Copa do Mundo de Clubes: Um alento e diversão em meio à tantas notícias ruins do dia a dia

Criticamos a criação do torneio e ficamos com um pé atrás antes de tudo acontecer. Agora amamos a competição como nenhuma outra;

Foto: Getty Imagens

A verdade é que todo mundo torceu o nariz quando anunciaram o novo formato da Copa do Mundo de Clubes. Calendário apertado, times cansados, excesso de jogos, times aleatórios juntos… mas bastou a bola rolar pra gente perceber o quanto esse torneio podia ser especial. A começar pela trilha sonora que escolheram para o tema da competição – Freed From Desire.

De repente, um jogo inimaginável meses atrás numa terça à tarde virou desculpa pra sair mais cedo do trabalho, encontrar os amigos, abrir uma cerveja e apostar uns trocados (com responsabilidade, claro). A vida ganhou pequenas alegrias inesperadas — um respiro no meio da rotina pesada e, principalmente, das manchetes tristes como as da guerra entre Irã e Israel. O futebol fez o que sabe fazer de melhor: uniu, distraiu, emocionou.

Foi como viver um Carnaval fora de época. Intenso, colorido, imprevisível. E, como todo bom Carnaval, a graça está na dosagem certa. Se tivesse Mundial de Clubes todo fim de semana, perdia a magia. Mas do jeito que foi — concentrado, raro, vibrante — virou experiência pra guardar na memória. O mais curioso é ver no campo o que antes só era possível no videogame: confronto entre Palmeiras e Inter Miami, Flamengo contra Chelsea, Boca versus Bayern, River vs Internazionale.

Dessa vez não é só naquele jogo único de dezembro, entre o campeão da Libertadores e o da Champions. Agora é fase de grupos, oitavas, quartas… virou realidade. E que incrível foi acompanhar essa primeira etapa. Além dos cavalinhos do Fantástico que agora estão trabalhando como nunca na Central da Copa. Até deram uma nova chance para o gato francês Petit Gateau, mascote das Olimpíadas do ano passado.

Talvez o torneio das seleções não emocione tanto quanto esse. Porque aqui tem paixão de clube, rivalidade continental, torcida raiz, e aquela vontade genuína de vencer o outro por história — e não só por bandeira. E vamos combinar que tirando países como Argentina, México, África do Sul, Colômbia e Uruguai, poucas torcidas de seleção fazem a diferença em um estádio de Copa.

Que venha 2029! Quem sabe com jogos aqui mesmo, no Brasil, com sol, churrasco, pepsi e estádio cheio. Porque se a gente duvidava, hoje não duvida mais: o Mundial de Clubes deu certo. E a gente já está com saudade. Quem diria!

Elio: Animação tem uma boa história com execução instável

Foto/Reprodução: Disney Plus

Elio, nova aposta da Pixar, parte de uma premissa encantadora: um garoto tímido e criativo acaba sendo confundido com o líder da Terra por uma organização intergaláctica. A história tinha tudo para ser uma jornada emocionante sobre amadurecimento, empatia e pertencimento — mas esbarra em escolhas de roteiro que deixam a narrativa mais rasa do que poderia ser.

O universo apresentado é visualmente bonito e cheio de potencial, mas pouco explorado. Ao invés de mergulhar nas nuances das civilizações alienígenas e no impacto real dessa confusão diplomática, o filme prefere se concentrar em situações repetitivas e diálogos que nem sempre conduzem a trama de forma eficaz. Fica uma sensação constante de “quase lá”.

O protagonista, Elio, é um caso à parte. Embora seja fácil se identificar com suas inseguranças e seu desejo de ser ouvido, sua personalidade às vezes escorrega para o irritante. Em vários momentos, suas reações soam forçadas ou exageradas, o que dificulta a conexão emocional com o público. Felizmente, o arco do personagem se fecha com mais maturidade e entrega uma redenção satisfatória, ainda que previsível.

No fim das contas, Elio é um filme com alma, mas que tropeça na execução. A mensagem sobre identidade e pertencimento está lá — só precisava de um roteiro mais coeso e corajoso para brilhar de verdade. Uma boa ideia que merecia ter ido além. Sai da sessão com a mesma sensação de Lilo & Stitch, dava pra ser sido melhor. Vale o ingresso se você estiver com tempo e sem opção pra ver no cinema. Em questões técnicas, a qualidade está impecável como tudo que a Pixar e a Disney fazem juntas.

