Categoria: Carnaval

Piruinha se foi, mas sua vida boêmia deixou uma enorme briga pela herança

Duas mulheres e 24 filhos estão na disputa pelo espólio do mais antigo membro da cúpula dos bicheiros cariocas;

Foto/Reprodução: O Globo

O espólio do nosso querido bicheiro Piruinha se tornou um dos casos mais comentados do submundo do jogo do bicho. Figura controversa e carismática, Piruinha construiu um império em apostas, maquininhas caça-níqueis, financiamentos obscuros e influência nos bastidores da política carioca e do Carnaval. Com sua morte, uma disputa feroz por sua fortuna veio à tona, envolvendo herdeiros, uma porrada de filhos, aliados de confiança e figuras que emergiram das sombras reivindicando parte do patrimônio. O caso rapidamente virou um enredo digno de novela policial, do jeito que o boêmio gostava.

A principal questão girava em torno da real extensão de sua riqueza. Oficiais estimavam que Piruinha movimentava milhões, mas seus bens registrados eram modestos, incluindo algumas casas e uma frota de carros de luxo. No entanto, os boatos indicavam que o grosso do dinheiro estava oculto em contas no exterior, cofres secretos e investimentos feitos em nomes de laranjas. O bicheiro que parecia ser o mais simples e pregava a paz nos episódios de “Vale o Escrito”, do Globoplay, era low-profile em relação a sua verdadeira fortuna. A busca por esses valores mobilizou tanto autoridades quanto antigos associados, cada um tentando se beneficiar da herança do contraventor.

No embate para provar a união estável com o bicheiro José Caruzzo Escafura, nome oficial de Piruinha, que morreu em janeiro aos 95 anos, duas mulheres disputam o posto de “viúva” do contraventor. Há dezenas de fotos, contrato extrajudicial, carteirinha de visitação em presídio e até imagens da própria série “Vale o Escrito” usados como provas. Desde a morte do bicheiro, Rosilene Leonardo e Edclea das Neves, ambas de 60 anos, pediram ao juízo da 1ª Vara de Família da Regional Barra da Tijuca, por meio de seus advogados, para se habilitarem à herança de Piruinha, junto aos 24 filhos do falecido. Detalhes de todo início desse processo você confere na matéria de Vera Araújo em sua coluna no O Globo.

Recentemente, investigações trouxeram à tona detalhes obscuros sobre os negócios de Piruinha. Documentos vazados indicavam pagamentos a policiais e políticos, além de ligações com empresas fantasmas usadas para lavar dinheiro. O desenrolar do caso revelou não apenas a extensão de sua fortuna oculta, mas também o alcance da corrupção sustentada por seu império. No meio disso tudo, as autoridades tiveram dificuldades para confiscar bens, já que muitos simplesmente “desapareceram” antes mesmo que pudessem ser registrados oficialmente.

Piruinha sempre foi uma figura à parte no jogo do bicho. Diferente dos demais bicheiros, ele tinha um carisma único, um jeito conciliador que o destacava dentro da cúpula. Nos últimos anos, em meio à disputa pelo espólio de Maninho, ele tentou intervir como uma ponte mediadora, especialmente na briga entre a família Garcia e Bernardo Bello. Não era apenas um articulador, mas alguém que compreendia o peso das rivalidades e buscava evitar que o jogo saísse do controle.

Seu legado, de certa forma, transcende o próprio jogo. Ele simbolizava o prazer de viver, a ideia de que no fim das contas, nada se leva desta vida — apenas a vida que se leva. E ele soube viver, com o samba que gostava, com alegria que partilhava, bebida boa e diversão com muita mulher, como ele mesmo declarava. Além do mais, sua morte não foi nenhuma emboscada com tiros na porta de academia ou explosão num carro. Piruinha se foi porque era sua hora. Concluir a jornada no jogo do bicho assim é para poucos!

Foto: Globoplay

Carlos Junior: A voz essencial para o título da Rosas de Ouro

Foto: Instagram

Um dos intérpretes mais admirados do samba paulista é um nome que transcende os limites da música carnavalesca. Carlos Junior tem carreira, marcada por um talento incomum e uma voz potente, fez dele um dos maiores responsáveis pela animação nas avenidas durante o Carnaval de São Paulo. Desde sua estreia no Camisa Verde e Branco em 1988, até sua ascensão nas mais renomadas escolas de samba, o intérprete construiu uma trajetória de dedicação e amor ao samba que poucos conseguem igualar.

