F1: McLaren quer voltar aos tempos dourados e começa temporada com vitória na Austrália

Foto: SkySports

O Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1, realizado na madrugada deste domingo no circuito de Albert Park, em Melbourne, inaugurou a temporada com uma corrida marcada por condições climáticas adversas e com nuitos incidentes. Lando Norris, da McLaren, conquistou uma vitória notável, superando o atual campeão Max Verstappen, da Red Bull, e George Russell, da Mercedes, que completou o pódio.

Desde os treinos classificatórios, a McLaren demonstrou um desempenho sólido, com Norris assegurando a pole position e seu companheiro de equipe, Oscar Piastri, largando em segundo. Verstappen iniciou a corrida na terceira posição, mas rapidamente ultrapassou Piastri, assumindo o segundo lugar nas primeiras voltas. 

A corrida começou com a pista úmida devido à chuva, e antes mesmo da largada oficial, o estreante Isack Hadjar (Racing Bulls) rodou e colidiu durante a volta de formação, causando um atraso na partida. Após a largada, outros incidentes ocorreram: Jack Doohan (Alpine) e Carlos Sainz (Williams) perderam o controle de seus carros na primeira volta, resultando em abandonos precoces e na entrada do safety car. 

Pai de Hamilton consolou Hadjar após piloto sair da prova;

Conforme a corrida avançava, a chuva intermitente tornou a pista ainda mais desafiadora. Por volta da volta 20, a chuva se intensificou, levando Verstappen a sair da pista momentaneamente, permitindo que Piastri recuperasse a segunda posição. As condições variáveis exigiram estratégias de pit stop cuidadosas, com as equipes alternando entre pneus intermediários e slicks conforme a pista secava e molhava novamente. 

Na volta 33, Fernando Alonso (Aston Martin) perdeu o controle na saída da curva seis e colidiu, provocando outra intervenção do safety car. A corrida foi retomada, mas a chuva voltou com força nas voltas finais, causando mais incidentes. Oscar Piastri, que vinha em uma posição promissora, deslizou para fora da pista na volta 44, caindo para a nona posição. Gabriel Bortoleto (Sauber) e Liam Lawson (Red Bull) também sofreram acidentes nas voltas 46 e 47, respectivamente, resultando em abandonos. 

Nas voltas finais, Verstappen pressionou intensamente Norris, chegando a menos de um segundo do líder. No entanto, Norris manteve a calma e defendeu sua posição até a bandeirada final, conquistando sua quinta vitória na Fórmula 1. George Russell, da Mercedes, completou o pódio em terceiro lugar, seguido por Alexander Albon (Williams) em quarto e o estreante Andrea Kimi Antonelli (Mercedes) em quinto, que impressionou ao marcar pontos em sua corrida de estreia. 

Lewis Hamilton, em sua estreia pela Ferrari, enfrentou dificuldades nas condições molhadas e terminou na décima posição, somando um ponto. Charles Leclerc, seu companheiro de equipe, conseguiu finalizar em oitavo lugar, após uma corrida marcada por desafios estratégicos e de performance. 

A classificação final do GP da Austrália foi a seguinte:

1. Lando Norris (McLaren) – 1h42:06.304

2. Max Verstappen (Red Bull) – +0.895s

3. George Russell (Mercedes) – +8.481s

4. Alexander Albon (Williams) – +12.773s

5. Andrea Kimi Antonelli (Mercedes) – +15.135s

6. Lance Stroll (Aston Martin) – +17.413s

7. Nico Hülkenberg (Sauber) – +18.423s

8. Charles Leclerc (Ferrari) – +19.826s

9. Oscar Piastri (McLaren) – +20.448s

10. Lewis Hamilton (Ferrari) – +22.473s

Com este resultado, Norris assume a liderança do campeonato com 25 pontos, seguido por Verstappen com 18 e Russell com 15. A próxima etapa da temporada será o Grande Prêmio da China, marcado para o próximo fim de semana, onde as equipes buscarão ajustar suas estratégias e melhorar seus desempenhos após uma abertura de temporada tão imprevisível.

