Marty Supreme: Filme feito só para Chalamet ganhar o Oscar

Foto: CBS Tv

Apesar de partir de uma história interessante, Marty Supreme é daqueles filmes que prometem intensidade, mas entregam lentidão. A premissa tem força, tem conflito, tem potencial dramático. Só que a narrativa parece patinar em câmera lenta, como se cada cena precisasse provar que é profunda demais para ser simples. O resultado é um longa arrastado, que exige paciência do espectador e testa a boa vontade de quem entrou na sala esperando algo mais pulsante.

Há uma sensação constante de que o filme foi construído sob medida para uma campanha de premiações. Cada enquadramento calculado, cada silêncio prolongado, cada close dramático parece sussurrar: “Oscar is coming”. Não é que a obra não tenha qualidades — tem. Mas o roteiro se perde em repetições emocionais e em diálogos que se alongam além do necessário, sacrificando ritmo em nome de “importância”.

É aí que entra Timothée Chalamet. A atuação dele, sim, é o motor que mantém o filme vivo. Chalamet entrega camadas, intensidade e vulnerabilidade com uma naturalidade impressionante. Ele sustenta cenas que, nas mãos de outro ator, poderiam desabar sob o próprio peso. Quando ele está em cena, o filme respira. Quando não está, a narrativa parece perder oxigênio.

Marty Supreme não é um desastre — longe disso. Mas é um daqueles casos em que o desempenho individual supera o conjunto da obra. Fica a impressão de que assistimos menos a um filme orgânico e mais a uma vitrine cuidadosamente montada para consolidar um nome na temporada de prêmios. E, no fim das contas, é Chalamet quem faz o longa andar. Sem ele, talvez nem saísse do lugar.

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