Categoria: Carnaval

Hora de cuidar da sua imunidade para o Carnaval

Se livre de ficar doente no melhor feriado do ano – após ele também

Foto: Arquivo Pessoal

Estamos a 20 dias do Carnaval e, se você pretende aguentar o rojão — seja no bloco, no trio ou na arquibancada do sambódromo — já passou da hora de começar a cuidar da imunidade. Não adianta querer virar cinco dias seguidos e achar que o corpo vai dar conta no modo improviso. Alimentação equilibrada faz toda a diferença agora: mais frutas, verduras, proteína de verdade e menos exagero em açúcar e industrializados. É o básico que funciona, não tem milagre.

No meio disso tudo, entra o cuidado prático do dia a dia, sem frescura e sem complicação:

Limão com água pela manhã, em jejum: meio limão espremido em 150 ml a 200 ml de água (pra quem não tá acostumado, 200 ml é o ideal). Quem conseguir tomar sem sal, ótimo. Se não, coloca uma pitadinha de sal e pronto.

– Sono em dia: dormir bem agora é investimento direto na sua imunidade.

Intensificar os exercícios: não é sobre virar atleta, é sobre ganhar condicionamento físico, fortalecer o corpo e preparar o fôlego pra horas em pé, andando, pulando e sambando.

– Hidratação constante: muita água e água de coco sempre como aliada.

E não é só no pré-Carnaval, não. Durante o Carnaval também é essencial manter esses hábitos. No dia do bloco, do trio, do desfile ou do camarote não dá pra descuidar: não dá pra pular o limão com água de manhã, não dá pra esquecer de se hidratar. Beber muita água, água de coco e isotônico — tudo isso conta pra manter o corpo funcionando direito no meio da maratona.

Seja virando a noite nos trios em Salvador, indo pro Galo da Madrugada ou atravessando madrugadas assistindo aos desfiles das escolas de samba, a lógica é uma só: organização, cuidado e rotina mínima. Dormir durante o dia pra aguentar a noite, manter alimentação decente, hidratação em dia e, na quarta-feira de cinzas, colocar tudo nos eixos de novo. Isso evita a queda de imunidade e, principalmente, a clássica gripe pós-Carnaval. Porque curtir é bom — mas curtir saudável é muito melhor.

Gaviões sonha alto para buscar título do Carnaval de São Paulo

Escola é uma das favoritas para 2026, com enredo indígena e maior abre-alas da sua história

Foto: Instagram

A Gaviões da Fiel chega ao Carnaval de 2026 como uma das grandes favoritas ao título, embalada pela sensação de que a taça escapou por muito pouco em 2025. Com um projeto ainda mais amadurecido, a escola aposta alto no enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, mostrando que, além de potência estética e musical, quer reafirmar seu papel como escola que dialoga com temas urgentes e necessários.

O enredo celebra e homenageia a luta, a sabedoria, a resistência e a memória dos povos indígenas do Brasil. A Gaviões leva para o Anhembi um desfile que valoriza a ancestralidade como base para o futuro, colocando os povos originários no centro da narrativa e ressaltando sua importância fundamental na preservação da floresta, da vida e do equilíbrio do planeta.

Com o slogan “O Marco do Futuro é Pindorama!”, a escola propõe uma reflexão direta e potente: o amanhã só existe se as raízes forem respeitadas. A promessa é de um desfile poético e politizado, que une beleza plástica, simbolismo e discurso, sem abrir mão da força popular que sempre marcou a trajetória da Gaviões na avenida. Além disso, a grandeza da escola deve se impor nas alegorias. A Gaviões sentiu muito a perda do título no ano passado e quer a todo custo sair do jejum de campeonatos assim como o Corinthians em campo.

No chão, a expectativa é de uma comunidade cantando muito forte um samba que conversa com o enredo e emociona do início ao fim. Harmonia, evolução e impacto visual surgem como pilares para transformar o aprendizado de 2025 em precisão máxima em 2026, em um desfile pensado para não deixar margem para dúvidas na apuração.

À frente desse canto poderoso está Ernesto Teixeira, intérprete histórico da escola e já apelidado como o “Neguinho da Beija-Flor” do carnaval paulistano, por estar há mais de 40 anos no carro de som alvi-negro. Com experiência, carisma e domínio absoluto da avenida, Ernesto será novamente peça-chave para conduzir a Gaviões em um desfile que promete ser mais do que competitivo: um grito de resistência, memória e futuro.

Hit do Carnaval 2026 está vindo de Claudia Leitte

Enquanto isso, a “rainha do Carnaval”, Ivete Sangalo, lançou uma porcaria de música

Foto: Instagram

Tudo indica que o hit do Carnaval 2026 já tem nome, sobrenome e coreografia pronta para dominar trios, bloquinhos e TikTok: “Pluguin da Bagaceira”, de Claudia Leitte. A música caiu no gosto popular com uma rapidez que o Carnaval adora — refrão chiclete, letra sem pudor e aquela energia que pede suor, sorriso e repetição infinita.

