Enredo sobre mestre de bateria da escola mostra muitas cartas na manga para comunidade crescer na avenida

A Viradouro chega com um enredo que muita gente ousou subestimar: Mestre Ciça, uma narrativa rica, profunda e com peso cultural suficiente pra virar o jogo no Sambódromo. Durante meses, teve crítico dizendo que o tema era fraco, que faltava impacto, que a escola não teria fôlego pra repetir o nível altíssimo dos últimos anos. Pois bem: quem menosprezou esse enredo pode, sinceramente, desistir do carnaval. Porque aquilo que criticaram do enredo da Viradouro não tá escrito. E o samba… ah, o samba é aquele tipo que cresce, que vai tomando forma nos ensaios, que amadurece na quadra até virar furacão na avenida.
O pré-carnaval já deixou isso explícito. O samba da Viradouro tem crescido de um jeito absurdo nos ensaios — daqueles que você escuta em agosto e acha ok, mas em dezembro já está cantando de mão pro alto, sem perceber. A comunidade comprou a ideia, o carro de som entendeu a alma do enredo e o casamento entre melodia e narrativa tá redondo. E quando a comunidade canta com verdade, é questão de tempo até explodir na Sapucaí. A Viradouro sabe fazer isso como ninguém hoje. E com o trunfo a mais, pela volta de Juliana Paes à frente da bateria como rainha.
Falar de Mestre Ciça é abrir espaço pra uma ancestralidade que emociona. Assim como o Salgueiro entregou um desfile histórico homenageando Mestre Louro e o Tambor em 2009 — e levou o título com um dos sambas mais emblemáticos do século — a Viradouro tem nas mãos uma história com potência semelhante. Ciça é fundamento, é resistência, é a memória viva dos terreiros e da música afro-brasileira. Um enredo desses, quando tratado com respeito e grandeza, vira diferencial. Vira título. E ninguém duvide disso.
A verdade é que a Viradouro virou uma máquina de fazer carnaval. Está pra Sapucaí assim como a Mocidade Alegre está pra São Paulo: regular, forte, técnica, agressiva e cada vez mais madura. Se entregar o que promete — e tudo indica que vai — esse desfile vai ficar ali nas cabeças. E se o samba crescer na avenida do jeito que tá crescendo nos ensaios… meu amigo, segura. Porque a Vermelha e Branca tá vindo pra brincar de verdade.