É hora de arriscar no tudo ou nada fazendo o enredo da vida e voltar a ter um nome forte na bancada da Liesa

Mais um ano difícil para a Mocidade Independente de Padre Miguel. O 11º lugar no Carnaval deste ano pesa — e pesa muito. Não foi um desastre visual, não foi um desfile feio, não foi um vexame plástico. Pelo contrário: estava bonito, estava colorido, organizado dentro do possível. Mas Carnaval não se ganha apenas com estética. E esse 11º lugar escancara que está faltando algo que não se compra em barracão: alma. E dói ainda mais quando a gente olha para o resultado e vê a escola atrás da Portela, que, sinceramente, não apresentou algo superior a ponto de justificar a diferença na apuração.
A sensação que fica é que a Mocidade vem correta demais, comportada demais, genérica demais. Parece que falta aquela identidade forte, aquela personalidade que nos tempos áureos fazia a escola entrar na avenida com arrogância de campeã. O enredo de Rita Lee até tinha conceito, mas soava forçado, distante da essência da comunidade. Era bonito? Era. Mas embalou? Não. O samba era difícil, a arquibancada não comprou a ideia, e o desfile passou quase como um intervalo enquanto o público aguardava a avalanche que viria depois com Beija-Flor e outras protagonistas da noite.
A Mocidade precisa reencontrar a própria história. E não tem símbolo maior dessa identidade do que Castor de Andrade. Polêmico? Sem dúvida. Mas foi sob sua liderança que a escola viveu seus tempos mais gloriosos. Um enredo sobre Castor — assumido, sem medo, trazendo também o mascote Castorzinho como símbolo dessa reconstrução — poderia devolver à escola aquilo que está faltando: personalidade. Não é sobre exaltar ilegalidade, é sobre contar a própria história, sobre assumir quem foi e o que representou para a comunidade de Padre Miguel.
Porque do jeito que está, a Mocidade parece desfilar sem pulsação. Falta emoção, falta arrebatamento, falta aquele momento de arrepio que faz o Sambódromo levantar. O 11º lugar mostra que apenas “estar bonito” não basta. Se não houver uma virada de identidade, 2026 corre o risco de ser mais um ano para esquecer. A Mocidade não precisa de mais um enredo técnico; precisa de alma. E alma ela já teve — basta ter coragem de resgatar. Além disso, precisa ainda voltar a ter um presidente de nome forte para defendê-la na Liesa. No mais, vai plantar e colher bons frutos nesse caminho.