Hülkenberg surpreendeu ao conquistar lugar no TOP 10 (Foto: SkySports)

Bilardo não ensinou a comemorar derrota

Foto: La Nación

O Bilardismo é um conjunto de princípios filosóficos e estratégicos baseados na mentalidade e nos métodos de Carlos Salvador Bilardo, um dos técnicos mais icônicos da história do futebol argentino que propagou uma ideia fora e dentro dos gramados formando caráter. Ele ficou famoso não apenas por suas conquistas, como o título da Copa do Mundo de 1986 com a Argentina, mas também por sua abordagem obsessiva ao jogo, sua visão pragmática e sua crença de que vencer é a única coisa que importa.

O Bilardismo é frequentemente colocado em oposição ao Menottismo, a filosofia de César Luis Menotti, que pregava um futebol mais ofensivo, técnico e artístico. Enquanto Menotti valorizava a beleza do jogo, Bilardo acreditava que o futebol era guerra, exigindo inteligência, tática e sacrifício absoluto. E mesmo na derrota, não ensinou a comemorá-la como alguns técnicos pensam.

Os Ensinamentos do Bilardismo

1. O resultado está acima de tudo

Bilardo nunca teve medo de admitir: o mais importante no futebol é ganhar. Para ele, não importava como, desde que a equipe saísse vitoriosa. Isso significava que era aceitável usar qualquer estratégia necessária para garantir o resultado, mesmo que envolvesse jogar de forma defensiva, truncada ou até usando artimanhas para desequilibrar o adversário.

2. A preparação obsessiva

O Bilardismo se baseia em um estudo minucioso do adversário e na preparação detalhada da equipe. Bilardo analisava cada detalhe, desde os pontos fortes e fracos do oponente até a condição do gramado e as condições climáticas. Ele também era conhecido por preparar seus jogadores psicologicamente, criando cenários de pressão para que estivessem prontos para qualquer situação.

3. Vencer custe o que custar

Para Bilardo, não existe moralismo no futebol quando o objetivo é vencer. Ele não via problemas em fazer “cera”, provocar adversários ou usar táticas antidesportivas se isso desse uma vantagem ao seu time. Um dos episódios mais emblemáticos dessa mentalidade foi quando Sergio Goycochea se tornou herói na Copa de 1990, defendendo pênaltis. Bilardo sabia que ele tinha um ritual supersticioso de urinar no campo antes das cobranças e garantiu que o goleiro mantivesse esse hábito.

4. O grupo acima do indivíduo

Embora tenha treinado craques como Diego Maradona, Bilardo sempre colocou a coletividade acima do talento individual. Ele acreditava que um time bem treinado, disciplinado e coeso poderia superar qualquer adversário, independentemente da qualidade técnica. Cada jogador tinha um papel a cumprir e precisava se sacrificar pelo bem do grupo.

5. O futebol como batalha

Bilardo via o futebol como um campo de guerra onde o time mais inteligente e melhor preparado sairia vencedor. Ele era famoso por suas estratégias defensivas extremamente bem organizadas e pela criação do “5-3-2”, um esquema tático inovador para a época, onde os alas tinham a função de defender e atacar com a mesma intensidade.

6. Psicologia e Manipulação

Um aspecto pouco falado, mas fundamental do Bilardismo, é o uso da psicologia para desestabilizar adversários e motivar seu próprio time. Ele incentivava jogadores a pressionarem emocionalmente seus rivais, explorando fragilidades psicológicas para ganhar vantagem. Um exemplo disso ocorreu na Copa de 1990, quando a Argentina enfrentou o Brasil. Durante a partida, o massagista argentino entregou uma garrafinha d’água “batizada” ao brasileiro Branco, supostamente contendo uma substância que o deixou sonolento.

