Categoria: Carnaval

Marcos Falcon faz falta, não só para a Portela

Nunca a Portela foi tão desrespeitada em um pós-Carnaval. Foi despontuada onde deveria e mereceu voltar nas Campeãs por demais quesitos. Se Marcos Falcon estivesse entre nós, ninguém apontaria tanto o dedo para ela;

Foto: O Globo

Marcos Vieira de Souza, conhecido como Marcos Falcon, nasceu no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1964. Sua trajetória profissional teve início na Polícia Militar, onde alcançou a patente de subtenente. Durante sua carreira, Falcon ganhou destaque por sua atuação em operações significativas, especialmente na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Em 2010, participou da emblemática operação de retomada do Complexo do Alemão, ocasião em que ele fincou a bandeira brasileira no alto do morro, simbolizando a reconquista do território pelas forças de segurança.

Paralelamente à sua carreira policial, Falcon desenvolveu uma forte ligação com o samba e o carnaval carioca. Inicialmente, atuou como patrono da escola de samba Rosa de Ouro, situada em Oswaldo Cruz, bairro onde também serviu como policial. Sua paixão pelo samba o levou a se envolver mais profundamente com a Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 2011, assumiu o cargo de diretor de carnaval da agremiação durante a gestão de Nilo Figueiredo. Apesar de enfrentar desafios, como uma prisão em 2011 sob acusação de envolvimento com milícias — da qual foi absolvido em 2013 — Falcon manteve seu compromisso com a escola.  

Em 2013, liderou a chapa “Portela Verdade” ao lado de Serginho Procópio, conquistando a presidência da escola. Sua gestão foi marcada por uma série de melhorias estruturais e artísticas, que culminaram na contratação do renomado carnavalesco Paulo Barros. Essas mudanças revitalizaram a Portela, resgatando sua competitividade e prestígio no cenário carnavalesco. Em abril de 2016, devido ao sucesso de sua administração, Falcon foi aclamado presidente da Portela, consolidando sua liderança e visão para o futuro da escola. Aquele ano tinha tudo para ser marcante na carreira do sambista.

Além de sua atuação na Portela, Falcon fundou a Associação Cultural Samba é Nosso, visando promover mudanças na organização dos desfiles das escolas de samba dos grupos C, D e E, especialmente na Estrada Intendente Magalhães. Sua influência no mundo do samba se expandiu, tornando-o uma figura central na luta por melhorias e transparência no carnaval carioca. Sua simpatia e gênio fácil de fazer amizades atraiu novamente a atenção do mundo do samba para eventos da Portela, como a famosa feijoada da Tia Surica.

Em 2016, Falcon decidiu ingressar na política, candidatando-se ao cargo de vereador pelo Partido Progressista (PP). Com sua popularidade e carisma, tinha tudo para fazer uma grande campanha nas regiões que ele era reconhecido e atuante no dia a dia. No entanto, em 26 de setembro daquele ano, em meio ao período eleitoral, sua trajetória foi abruptamente interrompida. Falcon foi assassinado a tiros em Oswaldo Cruz, próximo ao seu comitê de campanha. No fatídico dia, Falcon estava sem seus seguranças particulares. Testemunhas relataram que quatro homens encapuzados e armados com fuzis realizaram a execução, direcionando os disparos exclusivamente contra ele.  

Sua morte representou uma perda significativa para a Portela e para o carnaval carioca em si. Na real, toda cidade do Rio ficou em choque. Afinal, um dos policiais mais “brabões” das últimas décadas havia caído. Tirar a vida de uma lenda como Falcon não era trabalho para qualquer um. Sob sua liderança, a Portela havia retomado seu protagonismo, e sua ausência deixou uma lacuna difícil de ser preenchida. Apesar do trágico acontecimento, a Portela demonstrou resiliência em 2017, quando meses depois de sua morte a escola conquistou o título de campeã do carnaval sendo o 22º de sua história. Claro que a agremiação dedicou a vitória em especial à memória de Falcon. Parece que ele, de alguma maneira, ajudou a escola do coração conquistar mais uma estrela para o pavilhão de Madureira.

