Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Um Cabra Bom de Bola: Ótima animação para começar bem a nova temporada do cinema

Foto: Reprodução

Eu e os Enzo adoramos! Um Cabra Bom de Bola é uma das animações mais empolgantes e visualmente impressionantes lançadas recentemente pela Sony Pictures Animation. O filme mistura humor, emoção e esporte em um mundo animal antropomórfico vibrante, acompanhando a jornada de Will, uma pequena cabra com um sonho gigantesco: provar que pode jogar roarball – um esporte inspirado no basquete, porém ainda mais dinâmico e alucinante. 

O visual da animação é um dos seus grandes trunfos. Com cores fortes, personagens cheios de personalidade e sequências de jogo que mais parecem videogames em movimento, o estilo de Um Cabra Bom de Bola é ao mesmo tempo ousado e eficiente, lembrando um pouco a experimentação vista em produções como Homem-Aranha no Aranhaverso — mas com sua própria identidade visual. A direção de arte e a fluidez das cenas esportivas criam uma experiência cinematográfica envolvente, ideal para públicos de todas as idades que buscam diversão e energia ininterruptas. 

Além disso, o filme vem conquistando o público nas bilheterias. Desde sua estreia, Um Cabra Bom de Bola ultrapassou a marca de mais de US$ 100 milhões arrecadados globalmente, liderando as paradas nos Estados Unidos e consolidando-se como um dos maiores sucessos recentes da Sony em animação original. Isso é particularmente notável em um cenário competitivo, onde poucos novos títulos originais conseguem capturar tanta atenção do público familiar e jovem. 

Um dos grandes diferenciais dessa produção é a participação de Stephen Curry — tetracampeão da NBA e ícone do basquete mundial — que não só atua como produtor executivo, como também dá voz ao personagem Lenny, uma girafa jogador de roarball. A presença de Curry é mais do que um simples nome no elenco: ele ajudou a moldar alguns dos elementos esportivos do filme e trouxe autenticidade à representação do jogo, além de ser uma peça importante na divulgação e no apelo popular da história. 

No fim das contas, a animação entrega aquilo que promete: algo divertido, cheio de cor, movimento, coração e boas risadas, com uma mensagem clara sobre sonhar grande e desafiar expectativas — tudo temperado com a energia contagiante de um esporte reinventado para encantar públicos ao redor do mundo. É uma experiência cinematográfica que merece ser vista nas telonas, especialmente para quem gosta quando animação, humor e esporte se encontram de forma tão criativa. Vale a pipoca e combo do cinema!

Gallardo se despede do River; Eduardo Coudet e Ariel Holan são os favoritos para seu lugar

El Muñeco dá segundo adeus ao clube que transformou sua história. Foi o técnico que mais cobri na Argentina e guardarei os bons momentos

Foto: Arquivo Pessoal

A segunda passagem de Marcelo Gallardo pelo River Plate terminou de forma melancólica. Depois de um ciclo marcado por derrotas doloridas, eliminações precoces e um time que nunca conseguiu engrenar de verdade, o treinador decidiu pedir demissão nesta segunda-feira e se despede do time contra o Banfield na quinta-feira desta semana. El DT deixa o clube após 35 vitórias, 32 empates e 17 tenebrosas derrotas. Para quem construiu uma era histórica no clube, a saída deixa um gosto amargo — principalmente porque, desta vez, não houve títulos que sustentassem o discurso de reconstrução.

Na primeira etapa, Gallardo foi sinônimo de glória: 2 Libertadores, somou títulos nacionais, finais épicas e um River protagonista na América do Sul. Mas o futebol não vive de passado, e essa segunda passagem acabou atravessada por instabilidade, elenco irregular e um rendimento muito abaixo do que a torcida do Monumental se acostumou a ver. A pressão aumentou rodada após rodada, e o ambiente, que antes era de idolatria absoluta, passou a ser de cobrança constante até culminar na decisão pela saída.

Agora, a diretoria se movimenta para definir o novo comandante. O favorito neste momento é Eduardo Coudet, que desponta como o principal nome da lista. Logo atrás aparece Ariel Holan, tratado como segunda opção mais forte. Na sequência surge Pablo Aymar, ídolo do clube e nome que agrada pela identificação com a casa. Também estão no radar Gabriel Milito, Martín Palermo, Ramón Díaz e Hernán Crespo — todos com perfis distintos e diferentes propostas de jogo.