Lilo & Stitch: Funciona mais pra geração Enzo do que pra geração do desenho

Roteiro deixou a desejar pela mega promoção feita. Geração Enzo/Valentina dão um banho de educação nas sessões, enquanto os adultos não calam a boca. Até quando?

Foto: Disney Plus

A versão live-action de Lilo & Stitch chegou cercada de expectativa e nostalgia. A divulgação foi pesada, a promessa era grande — afinal, estamos falando de um clássico querido da geração que cresceu vendo o desenho original nas tardes de sábado ou nas fitas VHS. Mas, no fim das contas, o que entregaram foi um filme com ritmo arrastado, que tenta, sem muito fôlego, alcançar o coração dos fãs antigos.

O roteiro demora a engatar e parece se esforçar demais para parecer “fofinho”, o que tira um pouco da naturalidade da história. A relação entre Lilo e Stitch ainda é o ponto alto, mas falta aquele calor que o original sabia oferecer — aquele que fazia a gente rir, chorar e repetir a frase “ohana quer dizer família” com os olhos cheios d’água. No entanto, o filme funciona — só que para outro público.

Dá pra perceber que ele foi pensado muito mais para a geração “Enzo/Valentina” do que pra quem já sabe de cor a trilha sonora original. É leve, colorido, rende algumas risadas e entrega uma boa mensagem sobre amizade verdadeira e os valores que realmente importam. No fim, é um típico “Sessão da Tarde”: passa o tempo, diverte em momentos pontuais, mas não emociona de verdade. Pra quem cresceu com o desenho, fica aquele gostinho de que poderiam ter feito mais. Ou, pelo menos, feito melhor.

Ao menos, a experiência de ir ao cinema ainda é válida só pela abertura lindíssima da Disney que sempre nos transporta para aquele mundo onde um rato nos comanda. Falando na geração Enzos, que torcem para o P$G, eles tem dado um show de educação no cinema atualmente. Desde “Moana” e outros filmes “infantis”, tenho tido boas experiências com crianças no cinema. Em compensação, os adultos estão cada dia piores. Parece que desaprenderam a se comportarem no cinema pós-pandemia.

Que falta faz o Wolverine mandando o pessoal calar a boca e desligar o celular durante a sessão antes do filme começar. Por essas e outras, muitas pessoas estão esperando os filmes nos streamings para verem no conforto do seu lar sem ninguém atrapalhar. Errados não estão. Aliás, Lilo & Stitch é um dos filmes que também valem a pena esperar em casa. Guarde seu dinheiro para os próximos lançamentos ou pro Missão Impossível – O acerto final (esse sim, precisa ser vivido na telona).

Sem inventar modismo, Leonardo acerta ao gravar lado B da própria carreira em mega projeto

Esposa do cantor tem acordado nas madrugadas para rezar pelo DVD, que celebra o legado de Leo no sertanejo

Foto: Newton Fonseca

Enquanto tantas duplas consagradas parecem perdidas tentando se reinventar no universo volátil do TikTok e do Spotify, Leonardo caminha na contramão — e, ironicamente, acerta em cheio. O cantor está gravando um novo DVD que terá parte do lado B da própria carreira. A escolha não poderia ser mais acertada. Nada de músicas feitas para viralizar, nada de parcerias forçadas com nomes da moda e nem tentando buscar hit com compositores sem essência. Leonardo aposta no que tem de mais valioso: o próprio legado. E isso, em tempos de pressa e fórmulas fáceis, é um gesto ousado, maduro e respeitoso com a grande história que ele construiu ao longo de décadas.

Enquanto nomes como Bruno & Marrone e Rionegro & Solimões seguem tentando fisgar um público mais jovem com apostas que muitas vezes soam deslocadas, Leonardo demonstra segurança e lucidez ao olhar para trás e reconhecer que seu acervo musical é mais do que suficiente para continuar encantando plateias. São 50 músicas escolhidas a dedo, passeando por clássicos da era Leandro & Leonardo e também por faixas da fase solo, especialmente aquele período mais “pop” e romântico dos anos 2000, que ainda ecoa forte na memória afetiva de milhões de fãs.

O repertório do DVD é um prato cheio para quem ama sertanejo de verdade, daquele que emociona sem precisar recorrer a fórmulas modernas ou hits descartáveis. Músicas que talvez não tenham sido os maiores sucessos nas rádios, mas que carregam a alma de uma carreira construída com consistência, talento e carisma. É a chance de ver canções esquecidas ganharem luz novamente, sob uma nova produção, mas com o mesmo coração e romantismo de sempre. Aliás, Poliana Rocha, esposa do cantor, tem feito orações para o projeto ser muito abençoado. Pelo jeito que as coisas andam, tem dado muito certo.

A produção musical está nas mãos de Newton Fonseca, nome forte por trás de projetos de artistas como Gusttavo Lima, Naiara Azevedo, Zé Felipe e tantos outros. Com Leonardo, ele tem mantido uma parceria afinada, e tudo indica que este DVD será mais um marco na carreira do cantor. Um projeto ambicioso, mas ao mesmo tempo sóbrio, sem pretensões comerciais mirabolantes — apenas a intenção de revisitar a própria trajetória com dignidade e bom gosto. E essa vai ser justamente a fórmula do sucesso que o projeto terá. Leonardo mostra, mais uma vez, por que segue sendo um gigante.

Ele não precisa se reinventar pensando em lançamento para agradar um novo público, não precisa se adequar às regras do jogo atual. Basta valorizar o que construiu. Ao contrário de muitos colegas que estão tropeçando ao tentar agradar novas audiências, Leo permanece firme, fiel ao que sempre foi: um artista de essência, com uma discografia poderosa e uma presença de palco que atravessa gerações, seja solo ou ao lado do ‘Amigos’. E esse novo DVD é a maior prova disso que ele representa. O novo projeto deve ter o mesmo impacto que o seu primeiro show no Canecão em 1991, que mexeu com o mercado mostrando a força do sertanejo de verdade na música brasileira. E atualmente, só Leonardo tem esse poder nas mãos.

Missão Impossível – O Acerto Final: Filme caberia em 2h, mas entrega na ação como ninguém

Foto: IMAX

Ethan Hunt está de volta em Missão Impossível – O Acerto Final. E se esse realmente for o capítulo final da franquia com Tom Cruise à frente, ele encerra sua trajetória com um salto digno de aplausos. A missão é, como sempre, impossível, mas o que vemos na tela é um espetáculo coreografado com precisão, adrenalina e o carisma habitual do protagonista. O filme começa de forma morna, é verdade — a primeira hora tem um ritmo meio arrastado, com diálogos extensos e uma construção narrativa que poderia ter sido mais enxuta. Em termos de duração, duas horas bastariam. Mas quando o filme engrena, ele simplesmente voa e entrega tudo o que os fãs da franquia mais ama.

Sai da sessão sem arrependimentos de ter ido ver o filme em plena segunda – e aliviada que nenhuma notícia ruim chegou no meu celular em 3 horas de modo avião. As sequências de ação são intensas, bem filmadas, criativas e colocam muitos outros blockbusters recentes no bolso. É um prato cheio para quem gosta de adrenalina, perseguições bem coreografadas, tiroteios e explosões milimetricamente cronometradas que tiram o fôlego. Para quem não acompanha a saga desde o início, é um filme que entretém com força, sem exigir conhecimento profundo dos anteriores.

Tom Cruise, mais uma vez, prova por que se tornou sinônimo do gênero. Ele não apenas interpreta Ethan Hunt — ele é o Ethan Hunt. Seu comprometimento com as cenas perigosas e a entrega física ao personagem continuam impressionando. Mesmo com uma “idade já avançada” para filmes de ação, Cruise não decepciona e reafirma sua paixão pelo cinema como espetáculo. É quase impossível pensar em outro ator com tamanha dedicação ao gênero.

Missão Impossível 8 talvez não vá brilhar nas grandes premiações, mas não é esse o propósito. O filme é uma experiência visual, algo que deve ser vivido na sala de cinema, com som potente e tela grande. Não é uma produção para esperar chegar no streaming. Vale cada centavo do ingresso, e é, sem dúvida, um dos melhores filmes de ação dos últimos tempos. Um marco de encerramento que honra tudo o que a saga construiu.

E o melhor: Maio veio para limpar a barra de abril, que foi um mês fraco, quase desolador para os cinéfilos. Agora, com Missão Impossível 8 e outros grandes títulos em cartaz, quem ama cinema finalmente pode comemorar. Maio está sendo um presente — e O Acerto Final é um dos laços mais vistosos desse pacote.

Nem a comunidade quer Virgínia Fonseca como rainha de bateria da Grande Rio

Escola tem nomes como Mileide Mihaile e Erika Januza entre opções, mas prefere alguém que nunca pisou numa quadra

Foto/Reprodução: G1

A possibilidade de Virgínia Fonseca assumir o posto de rainha de bateria da Grande Rio vem causando desconforto até entre os integrantes da comunidade da escola. A influenciadora pode substituir Paolla Oliveira, que se despediu da função após anos de dedicação e participação ativa, não só nos desfiles, mas também no dia a dia da agremiação. Paolla era presença constante nos ensaios, nas festas com os ritmistas e, acima de tudo, era respeitada por sua entrega à escola. A conexão construída com a comunidade e com a bateria de Mestre Fafá fez com que ela fosse considerada uma verdadeira integrante da Grande Rio, e não apenas uma celebridade no posto.

Mestre Fafá, inclusive, destacou nas últimas entrevistas o carinho e o respeito por Paolla, lembrando que ela esteve presente no momento mais glorioso da história da escola: o título de campeã do Carnaval de 2022. E também ajudou muito a escola na pandemia, fazendo doações e ajudando em tudo no que poderia os integrantes de sua bateria. Esse triunfo de 2022 ficou marcado pela força do enredo, pela potência da bateria e pela entrega da Rainha. Paolla viveu duas fases no posto, mas foi nesse retorno que consolidou seu nome como eterno símbolo da Grande Rio. Sua despedida em 2025 foi muito especial. Em 2024, vestida de onça, fez um desfile emblemática e emocionante para quem acompanhou de perto sua trajetória.

Diante disso, a possível escolha de Virgínia Fonseca como nova rainha tem sido vista como uma quebra de identidade. Ainda que tenha números expressivos nas redes sociais, ela não tem qualquer vínculo com o universo do samba ou com a comunidade de Duque de Caxias. Ela nem sambar sabe. Para muitos integrantes da escola e para a própria comunidade, trata-se de uma tentativa de transformar um posto conquistado com suor e afeto em vitrine midiática. A escolha de uma celebridade sem vivência na escola pode soar como desrespeitosa diante da história construída nos últimos anos.

Além disso, a Grande Rio tem alternativas que agradariam muito mais à sua comunidade. A escola conta com nomes como Mileide Mihaile, que desfila há anos, tem samba no pé, carisma e já é figura conhecida e respeitada internamente. Outra opção é Erika Januza, que deixou a Viradouro recentemente e seria recebida com entusiasmo em Caxias. São duas mulheres que, além da beleza e presença, carregam história e envolvimento com o Carnaval, exatamente o que se espera de uma rainha de bateria.

A escolha de Virgínia, se confirmada, poderá ser interpretada como uma ruptura com o legado deixado por Paolla Oliveira. Um legado de comprometimento, de pé no chão e de identidade comunitária, que fez da Grande Rio uma escola ainda mais respeitada e próxima de sua gente. Que o brilho do Carnaval não seja ofuscado por decisões puramente estratégicas ou comerciais. Afinal, na avenida, o que faz diferença é a verdade do samba. Uma influencer que não respeita nem seus seguidores, se veste de Suzane Von Richthofen para depor em uma CPI, não agrega em nada no Carnaval – muito menos ocupando o posto mais importante de uma musa em uma das escolas que, saiu do rótulo de “puxadinho do Projac”, para mudar de patamar na Liesa nos últimos seis anos. Agora, a Grande Rio está jogando fora tudo o que construiu, se apequenando novamente por pura engajamento barato.