Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Carnaval RJ: Como esperado, Beija-Flor e Viradouro vão disputar o título

Unidos da Tijuca foi tecnicamente bem. Mocidade sem Castorzinho fez desfile colorido. Difícil a vida das quatro escolas que desfilam nessa terça

Foto: Arquivo Pessoal

A segunda noite de desfiles na Marquês de Sapucaí foi, sem exagero, a mais impactante do Carnaval até aqui. Se na primeira noite houve equilíbrio, desta vez houve confronto direto de gigantes. Beija-Flor de Nilópolis e Unidos do Viradouro deixaram claro que o título passa por elas. Foi uma noite de emoções fortes, arquibancadas pulsando e a sensação de que assistimos a dois desfiles com cara de campeãs.

A Mocidade Independente de Padre Miguel desfilou dentro do seu contexto atual, vivendo uma fase delicada, sem patrono e enfrentando dificuldades estruturais. Ainda assim, a escola conseguiu fazer um desfile digno, colorido e vibrante, homenageando Rita Lee com respeito e identidade. Foi um desfile emocionalmente honesto, talvez não brigando pelo título, mas importante para resgatar autoestima. A Mocidade não vinha entregando algo visualmente tão bonito há algum tempo, e isso precisa ser reconhecido.

A Unidos da Tijuca fez um desfile extremamente técnico, correto, bem acabado e totalmente dentro do regulamento para homenagear Carolina Maria de Jesus. Evolução limpa, harmonia segura e alegorias bem resolvidas. O problema? Veio depois de uma verdadeira avalanche causada por Beija-Flor e Viradouro. E no Carnaval, emoção também pesa. A Tijuca fez tudo certo, mas o impacto foi inevitavelmente menor diante do que já tinha passado pela avenida.

Agora, o que a Beija-Flor fez foi transformar a Sapucaí em um verdadeiro “Bem-Bé”. A escola não apenas desfilou: ela arrebatou. É a grande favorita ao título, sem dúvida. Mas do lado, brigando palmo a palmo, está a Viradouro, que homenageou Cissa e surpreendeu muita gente que criticou o enredo no pré-carnaval. As duas são, com folga, as favoritas. É difícil imaginar que Paraíso do Tuiuti, Acadêmicos do Salgueiro, Acadêmicos do Grande Rio ou Unidos de Vila Isabel, que desfilam na terça-feira, consigam tirar o título desse duelo que já está desenhado entre Viradouro e Beija-Flor. O campeonato, hoje, tem duas donas.

Carnaval RJ: Imperatriz desfila sozinha na primeira noite do Especial

Portela e Mangueira tentaram, mas tiveram muitas dificuldades na evolução. Niterói cumpriu tabela. Duas favoritas desfilam nesta segunda

Foto: Arquivo Pessoal

A primeira noite de desfiles na Marquês de Sapucaí começou cercada de expectativa, mas terminou com uma sensação agridoce. Tecnicamente correta, visualmente bonita, mas com pouca explosão de emoção. Faltou aquele momento de arrepio coletivo, de avenida pulsando junto, de escola varrendo o chão com autoridade. Em meio a apresentações competentes, apenas uma agremiação conseguiu transformar expectativa em grandeza: a Imperatriz Leopoldinense.

A Imperatriz fez, sim, um grande desfile. O enredo sobre Ney Matogrosso aconteceu — e aconteceu de verdade. Era um risco? Talvez. Mas a escola soube traduzir a ousadia, a teatralidade e a potência do artista em alegorias impactantes e uma narrativa clara. O samba, que vinha sendo questionado por alguns, foi cantado por todos na Sapucaí. Quando a arquibancada compra a ideia, a energia muda. E mudou. Foi o único momento da noite em que se sentiu algo próximo de arrebatamento.

A Acadêmicos de Niterói conseguiu desenvolver bem seu enredo. Houve leitura, houve coerência e organização. Mas faltou aquele diferencial, aquele detalhe que faz o desfile sair da prateleira do “bom” e entrar no campo do memorável. Foi correto, foi digno, mas não foi espetacular. Em noite de Grupo Especial, isso pesa.

Portela decepcionou. A águia passou, mas sem voar alto. Faltou impacto visual, faltou emoção e, principalmente, faltou aquela assinatura que costuma transformar a escola em protagonista. No carro de som, o saudoso Gilsinho fez muita falta. A Estação Primeira de Mangueira foi protocolar demais. Fez o dever de casa, cumpriu roteiro, mas não incendiou a avenida. Carnaval é risco, é entrega, é algo além da técnica.

Agora, a régua sobe. Nesta segunda-feira desfilam duas favoritas declaradas: a Unidos do Viradouro e a Beija-Flor de Nilópolis. Se a primeira noite foi de contenção e apenas um grande momento, a segunda promete disputa de verdade. Porque, até aqui, só a Imperatriz mostrou que quer título com força de campeã. O resto ainda precisa provar na avenida.

