Categoria: Carnaval

Beija-Flor e Viradouro são as únicas que podem surpreender na Sapucaí

Correndo por fora, Vila Isabel, Imperatriz e Grande Rio precisam tirar carta da manga

Foto: Viradouro

Carnaval é emoção, é técnica, é dinheiro na avenida — mas, acima de tudo, é arrepio e surpresas. Em 2026, apenas duas escolas largam na frente quando o assunto é capacidade de parar a Sapucaí no grito e no choro: a Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos do Viradouro. Não é só sobre luxo ou sobre alegoria gigantesca. É sobre narrativa que pulsa, que tem alma, que conversa com ancestralidade e identidade. São as duas únicas, hoje, com real potencial de arrebatar o sambódromo no fator emoção.

A Beija-Flor aposta no Bembé — manifestação religiosa e cultural de resistência, de fé e de memória coletiva. É um enredo que carrega peso histórico, espiritualidade e um discurso potente. Quando a azul e branco resolve falar de ancestralidade, ela varre a avenida. Ela encena. Ela faz a Sapucaí virar terreiro, virar palco de exaltação e bate todas as concorrentes. Se vier com o samba afinado e aquela comunidade cantando como sabe, pode ser daqueles desfiles que transcendem nota e entram para a história, como foi ano passado.

Do outro lado, a Viradouro vem com enredo sobre o Mestre Ciça — personagem central da batida que moldou gerações. Falar de quem construiu o ritmo é falar da própria essência do Carnaval. E a vermelho e branco de Niterói sabe transformar homenagem em espetáculo competitivo. Se a bateria encaixar com o peso simbólico do tema, é o tipo de desfile que cresce da concentração até o último módulo de jurados, criando aquela atmosfera de “estamos vendo algo especial acontecer”. A Viradouro vai surpreender e calar os críticos que o diziam que o enredo não era forte.

Correndo por fora, mas com arsenal pesado de luxo e orçamento, aparecem escolas que também vêm com enredos fortíssimos. A Acadêmicos do Grande Rio mergulha no Manguebeat, exaltando Chico Science e todo o movimento cultural que sacudiu o Recife nos anos 90. A Unidos de Vila Isabel presta homenagem a Heitor dos Prazeres, um dos pilares do samba carioca, figura fundamental na construção da identidade musical do Rio. Já a Imperatriz Leopoldinense aposta na força cênica e artística de Ney Matogrosso, um artista que por si só já carrega teatralidade, ousadia e impacto visual.

São enredos grandiosos, com potencial plástico imenso e sambas que prometem vir fortes. Mas, quando o assunto é arrebatamento puro, aquela sensação de que o desfile saiu do controle e tomou conta da Sapucaí, Beija-Flor e Viradouro hoje parecem um passo à frente. As demais precisam tirar carta da manga. E Carnaval, você sabe, não se ganha só com dinheiro e luxo. Se ganha quando a arquibancada compra junto com a escola sua ideia acontecendo na avenida!

Foto: Rio Carnaval

Grande Rio tem bom enredo, mas é ofuscada pela rainha de bateria

Escola tem um dos enredos mais conceituais de 2026, mas aparece na mídia por outro motivo

Foto: O Globo

O carnaval sempre foi território de cultura, identidade e resistência. E quando a Acadêmicos do Grande Rio escolhe levar para a Avenida o enredo “Manguebeat”, ela não está apenas contando uma história — está reafirmando um movimento que revolucionou a música brasileira. O manguebeat nasceu nos anos 1990 como um grito criativo vindo de Recife, misturando maracatu, rock, hip hop e crítica social. Era lama, era antena parabólica fincada no mangue. Era o Brasil urbano dialogando com suas raízes.

No centro dessa revolução estava Chico Science, artista visionário que, ao lado da banda Nação Zumbi, transformou a cena cultural pernambucana e influenciou gerações. Chico não era só música — era discurso, era estética, era posicionamento. Sua obra falava de desigualdade, de identidade nordestina e de um Brasil profundo que nem sempre ganha espaço no horário nobre. Trazer esse universo para o Sambódromo é uma decisão potente, que conecta carnaval com consciência cultural.

O enredo é bom. É rico. É pulsante. Tem conceito, tem pesquisa, tem lastro histórico. Mas, como acontece tantas vezes na era das redes sociais, a narrativa acaba desviada. O noticiário, os portais e os trending topics preferem focar na rainha de bateria, Virgínia Fonseca, que naturalmente chama atenção por sua popularidade e alcance digital. E aí a discussão deixa de ser sobre cultura e vira sobre figurino, corpo e engajamento.

