F1 na Globo continua um velório

Somente Mariana Becker faz a transmissão render fora do Jornalismo engessado

Foto: Sky Sports

Tem corrida de madrugada que compensa o sacrifício. O GP do Japão deste fim de semana… definitivamente não foi uma delas. A gente já entra na missão sabendo que vai brigar contra o sono, mas espera pelo menos uma recompensa: emoção, disputa, alguma coisa que justifique estar acordado naquele horário. Só que, quando a corrida não empolga e a transmissão também não ajuda, vira praticamente um teste de resistência. A TV Globo até carrega o peso da tradição, mas entrega uma narração engessada, fria, mais preocupada em ser informativa do que envolvente. Falta ritmo, falta vibração — e sobra aquela sensação de que você podia simplesmente ter dormido.

Apenas Mariana Becker se destaca, como já disse no texto sobre o GP da Austrália. Dentro da pista, pelo menos, teve história sendo escrita. Kimi Antonelli venceu mais uma vez na Fórmula 1, conquistando sua segunda vitória consecutiva na carreira — e mostrando que não é mais promessa, é realidade. O pódio foi completado por Oscar Piastri, que salvou o fim de semana da McLaren com um segundo lugar sólido, e Charles Leclerc, colocando a Ferrari no terceiro degrau. Um pódio jovem, interessante, até simbólico… mas que, sinceramente, não foi acompanhado por uma corrida à altura.

E aí entra a frustração: a McLaren até aparece no pódio, mas não convence. Parece aquele time que chega, mas não assusta. Fica ali, no “quase”, sem brigar de verdade pela vitória. Depois de dar sinais de reação, volta a ser a famosa “McLata” que o torcedor já conhece — muita expectativa, pouca imposição. O segundo lugar de Piastri é mais um alívio do que um sinal de domínio. Falta aquele passo a mais, aquela agressividade de quem quer ganhar corrida, não só participar.

No fim das contas, o GP do Japão resume bem esse momento: novos nomes surgindo, histórias interessantes acontecendo… mas embaladas de um jeito que não prende. A Fórmula 1 continua gigante, claro, mas precisa entender que não é só sobre o que acontece na pista — é também sobre como isso chega até a gente. Porque, do jeito que foi, ficou difícil competir com o travesseiro. Mais uma vez, F1 é entretenimento e diversão, não é cobertura de guerra.

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