
Tem coisas que a gente custa a entender. Uma delas é ver artistas consagrados jogando o talento fora com escolhas duvidosas. Rionegro & Solimões estão atravessando uma dessas fases. A dupla, que ajudou a construir a identidade do sertanejo nos anos 90 e 2000, agora parece perdida, tentando seguir tendências que não combinam com sua essência. Estão errando como Bruno & Marrone: insistindo em músicas fracas, sem alma, como se isso fosse abrir espaço entre os artistas mais jovens. Spoiler: não vai.
Me surpreendi recentemente com um anúncio deles no instagram, oferecendo um pix de 400 reais para quem se cadastrasse na promoção e ouvisse a nova música “O Peão Voltou”. Tá aí uma coisa que só artista que necessita de engajamento faz em lançamento de música ruim. E outra: Nem pagando ouvirei algo produzido pelo produtor musical inominável deles, que – acredite – é aquele mesmo que tem estragado a vida de Bruno & Marrone. Coincidência? Infelizmente não!
Rionegro & Solimões têm repertório para cantar pelo resto da vida sem precisar lançar mais nada, assim como Leonardo e Zezé & Luciano, por exemplo. Uma dupla que já entendeu isso claramente são os conterrâneos de R&S vindos de Franca (SP), Gian & Giovani, que lançaram um projeto do Lado B deles mesmos recentemente. Se montassem um show só com os sucessos antigos de Rionegro & Solimões, seria um espetáculo de primeira — cheio de emoção, lembrança boa e respeito do público.
E o mais curioso é que, anos atrás, eles até arriscaram algo diferente com “O Cowboy Vai Te Pegar”. Era comercial, divertido e até funcionava dentro do seu tempo. Mas o que vem sendo lançado agora está muito abaixo da média. Falta inspiração, falta verdade. Não tem público jovem, nem experiente que goste. É como se estivessem tentando agradar um público que nem é o deles. E nessa tentativa de se reinventar a qualquer custo, estão se afastando justamente dos fãs que os colocaram onde estão. É triste ver artistas desse tamanho presos à ideia de que precisam parecer modernos o tempo todo. Não precisam. Precisam apenas ser eles mesmos.
Leonardo entendeu isso perfeitamente, como já citado. O cantor vai gravar um DVD com 50 clássicos da própria carreira. Isso é reconhecer o valor do próprio legado. É ter consciência do impacto que a sua história tem na vida das pessoas. Rionegro & Solimões poderiam seguir por esse mesmo caminho: olhar para trás com orgulho e usar isso como combustível, em vez de se perder tentando acompanhar modinhas que não têm nada a ver com eles.
Ainda dá tempo de virar esse jogo. Mas, pra isso, é preciso lembrar quem eles são. E lembrar que a história que eles construíram vale muito mais do que qualquer hit descartável. Inclusive, Rionegro teve composições incríveis feitas junto com o parceiro de caneta, Domiciano. Só essas obras gravadas principalmente por Chrystian & Ralf dariam um projeto surreal de diferente e com muita qualidade. Ah, difícil a vida de quem gosta de sertanejo atualmente, não é mesmo? Vamos ouvir as guitarras do Ximbinha mesmo, pra não passar mais raiva ainda!