O início de sua jornada foi marcado por uma forte conexão com a batucada de Mestre Divino, que, segundo Carlos Junior, foi um dos grandes responsáveis por despertar sua paixão pelo samba. Em 1990, o cantor fez sua estreia como compositor, defendendo seu primeiro samba vencedor no Bloco Paraíso do Samba Jardim Tremembé, o que seria apenas o primeiro de muitos sucessos. Sua habilidade como intérprete e compositor logo chamou a atenção de outras escolas, e em 1993 ele se consagraria campeão pelo Camisa Verde e Branco, uma das maiores escolas de samba de São Paulo.

A partir de então, Carlos Junior consolidou seu nome no cenário do samba paulista. Vencedor de diversas eliminatórias no Camisa Verde e Branco, ele se destacou como intérprete oficial da escola, levando sua voz potente e seu carisma para as avenidas. O samba “4, vamos pensar…” de 2002, que ficou marcado como um dos maiores sucessos daquela década, foi um exemplo claro da qualidade e profundidade de seu trabalho. A partir de então, Carlos Junior se tornou uma das figuras mais requisitadas no meio do samba, sendo frequentemente convidado para compor e interpretar sambas nas mais diferentes escolas.

No entanto, foi sua passagem pela Império de Casa Verde que deu um novo impulso à sua carreira. Ao lado da escola da Zona Norte, Carlos Junior conquistou títulos importantes, sendo bi-campeão em 2005 e 2006 – ele fez um samba sobre o boi Nelore acontecer na avenida. Sua atuação na Império o consolidou como um dos grandes intérpretes do cenário paulista, e sua presença em palco tornou-se sinônimo de sucesso. Sua competência, tanto na gravação dos sambas quanto nas apresentações ao vivo, o fez se tornar uma referência para muitos novatos e veteranos do samba.

Após sua passagem pela Império de Casa Verde, Carlos Junior tomou um novo rumo em sua carreira ao se juntar à tradicional Vai-Vai. Na escola do bairro do Bexiga, Carlos Junior teve um impacto imediato, conquistando o “Troféu Nota 10” em sua estreia. Sua interpretação impecável no carro de som foi fundamental para a vitória da escola no carnaval de 2008 – com o grande samba “Acorda Brasil”. No ano seguinte, ele foi vice-campeão ainda com a Vai-Vai, o que reforçou ainda mais sua importância dentro do cenário do samba paulista. Porém, naquele mesmo ano pós-desfiles, a decisão da Vai-Vai de substituí-lo por Gilsinho gerou grande polêmica, e muitos bambas não entenderam a troca.

Após um período de incertezas, Carlos Junior anunciou seu retorno à Império de Casa Verde para o carnaval de 2010, onde permaneceu até 2022. Durante esse tempo, ele se consolidou ainda mais como um dos maiores intérpretes da história do carnaval de São Paulo, trazendo sua energia e talento para diversas eliminatórias e gravações. Em 2010, também estreou na Sapucaí com o Paraíso do Tuiuti, formando uma dupla de sucesso com Celsinho Mody. A partir daí, a carreira de Carlos Junior passou a se expandir também para o Rio de Janeiro, onde se firmou como um intérprete de grande prestígio.

Hoje, Carlos Junior continua a ser uma das figuras mais importantes do samba. Em 2024 chegou na Rosas de Ouro e o samba-enredo da escola caiu como uma luva para seu timbre irretocável na avenida. Mas a grande jogada foi neste ano, em 2025. Com aquele amanhecer em azul e rosa no Anhembi na manhã do sábado de carnaval, o samba da Roseira embalou o desfile com aura de campeã desde o esquenta. Parte do sucesso da agremiação da Brasilândia neste carnaval teve papel fundamental de Carlos Junior no carro de som, junto de seus companheiros de canto. Ele fez o samba crescer a cada ensaio técnico, que antes era olhado com desconfiança por alguns no “pré-carnaval”. A crítica achava o enredo muito comercial e que isso não faria o samba cair no gosto do público. Mas a letra com a interpretação de “Carlão” fez o samba ganhar algo melódico e com um sentimento de vitória no ar. Tudo ficou mais mágico com ele cantando.

