Categoria: Colômbia

Colômbia na Copa será 8/80: Pode surpreender muito ou passar vergonha

Seleção convocada traz mais dúvidas que soluções em geração que retorna ao Mundial após ficar fora em 2022

Foto: RCN Deportes

A convocação da Seleção Colombiana para a Copa do Mundo, enfim saiu, com poucas surpresas e muitas confirmações do que já vinha sendo desenhado por Néstor Lorenzo ao longo do ciclo. O grande nome segue sendo Luis Díaz, hoje protagonista de um ataque poderoso do Bayern de Munique e principal referência técnica da Colômbia. Ao lado dele aparecem nomes conhecidos como Richard Ríos e Juan Fer Quintero, que segue sendo um jogador útil justamente por fazer uma função rara dentro da seleção colombiana: a do meia criativo clássico, mesmo sem viver seu auge há algum tempo.

A grande discussão da convocação, claro, girava em torno de James Rodríguez. Para muita gente, James já vive uma aposentadoria técnica há anos, distante daquele meia mágico da Copa de 2014 que enganou, ops, encantou o mundo. Mas a Colômbia ainda parece emocionalmente dependente do camisa 10, seja pela liderança, seja pela falta de outro nome capaz de assumir esse protagonismo criativo. E assim James vai para mais uma Copa do Mundo, carregando ao mesmo tempo o peso do passado glorioso e a dúvida sobre quanto ainda consegue entregar dentro de campo.

A ausência da Colômbia na Copa de 2022 acabou funcionando como uma espécie de choque de realidade para essa geração. Era um time que precisava sentir o peso de ficar fora de um Mundial para entender que tradição sul-americana sozinha não garante vaga em Copa. Agora, em sua sexta participação na história, a seleção colombiana chega novamente cercada de expectativa, mas sem aquela confiança absoluta da geração de 2014 ou até mesmo da equipe de 2018, que talvez tivesse uma química coletiva mais forte. Ainda assim, o vice-campeonato da última Copa América mostrou que existe talento suficiente para competir em alto nível.

O problema é justamente definir o que esperar dessa Colômbia. Falando em ausência, jogadores como Sebástian Villa, Rafael Borré, Juan Cuadrado e Wilmar Barrios ficaram de fora dessa vez. Los cafeteros é uma seleção capaz de tudo. Pode ser a grande surpresa da Copa, encaixar rapidamente e fazer um torneio histórico impulsionada pela velocidade de Luis Díaz e pela competitividade típica das equipes de Lorenzo.

Mas também pode ser uma enorme decepção, vítima da irregularidade que acompanha o futebol colombiano há anos. Não existe mais aquela sensação de estabilidade e confiança de outros ciclos. A Colômbia atual vive entre a nostalgia de seus velhos líderes e a esperança de uma nova geração que ainda não se consolidou completamente. E talvez seja justamente essa imprevisibilidade que torne os colombianos tão interessantes de acompanhar neste Mundial.

Foto: RCN Deportes

Colômbia se divide entre ter ou não James Rodríguez na Copa do Mundo

Péssimo nos clubes, mas excelente na seleção, camisa 10 cafetero gera desconfiança por falta de ritmo de jogos

Foto: ESPN Colombia

A pré-lista de 55 nomes da seleção da Colômbia para a Copa do Mundo de 2026 colocou novamente James Rodríguez no centro de um debate que divide o país. Para muitos colombianos, o camisa 10 ainda merece mais um Mundial por tudo o que representa para a história do futebol do país. Afinal, mesmo vivendo temporadas instáveis nos clubes nos últimos anos, James continua sendo visto como um dos maiores talentos que a Colômbia já produziu, especialmente pela forma como se transforma quando veste a camisa da seleção. Há quem enxergue nele o último grande elo daquela geração que encantou o mundo em 2014 e alcançou as quartas de final no Brasil.

Por outro lado, uma parte da torcida acredita que esse ciclo já deveria ter terminado. O argumento principal é que James praticamente deixou de ter sequência em clubes importantes há cinco ou seis anos. Entre mudanças constantes de país, contratos curtos e períodos treinando sozinho, ele passou a viver muito mais da memória construída no passado do que do rendimento atual no futebol de alto nível. Ainda assim, toda vez que atua pela Colômbia, o meia parece recuperar a confiança, a liderança e o brilho técnico que desapareceram em muitos momentos da carreira desde a base do Envigado, seu surgimento no Banfield, até sua boa fase europeia após passagens por gigantes como Porto, Real Madrid e Bayern de Munique.

A discussão também passa pelo papel que James teria dentro do elenco comandado por Néstor Lorenzo. Hoje, a seleção colombiana possui uma geração mais madura e competitiva, com Luis Díaz vivendo o auge técnico e nomes como Richard Ríos ganhando espaço e protagonismo. Por isso, muitos torcedores questionam se vale a pena montar parte do time pensando em um jogador que talvez já não tenha condições físicas de suportar 90 minutos em partidas decisivas. Existe até a possibilidade de James ser utilizado mais como liderança de grupo ou opção pontual durante os jogos, enquanto Radamel Falcao García pode integrar a comissão técnica e ajudar justamente nessa transição entre gerações.

No fundo, o debate sobre James Rodríguez vai além do futebol. Ele representa a dúvida entre apostar na experiência de um ídolo histórico ou acelerar de vez a renovação pensando em uma Colômbia capaz de fazer algo maior em 2026. A torcida colombiana não quer apenas repetir campanhas dignas; quer sonhar novamente com uma seleção capaz de ir além das quartas de final e disputar espaço entre as potências do Mundial. E é justamente aí que nasce a pergunta que hoje domina o país: ainda existe espaço para James em uma seleção que já encontrou novos protagonistas? A resposta definitiva só virá quando sair a convocação oficial do DT Néstor.