Artistas sertanejos precisam parar de preguiça e valorizar podcast’s do segmento

Tem gente indo em podcast rezar na madrugada, mas não vai contar sua própria história em programas que valorizam a música que cantam;

(Foto: Batista Lima no Nordecast, uma das melhores entrevistas do forró nos últimos tempos)

O cenário dos podcast’s no Brasil cresceu absurdamente da pandemia pra cá, se tornando um dos principais meios para artistas contarem suas histórias e se aproximarem do público. No entanto, no sertanejo, tem acontecido algo curioso: vários cantores evitam os podcasts do próprio segmento. Quando surge um convite para falar sobre a carreira, sobre a cena sertaneja ou até relembrar histórias dos bastidores, muitos simplesmente não vão. Enrolam, dão desculpas e, quando aceitam, desmarcam em cima da hora. Mas esses mesmos artistas não têm problema nenhum em aparecer em podcast’s de outros nichos, onde a pauta quase nunca envolve música sertaneja e o entrevistador nem ouve seus projetos para saber do que está falando.

É comum ver cantores sertanejos indo em podcast’s de nicho até mesmo religioso, de comédia, de desenvolvimento pessoal ou até de futebol – FUTEBOL. Eles falam sobre fé, sobre crescimento profissional, sobre desafios da vida, mas evitam contar sua trajetória no sertanejo quando têm a chance de fazer isso em um espaço que realmente entende do assunto. Parece que falar sobre a própria história no meio onde construíram suas carreiras virou algo desconfortável para alguns. E quando são perguntados de alguns assuntos da carreira, evitam se aprofundar com medo de cancelamento na internet, dependendo do motivo.

Enquanto isso, no forró, a situação é completamente diferente. Os artistas do gênero não só participam de todos os podcast’s relevantes do Nordeste como também falam tudo o que pensam, sem rodeios. Em algumas entrevistas, eles chegam a olhar diretamente para a câmera e mandar recado para outras pessoas do meio, sem medo da repercussão. Eles entendem a importância de fortalecer a própria cena e manter o público engajado, sem fugir de conversas difíceis ou polêmicas. Recentemente, no mesmo podcast citado acima, um ex-empresário do cantoe Felipão, do Forró Moral, descascou o cantor ao ser entrevistado. Passou uns dias, o artista foi em um podcast concorrente e o respondeu. Quem ganhou com isso? O público, os envolvidos na discussão, os dois podcast’s e o segmento que teve assunto para falar a semana toda.

Outro exemplo legal de uma boa entrevista foi justamente a de Batista Lima, ex-vocalista da Banda Limão Com Mel. O cantor falou de absolutamente tudo o que foi perguntado e até desabafou em certos momentos. Não teve medo de falar de valores financeiros, polêmicas, composições dele, bastidores da banda e da carreira solo. Foi uma aula que ele deu aos colegas de profissão no quesito de como dar uma entrevista sincera. Já no sertanejo, os artistas parecem pisar em ovos o tempo todo. Seja cantor, produtor, empresário ou compositor. Quando dão entrevistas, são extremamente cuidadosos com as palavras, evitam tocar em determinados assuntos e, muitas vezes, preferem se esconder atrás de assessorias e contratos publicitários. Poucos se arriscam a ser autênticos e falar com sinceridade sobre os bastidores do gênero, as dificuldades da carreira ou até sobre a própria visão do mercado sertanejo.

A grande questão é: por que esse medo por parte dos sertanejos? Por que os próprios artistas do meio não valorizam os espaços feitos para falar sobre o gênero? Será que é receio de perguntas difíceis? Medo de criar desavenças? Ou simplesmente falta de interesse, preguiça? Enquanto isso, os fãs ficam sem ouvir as verdadeiras histórias de seus ídolos nos podcast’s que mais entendem do assunto, enquanto veem esses mesmos artistas falando sobre tudo – menos sobre sertanejo – em outros lugares. Todos do sertanejo saem perdendo com essa postura. Até quando?

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