Carnaval SP: Mocidade Alegre e Gaviões vão disputar o título de 2026

Império de Casa Verde e Dragões podem dar trabalho para vaga no Top 5

Foto: Twitter

A segunda noite do Carnaval de São Paulo deixou claro que o título tem dono em disputa direta: Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel travaram um duelo de gente grande no Anhembi. Depois de uma primeira noite correta, mas sem grandes arroubos, o sábado entregou exatamente o que se esperava — emoção, impacto visual e escolas com cara de campeãs. Foi uma apresentação mais segura, mais vibrante e tecnicamente mais consistente, elevando o nível da competição.

A Mocidade Alegre desfilou com a segurança de quem sabe o que está fazendo e varreu a avenida. Harmonia afiada, evolução leve e um conjunto estético muito bem resolvido. A escola conseguiu unir luxo e narrativa com inteligência, conduzindo o público do início ao fim sem quedas de energia. Foi aquele desfile que envolve do início ao fim e termina com sensação de missão cumprida. Não houve buracos, não houve sustos — houve confiança.

Já a Gaviões da Fiel veio com força e imponência. A escola apostou em impacto visual e presença cênica, com alegorias grandiosas e fantasias extremamente luxuosas. O canto foi um dos pontos altos da noite, empurrando a escola para frente com intensidade. A Gaviões não economizou em grandiosidade e mostrou que está, sim, pronta para disputar décimo a décimo com a Mocidade. Foi um desfile para brigar na cabeça.

Abrindo os trabalhos no sábado, a Império da Casa Verde cumpriu bem seu papel e também entra como postulante correndo por fora. Luxuosa, organizada e tecnicamente correta, a escola apresentou um conjunto forte, embora talvez sem o mesmo fator de arrebatamento das duas principais concorrentes. Ainda assim, é daquelas que, se a apuração apertar, pode surpreender. Carnaval se ganha nos detalhes.

No fim das contas, São Paulo entregou um carnaval bonito tecnicamente. As escolas estavam bem-acabadas, visualmente ricas e competitivas. Mas faltou aquele desfile que literalmente varre a avenida, que faz o Anhembi tremer do começo ao fim. Quem conseguiu chegar mais perto disso foram justamente Mocidade Alegre e Gaviões da Fiel. Se título é sobre impacto e memória, a disputa está entre elas. E que disputa!

Carnaval SP: Colorado do Brás e Tatuapé entregam luxo; Dragões fica perdida no enredo mais uma vez

Rosas de Ouro e Vai-Vai, apesar de tradicionais, não empolgam. Campeã deve desfilar neste sábado

Foto: Samba e Carnaval (X)

A primeira noite dos desfiles no Anhembi já mostrou que o Carnaval de São Paulo veio cheio de identidade, mas o seu melhor sempre fica para o sábado – com raras exceções. Teve escola jogando para ganhar e teve escola que ficou devendo. No recorte da estreia, duas se destacaram com folga: Acadêmicos do Tatuapé e Colorado do Brás. Cada uma à sua maneira, mas ambas com leitura clara de campeonato.

A Tatuapé apresentou um enredo de narrativa forte, apostando na emoção e na construção plástica limpa. O desfile veio naquele estilo “Vila Isabel 2013” — referência inevitável ao clássico campeão da Unidos de Vila Isabel com “A Vila canta o Brasil, celeiro do mundo”. Foi uma escola organizada, compacta, com evolução redonda e comunidade cantando do começo ao fim. Nada espalhafatoso, mas extremamente eficiente. Desfile estratégico, de quem sabe somar décimo a décimo.

Já a Colorado do Brás apostou em um enredo que brincava com os mistérios da sexta-feira 13, dia em que desfilou – e entregou luxo e riqueza visual. Diferente dos últimos anos, a escola veio imponente. Alegorias grandes, fantasias bem acabadas e uma plástica impactante. Não foi apenas correta — foi opulenta e luxuosa. A Colorado entrou para ser notada, e conseguiu. Harmonia firme, bateria pulsando forte e um conjunto que cresceu ao longo da avenida. Foi um desfile que misturou emoção com poder visual.

Entre as que ficaram abaixo da expectativa, Rosas de Ouro e Vai-Vai decepcionaram. A Rosas apresentou um enredo com proposta interessante, mas faltou impacto e leitura clara na avenida. Já o Vai-Vai, mesmo com sua tradição e peso histórico, não conseguiu transformar seu enredo em espetáculo competitivo — faltou brilho e sobrou irregularidade. Outra que entrega luxo, Dragões da Real mais uma vez desfilou bonita, mas sem emoção e desconectada ao enredo.

A Barroca Zona Sul tinha um bom enredo nas mãos, conceitualmente forte, mas encontrou dificuldades no acabamento das alegorias e fantasias, o que comprometeu a força visual do desfile. É só a primeira noite, e Carnaval se decide nos detalhes. Mas se a pergunta for quem saiu na frente, a resposta é clara: Tatuapé e Colorado do Brás entenderam o jogo. Uma pela estratégia e consistência. A outra pelo luxo e pela imponência. Campeonato aberto, mas a régua já foi colocada lá em cima pelas duas. Que venha o sábadão!

