Autor: Opina Babi

Jornalista | Social Media, 31 anos.

Cada vez mais insuportável ir ao cinema, pois ninguém cala a boca

Adultos sem educação e crianças barulhetas estragam a experiência de toda sessão

Foto ilustrativa. (Arquivo pessoal)

Ir ao cinema já foi uma experiência especial. A expectativa de ver um grande lançamento na tela gigante, com som de qualidade e a emoção de dividir aquele momento com outras pessoas era parte da diversão. Só que, de uns tempos para cá, isso tem se tornado cada vez mais raro. O problema não está nos filmes, mas no comportamento do público, que parece ter esquecido completamente as regras básicas de convivência.

Hoje em dia é praticamente impossível assistir a uma sessão sem algum tipo de incômodo. Tem adulto que passa o filme inteiro conversando e fofocando como se estivesse na sala de casa. Tem criança fazendo barulho, falando durante o filme todo e correndo pelo corredor enquanto os pais simplesmente ignoram a situação. E ainda há quem ache normal tirar fotos com flash ou gravar trechos — às vezes o filme inteiro — com o brilho da tela no máximo, atrapalhando todo mundo que pagou para assistir à sessão.

Como se isso não bastasse, a chamada “geração Enzo” parece ter transformado o cinema em um lugar de entra e sai. É gente levantando da poltrona a todo instante, entrando e saindo da sala várias vezes, falando alto e mexendo no celular sem qualquer preocupação com quem está ao redor. A sensação é de que o respeito pelo espaço coletivo ficou em segundo plano.

No fim das contas, fica difícil justificar o alto preço dos ingressos, da pipoca e do estacionamento para ainda ter que enfrentar tanto estresse. Não é à toa que cada vez mais pessoas preferem esperar alguns meses para assistir ao filme no conforto de casa. Pode não ter a tela gigante nem o som de um cinema, mas pelo menos existe uma garantia: ninguém vai ficar conversando, atrapalhando, usando flash, iluminando a sala com o celular ou estragando a experiência de quem só queria aproveitar um bom filme em paz. Mais um lazer que se tornou uma batalha infernal no dia a dia!

“Homem-Aranha: Um Novo Dia” traz enfim o amadurecimento do herói

Protagonista deixou de ser aquele adolescente que falava com a voz fina “Senhor Xtarqui, Senhor Xtarqui”; Parceria com Justiceiro é ponto alto do filme

Foto: Arquivo Pessoal

Homem-Aranha: Um Novo Dia é um bom filme, mas eu esperava mais. Depois de tanta promessa e expectativa, saí da sessão com a sensação de que faltou alguma coisa para realmente marcar. O roteiro funciona, a história é interessante e o filme entrega um protagonista mais maduro, mas não chega a surpreender como muitos imaginavam.

O maior acerto é justamente mostrar um Peter Parker mais adulto. Finalmente deixaram para trás aquele Homem-Aranha que vivia no modo “Senhor Xtarqui, Senhor Xtarqui” com o Homem de Ferro e parecendo um adolescente inseguro o tempo todo. Agora ele assume de vez o papel de herói, descobre mais sobre si mesmo e mostra que consegue caminhar com as próprias pernas.

Quem estava esperando que o filme servisse como uma grande preparação para Vingadores: Doomsday também pode se decepcionar. Apesar de ser o único filme da Marvel antes do próximo grande evento, ele praticamente não faz ligação com os Vingadores. O foco é reorganizar o universo do Homem-Aranha, deixando essa fase mais consistente e dando uma identidade própria ao personagem, sem ficar preso ao que aconteceu nos filmes anteriores.

Os vilões cumprem seu papel, mas não são nada extraordinários. Quem realmente deixa o filme mais interessante é a parceria com o Justiceiro, que rende alguns dos melhores momentos da história. No fim das contas, Homem-Aranha: Um Novo Dia vale o ingresso, mas, para mim, vale o salgadinho da Americanas ou, no máximo, uma pipoca simples. O combo do cinema fica reservado apenas para quem é muito fã do Homem-Aranha.

Outro bilhão: ‘Toy Story 5’ atinge marca sendo o queridinho das férias no cinema

Animação da Pixar é o terceiro filme do ano a alcançar sonhada bilheteria bilionária

Foto: Disney+

Antes de tudo, vale destacar um feito impressionante para Hollywood. Pela primeira vez em 2026, três filmes já ultrapassaram a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial. Vale a marca para compensar o ano fraco de filmes em 2025. O trio é formado por: Super Mario Galaxy: O Filme, Michael e, agora, Toy Story 5. O número mostra que as grandes franquias e produções-evento continuam sendo a principal força para levar milhões de pessoas aos cinemas ao redor do mundo. 

O primeiro a atingir esse patamar foi Super Mario Galaxy: O Filme, que confirmou o enorme sucesso da parceria entre Nintendo e Illumination. Depois de uma estreia gigantesca, o longa manteve um excelente ritmo nas semanas seguintes e se tornou o primeiro lançamento de 2026 a superar US$ 1 bilhão, reforçando o poder da marca Mario também nas telonas. 