Entretanto, sua ausência também expôs fragilidades nos bastidores do carnaval. A falta de sua liderança imponente e visionária contribuiu para um ambiente mais suscetível a desorganizações e conflitos internos, afetando não apenas a Portela, mas o carnaval como um todo. Picuinhas e montins recentes não teriam acontecido com sua presença na mesa da Liesa. A figura de Falcon permanece como um símbolo de dedicação e paixão pelo samba. Sua falta é sentida por todos que valorizam a cultura e a tradição do carnaval carioca, inclusive neste ano com tantos apontamentos que a majestade do samba tem recebido de forma injusta. Seu pulso firme deixou lembranças, junto a um legado que ninguém conseguiu ter igual. E quem sai perdendo com isso não é só a Portela…

No video abaixo, Marcos Falcon faz um de seus discursos mais bonitos no esquenta da Portela no Carnaval 2015;

Vila Isabel despacha Paulo Barros e fecha com “BoraHaddad”

A Unidos de Vila Isabel começou seus trabalhos para o Carnaval 2026 com pé-direito. A escola de Noel desligou o carnavalesco Paulo Barros e fechou com a dupla de carnavalesmos mais talentosa da atualidade, fazendo provavelmente a melhor contratação do mercado do samba até o momento. Gabriel Haddad e Leonardo Bora são dois nomes que têm se destacado no cenário do Carnaval carioca nos últimos anos.

A trajetória da dupla começou em 2013, quando integraram a comissão de carnaval da Mocidade Unida do Santa Marta, conquistando o campeonato do Grupo C. Em 2015, assumiram o comando artístico da Acadêmicos do Sossego e, em 2016, levaram a escola ao título na Intendente Magalhães, garantindo seu retorno à Marquês de Sapucaí. A estreia no Sambódromo ocorreu em 2018, à frente da Acadêmicos do Cubango, onde apresentaram um desfile em homenagem a Arthur Bispo do Rosário. No ano seguinte, com o enredo “Igbá Cubango – a alma das coisas e a arte dos milagres”, a escola conquistou o vice-campeonato da Série A. 

Em 2020, Gabriel e Leonardo (chamados carinhosamente de “BoraHaddad”) estrearam no Grupo Especial pela Acadêmicos do Grande Rio, com o enredo “Tata Londirá: o canto do caboclo no Quilombo de Caxias”, que rendeu à escola o vice-campeonato. Em 2022, conquistaram o primeiro título da história da agremiação com “Fala Majeté! Sete chaves de Exu”, enredo que abordou o orixá Exu. A Grande Rio entrou em uma nova fase de sua existência proporcionando grandes desfiles com uma plástica impecável sob o comando da renomada dupla de carnavalescos.

Após cinco anos de parceria com a Grande Rio, período em que também conquistaram o vice-campeonato em 2025 com o enredo “Pororocas Parawaras”, Gabriel Haddad e Leonardo Bora anunciaram a saída da escola após o Desfile das Campeãs deste ano. Nesta segunda (10), a Vila Isabel usou um story para anunciar que a dupla assumirá o Carnaval da Vila Isabel para 2026, marcando uma nova fase em suas carreiras e trazendo expectativas de inovações e sucessos para a azul e branco de Noel. A Vila voltará a ser feliz, como disse o presidente da escola em sua rede social.

Tem escola passando vergonha no pós-Carnaval do Rio

A cara dessa escultura diz tudo!

O Carnaval do Rio de Janeiro é um espetáculo mundial, mas o que acontece depois da apuração, nos bastidores das escolas de samba, nem sempre está à altura da grandeza do desfile. O pós-Carnaval de 2025 tem sido marcado por notas covardes, desrespeito às tradições e uma falta de autocrítica absurda por parte de algumas agremiações.

