Categoria: Carnaval

Carnaval SP: Mocidade Alegre e Gaviões vão disputar o título de 2026

Império de Casa Verde e Dragões podem dar trabalho para vaga no Top 5

Foto: Twitter

A segunda noite do Carnaval de São Paulo deixou claro que o título tem dono em disputa direta: Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel travaram um duelo de gente grande no Anhembi. Depois de uma primeira noite correta, mas sem grandes arroubos, o sábado entregou exatamente o que se esperava — emoção, impacto visual e escolas com cara de campeãs. Foi uma apresentação mais segura, mais vibrante e tecnicamente mais consistente, elevando o nível da competição.

A Mocidade Alegre desfilou com a segurança de quem sabe o que está fazendo e varreu a avenida. Harmonia afiada, evolução leve e um conjunto estético muito bem resolvido. A escola conseguiu unir luxo e narrativa com inteligência, conduzindo o público do início ao fim sem quedas de energia. Foi aquele desfile que envolve do início ao fim e termina com sensação de missão cumprida. Não houve buracos, não houve sustos — houve confiança.

Já a Gaviões da Fiel veio com força e imponência. A escola apostou em impacto visual e presença cênica, com alegorias grandiosas e fantasias extremamente luxuosas. O canto foi um dos pontos altos da noite, empurrando a escola para frente com intensidade. A Gaviões não economizou em grandiosidade e mostrou que está, sim, pronta para disputar décimo a décimo com a Mocidade. Foi um desfile para brigar na cabeça.

Abrindo os trabalhos no sábado, a Império da Casa Verde cumpriu bem seu papel e também entra como postulante correndo por fora. Luxuosa, organizada e tecnicamente correta, a escola apresentou um conjunto forte, embora talvez sem o mesmo fator de arrebatamento das duas principais concorrentes. Ainda assim, é daquelas que, se a apuração apertar, pode surpreender. Carnaval se ganha nos detalhes.

No fim das contas, São Paulo entregou um carnaval bonito tecnicamente. As escolas estavam bem-acabadas, visualmente ricas e competitivas. Mas faltou aquele desfile que literalmente varre a avenida, que faz o Anhembi tremer do começo ao fim. Quem conseguiu chegar mais perto disso foram justamente Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel. Se título é sobre impacto e memória, a disputa está entre elas. E que disputa!

Carnaval SP: Colorado do Brás e Tatuapé entregam luxo; Dragões fica perdida no enredo mais uma vez

Rosas de Ouro e Vai-Vai, apesar de tradicionais, não empolgam. Campeã deve desfilar neste sábado

Foto: Samba e Carnaval (X)

A primeira noite dos desfiles no Anhembi já mostrou que o Carnaval de São Paulo veio cheio de identidade, mas o seu melhor sempre fica para o sábado – com raras exceções. Teve escola jogando para ganhar e teve escola que ficou devendo. No recorte da estreia, duas se destacaram com folga: Acadêmicos do Tatuapé e Colorado do Brás. Cada uma à sua maneira, mas ambas com leitura clara de campeonato.

A Tatuapé apresentou um enredo de narrativa forte, apostando na emoção e na construção plástica limpa. O desfile veio naquele estilo “Vila Isabel 2013” — referência inevitável ao clássico campeão da Unidos de Vila Isabel com “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”. Foi uma escola organizada, compacta, com evolução redonda e comunidade cantando do começo ao fim. Nada espalhafatoso, mas extremamente eficiente. Desfile estratégico, de quem sabe somar décimo a décimo.

Já a Colorado do Brás apostou em um enredo que brincava com os mistérios da sexta-feira 13, dia em que desfilou – e entregou luxo e riqueza visual. Diferente dos últimos anos, a escola veio imponente. Alegorias grandes, fantasias bem acabadas e uma plástica impactante. Não foi apenas correta — foi opulenta e luxuosa. A Colorado entrou para ser notada, e conseguiu. Harmonia firme, bateria pulsando forte e um conjunto que cresceu ao longo da avenida. Foi um desfile que misturou emoção com poder visual.

Entre as que ficaram abaixo da expectativa, Rosas de Ouro e Vai-Vai decepcionaram. A Rosas apresentou um enredo com proposta interessante, mas faltou impacto e leitura clara na avenida. Já o Vai-Vai, mesmo com sua tradição e peso histórico, não conseguiu transformar seu enredo em espetáculo competitivo — faltou brilho e sobrou irregularidade. Outra que entrega luxo, Dragões da Real mais uma vez desfilou bonita, mas sem emoção e desconectada ao enredo.

A Barroca Zona Sul tinha um bom enredo nas mãos, conceitualmente forte, mas encontrou dificuldades no acabamento das alegorias e fantasias, o que comprometeu a força visual do desfile. É só a primeira noite, e Carnaval se decide nos detalhes. Mas se a pergunta for quem saiu na frente, a resposta é clara: Tatuapé e Colorado do Brás entenderam o jogo. Uma pela estratégia e consistência. A outra pelo luxo e pela imponência. Campeonato aberto, mas a régua já foi colocada lá em cima pelas duas. Que venha o sábadão!

