Karate Kid – Legends: Estilo “Sessão da Tarde”, filme entrega no fanservice

Não precisa assistir a todos os filmes da franquia para se divertir e entender o roteiro – como faz a pirâmide da Marvel

Foto: Arquivo pessoal

Karate Kid – Legends é aquele tipo de filme que acerta em cheio quem cresceu admirando os ensinamentos de Sr. Miyagi ou se emocionou com os embates de Daniel LaRusso e seus rivais. Hoje assisti ao longa e, com toda sinceridade, saí com um sorriso no rosto. Ele não tenta ser o filme mais original ou premiado do ano — e nem precisa. O que ele entrega é puro fanservice feito com carinho, embalado por uma narrativa que mescla ação, emoção e aquela boa dose de nostalgia que faz a gente se sentir em casa.

O roteiro, embora simples, é envolvente. Tem ritmo, tem coração e, principalmente, tem respeito pelos personagens e pela mitologia da franquia. O estilo é totalmente “Sessão da Tarde” — no melhor dos sentidos. É leve, direto, cheio de momentos clássicos de superação e reviravoltas previsíveis que a gente já espera, mas que continuam funcionando. As cenas de ação são bem coreografadas e pontuadas por um sentimento de legado, mostrando que o espírito do karatê vai muito além dos tatames.

É verdade que não estamos diante de uma obra-prima. Esse não é um filme que vai disputar Oscar nem mudar os rumos da sétima arte. Mas ele não tem essa pretensão. “Legends” foi feito para quem ama essa história, para quem vibrou com cada golpe e lição de vida ao longo das décadas. É um tributo que conversa com o passado e passa o bastão para o futuro, sem forçar modernidade nem perder a essência.

O filme também cumpre bem sua missão de mostrar como o esporte — neste caso, o karatê — é apenas a superfície de algo muito maior: a formação do caráter, a honra, o equilíbrio, a disciplina. Dessa vez, até o boxe tem espaço no filme como a nobre arte que faz sucesso em outras trilogias no cinema. Valores que continuam sendo o cerne da narrativa, mesmo com personagens novos ou mais velhos assumindo novos papéis. É bonito ver como a franquia consegue, com simplicidade, emocionar e inspirar sem precisar gritar. Ah, tem música do meu marido Dr. Dre (fanfic) na trilha sonora.

Por fim, Karate Kid – Legends é uma carta de amor aos fãs. E como fã, só posso dizer que fui bem correspondido. Ver Ralph Macchio e Jackie Chan juntos em cena é um presente para quem acompanhou suas trajetórias separadas no universo da franquia. A química entre os dois funciona e dá peso à ideia de legado. Ao lado deles, Ben Wang se destaca como o novo rosto do karatê, trazendo frescor e carisma ao personagem que representa a nova geração. Saí da sessão com a sensação de ter reencontrado velhos amigos e de que, mesmo com o tempo passando, algumas histórias ainda sabem lutar — e vencer — para nos fazer refletir sobre nossas batalhas do dia a dia.

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