O Papelão do Salgueiro

O Salgueiro, sob a presidência de André Vaz, iniciou sua saga pós-Carnaval com uma nota oficial atacando a todos, que mais confundiu do que esclareceu. Como se não bastasse, a escola tentou voltar atrás na própria declaração, deixando evidente a falta de convicção, vergonha e liderança. O pior, no entanto, veio quando André Vaz resolveu desrespeitar Portela e Mangueira, duas das maiores e mais respeitadas escolas de samba da história. A agremiação que já vinha em crise criativa há tempos, agora se complica ainda mais deixando de olhar para seus próprios erros e botando a culpa do merecido 7º lugar nos outros. O saudodo Myro Garcia jamais faria tal papel à frente do Salgueiro.

A Grande Rio e a Vergonha da “Verdadeira Campeã”

Se tem algo que a Grande Rio também não aprendeu foi a lidar com os próprios erros. O desfile teve falhas que custaram décimos valiosos, mas ao invés de olhar para dentro e aceitar que houve problemas, a escola resolveu desdenhar do resultado oficial. A confecção de uma camisa com os dizeres Verdadeira Campeã é um desrespeito à Beija-Flor, que foi a campeã legítima do Carnaval. O julgamento pode ser contestado em certos quesitos? Claro. Mas há maneiras dignas de fazê-lo. O que a Grande Rio faz é infantil e pouco condizente com uma escola que almeja respeito e credibilidade. Credibilidade essa que ela jogou fora desde a virada de mesa para não cair anos atrás, sem contar no montim contra a Viradouro no ano passado por conta da Comissão de Frente. Por sinal, a Beija-Flor nos últimos anos teve derrotas terríveis, mas olhou para si, se reformulou e voltou a topo. As concorrentes não fazem o mesmo?!

Foto: Twitter

Viradouro e a Polêmica Troca de Rainha de Bateria

Falando na escola de Niterói, a saída de Érika Januza do posto de rainha de bateria da Viradouro é mais um exemplo de que nem sempre o compromisso com a comunidade e a identidade da escola são levados em conta. Érika sempre demonstrou envolvimento e paixão pela agremiação, algo raro em tempos onde muitas rainhas são apenas figuras decorativas sem qualquer ligação real com suas escolas. Tirar uma representante querida pelo povo para colocar, sabe-se lá quem – há rumores de que seria a esposa de um cantor de axé que já desfila na escola – mostra que a Viradouro pode estar escolhendo o caminho errado na conexão com sua própria essência. Além disso, a vida pessoal do presidente da escola parece ter roubado até a atenção do enredo Malunguinho. Uma pena!

UPM e o Protesto Justo Contra a Despontuação

Enquanto algumas escolas fazem fiasco no pós-Carnaval, a Unidos de Padre Miguel age de maneira digna e coerente. A escola foi despontuada de forma injusta em quesitos determinantes, mesmo tendo feito um desfile claramente superior a outras que permaneceram no grupo especial. Diferente de Salgueiro e Grande Rio, que se perdem em desculpas esfarrapadas, a UPM levanta um protesto válido contra um julgamento questionável e vai atrás de seus direitos sem pisar em ninguém.

Portela: Emoção e Respeito no Lugar da Bagunça

A Portela foi uma das maiores vítimas do desrespeito no pós-Carnaval. Seu desfile foi carregado de emoção e sustentado pelo samba, o que garantiu sua presença no Desfile das Campeãs – algo que o Salgueiro não conseguiu. E a escola mostrou, na avenida, que lugar de história e tradição não se negocia. Diferente da bagunça que se instaurou em algumas coirmãs, a Águia de Madureira se manteve firme, provando que respeito e grandeza se conquistam com trabalho e não com notas confusas e ataques a outras agremiações. Por parte de um público nada querido, a escola sofreu ataques por ter conquistado lugar no G6. Mas pra tristeza dos haters, foi muito gratificante ver as gigantes Portela e Mangueira no lugar da fubanga Salgueiro nessa noite brilhante das melhores do Rio.

