Ninguém aguenta mais regravações no sertanejo!

Repertório já saturou. E agora, de quem é a culpa? – como dizia Marília

Foto: @flavinhocoelho

Ninguém aguenta mais! O sertanejo virou um looping eterno de regravações — e o pior: agora nem é mais só de modão antigo ou anos 90/2000. Estão regravando pop, pagode, forró e até NXZero como se fosse uma moda do Sabadã Sertanejo do Gugu. O repertório parece ter acabado e, junto com ele, a criatividade para inovar. O que antes era um gênero de originalidade, que dava palco para novas histórias e melodias liderando o mercado, hoje virou um grande karaokê de hits reciclados sendo engolido por outros gêneros musicais.

E aí vem a pergunta: De quem é a culpa? Os compositores garantem que o material inédito existe — e de qualidade. Mas o problema, segundo eles, começa nas audições. Os artistas chegam procurando o hit pronto, a “música bagaceira” que vai render dancinha, viral no TikTok e agenda cheia pelo Brasil. Pouco importa se a letra tem alma, se a melodia emociona ou se vai durar. O importante é estourar, nem que seja por quinze dias e alavancar o cachê.

O resultado disso é um mercado medroso e preguiçoso, onde todo mundo quer copiar o sucesso do outro. A cada semana, um novo lançamento “inspirado” em alguém ou um ep cheio de regravações batidas. O sertanejo, que sempre foi o espelho da vida real, das paixões e sofrência do povo, perdeu muito da sua essência. Hoje o foco é o hit passageiro, não a canção que marca uma geração. E as regravações que poderiam ser revisitadas sem problemas, também saturou o ouvido do público. Os artistas ficam no óbvio como por exemplo: “Vamos regravar Rick & Renner”. “Qual vai ser: Ah, a Feiticeira…” que na verdade se chama “Ela é Demais” (Elias Muniz).

A discussão ganhou um novo capítulo nessa noite quando o músico Flavinho Coelho, conhecido por seus marcantes violões nos álbuns de João Bosco & Vinícius, fez uma enquete em seu perfil perguntando justamente isso: A culpa é do artista ou das músicas sem qualidade? O resultado foi um empate técnico — e simbólico. Porque, no fundo, o problema é coletivo. Falta coragem dos artistas e falta ousadia de todos no mercado para apostar no novo.

A verdade é que o público também tem parcela nisso. O consumo rápido alimenta a pressa dos artistas, e o ciclo se repete: quanto mais descartável o gosto, mais descartável a música. Mas o sertanejo sempre renasce — e talvez esteja chegando a hora de uma nova virada, em que o original volte a valer mais que o reciclado. Porque se é pra ouvir regravação, que pelo menos seja do próprio artista se regravando (em um DVD ao vivo de verdade, sem aquela mixagem que deixa a plateia com voz de auditório do Ratinho nos áudios quando lançado). O sertanejo precisa voltar a contar histórias novas — não apenas repetir refrões. Mas quem fará isso sem medo e parar de ficar escorado nas regravações dos outros?

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