A decisão não será simples. O River precisa escolher mais do que um treinador: precisa definir que rumo quer tomar após um ciclo frustrado. Substituir Gallardo, mesmo em baixa, é uma responsabilidade enorme. Comandar a equipe do Monumental exige protagonismo, intensidade e títulos. Quem assumir terá a missão de reconstruir a confiança e recolocar o clube no lugar onde sua torcida acredita que ele nunca deveria ter saído: no topo da Argentina e da América.

Marcelo Gallardo foi o técnico que mais cobri na Argentina. Comecei a ver sua trajetória ainda no Nacional (URU), onde ele já se destacava com o cabelo todo bagunçado e uma visão de jogo diferenciada. Sua chegada no River tirou o time de um lamaçal e transformou toda uma estrutura, que começa do porteiro do CT River Camp aos jogadores que passaram por suas mãos na Glória Eterna contra o Boca Juniors em 2018. Apesar da sua estátua em Núñez ser bem estranha, na minha opinião, ele se tornou gigante como o clube. Mas precisa seguir um novo caminho. Sempre lembrarei de suas entrevistas coletivas onde mesmo atrasado, ele respondia a todos nós. Mucha suerte, Muñeco, el Napoleón del Monumental.

Ser mulher no futebol brasileiro é um inferno

Fazer carreira fora, para quem pode, muitas vezes é uma válvula de escape

Foto: O Globo

Ser mulher no futebol brasileiro é, muitas vezes, um exercício diário de resistência. O preconceito atravessa todos os setores: começa na arquibancada, ecoa nas redes sociais e se infiltra dentro de campo, especialmente quando falamos de árbitras e repórteres. A cobrança é sempre maior, a desconfiança é automática e o erro — que para os homens é “normal do jogo” — para a mulher vira sentença definitiva. No Jornalismo Esportivo, então, a barreira é ainda mais cruel: não basta estudar, entender de tática, mercado e bastidores. É preciso provar, todos os dias, que você “merece” estar ali. Neste fim de semana, foi a vez da árbitra, Daiane Muniz, sofrer com comentários horríveis por parte de um jogador no Paulistão.

Enquanto isso, países vizinhos mostram que é possível fazer diferente. Em mercados como o mexicano e o argentino, as mulheres conquistaram mais espaço diante das câmeras, nos estúdios e na beira do campo — e, principalmente, mais respeito. Não é que não exista machismo, ele está em toda parte. Mas há abertura real para crescimento profissional. Lá, repórteres e apresentadoras não são vistas como “enfeite” de transmissão. São jornalistas de verdade. São protagonistas. São vozes que analisam, opinam e pautam. E além disso, são muito respeitadas pelas torcidas.

Eu tive a sorte — e digo sorte mesmo — de construir carreira no futebol mexicano e argentino. Se dependesse exclusivamente do mercado brasileiro, talvez eu não tivesse nem 70% da trajetória que consegui consolidar. Trabalhar fora me deu rodagem, autoridade e reconhecimento que, muitas vezes, são negados aqui dentro. É duro admitir, mas o Brasil ainda trata a mulher no esporte como exceção, quando ela já deveria ser regra.

E o problema vai além do campo. O Brasil vive um retrocesso preocupante em relação à vida e ao respeito à mulher. Durante anos, apontaram o dedo para o México como o país com uma das maiores taxas de feminicídio do mundo. Hoje, o Brasil flerta perigosamente com esse topo vergonhoso. O machismo estrutural que deslegitima uma árbitra é o mesmo que silencia uma vítima. A pergunta que fica é simples e dolorosa: até quando vamos tratar a presença feminina no futebol — e na sociedade — como algo que precisa ser tolerado, e não respeitado?

Galvão está mais leve e feliz no SBT

Narrador se mostra muito à vontade como em nenhuma outra fase de sua carreira

Foto: Arquivo Pessoal

A estreia de Galvão Bueno no SBT, marcada para o dia 02, tem um peso simbólico enorme na televisão brasileira. Depois de décadas sendo a voz oficial das Copas do Mundo na Globo, ele agora inicia um novo capítulo em uma emissora que sempre sonhou em tê-lo no elenco. Não é apenas mais um contrato: é a união de duas marcas fortes que, por caminhos diferentes, construíram história na TV aberta. O SBT sempre quis Galvão. E, no fundo, faltava mesmo essa marca do SBT na carreira dele.