Mocidade: Uma Gigante Sem Rumo

A Mocidade Independente de Padre Miguel vive um dos momentos mais difíceis de sua trajetória. A escola está abandonada, sem direção clara dentro da Liesa e sem critério na escolha de enredos que possam recolocá-la entre as grandes. Para voltar a ser competitiva e respeitada, a Mocidade precisa agir rapidamente, reposicionar-se nos bastidores e escolher melhor os temas que levará para a avenida. Caso contrário, continuará sendo julgada de forma questionável e verá sua grandeza se esvair ainda mais.

Contudo, o que se viu após o Carnaval de 2025 foi um festival de imaturidade e falta de respeito por parte de algumas escolas que não souberam perder ou que tomaram decisões erradas nos bastidores. Enquanto Salgueiro, Grande Rio e Viradouro seguem patinando em erros, Portela e UPM mostram dignidade e respeito ao Carnaval. E a Mocidade? Precisa acordar antes que seja tarde.

O espetáculo na Sapucaí termina na Quarta-Feira de Cinzas, mas o comportamento das escolas depois da apuração pode dizer muito sobre quem realmente entende a grandiosidade do samba.

Portela cala críticos e volta nas Campeãs; Salgueiro fica fora do G6 e Castorzinho continua no Especial

Foto: Grande Rio

O Desfile das Campeãs no Carnaval do Rio de Janeiro de 2025 contará com as seis escolas mais bem colocadas na apuração, que voltarão à Marquês de Sapucaí no próximo sábado para celebrar seus desempenhos. Além da campeã Beija-Flor, a Grande Rio ficou com o merecido vice-campeonato, encantando a todos com um enredo vibrante sobre as Pororocas Parawaras. Para muitos a escola voltará ovacionada pelo espetáculo que mostrou na última noite dos desfiles.

Na terceira colocação, a Imperatriz Leopoldinense impressionou com um desfile que exaltou a cultura religiosa brasileira, repleto de referências históricas e artísticas. Tida cono uma das grandes favoritas neste ano, a Viradouro vinha forte na disputa pelo título, mas terminou em quarto lugar após um desfile alinhado apenas ao regulamento. Ainda assim, a escola de Niterói segue mostrando mais uma vez a força de sua comunidade e a qualidade de suas alegorias que melhoram a cada ano.

A Portela conquistou o quinto lugar ao emocionar o público com uma homenagem a Milton Nascimento, trazendo um desfile poético e de muita superação. O artista declarou que essa noite foi a mais feliz de sua vida e poderá viver a emoção de passar na avenida novamente no sábado das Campeãs. Já a Mangueira completou o G6 com um enredo carregado de identidade e tradição, garantindo seu espaço entre as melhores do ano com um samba cantado a plenos pulmões na Sapucaí. Esse pódio com as seis campeãs vai coroar um grande ano de ótimos enredos na safra que tivemos nesse carnaval.

Seguindo a classificação e ficando fora do G6, o Salgueiro acabou ficando sem “beliscar o 5º lugar” que vinha conquistando nos últimos anos. Prometendo fazer o desfile de sua vida – como em todos os anos – a escola não entregou nada demais na avenida, como sempre faz. A 7º colocação gerou frustração entre seus torcedores, que precisam parar de serem soberbos no pré-carnaval, vamos combinar. Talvez ficando fora das Campeãs a escola entenda que mudanças são necessárias em sua filosofia de trabalho.