É exatamente esse combo que transforma uma canção em trilha oficial da folia, e Claudia parece ter entendido o espírito antes de todo mundo. A música ainda fala da liberdade e empoderamento da mulher, seja no Carnaval ou em qualquer lugar que nós merecemos.

Do outro lado do circuito, a sensação é de frustração. Ivete Sangalo, um dos maiores símbolos do Carnaval brasileiro, lançou uma música que decepciona — e muito: Vampirinha. Chega a soar como humilhação perto da carreira gigantesca que ela construiu e do peso que carrega na história da festa. Ivete é patrimônio cultural do Carnaval, mas desta vez errou a mão, e o público percebe quando falta aquela faísca que transforma música em fenômeno.

Enquanto isso, o Carnaval flerta com o improvável — e talvez com a loucura musical do ano. Gretchen volta a rondar o hype carnavalesco com Freak Le Boom Boom”, lançada lá em 1979, provando mais uma vez que sua carreira desafia qualquer lógica. Nada explica totalmente Gretchen, e talvez seja exatamente isso que a mantenha viva, relevante e sempre pronta para ressurgir quando ninguém espera. Era um meme, mas a música cresceu nas plataformas e virou uma thread da geração millenium.

Na corrida paralela, Léo Santana e Tony Salles também tentam emplacar seus candidatos a hit do Carnaval. O esforço é visível, o repertório é competente, mas por enquanto eles correm por fora. Carnaval é imprevisível, mas, neste momento, o plug já está conectado: se nada mudar, 2026 vai mesmo plugar geral na bagaceira — e quem viver, dançará.

3 meses para o Carnaval de São Paulo: O que esperar de cada escola

Foto: Liga SP

Faltam três meses para o Carnaval de São Paulo — e o clima já está aquecido nos tamborins. No Grupo Especial, as 14 escolas chegaram com narrativas que mais parecem convites para reflexão do que simples festa. Por exemplo, a Mocidade Unida da Mooca vai desfilar com o enredo “GÈLÈDÉS – Agbará Obinrin”, que exalta a força das mulheres negras brasileiras. Já a Colorado do Brás aposta em “A Bruxa está solta! Senhoras do saber renascem na Colorado”, tema de liberdade, ancestralidade e poder feminino. São discursos que vão para além do samba-alegria — são convites a pensar juntos.

Em outro vértice desse universo criativo, a Dragões da Real traz “Guerreiras Icamiabas: Uma Lendária História de Força e Resistência”, tema que conecta mitologia indígena amazônica, mulheres guerreiras e natureza em um só grito na avenida. Enquanto isso, a Acadêmicos do Tatuapé vai acreditar na terra como palco de luta com o enredo “Plantar para Colher e Alimentar – Tem muita terra sem gente, tem muita gente sem terra!”, operando a ponte entre natureza, direito à terra e combate à desigualdade. É Carnaval com conteúdo — e é exatamente isso que faz a festa crescer.

A reflexão se estende na atual campeã: a Rosas de Ouro aposta no astral com “Escrito nas Estrelas”, um mergulho no universo da astrologia, dos cosmos, dos sinais que a humanidade sempre buscou nos céus. Já a Camisa Verde e Branco vem com um enredo sobre os caminhos de Exu, de energia, fé e ancestralidade, simbolizando um olhar moderno para entidades tradicionais e para as lutas sociais que se sustentam na espiritualidade. Esse mix — de mitologia, cosmos, ancestralidade, política — deixa claro: o Grupo Especial de 2026 quer mexer com a alma tanto quanto com os tambores.

A Mocidade Alegre chega forte em 2026 com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, uma homenagem potente que exalta a mulher negra, sua força ancestral e sua presença legítima no samba-enredo. Já a Gaviões da Fiel optou por Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã, tema que se lança como um grito de resistência, valorizando as falas dos povos originários, o legado cultural que resiste no tempo e a busca por um amanhã que reconheça essa ancestralidade.

Então, aqui no Opina Babi, minha previsão é a seguinte: vamos viver um Carnaval onde cada escola vai carregar no samba não só brilho e plumas, mas também identidade e voz. Faltam 90 dias, e se o recado que essas sinopses já entregaram for uma pista, o espetáculo de 2026 vai entrar para história — porque vai refletir o Brasil profundo, pulsante e plural. Prepare-se, porque o Anhembi vai se iluminar sob 14 narrativas que são mais que desfile, são histórias no livro aberto da avenida.

Os Donos do Jogo: Realidade vivida no jogo do bicho faz a série parecer um tédio

Nenhum roteiro fictício chega aos pés da vida real dos bicheiros que comandam o Rio de Janeiro e o carnaval. Melhor assistir Vale o Escrito

Foto: Netflix

A série Os Donos do Jogo, da Netflix, é bem produzida, tem um elenco competente e entrega um enredo cheio de ritmo. Mas, mesmo com tudo isso, falta algo que a faça realmente vibrar. A trama tenta mergulhar no submundo do jogo e da ambição, porém o espectador que já viu Vale o Escrito sente que está assistindo a uma versão mais polida, menos visceral e distante da intensidade da vida real.

