El Muñeco dá segundo adeus ao clube que transformou sua história. Foi o técnico que mais cobri na Argentina e guardarei os bons momentos

A segunda passagem de Marcelo Gallardo pelo River Plate terminou de forma melancólica. Depois de um ciclo marcado por derrotas doloridas, eliminações precoces e um time que nunca conseguiu engrenar de verdade, o treinador decidiu pedir demissão nesta segunda-feira e se despede do time contra o Banfield na quinta-feira desta semana. El DT deixa o clube após 35 vitórias, 32 empates e 17 tenebrosas derrotas. Para quem construiu uma era histórica no clube, a saída deixa um gosto amargo — principalmente porque, desta vez, não houve títulos que sustentassem o discurso de reconstrução.
Na primeira etapa, Gallardo foi sinônimo de glória: 2 Libertadores, somou títulos nacionais, finais épicas e um River protagonista na América do Sul. Mas o futebol não vive de passado, e essa segunda passagem acabou atravessada por instabilidade, elenco irregular e um rendimento muito abaixo do que a torcida do Monumental se acostumou a ver. A pressão aumentou rodada após rodada, e o ambiente, que antes era de idolatria absoluta, passou a ser de cobrança constante até culminar na decisão pela saída.
Agora, a diretoria se movimenta para definir o novo comandante. O favorito neste momento é Eduardo Coudet, que desponta como o principal nome da lista. Logo atrás aparece Ariel Holan, tratado como segunda opção mais forte. Na sequência surge Pablo Aymar, ídolo do clube e nome que agrada pela identificação com a casa. Também estão no radar Gabriel Milito, Martín Palermo, Ramón Díaz e Hernán Crespo — todos com perfis distintos e diferentes propostas de jogo.
A decisão não será simples. O River precisa escolher mais do que um treinador: precisa definir que rumo quer tomar após um ciclo frustrado. Substituir Gallardo, mesmo em baixa, é uma responsabilidade enorme. Comandar a equipe do Monumental exige protagonismo, intensidade e títulos. Quem assumir terá a missão de reconstruir a confiança e recolocar o clube no lugar onde sua torcida acredita que ele nunca deveria ter saído: no topo da Argentina e da América.
Marcelo Gallardo foi o técnico que mais cobri na Argentina. Comecei a ver sua trajetória ainda no Nacional (URU), onde ele já se destacava com o cabelo todo bagunçado e uma visão de jogo diferenciada. Sua chegada no River tirou o time de um lamaçal e transformou toda uma estrutura, que começa do porteiro do CT River Camp aos jogadores que passaram por suas mãos na Glória Eterna contra o Boca Juniors em 2018. Apesar da sua estátua em Núñez ser bem estranha, na minha opinião, ele se tornou gigante como o clube. Mas precisa seguir um novo caminho. Sempre lembrarei de suas entrevistas coletivas onde mesmo atrasado, ele respondia a todos nós. Mucha suerte, Muñeco, el Napoleón del Monumental.