Outro destaque da apuração foi a Mocidade Independente de Padre Miguel, que escapou do rebaixamento por pouco. Com um desempenho abaixo do esperado, a escola ficou na 11ª colocação, à frente apenas da vizinha Unidos de Padre Miguel, que acabou rebaixada para a Série Ouro de uma forma nada justa. O resultado acendeu um alerta para a escola de Padre Miguel, que precisará se reinventar para voltar a disputar as primeiras posições nos próximos carnavais. Apesar disso, sua permanência no Grupo Especial foi um alívio para sua comunidade, que agora terá a chance de se reestruturar e buscar um desempenho mais competitivo no ano que vem. Antes, a escola precisa acertar a renovação de contrato do indispensável Castorzinho. Estamos de olho…

Não mais, a Vila Isabel fez um desfile bem complicado em certos aspectos, mas que caberia entre as seis primeiras colocadas pela forma contagiante e criativas alegorias que apresentou. A Unidos da Tijuca teve um samba bem bonito que precisa ser mantido nessa qualidade para o ano que vem. A escola cresceu muito em relação aos últimos anos e está no caminho certo para voltar aos tempos de glória. Tuiuti, apesar do enredo importante, deveria ter sido rebaixada no lugar da UPM. Mas o juri não viu assim, vida que segue. Daqui alguns meses conheceremos os enredos de 2026 e toda essa brincadeira vai começar novamente.

Obrigada, Carnaval 2025. Você foi nota 10!

Beija-Flor derrota Grande Rio e conquista 15º título com bençãos de Laíla

Foto: Rio Carnaval

A Beija-Flor de Nilópolis conquistou hoje seu 15º título no Carnaval do Rio de Janeiro, com um desfile emocionante que homenageou Laíla, uma das figuras mais emblemáticas da história do samba. O enredo, intitulado “Laíla de Todos os Santos, Laíla de Todos os Sambas”, celebrou a trajetória e o legado do diretor de carnaval que esteve à frente da escola em 13 de seus títulos anteriores e faleceu em 2021, vítima da COVID-19. Laíla não teve a despedida que merecia na escola, mas neste ano voltou para a avenida como merecia e foi coroado com a vitória.

O desfile também marcou a despedida do emblemático Neguinho da Beija-Flor, que, após 50 anos como intérprete oficial, se aposentou do carro de som da escola. Sua voz inconfundível embalou a agremiação em momentos históricos, e sua presença na avenida foi uma celebração à sua contribuição inestimável para o samba. Seu carro de som é um dos mais fortes da atualidade com cantores que passaram os últimos meses ensaiando com uma eficiência que poucos conseguem, junto ao parceiro de Neguinho, Betinho do Cavaco.

A comissão de frente foi o último quesito lido na apuração. A Beija-Flor apresentou uma coreografia que retratava a infância de Laíla, sua devoção aos orixás e sua ascensão no mundo do samba. As alegorias, ricas em detalhes e simbolismos, destacaram momentos marcantes de sua carreira, incluindo sua parceria com o carnavalesco Joãozinho Trinta. Um dos carros alegóricos mais impactantes trouxe uma reinterpretação do famoso “Cristo Mendigo” de 1989, com sósias de Laíla (Serginho Aguiar, um dos compositores do samba) e Joãozinho, relembrando a ousadia e a criatividade que marcaram aquela época.

A bateria, sob a liderança dos Mestres Rodney e Plínio, inovou ao incorporar elementos que remetiam às raízes afro-brasileiras de Laíla, trazendo uma batida envolvente que contagiou o público. As fantasias, luxuosas e cheias de simbolismo, refletiram a riqueza cultural e a espiritualidade presentes na vida do homenageado. Durante a apuração, a Beija-Flor manteve-se entre as favoritas, disputando ponto a ponto com a Grande Rio e a Imperatriz Leopoldinense.

No entanto, a escola de Nilópolis se destacou nos quesitos de samba-enredo, fantasia e evolução, garantindo a vitória com uma pequena margem somando seus 270 pontos. Este título reforça a posição da Beija-Flor como uma das maiores campeãs do Carnaval carioca, consolidando seu legado de inovação, resistência e paixão pelo samba. A homenagem a Laíla não apenas celebrou sua memória e seus feitos como o maior diretor de carnaval da Sapucaí, mas também ressaltou a importância de figuras que, nos bastidores, dedicam suas vidas à cultura popular brasileira.

