
O cantor do topete mais bem cuidado do sertanejo, Léo Magalhães, chega a um momento especial da carreira em 2025. Ele gravou nesta quarta-feira (12) o novo DVD, celebrando os 20 anos de sua grande trajetória na música. Um caminho que começou no Nordeste e conquistou o Brasil inteiro, fez seu nome ser sinônimo de respeito e credibilidade no meio sertanejo. Algo que foi conquistado com muito trabalho, talento e uma voz que, mesmo carregando influências, se tornou única e inconfundível. Provável que esse seja seu maior legado até aqui.
Desde seu início, Léo teve como referência a escola de cantores como Zezé Di Camargo e Eduardo Costa, mas nunca foi uma cópia de nenhum deles. Sua voz tem uma identidade própria, um timbre marcante que o destacou mesmo em um mercado onde muitas vozes pareciam seguir um padrão com o estouro de Jorge & Mateus na época. Mas nem sempre esse reconhecimento foi imediato. No começo, seu sucesso caminhava lado a lado com os teclados e regravações de Zezé di Camargo & Luciano em seu primeiro DVD, gravado em São Luís, Maranhão. O estado, junto à Bahia, foram os primeiros a abraçarem sua carreira.
Em uma realidade que afetava os artistas de forma curiosa, era comum que discos de Léo Magalhães fossem vendidos com a capa de Eduardo Costa e vice-versa. Isso acontecia porque o público via semelhanças no estilo dos dois e, muitas vezes, nem sabiam exatamente quem estavam ouvindo. Mas com o tempo, o mercado se ajustou. Léo conquistou seu espaço com uma identidade própria após direcionar sua carreira de forma nacional. Assim como Eduardo Costa, que no início dos anos 2000 era vendido nos camelôs como “Zezé di Camargo Acústico”, mas também passou a ser reconhecido pelo próprio estilo. Outra coincidência na carreira de Léo e Eduardo é a música “Primeiro de Abril”, composta por Carlos Randall, Joel Marques e Serginho Pinheiro. Eles gravaram ela praticamente no mesmo ano. Quem ligava o rádio tinha a chance de reviver aquela fase, em que os dois artistas eram os mais vendidos do mercado informal e em seguida colheram o sucesso nos palcos. Inclusive, teremos o reencontro deles em um feat nesse novo projeto dos ‘20 anos de História’.
O grande ponto de virada na carreira de Léo veio em 2009, quando ele gravou seu segundo DVD ao vivo. Foi o primeiro nos moldes sertanejos, feito em Goiânia, com a produção do renomado Maestro Pinocchio. A capital goiana conhecida como o coração do sertanejo, foi o cenário perfeito para essa consagração. Léo estava chegando em Goiás para o seu primeiro show na região. Foi quando Pinocchio o conheceu e disse: “Olha, se você for cantar numa casa lotada só com esse teclado você não volta mais.” Ele precisava de estrutura, uma banda, arranjos e tudo que pudesse explorar melhor o talento que tinha para mostrar. Na noite da gravação, a casa de shows ficou lotada e o Brasil, enfim, passou a conhecer a voz pela qual o Nordeste já havia se encantado. Esse projeto elevou Léo a outro patamar, trazendo sucessos que se espalharam pelo país e consolidando seu nome entre os grandes da música romântica.
Foi a partir daí que o meio sertanejo passou a olhar para ele com outros olhos, e o público passou a reconhecer de fato aquela voz que tantas vezes havia sido confundida, pertencia a um artista que tinha luz própria. Navegando assumidamente pelo sertanejo 90, Léo foi um tesouro encontrado, para a geração que consumia o sertanejo universitário, ouvir o romantismo que ele carregava com tanto conhecimento desse nicho do gênero. Léo é o artista moderno que transita pelo clássico com propriedade. Canções renomadas como “O cara Errado”, “Primeiro de Abril”; “Fala Comigo (Alô)”, “Cd’s e Livros”, “Onde Anda Meu Amor”; fazem parte do repertório consolidado que o artista tem nesses anos de sucesso e provam suas qualidades.
Hoje, com duas décadas de trajetória, Léo Magalhães se firma como um dos grandes nomes dessa vertente do sertanejo somando sucessos na sua brilhante carreira. Seu respeito foi conquistado não só pelo talento, mas pela consistência. Ele não foi um fenômeno passageiro que muitos achavam que seria cantando apenas a “Locutor” – escrita por Bruno Caliman. Léo se tornou um artista muito enfático em cada passo que deu e construiu uma base sólida de fãs que o acompanham por onde for.
Sua voz segue sendo uma de suas marcas registradas e sua história prova que, com dedicação, é possível sair do improvável para se tornar uma referência de qualidade no acirrado mercado musical. Nesses 20 anos de carreira, Léo Magalhães merece todo o sucesso que conquistou por ter plantado com elegância algo que foi contra a maré desde seu auge. Ele já demonstrou que não é apenas mais um entre tantos. Como artista ele continuará sendo reverenciado, pela verdade que carrega e pelo romantismo que atravessa o tempo a cada geração. Seus trabalhos ainda representam a “escola” de Piska, Zezé, Fátima Leão e Randall. “Escola” que ainda é referência de como fazer boa música sem fórmulas vazias, mas sim, com muito sentimento nas letras interpretadas pela voz icônica de Léo.
(Video gravado no projeto “20 anos de História”, por Vander Salarini, praticamente meu correspondente no DVD do Léo!)