Beija-Flor e Viradouro são as únicas que podem surpreender na Sapucaí

Correndo por fora, Vila Isabel, Imperatriz e Grande Rio precisam tirar carta da manga

Foto: Viradouro

Carnaval é emoção, é técnica, é dinheiro na avenida — mas, acima de tudo, é arrepio e surpresas. Em 2026, apenas duas escolas largam na frente quando o assunto é capacidade de parar a Sapucaí no grito e no choro: a Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos do Viradouro. Não é só sobre luxo ou sobre alegoria gigantesca. É sobre narrativa que pulsa, que tem alma, que conversa com ancestralidade e identidade. São as duas únicas, hoje, com real potencial de arrebatar o sambódromo no fator emoção.

A Beija-Flor aposta no Bembé — manifestação religiosa e cultural de resistência, de fé e de memória coletiva. É um enredo que carrega peso histórico, espiritualidade e um discurso potente. Quando a azul e branco resolve falar de ancestralidade, ela varre a avenida. Ela encena. Ela faz a Sapucaí virar terreiro, virar palco de exaltação e bate todas as concorrentes. Se vier com o samba afinado e aquela comunidade cantando como sabe, pode ser daqueles desfiles que transcendem nota e entram para a história, como foi ano passado.

Do outro lado, a Viradouro vem com enredo sobre o Mestre Ciça — personagem central da batida que moldou gerações. Falar de quem construiu o ritmo é falar da própria essência do Carnaval. E a vermelho e branco de Niterói sabe transformar homenagem em espetáculo competitivo. Se a bateria encaixar com o peso simbólico do tema, é o tipo de desfile que cresce da concentração até o último módulo de jurados, criando aquela atmosfera de “estamos vendo algo especial acontecer”. A Viradouro vai surpreender e calar os críticos que o diziam que o enredo não era forte.

Correndo por fora, mas com arsenal pesado de luxo e orçamento, aparecem escolas que também vêm com enredos fortíssimos. A Acadêmicos do Grande Rio mergulha no Manguebeat, exaltando Chico Science e todo o movimento cultural que sacudiu o Recife nos anos 90. A Unidos de Vila Isabel presta homenagem a Heitor dos Prazeres, um dos pilares do samba carioca, figura fundamental na construção da identidade musical do Rio. Já a Imperatriz Leopoldinense aposta na força cênica e artística de Ney Matogrosso, um artista que por si só já carrega teatralidade, ousadia e impacto visual.

São enredos grandiosos, com potencial plástico imenso e sambas que prometem vir fortes. Mas, quando o assunto é arrebatamento puro, aquela sensação de que o desfile saiu do controle e tomou conta da Sapucaí, Beija-Flor e Viradouro hoje parecem um passo à frente. As demais precisam tirar carta da manga. E Carnaval, você sabe, não se ganha só com dinheiro e luxo. Se ganha quando a arquibancada compra junto com a escola sua ideia acontecendo na avenida!

Foto: Rio Carnaval

Grande Rio tem bom enredo, mas é ofuscada pela rainha de bateria

Escola tem um dos enredos mais conceituais de 2026, mas aparece na mídia por outro motivo

Foto: O Globo

O carnaval sempre foi território de cultura, identidade e resistência. E quando a Acadêmicos do Grande Rio escolhe levar para a Avenida o enredo “Manguebeat”, ela não está apenas contando uma história — está reafirmando um movimento que revolucionou a música brasileira. O manguebeat nasceu nos anos 1990 como um grito criativo vindo de Recife, misturando maracatu, rock, hip hop e crítica social. Era lama, era antena parabólica fincada no mangue. Era o Brasil urbano dialogando com suas raízes.

No centro dessa revolução estava Chico Science, artista visionário que, ao lado da banda Nação Zumbi, transformou a cena cultural pernambucana e influenciou gerações. Chico não era só música — era discurso, era estética, era posicionamento. Sua obra falava de desigualdade, de identidade nordestina e de um Brasil profundo que nem sempre ganha espaço no horário nobre. Trazer esse universo para o Sambódromo é uma decisão potente, que conecta carnaval com consciência cultural.

O enredo é bom. É rico. É pulsante. Tem conceito, tem pesquisa, tem lastro histórico. Mas, como acontece tantas vezes na era das redes sociais, a narrativa acaba desviada. O noticiário, os portais e os trending topics preferem focar na rainha de bateria, Virgínia Fonseca, que naturalmente chama atenção por sua popularidade e alcance digital. E aí a discussão deixa de ser sobre cultura e vira sobre figurino, corpo e engajamento.

