roseira embalou o desfile com aura de campeã desde o esquenta. Parte do sucesso da agremiação da Brasilândia neste carnaval teve papel fundamental de Carlos Junior no carro de som, junto de seus companheiros de canto. Ele fez o samba crescer a cada ensaio técnico, que antes era olhado com desconfiança por alguns no “pré-carnaval”. A crítica achava o enredo muito comercial e que isso não faria o samba cair no gosto do público. Mas a letra com a interpretação de “Carlão” fez o samba ganhar algo melódico e com um sentimento de vitória no ar. Tudo ficou mais mágico com ele cantando.
Sua trajetória é marcada por um profundo respeito à tradição do samba, sempre buscando inovar sem perder a essência. Com sua voz marcante e sua habilidade em interpretar e emocionar o público, Carlos Junior segue sendo uma das maiores referências do samba paulista e nacional, com uma carreira que certamente ainda tem muito a oferecer. Este ano ele dedicou sua performance na avenida em homenagem ao ídolo Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou da Sapucaí. Carlos Junior agora soma 5 títulos na sua carreira conquistados no Anhembi: 3 com a Império de Casa Verde (2005, 2006, 2016), 1 com a Vai-Vai (2008) e o atual campeonato inesquecível com a Roseira (2025). Muitos outros ele ainda irá conquistar pelo talento e pela história que tem, sem dúvidas.