River Plate só contratou pé de rato e está sem rumo na temporada

Foto: Arquivo Pessoal

O River Plate gastou, contratou, trouxe nome, trouxe currículo… mas futebol mesmo, que é bom, ficou no aeroporto de Ezeiza. A sensação é de que o clube empilhou reforços achando que isso automaticamente resolveria o problema estrutural de intensidade. E não resolveu. O time parece pesado, desconectado, sem alma. E para um River, isso é quase um crime institucional.

A contratação de Matías Viña é um símbolo desse momento. Veio com bagagem, status, expectativa alta… mas não mudou o nível da equipe. Não trouxe agressividade ofensiva constante, não virou líder, não elevou o ritmo. E não foi só ele. Também chegaram Aníbal Moreno e Fausto Vera, dois jogadores que vinham também do futebol brasileiro com rodagem e intensidade. Em teoria, peças prontas para dar dinâmica ao meio-campo. Na prática? Nada mudou. Não controlam jogo, não impõem físico, não aceleram transição. Parece que Marcelo Gallardo contratou sem nem assistir o DVD desses caras.

O que mais incomoda não é nem a parte técnica. É a falta de vontade. O River historicamente sempre foi intensidade, pressão, personalidade. Hoje é um time burocrático, que roda a bola sem profundidade e reage pouco quando toma golpe. Falta aquele jogador que chama a responsabilidade, que pressiona, que arrasta os outros. Falta garra. Falta sangue. Vale lembrar que nem para a Libertadores o time vai esse ano, pois conseguiu vaga apenas para a Sulamericana.

E aí fica a pergunta que ninguém quer responder: é erro de mercado? É erro de montagem? Ou é mental? Porque dinheiro foi investido. O time tem o maior patrocínio da Argentina. Nome foi contratado. Mas desempenho… nada. E no Monumental, a paciência nunca foi infinita. Se o River não reencontrar identidade rápido, a cobrança vai aumentar — e com razão.

Beija-Flor e Viradouro são as únicas que podem surpreender na Sapucaí

Correndo por fora, Vila Isabel, Imperatriz e Grande Rio precisam tirar carta da manga

Foto: Viradouro

Carnaval é emoção, é técnica, é dinheiro na avenida — mas, acima de tudo, é arrepio e surpresas. Em 2026, apenas duas escolas largam na frente quando o assunto é capacidade de parar a Sapucaí no grito e no choro: a Beija-Flor de Nilópolis e a Unidos do Viradouro. Não é só sobre luxo ou sobre alegoria gigantesca. É sobre narrativa que pulsa, que tem alma, que conversa com ancestralidade e identidade. São as duas únicas, hoje, com real potencial de arrebatar o sambódromo no fator emoção.

A Beija-Flor aposta no Bembé — manifestação religiosa e cultural de resistência, de fé e de memória coletiva. É um enredo que carrega peso histórico, espiritualidade e um discurso potente. Quando a azul e branco resolve falar de ancestralidade, ela varre a avenida. Ela encena. Ela faz a Sapucaí virar terreiro, virar palco de exaltação e bate todas as concorrentes. Se vier com o samba afinado e aquela comunidade cantando como sabe, pode ser daqueles desfiles que transcendem nota e entram para a história, como foi ano passado.

Do outro lado, a Viradouro vem com enredo sobre o Mestre Ciça — personagem central da batida que moldou gerações. Falar de quem construiu o ritmo é falar da própria essência do Carnaval. E a vermelho e branco de Niterói sabe transformar homenagem em espetáculo competitivo. Se a bateria encaixar com o peso simbólico do tema, é o tipo de desfile que cresce da concentração até o último módulo de jurados, criando aquela atmosfera de “estamos vendo algo especial acontecer”. A Viradouro vai surpreender e calar os críticos que o diziam que o enredo não era forte.

Correndo por fora, mas com arsenal pesado de luxo e orçamento, aparecem escolas que também vêm com enredos fortíssimos. A Acadêmicos do Grande Rio mergulha no Manguebeat, exaltando Chico Science e todo o movimento cultural que sacudiu o Recife nos anos 90. A Unidos de Vila Isabel presta homenagem a Heitor dos Prazeres, um dos pilares do samba carioca, figura fundamental na construção da identidade musical do Rio. Já a Imperatriz Leopoldinense aposta na força cênica e artística de Ney Matogrosso, um artista que por si só já carrega teatralidade, ousadia e impacto visual.

São enredos grandiosos, com potencial plástico imenso e sambas que prometem vir fortes. Mas, quando o assunto é arrebatamento puro, aquela sensação de que o desfile saiu do controle e tomou conta da Sapucaí, Beija-Flor e Viradouro hoje parecem um passo à frente. As demais precisam tirar carta da manga. E Carnaval, você sabe, não se ganha só com dinheiro e luxo. Se ganha quando a arquibancada compra junto com a escola sua ideia acontecendo na avenida!

Foto: Rio Carnaval