É inegável que o roteiro busca refletir as tensões e bastidores de um universo perigoso, onde dinheiro e poder ditam as regras. Ainda assim, quando colocamos lado a lado com a realidade do jogo do bicho — que, por si só, é um capítulo à parte da história brasileira —, nenhuma ficção consegue competir. A vida real é mais crua, mais contraditória e infinitamente mais imprevisível.

Vale o Escrito, o documentário que se tornou fenômeno no Globoplay, expõe essa realidade de maneira direta, quase brutal. As declarações do delegado Vinícius George, por exemplo, são um choque à parte: ele fala do jogo do bicho com a frieza de quem conhece as entranhas do sistema, descrevendo personagens reais que superam em complexidade qualquer vilão de série. As histórias como a de Maninho — o bicheiro lendário que viveu entre o luxo, a guerra e a devoção — são de um enredo cinematográfico impossível de inventar. Cada detalhe de sua trajetória, dos confrontos com rivais às alianças improváveis, mostra o quanto o Brasil real é mais fascinante que a ficção.

Foto: O Globo

O elenco de Os Donos do Jogo brilha, especialmente nos momentos de confronto e dilema moral, mas falta o peso da verdade que Vale o Escrito escancara sem pudor. O documentário nos faz entender que o jogo do bicho não é apenas uma atividade ilegal — é uma estrutura social, política e emocional enraizada na cultura carioca. Já Os Donos do Jogo, por mais competente que seja, não tem o mesmo impacto, nem a mesma coragem de encarar as sombras de frente.

No fim, é uma boa série, mas nada marcante ou inesquecível. A ficção tenta recriar o calor da roleta da vida, mas o jogo real — esse que move paixões, fortunas e tragédias — continua imbatível, escrito nas esquinas, nos becos e nas histórias que o tempo insiste em não apagar. E outra, aqui na vida real temos a Mocidade com o Castorzinho, grande mascote do carnaval. Na série falta alguém com o brilho dele, é claro. Falta um Piruinha pra gente rir. Tudo deixa a desejar, pois nenhum roteirista conseguiria escrever algo que só a cidade do Rio e seu carnaval foram capaz de produzir.

Vila Isabel e Beija-Flor saem na frente no quesito samba-enredo para o Carnaval 2026

Safra de bons enredos vem decepcionando nas escolhas dos sambas. Muita escola fará o povo dormir na avenida

Foto: Liesa

Os sambas-enredo para o Carnaval do Rio de Janeiro 2026 estão sendo anunciados, mas a safra vem decepcionando. Alguns sambas não empolgaram até então, com obras abaixo da média e que não corresponderam ao potencial dos enredos escolhidos. A sensação é de que as escolas não conseguiram transformar boas ideias em músicas que realmente traduzam emoção e força para a avenida. É um cenário fraco para o próximo ano, que preocupa quem espera 12 meses por um desfile marcado pela potência musical que sempre foi característica do carnaval carioca.

Nesse contexto, apenas duas escolas despontam de verdade: Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis. Ambas largaram na frente no quesito samba-enredo, se destacando num mar de obras esquecíveis. Enquanto as demais ainda parecem buscar identidade e firmeza em suas escolhas erradas, essas duas escolas já mostraram consistência e entregaram sambas que caíram no gosto do público e ganharam corpo desde as primeiras apresentações.

O caso da Vila Isabel é especial: seu samba conquistou de imediato. Desde a primeira audição, ficou claro que a obra tinha alma, tinha força e tinha o povo do seu lado. É aquele samba que ecoa fora dos muros da quadra e se espalha naturalmente, algo raro nesta temporada. É o samba candidato a sair da bolha em 2026. Já a Beija-Flor, com sua conhecida competência, fez ajustes e junções que resultaram em um samba com cara de bicampeão. E só no primeiro ensaio com seus intérpretes que vão estrear na avenida sem Neguinho da Beija-Flor pela primeira vez, a escola já transmitiu a aura de quem briga por um bicampeonato — uma atmosfera que só a Beija-Flor consegue criar em seu terreiro de Laíla.

Diante desse quadro, a conclusão é inevitável: a Vila Isabel tem o samba do ano. É a obra mais vibrante, mais popular e mais comentada. É o samba que já nasce com status de favorito. Por enquanto, a Vila é a escola a ser batida no Carnaval de 2026, principalmente pela dupla de carnavalescos que comanda o enredo deste ano. A Beija-Flor corre logo atrás, com uma força que pode surpreender na avenida e um enredo cheio de energias positivas. As demais, infelizmente, ficam em dívida com o público, deixando a sensação de que poderiam ter entregue muito mais do que apresentaram.