Categoria: Cinema

Estreantes da semana, ‘Mestres do Universo’ e ‘Todo Mundo em Pânico’ dividem fãs

He-Man poderia ter entregado mais, enquanto humor de Todo Mundo em Pânico 6 foi corajoso

Foto: Instagram

Entre as estreias mais comentadas da semana, Mestres do Universo e Todo Mundo em Pânico 6 chegaram aos cinemas no mesmo dia e provocaram uma reação curiosa do público: os dois dividiram opiniões. Em ambos os casos, há quem tenha saído da sessão satisfeito e quem tenha deixado a sala decepcionado. A diferença está justamente nas expectativas que cercavam cada produção antes da estreia. E, nesse aspecto, o peso acabou sendo muito maior para He-Man.

O novo filme do herói de Eternia carregava a responsabilidade de reviver uma das franquias mais queridas da cultura pop. Havia expectativa de espetáculo, nostalgia, ação e uma história capaz de conquistar tanto os fãs antigos quanto uma nova geração. Por isso, quando o resultado não corresponde ao que muitos imaginavam, a frustração se torna inevitavelmente maior. Não é que o filme seja unanimemente rejeitado, mas ele parece ter ficado aquém do potencial que tinha para se tornar um dos grandes acontecimentos cinematográficos do ano.

Todo Mundo em Pânico 6 partiu de uma posição completamente diferente. Sem a mesma pressão e sem a obrigação de ser um blockbuster revolucionário, o longa apostou justamente naquilo que tornou a franquia famosa: a irreverência. Em uma época em que muitas comédias parecem jogar pelo seguro, o filme teve coragem de arriscar, provocar e apostar em um humor que há tempos não encontrava espaço nas grandes produções de cinema. Essa audácia acabou se tornando um dos seus maiores trunfos.

No fim das contas, mesmo também dividindo opiniões, Todo Mundo em Pânico 6 parece ter entendido melhor o que sua própria fanbase esperava encontrar. Claro que sempre tem gente que sai insatisfeita da sessão. Enquanto He-Man gerou mais expectativas do que conseguiu atender, a comédia entregou exatamente a experiência caótica e sem filtros que seus fãs procuravam. Nem sempre o filme mais ambicioso é o que sai vencedor na percepção do público. Às vezes, quem conhece suas limitações e aposta na própria identidade acaba conquistando mais gente.

O Mandaloriano & Grogu: Sr. Fantástico e Grogu numa aventura de Sessão da Tarde

Filme é divertido com muita ação e lição de lealdade entre os protagonistas

Foto: Arquivo Pessoal

Tem filme que não precisa reinventar a roda para conquistar o público. O Mandaloriano & Grogu entende exatamente isso. A produção funciona como uma grande aventura espacial com alma de sessão da tarde: divertida, leve, emocionante e com aquele clima clássico de acompanhar personagens carismáticos vivendo perigos pelo universo. E talvez seja justamente essa simplicidade que faça o longa funcionar tão bem.

O grande coração do filme está na relação entre o Mandaloriano e Grogu. A conexão entre os dois continua sendo o ponto mais forte da história, trazendo momentos fofos, engraçados e até emocionantes sem precisar forçar nada. Existe uma lealdade muito bonita construída ali, quase como uma relação de pai e filho, que prende o espectador até nas cenas mais simples. Grogu, claro, segue roubando todas as atenções possíveis.

Visualmente, o filme também entrega aquilo que os fãs de Star Wars gostam: perseguições, criaturas diferentes, planetas interessantes e cenas de ação muito bem encaixadas dentro da narrativa. Mas o mérito está justamente em não transformar tudo apenas em espetáculo vazio. O longa sabe equilibrar ação com emoção, humor e aquele sentimento gostoso de aventura despretensiosa. Eu não esperava nada e recebi um filme bem divertido estilo Sessão da Tarde.

E sim: é um daqueles filmes que valem o combo no cinema. Assistir à jornada dos dois na telona deixa tudo ainda mais divertido, principalmente pela experiência coletiva da sala reagindo aos momentos do Grogu. A criatura fofa e Din Djarin (Sr. Fantástico da Marvel) conseguem entregar exatamente o que muita gente procura ao entrar numa sessão: entretenimento sincero, carisma e uma aventura boa do começo ao fim.

O Diabo Veste Prada 2: Melhor ver o Michael mesmo

Até Super Mario tem um roteiro mais interessante. Só o elenco salva

Foto: Arquivo Pessoal

Quase vinte anos depois, o retorno de O Diabo Veste Prada parecia aquele tipo de evento pronto para parar a internet. E parou. O hype em volta de O Diabo Veste Prada 2 foi enorme, principalmente pelo fator nostalgia. Ver pessoas indo ao cinema vestidas de Miranda Priestly, recriando looks icônicos e entrando no clima do filme acabou sendo mais divertido do que o próprio longa. O evento em torno da estreia foi muito maior do que a história entregue na tela.