O acordo vai muito além de um programa semanal. Galvão assinou inicialmente para narrar a Copa do Mundo de 2026 pela emissora — um movimento estratégico e histórico. A Copa sem Galvão parecia estranha para o público brasileiro, e o SBT entendeu isso. Ao garantir a voz mais emblemática do futebol nacional, a emissora dá um passo gigantesco na disputa por audiência e prestígio esportivo. Para Galvão, é a chance de escrever uma nova narrativa, agora vestindo outras cores.

A diferença no semblante dele é visível. No período em que esteve na Band, parecia que havia uma certa obrigação no ar — como se estivesse cumprindo tabela. Faltava brilho, faltava leveza. No SBT, ao contrário, ele aparenta estar solto, confortável, feliz. Existe uma energia diferente. A emissora de Silvio Santos tem essa característica de ser um canal com clima mais familiar, mais acolhedor, quase caseiro. E isso combina muito com alguém que sempre foi intenso, emocional e apaixonado como Galvão.

No fim das contas, parece ter sido a escolha certa. O SBT ganha força, ganha tradição esportiva e ganha um nome que atravessa gerações. Galvão ganha liberdade, entusiasmo e um novo desafio à altura da sua história. Ele se mostra muito mais à vontade para ser como é. E a Globo? Perde uma de suas vozes mais icônicas e está sem narrador bom de verdade para esse Mundial. A televisão é feita de ciclos — e este novo ciclo promete ser barulhento, emocionante e, ao que tudo indica, muito feliz.

Eduardo Domínguez, de perfil bilardista, deixa o Estudiantes LP após vitoriosa trajetória

Para seu lugar, Alexander Medina, Martín Palermo e Martín Demichelis são os favoritos de Verón

Foto: TyC Sports

Foi embora pela porta da frente! Eduardo Domínguez, técnico argentino de 47 anos, encerrou seu ciclo no Estudiantes de La Plata depois de quase três temporadas marcantes no comando do clube. Sua saída já estava confirmada e ele caminha para assumir o comando do Atlético Mineiro, no futebol brasileiro, deixando um legado de títulos e identidade tática construída passo a passo no Pincha. 

Domínguez chegou ao Estudiantes em março de 2023 com a missão de devolver ao clube a competitividade que ele não vinha tendo havia anos — e conseguiu exatamente isso. Em pouco tempo, construiu um dos ciclos mais vitoriosos da história recente do clube, conquistando cinco títulos oficiais: Copa Argentina 2023, Copa de la Liga 2024, Trofeo de Campeones 2024 e 2025 e o Campeonato Argentino (Clausura 2025). Esses triunfos colocam Domínguez entre os técnicos mais vencedores da história do Estudiantes, atrás apenas de lendas como Osvaldo Zubeldía

Sua passagem pelo Estudiantes foi marcada por um crescimento tático claro. Domínguez montou uma equipe sólida, organizada e difícil de ser batida: a equipe tinha forte base defensiva, equilibrava bem as transições e nunca deixava de ser competitiva nos momentos decisivos — características que fizeram a torcida reverenciar sua gestão, mesmo nos momentos de dificuldade. 

Segundo analistas e quem acompanhou o futebol argentino, o estilo de jogo de Domínguez é mais alinhado com uma corrente pragmática e competitiva, algo que puxa mais para o perfil bilardista do que para uma filosofia menotista pura. Isso não significa um futebol negativo — longe disso — mas sim um time que prioriza organização, intensidade e equilíbrio, muito presente nos times que ele treinou. A ideia central parecia sempre ser conseguir o resultado com disciplina tática e solidez defensiva, características que ressoam com a escola de Bilardo, focada em organização e resultado. 

Treinar o Estudiantes, para ele, foi mais que uma etapa profissional: foi um projeto de reconstrução de identidade competitiva. Domínguez chegou num momento em que o clube vivia um jejum de títulos nacionais importantes e conseguiu devolver ao Pincha uma aura vencedora — títulos que não vinham há mais de uma década — e, principalmente, um estilo claro de jogo que uniu defesa e capacidade de decisão em fases cruciais. 

