Galvão está mais leve e feliz no SBT

Narrador se mostra muito à vontade como em nenhuma outra fase de sua carreira

Foto: Arquivo Pessoal

A estreia de Galvão Bueno no SBT, marcada para o dia 02, tem um peso simbólico enorme na televisão brasileira. Depois de décadas sendo a voz oficial das Copas do Mundo na Globo, ele agora inicia um novo capítulo em uma emissora que sempre sonhou em tê-lo no elenco. Não é apenas mais um contrato: é a união de duas marcas fortes que, por caminhos diferentes, construíram história na TV aberta. O SBT sempre quis Galvão. E, no fundo, faltava mesmo essa marca do SBT na carreira dele.

O acordo vai muito além de um programa semanal. Galvão assinou inicialmente para narrar a Copa do Mundo de 2026 pela emissora — um movimento estratégico e histórico. A Copa sem Galvão parecia estranha para o público brasileiro, e o SBT entendeu isso. Ao garantir a voz mais emblemática do futebol nacional, a emissora dá um passo gigantesco na disputa por audiência e prestígio esportivo. Para Galvão, é a chance de escrever uma nova narrativa, agora vestindo outras cores.

A diferença no semblante dele é visível. No período em que esteve na Band, parecia que havia uma certa obrigação no ar — como se estivesse cumprindo tabela. Faltava brilho, faltava leveza. No SBT, ao contrário, ele aparenta estar solto, confortável, feliz. Existe uma energia diferente. A emissora de Silvio Santos tem essa característica de ser um canal com clima mais familiar, mais acolhedor, quase caseiro. E isso combina muito com alguém que sempre foi intenso, emocional e apaixonado como Galvão.

No fim das contas, parece ter sido a escolha certa. O SBT ganha força, ganha tradição esportiva e ganha um nome que atravessa gerações. Galvão ganha liberdade, entusiasmo e um novo desafio à altura da sua história. Ele se mostra muito mais à vontade para ser como é. E a Globo? Perde uma de suas vozes mais icônicas e está sem narrador bom de verdade para esse Mundial. A televisão é feita de ciclos — e este novo ciclo promete ser barulhento, emocionante e, ao que tudo indica, muito feliz.

Eduardo Domínguez, de perfil bilardista, deixa o Estudiantes LP após vitoriosa trajetória

Para seu lugar, Alexander Medina, Martín Palermo e Martín Demichelis são os favoritos de Verón

Foto: TyC Sports

Foi embora pela porta da frente! Eduardo Domínguez, técnico argentino de 47 anos, encerrou seu ciclo no Estudiantes de La Plata depois de quase três temporadas marcantes no comando do clube. Sua saída já estava confirmada e ele caminha para assumir o comando do Atlético Mineiro, no futebol brasileiro, deixando um legado de títulos e identidade tática construída passo a passo no Pincha. 

Domínguez chegou ao Estudiantes em março de 2023 com a missão de devolver ao clube a competitividade que ele não vinha tendo havia anos — e conseguiu exatamente isso. Em pouco tempo, construiu um dos ciclos mais vitoriosos da história recente do clube, conquistando cinco títulos oficiais: Copa Argentina 2023, Copa de la Liga 2024, Trofeo de Campeones 2024 e 2025 e o Campeonato Argentino (Clausura 2025). Esses triunfos colocam Domínguez entre os técnicos mais vencedores da história do Estudiantes, atrás apenas de lendas como Osvaldo Zubeldía

Sua passagem pelo Estudiantes foi marcada por um crescimento tático claro. Domínguez montou uma equipe sólida, organizada e difícil de ser batida: a equipe tinha forte base defensiva, equilibrava bem as transições e nunca deixava de ser competitiva nos momentos decisivos — características que fizeram a torcida reverenciar sua gestão, mesmo nos momentos de dificuldade. 

Segundo analistas e quem acompanhou o futebol argentino, o estilo de jogo de Domínguez é mais alinhado com uma corrente pragmática e competitiva, algo que puxa mais para o perfil bilardista do que para uma filosofia menotista pura. Isso não significa um futebol negativo — longe disso — mas sim um time que prioriza organização, intensidade e equilíbrio, muito presente nos times que ele treinou. A ideia central parecia sempre ser conseguir o resultado com disciplina tática e solidez defensiva, características que ressoam com a escola de Bilardo, focada em organização e resultado. 