O problema é que o filme não tem um roteiro empolgante. A trama é fraca, sem grandes conflitos, sem tensão e sem aquela energia que fazia o original prender do começo ao fim. Em vários momentos, o longa dispersa completamente a atenção do público. Falta moda de verdade, falta glamour, falta aquela sensação de estar vendo algo afiado, inteligente e provocador. Parece um filme feito apenas para revisitar personagens conhecidos, sem realmente construir algo interessante para eles.

E quem salva tudo é o elenco. O carisma dos atores carrega o filme nas costas o tempo inteiro. É impossível não gostar de rever aqueles personagens, principalmente pela conexão emocional criada ao longo dos anos. Só que isso sozinho não sustenta duas horas de cinema. Tem momentos em que o filme dá sono, porque simplesmente nada acontece de realmente intrigante. A sensação é que faltou coragem para criar uma história mais ousada, mais divertida e mais marcante.

No fim, valeu apenas pela nostalgia e pela experiência coletiva que o filme criou nos cinemas. Ver o público entrando na brincadeira e vivendo aquele universo da moda de novo. Mas, como filme, acaba sendo bem decepcionante. Entre os títulos em cartaz, eu ainda prefiro mil vezes Super Mario Bros. ou Michael, que conseguem entregar muito mais diversão, emoção e entretenimento pelo valor do ingresso. O Diabo Veste Prata 2 vale só o salgadinho da Americanas.

Assisti ‘Michael’ pela segunda vez e estava sozinha na sessão

Foi uma das melhores experiências que tive no cinema

Foto: Arquivo Pessoal

Existem momentos que parecem pequenos pra muita gente, mas que viram memórias gigantes pra quem vive cinema de verdade. Ontem eu fui assistir Michael pela segunda vez e acabei ganhando um presente completamente inesperado: uma sessão vazia, só minha. Quem frequenta cinema à tarde sabe que isso pode acontecer quando o filme já saiu do hype do lançamento, mas eu sinceramente não imaginava que aconteceria justamente com um filme que está fazendo tanto sucesso. E talvez por isso tenha sido ainda mais especial.

No começo eu fiquei naquela expectativa clássica de quem percebe a sala vazia, mas não acredita muito. Sempre existe a possibilidade de alguém entrar atrasado, comprar ingresso de última hora ou aparecer quando as luzes já estão apagando. Então eu fiquei observando, esperando, meio apreensiva. Até que o filme começou… e ninguém entrou. Quando caiu a ficha de que aquela sessão seria realmente só minha, eu senti uma mistura de êxtase com incredulidade. Parecia que eu estava vivendo uma experiência exclusiva, quase íntima, com aquela obra gigantesca acontecendo na tela.

E viver aquele espetáculo sozinha foi algo muito intenso. Porque esse filme do Michael Jackson não parece feito apenas pra ser assistido — ele parece feito pra ser sentido na telona. Eu estava no meu lugar favorito, ali no meio, geralmente a poltrona E10, às vezes a E8, que pra mim são simplesmente os melhores lugares possíveis do cinema. E fiquei ali, sem saber direito como reagir àquilo tudo. Era só eu, a tela, a música, a grandiosidade do filme e aquela sensação absurda de privilégio. Tem horas em que o cinema realmente vira uma experiência quase mágica.

Saí da sessão com aquela sensação de realização difícil de explicar. Talvez eu tenha fechado meu ciclo com Michael no cinema, talvez não. Mas acho difícil outra sessão superar essa. Porque não foi só assistir a um espetáculo mais uma vez, foi viver um momento muito único. É daqueles que parecem bobos na teoria, mas ficam guardados pra sempre na memória de quem ama cinema de verdade e é fã de música boa, afinal, na grande tela estava o maior artista de todos os tempos.

Tem gente que não gostou de Michael, nem de Devoradores de Estrelas, nem de Mortal Kombat… ESSE POVO QUER O QUÊ NO CINEMA?

A pessoa se acha votante do Oscar, só pode!

Foto: Vogue Magazine

Tem uma galera irritante que simplesmente desaprendeu a se divertir no cinema. O sujeito não gostou de Devoradores de Estrelas, não gostou do filme do Michael Jackson, não gostou de Mortal Kombat II, não gostou de Pânico 7, não gostou nem do filme do Super Mario. Aí eu pergunto: essa pessoa quer o quê afinal? Porque nada está bom. Absolutamente nada! Tudo é ruim, tudo é “fraco”, tudo é “roteiro preguiçoso”, tudo é “fan service” ou falta de fidelidade na obra tal… Meu irmão, então fica em casa! Assina streaming, pega seu controle remoto e vai assistir o que você quiser sozinho no sofá, porque claramente o cinema virou uma experiência impossível de agradar você.