Na sequência veio Michael, cinebiografia de Michael Jackson. O filme conquistou fãs do Rei do Pop e também o público em geral, transformando a nostalgia em números históricos. O longa chegou a ultrapassar a arrecadação de Super Mario Galaxy e assumiu a liderança atual da bilheteria mundial de 2026, consolidando-se como uma das biografias mais bem-sucedidas da história do cinema. 

Agora foi a vez de Toy Story 5 entrar para esse seleto grupo. A nova aventura de Jessie, Woody, Buzz e companhia repetiu o enorme sucesso da franquia e acaba de ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão, tornando-se o terceiro filme lançado em 2026 a alcançar esse feito. Com isso, o ano já entra para a história como um dos mais fortes do cinema recente, e ainda há grandes estreias pela frente que podem aumentar essa lista de produções bilionárias. O próximo da lista com certeza será A Odisseia.

Existem 89 cidades mais violentas do que o Rio no país

Parem de demonizar a cidade mais bonita do mundo

Foto: Arquivo pessoal

Todos os anos, quando um novo ranking das cidades mais violentas do Brasil é divulgado, muita gente imagina que o Rio de Janeiro ocupará uma das primeiras posições. Afinal, a cidade está diariamente nos noticiários nacionais por causa de operações policiais, confrontos e episódios de violência. No entanto, os dados mais recentes mostram um cenário diferente: entre os municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, o Rio de Janeiro aparece apenas na 90ª posição do ranking de cidades violentas. Em outras palavras, existem 89 cidades com índices mais elevados de violência do que a capital fluminense.

Isso não significa que o Rio de Janeiro não tenha problemas graves de segurança pública. Tem, e eles precisam ser enfrentados. Mas os números mostram que a percepção criada em torno da cidade muitas vezes não corresponde ao retrato estatístico do país. A líder do ranking é Maranguape, no Ceará (famosa por ser citada na Escolinha do Professor Raimundo). Seguida por diversos municípios do Nordeste, enquanto outras grandes cidades brasileiras também apresentam indicadores mais altos do que o Rio em determinados levantamentos. Os dados reforçam que a violência é um desafio nacional e não um problema exclusivo da capital fluminense.

A enorme exposição do Rio de Janeiro na mídia ajuda a explicar essa percepção. Por ser um dos principais cartões-postais do Brasil e uma cidade conhecida internacionalmente, qualquer ocorrência de grande impacto ganha repercussão imediata dentro e fora do país. Isso acaba fazendo com que muitas pessoas associem automaticamente o Rio à cidade mais perigosa do Brasil, quando os levantamentos estatísticos mostram uma realidade mais complexa e distribuída por diferentes regiões do país. A própria metrópole paulistana está à frente do RJ nesse ranking.

Ao mesmo tempo, reduzir o Rio de Janeiro apenas aos seus problemas de segurança é ignorar tudo o que a cidade representa. Sua combinação de praias, montanhas, florestas urbanas, patrimônio histórico e paisagens naturais continua sendo única. O Rio tem desafios importantes, como tantas outras cidades brasileiras, mas também possui uma beleza singular que o transformou em um dos destinos mais admirados do mundo. Reconhecer seus problemas é necessário, mas isso não impede de reconhecer que existe uma energia e uma beleza absoluta na cidade maravilhosa. O Rio tem problemas que qualquer outra cidade tem, mas só o Rio tem belezas que nenhuma outra no mundo tem.

Legado de Preta Gil vai além do carnaval de rua do RJ, pois fez muitos brasileiros cuidarem melhor do intestino

Câncer de colorretal, enfrentado pela artista, é o terceiro que mais mata no país

Foto: Instagram

Assisti ao documentário “Preta: Eu não ando só”, no Globoplay. O legado de Preta Gil vai muito além da música, da televisão ou da revolução que ajudou a promover no carnaval de rua do Rio de Janeiro. Ao longo da carreira, ela se tornou um símbolo de liberdade, representatividade e alegria, conquistando milhões de brasileiros com sua autenticidade. Mas foi em um dos momentos mais difíceis de sua vida que ela deixou uma das contribuições mais importantes para a saúde pública: transformar sua luta contra o câncer colorretal em um alerta para todo o país.

Ao compartilhar cada etapa do tratamento de forma transparente, Preta fez com que milhares de pessoas passassem a prestar mais atenção aos sinais do próprio corpo. O câncer colorretal no Top3 entre os que mais matam no Brasil, mas, quando descoberto precocemente, as chances de tratamento e cura aumentam significativamente. Sua coragem ajudou a quebrar tabus sobre um tema que muitos evitavam discutir, incentivando exames preventivos e consultas médicas diante de sintomas que antes eram frequentemente ignorados.