Embora esse episódio nunca tenha sido 100% comprovado, ele entrou para a história do futebol como um dos momentos mais emblemáticos da mentalidade bilardista. Bilardo também já levou bebida alcóolica para alguns jogos, dizendo ser Gatorade quando perguntado pela imprensa. Para alguns jogadores que não estavam rendendo em campo, o Doutor dava Coca-cola com Cafiaspirina para o indivíduo acordar. Tudo isso para chamar atenção do adversário.

7. Inovação e Estratégia

Bilardo sempre buscava formas de surpreender. Ele foi pioneiro em analisar vídeos dos adversários, preparar jogadas ensaiadas detalhadamente e até esconder formações táticas antes de partidas importantes. Ficava horas vendo milhares de fitas com jogos seus e de adversários. Sua atenção a detalhes era tão extrema que, em algumas ocasiões, ele chegava a escolher hotéis com barulhos controlados para que seus jogadores não fossem perturbados antes de partidas decisivas.

O legado do Bilardismo

O Bilardismo segue vivo no futebol moderno. Técnicos como Diego Simeone, José Mourinho e até Tite incorporaram elementos da filosofia bilardista em suas abordagens. O pragmatismo, a ênfase na defesa sólida e na mentalidade vencedora ainda são características valorizadas no futebol de alto nível.

Embora seja uma filosofia controversa, os ensinos de Bilardo deixou um legado inegável. Ele provou que, no futebol, talento sozinho não basta. É preciso estratégia, sacrifício e, acima de tudo, uma mentalidade inabalável de que o único objetivo é vencer. A renomada escola “Vicente López” é uma das maiores formadoras de técnicos argentinos, sendo a maioria que sai de lá, como o próprio Diego Simeone, tendem a seguir a linha bilardista.

O Bilardismo é mais do que apenas uma forma de jogar futebol. É uma mentalidade de vida, onde a vitória é o único resultado aceitável. Para os seguidores dessa filosofia, o futebol não é um espetáculo para entreter – é uma batalha onde apenas os mais preparados triunfam. O legado de Carlos Bilardo continua influenciando gerações de treinadores e jogadores que entendem que, no fim das contas, a única coisa que importa é levantar a taça. E nas derrotas, nunca abaixar a cabeça, mas não sair celebrando como se tivesse saído campeão.

Sabrina Sato continuará brilhando no posto de rainha na bateria da Vila Isabel

Rodízio de rainhas feito por algumas escolas não faz o menor sentido;

Foto: Stephanie Rodrigues/g1 

Uma das maiores personalidades do Carnaval, Sabrina Sato vai seguir reinando à frente da bateria do Mestre Macaco Branco, na Vila Isabel. Nomeada rainha de bateria da escola em 2011, a apresentadora e modelo trouxe consigo carisma, beleza e, sobretudo, uma entrega que conquistou a comunidade da Vila e os amantes do Carnaval que param para lhe assistir todos os anos.

Desde sua estreia à frente da Swingueira de Noel, Sabrina sempre fez questão de se dedicar ao posto com paixão e profissionalismo. Sua energia contagiante e sua proximidade com os ritmistas a tornaram uma rainha querida, que não apenas brilhava na Sapucaí, mas também frequentava a quadra, se envolvia com os preparativos do desfile e representava a escola com orgulho.

Entre os muitos momentos marcantes de sua trajetória, o Carnaval de 2022 se destacou por um verdadeiro feito de resistência e amor pela folia. Naquele ano, devido ao adiamento dos desfiles para abril em razão da pandemia, Sabrina enfrentou um desafio logístico complicado: ser rainha de bateria tanto da Gaviões da Fiel, em São Paulo, quanto da Vila Isabel, no Rio de Janeiro, na mesma noite. Após desfilar na madrugada pelo Anhembi, a apresentadora pegou um avião para o Rio de Janeiro e, poucas horas depois, já estava na Marquês de Sapucaí, pronta para representar a azul e branca com a mesma energia de sempre.