Sua trajetória é marcada por um profundo respeito à tradição do samba, sempre buscando inovar sem perder a essência. Com sua voz marcante e sua habilidade em interpretar e emocionar o público, Carlos Junior segue sendo uma das maiores referências do samba paulista e nacional, com uma carreira que certamente ainda tem muito a oferecer. Este ano ele dedicou sua performance na avenida em homenagem ao ídolo Neguinho da Beija-Flor, que se aposentou da Sapucaí. Carlos Junior agora soma 5 títulos na sua carreira conquistados no Anhembi: 3 com a Império de Casa Verde (2005, 2006, 2016), 1 com a Vai-Vai (2008) e o atual campeonato inesquecível com a Roseira (2025). Muitos outros ele ainda irá conquistar pelo talento e pela história que tem, sem dúvidas.

Sabrina Sato continuará brilhando no posto de rainha na bateria da Vila Isabel

Rodízio de rainhas feito por algumas escolas não faz o menor sentido;

Foto: Stephanie Rodrigues/g1 

Uma das maiores personalidades do Carnaval, Sabrina Sato vai seguir reinando à frente da bateria do Mestre Macaco Branco, na Vila Isabel. Nomeada rainha de bateria da escola em 2011, a apresentadora e modelo trouxe consigo carisma, beleza e, sobretudo, uma entrega que conquistou a comunidade da Vila e os amantes do Carnaval que param para lhe assistir todos os anos.

Desde sua estreia à frente da Swingueira de Noel, Sabrina sempre fez questão de se dedicar ao posto com paixão e profissionalismo. Sua energia contagiante e sua proximidade com os ritmistas a tornaram uma rainha querida, que não apenas brilhava na Sapucaí, mas também frequentava a quadra, se envolvia com os preparativos do desfile e representava a escola com orgulho.

Entre os muitos momentos marcantes de sua trajetória, o Carnaval de 2022 se destacou por um verdadeiro feito de resistência e amor pela folia. Naquele ano, devido ao adiamento dos desfiles para abril em razão da pandemia, Sabrina enfrentou um desafio logístico complicado: ser rainha de bateria tanto da Gaviões da Fiel, em São Paulo, quanto da Vila Isabel, no Rio de Janeiro, na mesma noite. Após desfilar na madrugada pelo Anhembi, a apresentadora pegou um avião para o Rio de Janeiro e, poucas horas depois, já estava na Marquês de Sapucaí, pronta para representar a azul e branca com a mesma energia de sempre.

O feito foi tão impressionante que reforçou ainda mais sua imagem de verdadeira apaixonada pelo Carnaval. Seu comprometimento e identificação com a festa sempre contrastou com práticas que vão na contramão da construção de uma identidade para as baterias, como o rodízio de rainhas promovido durante anos pela Grande Rio – prática que foi interrompida com a chegada de Paolla Oliveira – e que, mais recentemente, tem sido adotada pela Viradouro.

Cá entre nós, não faz o menor sentido o troca-troca de rainhas quando a bateria e a comunidade da escola querem uma pessoa com entrega ao posto que ocupa. Criar um vínculo a longo prazo é mais importante do que tentar inovar mudando rainhas como se muda de técnico de futebol em crise. O Carnaval exige alma, história, paixão e tradição a quem se dedica a ele. E Sabrina Sato encarna tudo isso.

Sua origem mestiça, que mescla descendência japonesa com raízes brasileiras profundas, reflete a essência do povo que faz a festa acontecer. Sua alegria espontânea, seu amor pela avenida e sua entrega ao espetáculo fazem dela uma das maiores rainhas que a Sapucaí e o Anhembi já viram. Se há alguém que pode ser chamada de “a cara do Carnaval”, esse alguém é justamente Sabrina.

Escolas do Grupo Especial do Rio já fecharam seus carnavalescos; Paulo Barros fica de fora

Foto: João Vitor, campeão com a Beija-Flor

Faz uma semana que tivemos a apuração do Carnaval 2025. Mas a preparação para o Carnaval de 2026 já está a todo vapor. As doze escolas do Grupo Especial já definiram seus carnavalescos. Confira quem comandará a parte artística de cada agremiação:

Beija-Flor de Nilópolis

Atual campeã, a Beija-Flor manteve seu carnavalesco, João Vitor Araújo, segue na escola para tentar o bicampeonato. “Chama João”!

Grande Rio

Após a saída de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que conquistaram o inédito título de 2022 da escola, a Grande Rio contratou Antônio Gonzaga, vindo da Portela.

Imperatriz Leopoldinense

Leandro Vieira teve sua renovação garantida ainda em fevereiro e continua no comando artístico da Imperatriz.