Essa conscientização também levou muitas pessoas a entenderem melhor a importância do intestino para a saúde. Não é por acaso que ele costuma ser chamado de “segundo cérebro” do corpo humano, devido à forte ligação com o sistema nervoso e ao papel essencial na imunidade, na absorção de nutrientes e no equilíbrio do organismo. Cuidar da saúde intestinal é cuidar da qualidade de vida, e Preta Gil contribuiu para que esse assunto deixasse de ser negligenciado.

Por isso, seu legado permanecerá vivo não apenas nos palcos, nos trios elétricos e na cultura brasileira, mas também na vida de pessoas que decidiram procurar um médico, realizar exames preventivos ou mudar seus hábitos após conhecerem sua história. Preta mostrou que a coragem de compartilhar uma batalha pessoal pode salvar vidas. E talvez essa seja uma de suas maiores heranças para o Brasil.

João Carreiro & Capataz: Diretor de DVD nunca lançado pela dupla conta o que aconteceu com o ‘Ao Vivo em Cuiabá’

Projeto foi gravado para consolidar a carreira de JC&C, mas separação interrompeu um caminho promissor

Foto: Blognejo

O lendário DVD Ao Vivo em Cuiabá, gravado por João Carreiro & Capataz e produzido musicalmente por Zé Renato Mioto, em 2013, tornou-se um dos maiores mistérios da história da música sertaneja. Naquele momento, a dupla vivia o auge da carreira e caminhava para se consolidar como a maior representante do chamado sertanejo bruto, movimento do qual foi pioneira e grande inspiração para a atual geração. Com os maiores cachês do país, principalmente nos rodeios e nas cidades do interior, João Carreiro & Capataz estavam no boom da popularidade quando a inesperada separação colocou um ponto final naquele ciclo.

Após o fim da dupla, João Carreiro precisou se afastar para tratar uma forte depressão. Sua volta aos palcos aconteceu apenas em 2014, em uma participação no DVD de Fiduma & Jeca. No mesmo período, Capataz seguiu sua trajetória ao lado de Carreiro, formando a dupla Carreiro & Capataz. Enquanto cada um reconstruía sua carreira, o destino do grandioso DVD gravado em Cuiabá permanecia uma incógnita, alimentando a curiosidade dos fãs por mais de uma década, especialmente após a morte de João Carreiro.

A resposta, infelizmente, é tão triste quanto definitiva. Segundo Jacques Junior, diretor do projeto — o mesmo responsável pelo primeiro DVD da dupla, Bruto, Rústico e Sistemático, gravado em Maringá em 2009 —, o material foi perdido. Na época, as gravações eram armazenadas em HDs que, com o passar dos anos, acabaram se deteriorando. Jacques chegou a armazenar as imagens – que estavam sem o áudio devido à questão de produção musical – por muitos anos. Quando ainda existia a possibilidade de guardar ou recuperar esse conteúdo, o então empresário da dupla, Léo, foi procurado e teria pedido que o material fosse descartado, encerrando qualquer chance de que aquele registro chegasse ao público. O diretor do DVD revelou os bastidores em entrevista ao Tem Base Podcast.

Jacques ainda comentou que não se lembra de ter mandado os arquivos pra alguém antes de perder de vez o material. Hoje, o “Ao Vivo em Cuiabá” permanece apenas na memória de quem esteve presente naquela noite e de pouquíssimas pessoas que conseguiram assistir às imagens antes de desaparecerem para sempre. Entre elas está Marcão Blognejo, que acompanhou a trajetória de João Carreiro & Capataz desde o início e teve a oportunidade de ver a gravação ao lado de Jacques Junior. Para todos os outros fãs, restou apenas a imaginação. Um capítulo importante da história do sertanejo e da carreira brilhante de João Carreiro que, infelizmente, jamais poderá ser revivido.

O repertório do Ao Vivo em Cuiabá foi:

1. Volta pro meu coração 

2. Oi nóis Traveis 

3. Ela é muito boa/ Tá bagunçado, mas tem gerência/ Campo Grande Cuiabá/Judiação 

4. Prefácio 

5. Audácia Pura (samba) 

6. Lampião/ Cada um com seus problemas/ Do jeito que eu penso/ Não toca em minha vitrola Lágrimas de Crocodilo/ Prefiro os Tubarões

7. Disgramô o Goiás (inédita) 

8. Preta/ Papel Branco

9. Viola e Cantador/ Casinha Verde/ Maldade de um falso amor/ Se é amor não tem nada que apague

10. Primeiro brinquedo 

11. O que essa moça fez aqui 

12. É pra cabá 

13. Sete Sentidos 

14. Melhor do Brasil/ O que será que nóis não tem/ Mangueira

15. Cadê

16. Cemo porque cemo

17. Bom Demais / Faculdade da Pinga/ Xique Bacanizado 

18. Tudo em nome do poder

19. Tributo Raul Seixas: Aluga-se/ Trem das Sete/ Rock das Aranha (Fonte: Uol Música)