O feito foi tão impressionante que reforçou ainda mais sua imagem de verdadeira apaixonada pelo Carnaval. Seu comprometimento e identificação com a festa sempre contrastou com práticas que vão na contramão da construção de uma identidade para as baterias, como o rodízio de rainhas promovido durante anos pela Grande Rio – prática que foi interrompida com a chegada de Paolla Oliveira – e que, mais recentemente, tem sido adotada pela Viradouro.

Cá entre nós, não faz o menor sentido o troca-troca de rainhas quando a bateria e a comunidade da escola querem uma pessoa com entrega ao posto que ocupa. Criar um vínculo a longo prazo é mais importante do que tentar inovar mudando rainhas como se muda de técnico de futebol em crise. O Carnaval exige alma, história, paixão e tradição a quem se dedica a ele. E Sabrina Sato encarna tudo isso.

Sua origem mestiça, que mescla descendência japonesa com raízes brasileiras profundas, reflete a essência do povo que faz a festa acontecer. Sua alegria espontânea, seu amor pela avenida e sua entrega ao espetáculo fazem dela uma das maiores rainhas que a Sapucaí e o Anhembi já viram. Se há alguém que pode ser chamada de “a cara do Carnaval”, esse alguém é justamente Sabrina.

Alguém está bem feliz com a derrota do Corinthians: O SBT

Foto: Miguel Schincariol / AFP

O Corinthians se esforçou para derrotar o Barcelona de Guayaquil na Neo Química Arena, mas foi desclassificado da Libertadores da América por ter perdido o jogo de ida por 3 a 0. O placar na altitude pesou e favoreceu o time equatoriano, que vai para a fase de grupos da competição. Mesmo com a dura derrota, o alvinegro paulista não se despede de competições internacionais em 2025, apesar da queda precoce na Libertadores.

O Timão não teve a temporada a perder internacionalmente. O clube vai entrar direto na fase de grupos da Sulamericana, competição que no ano passado quase chegou nas mãos do Corinthians que alcançou às semi-finais. A vaga no torneio do segundo escalão da América do Sul é uma espécie de prêmio de consolação aos times que batem na trave e não avançam à fase de grupos da Libertadores. Uma forma de manter também clubes de tradição competitivos no continente, enquanto outras vagas são ocupadas por times de menor expressão na Liberta – Simón Bolívar chora.

A Sulamericana terá mais um ano de transmissão no SBT, emissora que deve ter torcido em seus bastidores nessa noite contra o time de Itaquera. O motivo, claro, para ter a garantia de audiência no meio da semana com o Corinthians jogando pela competição. No ano anterior, o SBT teve muitas alegrias no Ibope graças ao time atuando em sua telinha na Sula. Em algumas ocasiões chegou a liderar a guerra pela audiência em cima das novelas chatíssimas da Globo. Nesse horário nobre e sem opção, até quem não era “Gaviões da Fiel” ficava ligado na emissora de Silvio Santos.

O Corinthians inicia a Copa Sulamericana com expectativas elevadas, especialmente após a contratação de jogadores de renome internacional. Além de Memphis, outros membros do elenco estrelado têm se destacado nesse início de ano. O meia argentino Rodrigo Garro, com sua visão de jogo e capacidade de articulação, tem sido peça-chave na criação de jogadas ofensivas. O atacante Yuri Alberto, após um início de temporada abaixo do esperado quando chegou ao clube, reencontrou seu faro de gol e terminou o ano como vice-artilheiro da equipe.

Com esses craques, o Corinthians busca conquistar o título que escapou no ano passado, almejando consolidar-se novamente como uma das principais forças do futebol sul-americano. Por enquanto, no próximo fim de semana o time tem o desafio de encarar a primeira final do Paulistão. Este transmitido com sucesso pela Record, vai ter novamente o clássico contra o Palmeiras na decisão do título.