Viradouro

Campeã de 2024, a Unidos do Viradouro segue com Tarcísio Zanon no desenvolvimento do próximo enredo.

Portela

Com a perda de Antônio Gonzaga para a Grande Rio, a Portela confirmou André Rodrigues, que seguirá sozinho no comando do projeto para 2026.

Mangueira

A verde e rosa renovou com Sidnei França. Vindo do Carnaval de São Paulo, ele estreou na Mangueira em 2025 e segue na função da escola que teve a reeleição da presiente Guanayra Firmino.

Salgueiro

Outro estreante de São Paulo na Sapucaí, Jorge Silveira permanece à frente do projeto da escola vermelha e branca para o Carnaval 2026.

Vila Isabel

Após um desempenho abaixo das expectativas em 2025, a Vila Isabel anunciou a chegada da dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora, ex-Grande Rio, substituindo Paulo Barros. Promete voltar para as cabeças.

Unidos da Tijuca

Edson Pereira continua como carnavalesco da escola para mais um desfile em 2026. O artista tem recolocado a Tijuca no caminho certo.

Paraíso do Tuiuti

Jack Vasconcelos segue responsável pelo projeto artístico da agremiação em 2026. Promessa de mais um enredo criativo.

Mocidade Independente

Renato Lage continua no comando da parte artística da escola da Zona Oeste. A escola já havia renovado com o ‘mago’ antes dos desfiles desse ano.

Acadêmicos de Niterói

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói manteve o carnavalesco campeão da Série Ouro, Tiago Martins.

Marcos Falcon faz falta, não só para a Portela

Nunca a Portela foi tão desrespeitada em um pós-Carnaval. Foi despontuada onde deveria e mereceu voltar nas Campeãs por demais quesitos. Se Marcos Falcon estivesse entre nós, ninguém apontaria tanto o dedo para ela;

Foto: O Globo

Marcos Vieira de Souza, conhecido como Marcos Falcon, nasceu no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1964. Sua trajetória profissional teve início na Polícia Militar, onde alcançou a patente de subtenente. Durante sua carreira, Falcon ganhou destaque por sua atuação em operações significativas, especialmente na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Em 2010, participou da emblemática operação de retomada do Complexo do Alemão, ocasião em que ele fincou a bandeira brasileira no alto do morro, simbolizando a reconquista do território pelas forças de segurança.

Paralelamente à sua carreira policial, Falcon desenvolveu uma forte ligação com o samba e o carnaval carioca. Inicialmente, atuou como patrono da escola de samba Rosa de Ouro, situada em Oswaldo Cruz, bairro onde também serviu como policial. Sua paixão pelo samba o levou a se envolver mais profundamente com a Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 2011, assumiu o cargo de diretor de carnaval da agremiação durante a gestão de Nilo Figueiredo. Apesar de enfrentar desafios, como uma prisão em 2011 sob acusação de envolvimento com milícias — da qual foi absolvido em 2013 — Falcon manteve seu compromisso com a escola.  

Em 2013, liderou a chapa “Portela Verdade” ao lado de Serginho Procópio, conquistando a presidência da escola. Sua gestão foi marcada por uma série de melhorias estruturais e artísticas, que culminaram na contratação do renomado carnavalesco Paulo Barros. Essas mudanças revitalizaram a Portela, resgatando sua competitividade e prestígio no cenário carnavalesco. Em abril de 2016, devido ao sucesso de sua administração, Falcon foi aclamado presidente da Portela, consolidando sua liderança e visão para o futuro da escola. Aquele ano tinha tudo para ser marcante na carreira do sambista.

Além de sua atuação na Portela, Falcon fundou a Associação Cultural Samba é Nosso, visando promover mudanças na organização dos desfiles das escolas de samba dos grupos C, D e E, especialmente na Estrada Intendente Magalhães. Sua influência no mundo do samba se expandiu, tornando-o uma figura central na luta por melhorias e transparência no carnaval carioca. Sua simpatia e gênio fácil de fazer amizades atraiu novamente a atenção do mundo do samba para eventos da Portela, como a famosa feijoada da Tia Surica.

Em 2016, Falcon decidiu ingressar na política, candidatando-se ao cargo de vereador pelo Partido Progressista (PP). Com sua popularidade e carisma, tinha tudo para fazer uma grande campanha nas regiões que ele era reconhecido e atuante no dia a dia. No entanto, em 26 de setembro daquele ano, em meio ao período eleitoral, sua trajetória foi abruptamente interrompida. Falcon foi assassinado a tiros em Oswaldo Cruz, próximo ao seu comitê de campanha. No fatídico dia, Falcon estava sem seus seguranças particulares. Testemunhas relataram que quatro homens encapuzados e armados com fuzis realizaram a execução, direcionando os disparos exclusivamente contra ele.  

