
O live-action de Lilo & Stitch surpreendeu ao ultrapassar a marca de US$ 1 bilhão em bilheteria mundial, tornando-se o primeiro filme americano de 2025 a atingir tal feito. Apesar do sucesso comercial, a produção dividiu opiniões — especialmente entre os fãs mais antigos da animação original da Disney, lançada em 2002. Para muitos, o valor nostálgico da história não foi respeitado, e a nova versão ficou aquém do que se esperava de uma adaptação de um dos desenhos mais queridos dos anos 2000.
O roteiro foi uma das maiores críticas feitas ao longa. A história, que no desenho misturava emoção, humor e uma dose generosa de sentimento de pertencimento, foi simplificada demais no live-action. Personagens marcantes perderam complexidade, diálogos foram esvaziados e o tom sensível da relação entre Lilo, Nani e Stitch deu lugar a soluções rasas e forçadas. O resultado é um filme com ritmo arrastado, que tenta compensar a falta de profundidade com cenas “fofas” em excesso, apostando mais no apelo visual do alienígena do que no vínculo afetivo que ele representa.
Outro ponto bastante criticado foi o cenário. A ilha do Havaí, que na animação tinha presença viva, com cultura local visível e bem representada, foi retratada de forma genérica e quase artificial, assim como a estranha casa de Lilo e sua irmã. Faltou autenticidade, faltou cuidado com os detalhes que faziam a ambientação original ser tão encantadora. Essa superficialidade incomodou especialmente quem cresceu com o desenho e conhecia cada detalhe da história original. Para esses fãs, o live-action entregou apenas uma sombra pálida do que um dia foi uma obra rica em alma e identidade.
Enquanto isso, a chamada “geração Enzo”, público mais jovem e muitas vezes mais focado em estética e redes sociais do que em fidelidade à obra original, saiu satisfeita das sessões. O visual modernizado, o Stitch carismático em CGI e algumas piadas adaptadas à linguagem atual renderam muitos clipes virais e postagens animadas. Mas, para quem esperava uma adaptação emocionalmente honesta e respeitosa, o bilhão conquistado pelo filme tem gosto amargo — é o triunfo do marketing sobre a memória afetiva.