Não se trata de diminuir ninguém. Rainha de bateria é parte do espetáculo. Mas quando o brilho individual ofusca o discurso coletivo, o carnaval perde um pouco da sua essência. O desafio da Grande Rio é justamente esse: fazer com que o batuque fale mais alto que o hype. Porque Manguebeat é movimento, é resistência, é identidade. E merece ser lembrado pelo que representa — não pelo que viraliza.

Hora de cuidar da sua imunidade para o Carnaval

Se livre de ficar doente no melhor feriado do ano – após ele também

Foto: Arquivo Pessoal

Estamos a 20 dias do Carnaval e, se você pretende aguentar o rojão — seja no bloco, no trio ou na arquibancada do sambódromo — já passou da hora de começar a cuidar da imunidade. Não adianta querer virar cinco dias seguidos e achar que o corpo vai dar conta no modo improviso. Alimentação equilibrada faz toda a diferença agora: mais frutas, verduras, proteína de verdade e menos exagero em açúcar e industrializados. É o básico que funciona, não tem milagre.

No meio disso tudo, entra o cuidado prático do dia a dia, sem frescura e sem complicação:

Limão com água pela manhã, em jejum: meio limão espremido em 150 ml a 200 ml de água (pra quem não tá acostumado, 200 ml é o ideal). Quem conseguir tomar sem sal, ótimo. Se não, coloca uma pitadinha de sal e pronto.

– Sono em dia: dormir bem agora é investimento direto na sua imunidade.

Intensificar os exercícios: não é sobre virar atleta, é sobre ganhar condicionamento físico, fortalecer o corpo e preparar o fôlego pra horas em pé, andando, pulando e sambando.

– Hidratação constante: muita água e água de coco sempre como aliada.

E não é só no pré-Carnaval, não. Durante o Carnaval também é essencial manter esses hábitos. No dia do bloco, do trio, do desfile ou do camarote não dá pra descuidar: não dá pra pular o limão com água de manhã, não dá pra esquecer de se hidratar. Beber muita água, água de coco e isotônico — tudo isso conta pra manter o corpo funcionando direito no meio da maratona.

Seja virando a noite nos trios em Salvador, indo pro Galo da Madrugada ou atravessando madrugadas assistindo aos desfiles das escolas de samba, a lógica é uma só: organização, cuidado e rotina mínima. Dormir durante o dia pra aguentar a noite, manter alimentação decente, hidratação em dia e, na quarta-feira de cinzas, colocar tudo nos eixos de novo. Isso evita a queda de imunidade e, principalmente, a clássica gripe pós-Carnaval. Porque curtir é bom — mas curtir saudável é muito melhor.

Gaviões sonha alto para buscar título do Carnaval de São Paulo

Escola é uma das favoritas para 2026, com enredo indígena e maior abre-alas da sua história

Foto: Instagram

A Gaviões da Fiel chega ao Carnaval de 2026 como uma das grandes favoritas ao título, embalada pela sensação de que a taça escapou por muito pouco em 2025. Com um projeto ainda mais amadurecido, a escola aposta alto no enredo “Vozes Ancestrais para um Novo Amanhã”, mostrando que, além de potência estética e musical, quer reafirmar seu papel como escola que dialoga com temas urgentes e necessários.

O enredo celebra e homenageia a luta, a sabedoria, a resistência e a memória dos povos indígenas do Brasil. A Gaviões leva para o Anhembi um desfile que valoriza a ancestralidade como base para o futuro, colocando os povos originários no centro da narrativa e ressaltando sua importância fundamental na preservação da floresta, da vida e do equilíbrio do planeta.

Com o slogan “O Marco do Futuro é Pindorama!”, a escola propõe uma reflexão direta e potente: o amanhã só existe se as raízes forem respeitadas. A promessa é de um desfile poético e politizado, que une beleza plástica, simbolismo e discurso, sem abrir mão da força popular que sempre marcou a trajetória da Gaviões na avenida. Além disso, a grandeza da escola deve se impor nas alegorias. A Gaviões sentiu muito a perda do título no ano passado e quer a todo custo sair do jejum de campeonatos assim como o Corinthians em campo.

No chão, a expectativa é de uma comunidade cantando muito forte um samba que conversa com o enredo e emociona do início ao fim. Harmonia, evolução e impacto visual surgem como pilares para transformar o aprendizado de 2025 em precisão máxima em 2026, em um desfile pensado para não deixar margem para dúvidas na apuração.

À frente desse canto poderoso está Ernesto Teixeira, intérprete histórico da escola e já apelidado como o “Neguinho da Beija-Flor” do carnaval paulistano, por estar há mais de 40 anos no carro de som alvi-negro. Com experiência, carisma e domínio absoluto da avenida, Ernesto será novamente peça-chave para conduzir a Gaviões em um desfile que promete ser mais do que competitivo: um grito de resistência, memória e futuro.