Em suma, SBT e Record tem mostrado mais uma vez que podem ser potências no esporte, derrubando o monopólio da Globo e conquistando um público que estava afastado por algum motivo de ambas as TV’s.

Escolas do Grupo Especial do Rio já fecharam seus carnavalescos; Paulo Barros fica de fora

Foto: João Vitor, campeão com a Beija-Flor

Faz uma semana que tivemos a apuração do Carnaval 2025. Mas a preparação para o Carnaval de 2026 já está a todo vapor. As doze escolas do Grupo Especial já definiram seus carnavalescos. Confira quem comandará a parte artística de cada agremiação:

Beija-Flor de Nilópolis

Atual campeã, a Beija-Flor manteve seu carnavalesco, João Vitor Araújo, segue na escola para tentar o bicampeonato. “Chama João”!

Grande Rio

Após a saída de Gabriel Haddad e Leonardo Bora, que conquistaram o inédito título de 2022 da escola, a Grande Rio contratou Antônio Gonzaga, vindo da Portela.

Imperatriz Leopoldinense

Leandro Vieira teve sua renovação garantida ainda em fevereiro e continua no comando artístico da Imperatriz.

Viradouro

Campeã de 2024, a Unidos do Viradouro segue com Tarcísio Zanon no desenvolvimento do próximo enredo.

Portela

Com a perda de Antônio Gonzaga para a Grande Rio, a Portela confirmou André Rodrigues, que seguirá sozinho no comando do projeto para 2026.

Mangueira

A verde e rosa renovou com Sidnei França. Vindo do Carnaval de São Paulo, ele estreou na Mangueira em 2025 e segue na função da escola que teve a reeleição da presiente Guanayra Firmino.

Salgueiro

Outro estreante de São Paulo na Sapucaí, Jorge Silveira permanece à frente do projeto da escola vermelha e branca para o Carnaval 2026.

Vila Isabel

Após um desempenho abaixo das expectativas em 2025, a Vila Isabel anunciou a chegada da dupla Gabriel Haddad e Leonardo Bora, ex-Grande Rio, substituindo Paulo Barros. Promete voltar para as cabeças.

Unidos da Tijuca

Edson Pereira continua como carnavalesco da escola para mais um desfile em 2026. O artista tem recolocado a Tijuca no caminho certo.

Paraíso do Tuiuti

Jack Vasconcelos segue responsável pelo projeto artístico da agremiação em 2026. Promessa de mais um enredo criativo.

Mocidade Independente

Renato Lage continua no comando da parte artística da escola da Zona Oeste. A escola já havia renovado com o ‘mago’ antes dos desfiles desse ano.

Acadêmicos de Niterói

Estreante no Grupo Especial, a Acadêmicos de Niterói manteve o carnavalesco campeão da Série Ouro, Tiago Martins.

Marcos Falcon faz falta, não só para a Portela

Nunca a Portela foi tão desrespeitada em um pós-Carnaval. Foi despontuada onde deveria e mereceu voltar nas Campeãs por demais quesitos. Se Marcos Falcon estivesse entre nós, ninguém apontaria tanto o dedo para ela;

Foto: O Globo

Marcos Vieira de Souza, conhecido como Marcos Falcon, nasceu no Rio de Janeiro em 11 de fevereiro de 1964. Sua trajetória profissional teve início na Polícia Militar, onde alcançou a patente de subtenente. Durante sua carreira, Falcon ganhou destaque por sua atuação em operações significativas, especialmente na Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Em 2010, participou da emblemática operação de retomada do Complexo do Alemão, ocasião em que ele fincou a bandeira brasileira no alto do morro, simbolizando a reconquista do território pelas forças de segurança.

