
Há exatas duas décadas, a Calcinha Preta cravava seu nome na história do forró eletrônico com um dos maiores marcos do gênero: o DVD ao vivo em Belém do Pará. Gravado em 16 de abril do ano de 2005, o projeto vendeu mais de 1 milhão e 600 mil cópias, conquistando o Brasil com um espetáculo grandioso, ousado e popular como nunca antes visto no segmento. Belém virou o palco da consagração de uma banda que já era fenômeno no Nordeste e se consolidava como gigante em todo o país. Se o sertanejo considera o disco “Talismã” de Leandro & Leonardo a grande virada de chave no gênero, esse disco da Calcinha Preta foi a grande virada de chave do forró.
Esse DVD veio na sequência do estrondoso sucesso do primeiro ao vivo feito em Salvador, e não apenas manteve o padrão: elevou o nível de tudo. Em Belém, a Calcinha Preta inovou com o formato do palco que se conectava com 80 mil pessoas presentes na Arena Yamada e trouxe um repertório que simplesmente explodiu nas rádios e nos corações dos fãs. Sucessos grandiosos como “Manchete dos Jornais”, “Hoje a Noite”, “Mágica”, “Furunfa”, “Baby Doll” e “A Calcinha é Nossa” se tornaram hinos, e cada faixa nesse álbum parecia vir pronta para grudar na cabeça do público. Era um disco sem lados B — todas as músicas eram, literalmente, fenômenos nacionais.
A resposta do público que lotou a arena em Belém e vibrou a cada acorde foi imediata, consagrando a banda em seu primeiro auge conquistado em uma sólida carreira. Os arranjos de guitarra, com a assinatura inconfundível de Cloves Sena, deram peso e identidade à sonoridade da banda, aproximando o forró de outras vertentes e agradando até quem não se dizia fã do estilo. Outro ponto marcante foi a produção musical de Chrystian Lima, que entregou uma sonoridade apurada, envolvente e moderna.

Os figurinos do balé também viraram parte do espetáculo: roupas ousadas, brilhos, recortes e atitude. Junto deles, os icônicos figurinos dos vocalistas também parecia algo de novela — e isso fazia parte do charme de cada um. A estética visual da banda ajudava a comunicar que o forró também podia ser pop, fashion e contemporâneo. Silvânia Aquino, Daniel Diau, Raied Neto, Paulinha Abelha e Marlus Viana fizeram história com um estilo único visto no forró. No conjunto da obra, as vozes marcantes do quinteto fez cada canção ganhasse um toque mágico de tudo que estava sendo feito ali.
Inclusive foi também o primeiro DVD com a presença de Marlus Viana, que chegou com uma voz potente e um visual que lembrava um vocalista de banda de heavy metal, quase um cantor do Angra ou do Shaman. Mas foi justamente essa mistura improvável que deu certo. Marlus trouxe um tom romântico e explosivo que casou perfeitamente com a identidade sonora que a banda estava construindo – e ele nem precisou engolir “o navio e o mar” para isso. A Calcinha Preta mostrava que podia ter coração partido em suas letras melódicas, mas também representava muita atitude em seu repertório.
Vinte anos depois, esse álbum permanece como um marco. Não apenas para a Calcinha, mas para toda uma geração que aprendeu a amar o forró com violões marcantes, a guitarra como protagonista e as letras emblemáticas que encantam o público até hoje. Além de fazer todos furunfarem no momento de diversão. Uma banda que sempre foi muito mais do que uma revolução musical no forró: ela é a maior do Brasil, a maior do planeta — e o registro de Belém segue como prova viva desse título. Um clássico absoluto que nunca sai dos nossos ouvidos. E como sempre digo, esse foi o maior DVD de rock no Brasil, pois pra mim a banda é sinônimo de heavy metal pesado, além de forró.
Confira o Ao Vivo em Belém completo: