Tiago Nunes quer repetir feito de Bauza com a LDU na Libertadores

Trabalho do técnico brasileiro tem pontos em conum com DT argentino, campeão da América em 2008 junto ao time equatoriano

Foto: LDU/@Libertadores

A LDU de Quito fez história em 2008, ao conquistar a América sob o comando de Edgardo “Patón” Bauza. A equipe equatoriana não apenas quebrou barreiras geográficas, como também provou a força de um projeto ousado, liderado por um treinador que sempre acreditou na escola menottista: futebol ofensivo, corajoso e de imposição. Naquela Libertadores, a LDU mostrou que não se intimidava diante de gigantes, vencendo o Fluminense em pleno Maracanã e entrando para a galeria dos campeões continentais de forma épica.

Quase duas décadas depois, a história parece se repetir. Ontem, a LDU voltou a viver uma noite mágica ao eliminar o São Paulo no Morumbi pela Libertadores, agora sob o comando do técnico brasileiro Tiago Nunes. A equipe já havia eliminado o Botafogo nas oitavas de final. Assim como Bauza, Nunes carrega a essência do pensamento menottista, que valoriza a construção de jogo, a busca pela posse de bola e a ideia de que atacar é o melhor caminho para se impor. Contra o Tricolor, a LDU mostrou maturidade, disciplina e, ao mesmo tempo, personalidade para segurar a pressão de mais de 50 mil torcedores e 26 finalizações do ataque moldado pelo técnico Hernán Crespo.

A conexão entre Bauza e Tiago Nunes vai além da coincidência de títulos ou classificações marcantes. Ambos representam uma linhagem de técnicos que priorizam o espetáculo sem abrir mão da competitividade. A LDU de Bauza encantava pela ousadia e coragem, enquanto a de Tiago Nunes impressiona pela organização e intensidade nas jogadas que decidem jogos. Dois estilos diferentes, mas unidos pela mesma raiz filosófica: a crença de que o futebol pode ser inteso, defensivo e vencedor ao mesmo tempo.

Se em 2008 a LDU surpreendeu o continente com sua conquista inédita, hoje ela se reafirma como protagonista do Equador. País este que quer a vaga definitiva de terceira força da América, já que seus vizinhos estão deixando esse posto passar. A camisa que Bauza ajudou a tornar histórica segue aprontando seus feitos, agora guiada pelas mãos de um brasileiro que bebe da mesma fonte futebolística sonhando em repetir o feito. E a América, mais uma vez, precisa olhar para Quito com respeito e admiração.

Foto: Clarín Deportes

Série sobre o legado de Chico Anysio, maior humorista do país, estreia no Globoplay

Foto/Reprodução: Globoplay

Desde sua origem humilde em Maranguape (Ceará), Chico Anysio construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras do riso fácil para se tornar uma referência artística multifacetada. Ele criou centenas de personagens — com traços exagerados, mas sempre com alguma ponta de humanidade — que permitiam caricaturar tipos brasileiros, criticar vícios sociais, explorar linguagens do humor (rádio, TV, teatro) e fazer reflexões sutis sobre identidade, desigualdade, poder. Sua versatilidade impressiona: ator, roteirista, cronista, radialista, ator de cinema e sempre reinventando formatos. É quase impossível contar a história do humor no Brasil sem passar por Chico: ele marcou o desenho do humor de massa, ajudou a formar plateias — gerar risadas, empatia, reconhecimento — e abriu espaço para que humoristas posteriores caminhassem sobre terreno fértil. Foi o primeiro a fazer stand-up quando esse termo nem era usado ainda.

No âmbito da televisão, Chico Anysio foi um dos pioneiros em construir estruturas de programas de humor em que os personagens eram centrais, mais do que as tramas propriamente ditas. Programas como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo, especiais de humor e quadros humorísticos diversos, permitiram que seu criador explorasse estereótipos regionais, sociais, de classe, expandindo o que se podia fazer em linguagem televisiva. Ele também foi importante na inovação de formatos — por exemplo no uso de videotape, de gravações externas, de personagens que “viviam” fora dos limites de cada programa, entrando em entrevistas, participações, crossovers — e tudo isso ajudou a moldar como o humor era entendido e consumido pela TV brasileira.

A série documental Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem, que estreou no Globoplay em cinco episódios, oferece uma visão renovada desse legado — não só celebratória, mas também crítica e humana. Dirigida e roteirizada por Bruno Mazzeo, filho de Chico, ela recua no tempo: infância no Ceará, primeiros passos no rádio, a chegada ao Rio, os desafios que ele enfrentou, os sucessos que consolidaram sua reputação. Segundo Bruno, “a série não é uma ‘homenagem’, um ‘especial’, mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio.”  Ele diz também que esse documento lhe parece “o mais especial dos meus trabalhos”, “um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai”.  Ela mostra Chico como Francisco, com falhas, inseguranças, dificuldades pessoais, relações familiares complexas — não apenas o humorista eterno, mas também o homem por trás das máscaras. 

O que isso significa para o entretenimento brasileiro? Primeiro, que revisitar sua trajetória contribui para revalorizar o humor clássico, compreender de onde vieram muitas das nossas formas atuais — stand up, esquetes, comédia de personagens, sátira social. Segundo, permite uma reflexão sobre os limites do humor, sobre o que era aceitável em diferentes épocas, e como Chico soube adaptar-se, avançar, provocar — até despontar como ponto de referência para humoristas de hoje. Ter Bruno Mazzeo à frente desse projeto traz uma camada afetiva e de intimidade, uma memória de família que também serve como memória cultural. A série oferece ao público mais jovem o contato com vivências que talvez não conhecessem; para quem já era fã, a possibilidade de enxergar além do personagem, de entender decisões, contradições, sacrifícios. Em suma: a obra reforça que Chico Anysio não foi apenas um comediante de todas as classes e de muitas vozes, mas alguém cujo trabalho ajudou a moldar o Brasil que ri — e, nesse rir, se reconheceu em seu legado.

FIFA lança os mascotes da Copa do Mundo 2026

Um mais feio que o outro. Era melhor levarem o Castorzinho!

Foto: Mocidade Independente de Padre Miguel

A FIFA surpreendeu hoje (25) ao apresentar os três mascotes oficiais da Copa do Mundo de 2026. Pela primeira vez na história, cada país-sede terá seu próprio representante, refletindo a diversidade cultural da América do Norte. O Canadá chega com Maple, os Estados Unidos com Clutch, e o México com Zayu. Juntos, eles formam uma equipe de personagens que prometem conquistar os torcedores de todas as idades.

Maple é a cara do Canadá: inspirado na tradicional folha de bordo, ele simboliza resiliência e criatividade. Não à toa, foi escalado como goleiro, aquele que segura as pontas e transmite segurança. No entanto eu preferia o Carcaju estilo Wolverine.

Do outro lado, Clutch, a águia-careca norte-americana, surge como camisa 10, o cérebro do time. Representa liderança, coragem e o espírito de união, atributos que combinam perfeitamente com a cultura dos Estados Unidos. Bem blasé igual aos americanos quando o assunto é soccer.

Já o México trouxe força e garra para o campo com Zayu, um jaguar antropomórfico escolhido para ser o atacante, o número 9. Ele carrega não apenas a imponência do animal, mas também a celebração da tradição e da herança cultural mexicana. Tem a alma do hino “Mexicanos al grito de guerra”… A cada traço, o mascote mostra a energia vibrante do país e o jeito apaixonado de viver o futebol.

Poderia ter sido a onça-pintada o mascote do Brasil 2014? Sim. Mas enfiaram aquele Fuleco na nossa vez… Mais do que simples mascotes, Maple, Clutch e Zayu são símbolos de uma Copa histórica. Eles marcam um torneio que não pertence apenas a um país, mas a três nações que decidiram dividir palco e emoção.

A Copa do Mundo de 2026 promete ser grandiosa (literalmente) dentro e fora de campo — e os mascotes já são a prova disso: cada um com sua personalidade, mas unidos pelo mesmo objetivo, o de contagiar o planeta com a magia do futebol. Poderiam ser mais bonitinhos? Sim! Mas já bastam aqueles mascotes da Conmebol que são horrorosos na Libertadores. E o Canarinho Pistola, hein… Saturou também. Mas enfim!

Foto: FIFA WCup

Enfim uma novela de verdade: Vem aí “Três Graças”

Vilão que falsifica remédios para população de baixa renda vai movimentar a trama; Belo estreia no horário nobre como ator

Foto: Globoplay

A novela Três Graças, escrita pelo vencedor do Emmy, Aguinaldo Silva; chegará trazendo um enredo envolvente e cheio de camadas, daqueles que não apenas entretêm, mas também levantam discussões importantes. Em sua chamada de estreia, vimos que a trama central acompanha três gerações de mulheres — Lígia (Dira Paes), Gerluce (Sophie Charlotte) e Joélly (Alana Cabral) — que compartilham o mesmo destino de engravidar na adolescência e enfrentar a maternidade sem apoio paterno. Essa herança familiar permeia toda a narrativa, enquanto a comunidade fictícia de Chacrinha, em São Paulo, serve de palco para histórias de luta, afeto e resistência.

Mas se o núcleo familiar emociona, é no lado sombrio da novela que o público encontra um dos arcos mais fortes: o esquema de medicamentos falsificados. O vilão Santiago Ferette, interpretado com maestria por Murilo Benício, é um empresário da saúde que se apresenta como benfeitor, mas esconde um crime repulsivo. Em sua fundação, remédios destinados à população carente são substituídos por placebos, condenando pacientes à morte. É um tema pesado, mas necessário, que a novela não tem medo de expor.

Dentro dessa trama, um nome surpreendeu na escalação: Belo. O cantor faz sua estreia em novelas interpretando Misael, um homem marcado pela dor de perder a esposa Viviane justamente por conta dos remédios falsificados. O papel, que inicialmente seria pequeno, ganhou destaque após sua confirmação no elenco, e já mostra que a aposta valeu a pena. Belo entrega emoção e intensidade, revelando um talento dramático que surpreende. O cantor já mostrou potencial na série “Arcanjo Renegado” e agora pode despontar nas tramas de vez com sua interpretação.

Sua participação, inclusive, dá ainda mais peso à crítica social da novela. Misael não é apenas uma vítima: ele representa todos aqueles que sofrem com um sistema de saúde corrompido pela ganância. O embate indireto entre seu personagem e o poderoso vilão de Murilo Benício promete momentos eletrizantes, em que dor e indignação se transformam em luta por justiça. É o tipo de conflito que prende o espectador e amplia a relevância da trama. Outra nuance na trama será o personagem de Enrique Díaz, interpretando um pastor corrupto.

Três Graças já começou com o pé direito. Ao mesmo tempo em que emociona somente com sua primeira chamada, mostrando a saga das mulheres da família Maria das Graças, também denuncia um esquema criminoso atual e plausível, sem medo de incomodar. O público ganha um vilão à altura com Murilo Benício e uma revelação surpreendente com Belo, que mostra que pode ir muito além da música. O teaser potente chegou colocando a novela no radar das mais comentadas do ano e desperta expectativa para seus primeiros capítulos.

Se essa novela com o elenco e a história que tem não emplacar, podem desistir e colocar “O Rei do Gado” de reprise no horário nobre!

Fotos: Globoplay

‘Stans’: Documentário sobre a importância de Eminem no rap é surpreendente

Foto: The Detroit Daily

Nada convencional, o documentário dirigido pelo diretor vencedor do Emmy, Steven Leckart, conta a trajetória do artista mais influente no rap americano nas últimas décadas. “Stans” é um presente para os fãs do rapper e, principalmente, para aqueles que acompanharam a trajetória de Eminem desde o início.

Mais do que revisitar momentos marcantes da carreira, o filme mergulha na relação única entre o rapper e sua base de fãs mais leais — os “stans”, termo que nasceu de uma de suas músicas e acabou se tornando sinônimo de devoção incondicional. O longa não se limita a mostrar estatísticas ou conquistas musicais. Ele traz à tona a forma como Eminem moldou a cultura pop, rompeu barreiras dentro do rap e se consolidou como a voz mais influente e controversa de sua geração.

É impressionante ver como sua música atravessou fronteiras, inspirou artistas e se tornou trilha sonora de diferentes fases da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Mais do que um registro histórico, Stans reforça a importância de Marshall Mathers como ícone que transcende gêneros musicais.

O documentário é surpreendente, provocativo e, acima de tudo, uma celebração do impacto duradouro de um artista que redefiniu o que significa ser uma lenda do rap. Depoimentos de grandes artistas ao longo da produção só mostram como Eminem chegou ao topo, por merecer e se manter gigante em uma indústria onde muitos caem do dia pra noite. “Stans” está disponível no Paramount+, com muita história e trilha sonora nota 10.

River de Gallardo precisa acordar pra vida e ter gana de vencer

Time estrelado faz temporada mediana desde o início do ano, jogando com preguiça e sem ambição por títulos

Foto: Arquivo Pessoal

O River Plate vive um momento delicado e precisa repensar urgentemente sua postura dentro e fora de campo. O time, que já foi sinônimo de garra e competitividade, hoje parece apático, sem a mesma fome de vitória que o consagrou em anos como 2015 e 2018. O elenco atual é formado por jogadores que já conquistaram praticamente tudo: Copa do Mundo, títulos na Europa, Libertadores, fortunas acumuladas. Mas justamente por isso falta a motivação que diferencia um time vencedor de um time apenas competente. Em campo, o River tem perdido a cabeça com facilidade, e sem ambição não há camisa pesada que resolva. Justamente esses quesitos podem pesar na eliminação da Libertadores.

Marcelo Gallardo, técnico símbolo de liderança e grande responsável pelas conquistas da última década, também tem sua parcela de culpa. Suas atitudes têm irritado torcedores e imprensa: quando vence, fala; quando perde ou empata, se cala. Esse comportamento passa uma mensagem ruim, como se só fosse válido se manifestar nos momentos bons, fugindo das responsabilidades nos maus resultados. Tanto no Campeonato Argentino quanto na Libertadores, a falta de autocrítica e a postura fechada de Gallardo alimentam ainda mais as críticas.

Dentro de campo, algumas peças têm se tornado problemas em vez de soluções. Acuña é um jogador de temperamento explosivo, que muitas vezes prejudica mais do que ajuda. Miguel Borja, quando entra, parece alheio, não consegue mudar o jogo nem impor presença. Facundo Colidio, que já teve atuações promissoras, hoje vive uma fase péssima, sem confiança e sem impacto. Juan Fer Quintero voltou, mas parece carregar mais peso do que futebol, lembrando o pior de Higuaín, e até aqui não acrescenta em nada. São nomes importantes, mas que não entregam o que se espera de jogadores do River Plate.

Se nada mudar, o River corre o risco de se apequenar dentro das competições que disputa. A camisa é gigante, mas a atitude tem sido pequena. O clube precisa de jogadores famintos, de comando firme e de um treinador que entenda que também deve dar explicações nas derrotas. Quem mostra um pouco disso no atual elenco estrelado talvez seja Seba Driussi. Sem sede de vitória, sem autocrítica e sem coragem de encarar os problemas, o River Plate não vai reencontrar o caminho da grandeza que um dia fez dele o time mais temido da América.

Foto: @riverplate