Paralelamente à sua carreira policial, Falcon desenvolveu uma forte ligação com o samba e o carnaval carioca. Inicialmente, atuou como patrono da escola de samba Rosa de Ouro, situada em Oswaldo Cruz, bairro onde também serviu como policial. Sua paixão pelo samba o levou a se envolver mais profundamente com a Portela, uma das mais tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro. Em 2011, assumiu o cargo de diretor de carnaval da agremiação durante a gestão de Nilo Figueiredo. Apesar de enfrentar desafios, como uma prisão em 2011 sob acusação de envolvimento com milícias — da qual foi absolvido em 2013 — Falcon manteve seu compromisso com a escola.  

Em 2013, liderou a chapa “Portela Verdade” ao lado de Serginho Procópio, conquistando a presidência da escola. Sua gestão foi marcada por uma série de melhorias estruturais e artísticas, que culminaram na contratação do renomado carnavalesco Paulo Barros. Essas mudanças revitalizaram a Portela, resgatando sua competitividade e prestígio no cenário carnavalesco. Em abril de 2016, devido ao sucesso de sua administração, Falcon foi aclamado presidente da Portela, consolidando sua liderança e visão para o futuro da escola. Aquele ano tinha tudo para ser marcante na carreira do sambista.

Além de sua atuação na Portela, Falcon fundou a Associação Cultural Samba é Nosso, visando promover mudanças na organização dos desfiles das escolas de samba dos grupos C, D e E, especialmente na Estrada Intendente Magalhães. Sua influência no mundo do samba se expandiu, tornando-o uma figura central na luta por melhorias e transparência no carnaval carioca. Sua simpatia e gênio fácil de fazer amizades atraiu novamente a atenção do mundo do samba para eventos da Portela, como a famosa feijoada da Tia Surica.

Em 2016, Falcon decidiu ingressar na política, candidatando-se ao cargo de vereador pelo Partido Progressista (PP). Com sua popularidade e carisma, tinha tudo para fazer uma grande campanha nas regiões que ele era reconhecido e atuante no dia a dia. No entanto, em 26 de setembro daquele ano, em meio ao período eleitoral, sua trajetória foi abruptamente interrompida. Falcon foi assassinado a tiros em Oswaldo Cruz, próximo ao seu comitê de campanha. No fatídico dia, Falcon estava sem seus seguranças particulares. Testemunhas relataram que quatro homens encapuzados e armados com fuzis realizaram a execução, direcionando os disparos exclusivamente contra ele.  

Sua morte representou uma perda significativa para a Portela e para o carnaval carioca em si. Na real, toda cidade do Rio ficou em choque. Afinal, um dos policiais mais “brabões” das últimas décadas havia caído. Tirar a vida de uma lenda como Falcon não era trabalho para qualquer um. Sob sua liderança, a Portela havia retomado seu protagonismo, e sua ausência deixou uma lacuna difícil de ser preenchida. Apesar do trágico acontecimento, a Portela demonstrou resiliência em 2017, quando meses depois de sua morte a escola conquistou o título de campeã do carnaval sendo o 22º de sua história. Claro que a agremiação dedicou a vitória em especial à memória de Falcon. Parece que ele, de alguma maneira, ajudou a escola do coração conquistar mais uma estrela para o pavilhão de Madureira.

Entretanto, sua ausência também expôs fragilidades nos bastidores do carnaval. A falta de sua liderança imponente e visionária contribuiu para um ambiente mais suscetível a desorganizações e conflitos internos, afetando não apenas a Portela, mas o carnaval como um todo. Picuinhas e montins recentes não teriam acontecido com sua presença na mesa da Liesa. A figura de Falcon permanece como um símbolo de dedicação e paixão pelo samba. Sua falta é sentida por todos que valorizam a cultura e a tradição do carnaval carioca, inclusive neste ano com tantos apontamentos que a majestade do samba tem recebido de forma injusta. Seu pulso firme deixou lembranças, junto a um legado que ninguém conseguiu ter igual. E quem sai perdendo com isso não é só a Portela…

No video abaixo, Marcos Falcon faz um de seus discursos mais bonitos no esquenta da Portela no Carnaval 2015;