Não se trata de diminuir ninguém. Rainha de bateria é parte do espetáculo. Mas quando o brilho individual ofusca o discurso coletivo, o carnaval perde um pouco da sua essência. O desafio da Grande Rio é justamente esse: fazer com que o batuque fale mais alto que o hype. Porque Manguebeat é movimento, é resistência, é identidade. E merece ser lembrado pelo que representa — não pelo que viraliza.

Hora de cuidar da sua imunidade para o Carnaval

Se livre de ficar doente no melhor feriado do ano – após ele também

Foto: Arquivo Pessoal

Estamos a 20 dias do Carnaval e, se você pretende aguentar o rojão — seja no bloco, no trio ou na arquibancada do sambódromo — já passou da hora de começar a cuidar da imunidade. Não adianta querer virar cinco dias seguidos e achar que o corpo vai dar conta no modo improviso. Alimentação equilibrada faz toda a diferença agora: mais frutas, verduras, proteína de verdade e menos exagero em açúcar e industrializados. É o básico que funciona, não tem milagre.

No meio disso tudo, entra o cuidado prático do dia a dia, sem frescura e sem complicação:

Limão com água pela manhã, em jejum: meio limão espremido em 150 ml a 200 ml de água (pra quem não tá acostumado, 200 ml é o ideal). Quem conseguir tomar sem sal, ótimo. Se não, coloca uma pitadinha de sal e pronto.

– Sono em dia: dormir bem agora é investimento direto na sua imunidade.

Intensificar os exercícios: não é sobre virar atleta, é sobre ganhar condicionamento físico, fortalecer o corpo e preparar o fôlego pra horas em pé, andando, pulando e sambando.

– Hidratação constante: muita água e água de coco sempre como aliada.

E não é só no pré-Carnaval, não. Durante o Carnaval também é essencial manter esses hábitos. No dia do bloco, do trio, do desfile ou do camarote não dá pra descuidar: não dá pra pular o limão com água de manhã, não dá pra esquecer de se hidratar. Beber muita água, água de coco e isotônico — tudo isso conta pra manter o corpo funcionando direito no meio da maratona.

Seja virando a noite nos trios em Salvador, indo pro Galo da Madrugada ou atravessando madrugadas assistindo aos desfiles das escolas de samba, a lógica é uma só: organização, cuidado e rotina mínima. Dormir durante o dia pra aguentar a noite, manter alimentação decente, hidratação em dia e, na quarta-feira de cinzas, colocar tudo nos eixos de novo. Isso evita a queda de imunidade e, principalmente, a clássica gripe pós-Carnaval. Porque curtir é bom — mas curtir saudável é muito melhor.

Gaviões sonha alto para buscar título do Carnaval de São Paulo

Escola é uma das favoritas para 2026, com enredo indígena e maior abre-alas da sua história

Foto: Instagram

A Gaviões da Fiel chega ao Carnaval de 2026 como uma das grandes favoritas ao título, embalada pela sensação de que a taça escapou por muito pouco em 2025. Com um projeto ainda mais amadurecido, a escola aposta alto no enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, mostrando que, além de potência estética e musical, quer reafirmar seu papel como escola que dialoga com temas urgentes e necessários.

O enredo celebra e homenageia a luta, a sabedoria, a resistência e a memória dos povos indígenas do Brasil. A Gaviões leva para o Anhembi um desfile que valoriza a ancestralidade como base para o futuro, colocando os povos originários no centro da narrativa e ressaltando sua importância fundamental na preservação da floresta, da vida e do equilíbrio do planeta.

Com o slogan “O Marco do Futuro é Pindorama!”, a escola propõe uma reflexão direta e potente: o amanhã só existe se as raízes forem respeitadas. A promessa é de um desfile poético e politizado, que une beleza plástica, simbolismo e discurso, sem abrir mão da força popular que sempre marcou a trajetória da Gaviões na avenida. Além disso, a grandeza da escola deve se impor nas alegorias. A Gaviões sentiu muito a perda do título no ano passado e quer a todo custo sair do jejum de campeonatos assim como o Corinthians em campo.

No chão, a expectativa é de uma comunidade cantando muito forte um samba que conversa com o enredo e emociona do início ao fim. Harmonia, evolução e impacto visual surgem como pilares para transformar o aprendizado de 2025 em precisão máxima em 2026, em um desfile pensado para não deixar margem para dúvidas na apuração.

À frente desse canto poderoso está Ernesto Teixeira, intérprete histórico da escola e já apelidado como o “Neguinho da Beija-Flor” do carnaval paulistano, por estar há mais de 40 anos no carro de som alvi-negro. Com experiência, carisma e domínio absoluto da avenida, Ernesto será novamente peça-chave para conduzir a Gaviões em um desfile que promete ser mais do que competitivo: um grito de resistência, memória e futuro.