A comunidade de Nilópolis e os amantes do samba celebram este triunfo, que ficará marcado na história como justiça a tudo que Laíla construiu em seu legado. A Beija-Flor voltará para o desfile das Campeãs como Neguinho sonhava em sua despedida, com o título na mão e reapresentando um de seus maiores desfiles na Marquês. Pra quem já viu a escola nilopolitana homenagear o Boni, lavou a alma mais uma vez com um enredo gigante para a lenda Laíla.

(Neguinho venceu ainda o Estandarte de Ouro como ‘Personalidade do Ano’ em sua despedida)

Última noite no Carnaval do Rio: Grande Rio crava favoritismo e deve levar título pra Caxias

Portela surpreende encerrando o Carnaval com linda homenagem a Milton Nascimento

Foto: Rio Carnaval

A inédita terceira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro presenteou o público com apresentações grandiosas e sambas que fizeram a Sapucaí tremer. Quatro escolas fecharam a festa com desfiles marcantes, cada uma apostando em suas forças para brigar por um lugar entre as campeãs.

Mocidade Independente: Fez um desfile de superação com aposta no futuro e emocionou na Sapucaí

A Mocidade Independente de Padre Miguel levou para a avenida um enredo futurista, explorando as possibilidades e desafios do amanhã. Com alegorias tecnológicas e um samba-enredo que cresceu na avenida, a escola apostou na criatividade para encantar o público. O destaque ficou para a comissão de frente, que trouxe um jogo de luzes e coreografias impactantes, além de alegorias muito nostálgicas. O mascote Castorzinho roubou atenção de todos na Sapucaí.

Paraíso do Tuiuti: Enredo crítico e necessário levantou a arquibancada, mas correu para não estourar tempo

O Paraíso do Tuiuti mais uma vez mostrou que sabe unir história e crítica social em um desfile marcante. Com um enredo que revisitou figuras da cultura popular e sua relação com o Brasil atual, a escola trouxe um visual rico e uma narrativa envolvente. O samba funcionou muito bem e garantiu um canto forte da comunidade, além de uma comissão de frente que surpreendeu com uma encenação teatral bem executada. O intérprete Pixulé foi um dos pontos fortes da escola.

Grande Rio: Desfile impactante cravou favoritismo da escola de Caxias

Uma das favoritas ao título, a Grande Rio entregou um desfile luxuoso e vibrante, com alegorias grandiosas e um samba-enredo que incendiou a Sapucaí. O trabalho de harmonia da escola foi um dos pontos altos, com componentes cantando forte do início ao fim. O enredo paraense bem amarrado e a aposta em efeitos visuais reforçam a Grande Rio como uma das candidatas ao campeonato. A bateria de Mestre Fafá deve gabaritar seu quesito, além de proporcionar uma grande despedida de Paolla Oliveira como rainha.

Portela: Força de sua tradição surpreendeu em homenagem com a grandeza de Milton Nascimento

A Portela mostrou mais uma vez porque é a maior campeã do Carnaval carioca. Com um desfile que equilibrou tradição e inovação, a azul e branco levou um enredo que exaltou sua própria história e emocionou o público. O conjunto visual foi um dos mais bonitos da noite, com uma ala das baianas deslumbrante e um último carro que sintetizou a grandeza da escola e da carreira de Milton Nascimento. Se ele foi barrado no Grammy, hoje conquistou uma pasarela toda para o ver brilhar e ser ovacionado.

Favoritas ao título: Depois das três noites de desfiles, Beija-Flor e Grande Rio despontam como as grandes favoritas ao campeonato. A apuração promete ser emocionante. Grande Rio no entanto desfilou com aura de campeã, o que faltou para outras escolas que fizeram excelentes desfiles como Viradouro e Imperatriz.