Sua morte representou uma perda significativa para a Portela e para o carnaval carioca em si. Na real, toda cidade do Rio ficou em choque. Afinal, um dos policiais mais “brabões” das últimas décadas havia caído. Tirar a vida de uma lenda como Falcon não era trabalho para qualquer um. Sob sua liderança, a Portela havia retomado seu protagonismo, e sua ausência deixou uma lacuna difícil de ser preenchida. Apesar do trágico acontecimento, a Portela demonstrou resiliência em 2017, quando meses depois de sua morte a escola conquistou o título de campeã do carnaval sendo o 22º de sua história. Claro que a agremiação dedicou a vitória em especial à memória de Falcon. Parece que ele, de alguma maneira, ajudou a escola do coração conquistar mais uma estrela para o pavilhão de Madureira.

Entretanto, sua ausência também expôs fragilidades nos bastidores do carnaval. A falta de sua liderança imponente e visionária contribuiu para um ambiente mais suscetível a desorganizações e conflitos internos, afetando não apenas a Portela, mas o carnaval como um todo. Picuinhas e montins recentes não teriam acontecido com sua presença na mesa da Liesa. A figura de Falcon permanece como um símbolo de dedicação e paixão pelo samba. Sua falta é sentida por todos que valorizam a cultura e a tradição do carnaval carioca, inclusive neste ano com tantos apontamentos que a majestade do samba tem recebido de forma injusta. Seu pulso firme deixou lembranças, junto a um legado que ninguém conseguiu ter igual. E quem sai perdendo com isso não é só a Portela…

No video abaixo, Marcos Falcon faz um de seus discursos mais bonitos no esquenta da Portela no Carnaval 2015;

Vila Isabel despacha Paulo Barros e fecha com “BoraHaddad”

A Unidos de Vila Isabel começou seus trabalhos para o Carnaval 2026 com pé-direito. A escola de Noel desligou o carnavalesco Paulo Barros e fechou com a dupla de carnavalesmos mais talentosa da atualidade, fazendo provavelmente a melhor contratação do mercado do samba até o momento. Gabriel Haddad e Leonardo Bora são dois nomes que têm se destacado no cenário do Carnaval carioca nos últimos anos.

A trajetória da dupla começou em 2013, quando integraram a comissão de carnaval da Mocidade Unida do Santa Marta, conquistando o campeonato do Grupo C. Em 2015, assumiram o comando artístico da Acadêmicos do Sossego e, em 2016, levaram a escola ao título na Intendente Magalhães, garantindo seu retorno à Marquês de Sapucaí. A estreia no Sambódromo ocorreu em 2018, à frente da Acadêmicos do Cubango, onde apresentaram um desfile em homenagem a Arthur Bispo do Rosário. No ano seguinte, com o enredo “Igbá Cubango – a alma das coisas e a arte dos milagres”, a escola conquistou o vice-campeonato da Série A. 

Em 2020, Gabriel e Leonardo (chamados carinhosamente de “BoraHaddad”) estrearam no Grupo Especial pela Acadêmicos do Grande Rio, com o enredo “Tata Londirá: o canto do caboclo no Quilombo de Caxias”, que rendeu à escola o vice-campeonato. Em 2022, conquistaram o primeiro título da história da agremiação com “Fala Majeté! Sete chaves de Exu”, enredo que abordou o orixá Exu. A Grande Rio entrou em uma nova fase de sua existência proporcionando grandes desfiles com uma plástica impecável sob o comando da renomada dupla de carnavalescos.

Após cinco anos de parceria com a Grande Rio, período em que também conquistaram o vice-campeonato em 2025 com o enredo “Pororocas Parawaras”, Gabriel Haddad e Leonardo Bora anunciaram a saída da escola após o Desfile das Campeãs deste ano. Nesta segunda (10), a Vila Isabel usou um story para anunciar que a dupla assumirá o Carnaval da Vila Isabel para 2026, marcando uma nova fase em suas carreiras e trazendo expectativas de inovações e sucessos para a azul e branco de Noel. A Vila voltará a ser feliz, como disse o presidente da escola em sua rede social.