A decisão de sair nesse momento tem cara de oportunismo profissional: com os títulos já conquistados e uma oferta sólida do Atlético Mineiro, Domínguez entendeu que era o momento de buscar um novo desafio e avançar na sua carreira fora da Argentina. Além disso, fatores como a pressão natural de um desmantelamento de elenco e a vontade de experimentar o futebol brasileiro também influenciaram. 

No fim, sua passagem pelo Estudiantes fica como um dos capítulos mais vitoriosos e bem-construídos da sua carreira: títulos, estilo, legado e reconhecimento tático. Saída com a cabeça erguida, com a sensação de missão cumprida — e, claro, com a porta aberta para novos desafios. Para assumir a equipe pincha de La Plata, os candidatos principais são Martín Palermo, Alexander Medina e Martín Demichelis. Os três tem formação na tradicional escola de treinadores Vicente López.

Treinadores passam vergonha sobre o novo caso de racismo contra Vini Jr

Apenas Pep Guardiola e Vincent Kompany saíram em defesa do jogador

Foto: El País

O racismo no futebol está cada vez mais feio, mais escancarado e mais vergonhoso. Não é exagero, é constatação. O que antes era tratado como “caso isolado”, virou rotina constrangedora. Dentro de campo, se comete crime — porque racismo é crime — e muitas vezes a punição é simbólica, branda ou simplesmente inexistente. A sensação é de impunidade. De que o talento negro entretém, mas a dignidade negra segue sendo negociável.

Nesta última semana, mais uma vez, Vinícius Júnior esteve no centro de um episódio que expõe essa ferida aberta do futebol europeu. Um dos melhores jogadores do mundo, decisivo, protagonista, campeão — e ainda assim tratado como alvo. O silêncio constrangedor de muitos técnicos e dirigentes foi ensurdecedor. Alguns preferiram relativizar, outros minimizaram. É sempre o mesmo roteiro: pedem “calma”, falam em “contexto”, como se o contexto justificasse ofensa racial.

Poucos tiveram coragem de se posicionar de maneira firme. Pep Guardiola, no Manchester City, e Vincent Kompany, do Bayern de Munique, foram exceções ao condenar com clareza o racismo sofrido por Vini. Kompany ainda foi veemente sobre a vergonhosa atitude de José Mourinho, técnico do Benfica, no jogo contra o Real Madrid. Do outro lado, declarações como a de Filipe Luís, na noite de quinta (19) na Argentina, tratando o caso como “isolado”, soaram como um tapa na cara. Isolado? Quantas vezes mais vai ser “isolado”? Quantos episódios precisam acontecer para deixar de ser tratado como exceção e passar a ser reconhecido como estrutura? Ou Filipe Luís só disse isso porque estava no país do autor das falas racistas, Gianluca Prestianni?

E a contradição dói ainda mais quando olhamos para o Brasil. Em plena semana de Carnaval, exaltamos a cultura africana nas avenidas, nos enredos, nas baterias, na estética, na fé. O samba que ecoa na Sambódromo da Marquês de Sapucaí nasce da resistência negra. Antes mesmo da avenida existir, Tia Ciata já plantava as sementes do que viria a ser o maior espetáculo da Terra. O Carnaval só existe porque povos negros preservaram sua cultura, sua espiritualidade, sua musicalidade. E ainda assim há quem diga, com arrogância, que “tem muita África” ou “muita macumba”. Ora, a raiz do Carnaval é africana. A raiz do Brasil é negra. Quer que falem de quem? Da Branca de Neve?

O que acontece com Vini Jr. não é apenas sobre futebol. É sobre identidade, sobre poder, sobre quem pode brilhar e quem incomoda quando brilha demais. O Brasil é um país que ama a cultura negra, consome a cultura negra, lucra com a cultura negra — mas ainda falha vergonhosamente em proteger pessoas negras. O racismo no futebol é o espelho de uma sociedade que ainda precisa encarar sua própria história. E enquanto tratarmos crime como incidente isolado, continuaremos passando vergonha. Dentro e fora de campo.