O pior é a crítica militante de internet. O cara fala do filme como se fosse votante da Academia. Parece que tá decidindo Melhor Filme no Oscar, Melhor Direção, Melhor Figurino, Melhor Roteiro. Mas nunca fez um curso de artes cênicas na vida, nunca estudou cinema, nunca pegou uma câmera. Só quer pagar de intelectual na timeline. A pessoa vai assistir um filme de luta, explosão, perseguição, sangue e fatality e quer encontrar a profundidade filosófica de A Odisseia com direção do Nolan. Não sabe desligar a cabeça por duas horas e simplesmente curtir.

E outra: ano passado o povo reclamava que só tinha filme vagabundo. Agora, esse ano tá cheio de blockbuster, filme brabo, continuação aguardada, animação bombando, terror lotando sessão, e continuam reclamando de tudo. O Diabo Veste Prada 2 está explodindo em bilheteria, um monte de produção gigante chegando, cinema movimentado de novo, e ainda assim nada agrada. Daqui a pouco estreia Minions & Monstros, onde com certeza vai aparecer um cidadão fazendo thread de 40 tweets criticando o roteiro dos Minions. Quem sente necessidade de tacar hate em um filme desse, tá morto por dentro já. Não tem mais o que fazer.

Cinema também é diversão, exagero, pipoca, salgadinho da Americanas, choradeira, nostalgia. Nem tudo precisa ser tratado como um filme conceito do Nolan candidato ao Oscar. Tem filme que existe só pra divertir, e tá tudo bem. O problema é que hoje tem gente que entra na sessão já querendo odiar alguma coisa pra poder postar depois. A experiência do cinema virou competição de quem parece mais culto na internet. Enquanto isso, quem realmente sabe aproveitar tá lá feliz vendo lutas, sustos, corridas, piadas idiotas, animações e saindo do cinema satisfeito. Porque no fim das contas é isso que importa!

Mortal Kombat 2: ENFIM ACERTARAM NESSA FRANQUIA

Muito sangue, muita luta e ação seguram o filme nas unhas. Nada de roteiro “A Odisseia”, é porradaria pra se divertir e emocionar

Foto: Arquivo Pessoal

Depois de um primeiro filme que dividiu opiniões e parecia perdido entre fan service e falta de identidade, Mortal Kombat 2 chega justamente como os fãs sempre imaginaram a franquia no cinema. Brutal, acelerado, divertido e completamente sem vergonha de ser videogame. O novo longa entende perfeitamente o que o público queria ver desde o início. Aqui não existe espaço para enrolação, drama excessivo ou cenas intermináveis tentando explicar o impossível. A regra é simples: muita luta, rivalidades, torneio, duelos eletrizantes e adrenalina do começo ao fim.

O filme praticamente não deixa o espectador respirar. A cada sequência, surge uma luta maior, mais criativa e mais insana que a anterior. Fatalities aparecem com coragem, os personagens clássicos finalmente recebem o destaque que merecem e o ritmo é tão acelerado que a sensação ao sair da sessão é de ter atravessado uma maratona de pancadaria. É aquele tipo de filme que abraça o exagero e transforma isso em qualidade. Tudo funciona melhor justamente porque Mortal Kombat 2 para de tentar ser “cinema sério” e aceita de vez sua alma arcade.

E se existe uma dupla que carrega boa parte da energia do filme, formada por Liu Kang e Johnny Cage. Os dois roubam completamente a cena, cada um do seu jeito. Liu Kang finalmente ganha a presença grandiosa que os fãs esperavam há anos no cinema, com lutas coreografadas de forma absurda e uma aura quase mítica durante os combates. Já Johnny Cage surge como o caos perfeito dentro do filme: carismático, engraçado, debochado e dono de algumas das melhores cenas de ação da produção. Toda vez que os dois aparecem, o nível sobe. E talvez seja justamente aí que Mortal Kombat 2 acerta de vez: entender que seus personagens são maiores que a vida real e deixar cada um deles brilhar como verdadeiras lendas dos videogames. Os vilões também estão implacáveis.

No fim da sessão, a conclusão é simples: Mortal Kombat 2 devolve a diversão despretensiosa que anda faltando em muitos blockbusters atuais. Você entra na sala sabendo exatamente o que vai encontrar — e recebe ainda mais. É sangue, gritaria, personagens carismáticos, efeitos absurdos e uma energia que lembra aquelas tardes jogando videogame sem preocupação nenhuma. Vale o ingresso e o salgadinho da Americanas. O combo não, pois temos filmes melhores pela frente daqui algumas semanas.