Hit do Carnaval 2026 está vindo de Claudia Leitte

Enquanto isso, a “rainha do Carnaval”, Ivete Sangalo, lançou uma porcaria de música

Foto: Instagram

Tudo indica que o hit do Carnaval 2026 já tem nome, sobrenome e coreografia pronta para dominar trios, bloquinhos e TikTok: “Pluguin da Bagaceira”, de Claudia Leitte. A música caiu no gosto popular com uma rapidez que o Carnaval adora — refrão chiclete, letra sem pudor e aquela energia que pede suor, sorriso e repetição infinita.

É exatamente esse combo que transforma uma canção em trilha oficial da folia, e Claudia parece ter entendido o espírito antes de todo mundo. A música ainda fala da liberdade e empoderamento da mulher, seja no Carnaval ou em qualquer lugar que nós merecemos.

Do outro lado do circuito, a sensação é de frustração. Ivete Sangalo, um dos maiores símbolos do Carnaval brasileiro, lançou uma música que decepciona — e muito: Vampirinha. Chega a soar como humilhação perto da carreira gigantesca que ela construiu e do peso que carrega na história da festa. Ivete é patrimônio cultural do Carnaval, mas desta vez errou a mão, e o público percebe quando falta aquela faísca que transforma música em fenômeno.

Enquanto isso, o Carnaval flerta com o improvável — e talvez com a loucura musical do ano. Gretchen volta a rondar o hype carnavalesco com Freak Le Boom Boom”, lançada lá em 1979, provando mais uma vez que sua carreira desafia qualquer lógica. Nada explica totalmente Gretchen, e talvez seja exatamente isso que a mantenha viva, relevante e sempre pronta para ressurgir quando ninguém espera. Era um meme, mas a música cresceu nas plataformas e virou uma thread da geração millenium.

Na corrida paralela, Léo Santana e Tony Salles também tentam emplacar seus candidatos a hit do Carnaval. O esforço é visível, o repertório é competente, mas por enquanto eles correm por fora. Carnaval é imprevisível, mas, neste momento, o plug já está conectado: se nada mudar, 2026 vai mesmo plugar geral na bagaceira — e quem viver, dançará.

3 meses para o Carnaval de São Paulo: O que esperar de cada escola

Foto: Liga SP

Faltam três meses para o Carnaval de São Paulo — e o clima já está aquecido nos tamborins. No Grupo Especial, as 14 escolas chegaram com narrativas que mais parecem convites para reflexão do que simples festa. Por exemplo, a Mocidade Unida da Mooca vai desfilar com o enredo “GÈLÈDÉS – Agbará Obinrin”, que exalta a força das mulheres negras brasileiras. Já a Colorado do Brás aposta em “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”, tema de liberdade, ancestralidade e poder feminino. São discursos que vão para além do samba-alegria — são convites a pensar juntos.

Em outro vértice desse universo criativo, a Dragões da Real traz “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, tema que conecta mitologia indígena amazônica, mulheres guerreiras e natureza em um só grito na avenida. Enquanto isso, a Acadêmicos do Tatuapé vai acreditar na terra como palco de luta com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar – Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra!”, operando a ponte entre natureza, direito à terra e combate à desigualdade. É Carnaval com conteúdo — e é exatamente isso que faz a festa crescer.

A reflexão se estende na atual campeã: a Rosas de Ouro aposta no astral com “Escrito nas Estrelas”, um mergulho no universo da astrologia, dos cosmos, dos sinais que a humanidade sempre buscou nos céus. Já a Camisa Verde e Branco vem com um enredo sobre os caminhos de Exu, de energia, fé e ancestralidade, simbolizando um olhar moderno para entidades tradicionais e para as lutas sociais que se sustentam na espiritualidade. Esse mix — de mitologia, cosmos, ancestralidade, política — deixa claro: o Grupo Especial de 2026 quer mexer com a alma tanto quanto com os tambores.

A Mocidade Alegre chega forte em 2026 com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, uma homenagem potente que exalta a mulher negra, sua força ancestral e sua presença legítima no samba-enredo. Já a Gaviões da Fiel optou por Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã, tema que se lança como um grito de resistência, valorizando as falas dos povos originários, o legado cultural que resiste no tempo e a busca por um amanhã que reconheça essa ancestralidade.

Então, aqui no Opina Babi, minha previsão é a seguinte: vamos viver um Carnaval onde cada escola vai carregar no samba não só brilho e plumas, mas também identidade e voz. Faltam 90 dias, e se o recado que essas sinopses já entregaram for uma pista, o espetáculo de 2026 vai entrar para história — porque vai refletir o Brasil profundo, pulsante e plural. Prepare-se, porque o Anhembi vai se iluminar sob 14 narrativas que são mais que desfile, são histórias no livro aberto da avenida.