Treinar o Estudiantes, para ele, foi mais que uma etapa profissional: foi um projeto de reconstrução de identidade competitiva. Domínguez chegou num momento em que o clube vivia um jejum de títulos nacionais importantes e conseguiu devolver ao Pincha uma aura vencedora — títulos que não vinham há mais de uma década — e, principalmente, um estilo claro de jogo que uniu defesa e capacidade de decisão em fases cruciais. 

A decisão de sair nesse momento tem cara de oportunismo profissional: com os títulos já conquistados e uma oferta sólida do Atlético Mineiro, Domínguez entendeu que era o momento de buscar um novo desafio e avançar na sua carreira fora da Argentina. Além disso, fatores como a pressão natural de um desmantelamento de elenco e a vontade de experimentar o futebol brasileiro também influenciaram. 

No fim, sua passagem pelo Estudiantes fica como um dos capítulos mais vitoriosos e bem-construídos da sua carreira: títulos, estilo, legado e reconhecimento tático. Saída com a cabeça erguida, com a sensação de missão cumprida — e, claro, com a porta aberta para novos desafios. Para assumir a equipe pincha de La Plata, os candidatos principais são Martín Palermo, Alexander Medina e Martín Demichelis. Os três tem formação na tradicional escola de treinadores Vicente López.

Treinadores passam vergonha sobre o novo caso de racismo contra Vini Jr

Apenas Pep Guardiola e Vincent Kompany saíram em defesa do jogador

Foto: El País

O racismo no futebol está cada vez mais feio, mais escancarado e mais vergonhoso. Não é exagero, é constatação. O que antes era tratado como “caso isolado”, virou rotina constrangedora. Dentro de campo, se comete crime — porque racismo é crime — e muitas vezes a punição é simbólica, branda ou simplesmente inexistente. A sensação é de impunidade. De que o talento negro entretém, mas a dignidade negra segue sendo negociável.

Nesta última semana, mais uma vez, Vinícius Júnior esteve no centro de um episódio que expõe essa ferida aberta do futebol europeu. Um dos melhores jogadores do mundo, decisivo, protagonista, campeão — e ainda assim tratado como alvo. O silêncio constrangedor de muitos técnicos e dirigentes foi ensurdecedor. Alguns preferiram relativizar, outros minimizaram. É sempre o mesmo roteiro: pedem “calma”, falam em “contexto”, como se o contexto justificasse ofensa racial.

Poucos tiveram coragem de se posicionar de maneira firme. Pep Guardiola, no Manchester City, e Vincent Kompany, do Bayern de Munique, foram exceções ao condenar com clareza o racismo sofrido por Vini. Kompany ainda foi veemente sobre a vergonhosa atitude de José Mourinho, técnico do Benfica, no jogo contra o Real Madrid. Do outro lado, declarações como a de Filipe Luís, na noite de quinta (19) na Argentina, tratando o caso como “isolado”, soaram como um tapa na cara. Isolado? Quantas vezes mais vai ser “isolado”? Quantos episódios precisam acontecer para deixar de ser tratado como exceção e passar a ser reconhecido como estrutura? Ou Filipe Luís só disse isso porque estava no país do autor das falas racistas, Gianluca Prestianni?

E a contradição dói ainda mais quando olhamos para o Brasil. Em plena semana de Carnaval, exaltamos a cultura africana nas avenidas, nos enredos, nas baterias, na estética, na fé. O samba que ecoa na Sambódromo da Marquês de Sapucaí nasce da resistência negra. Antes mesmo da avenida existir, Tia Ciata já plantava as sementes do que viria a ser o maior espetáculo da Terra. O Carnaval só existe porque povos negros preservaram sua cultura, sua espiritualidade, sua musicalidade. E ainda assim há quem diga, com arrogância, que “tem muita África” ou “muita macumba”. Ora, a raiz do Carnaval é africana. A raiz do Brasil é negra. Quer que falem de quem? Da Branca de Neve?

O que acontece com Vini Jr. não é apenas sobre futebol. É sobre identidade, sobre poder, sobre quem pode brilhar e quem incomoda quando brilha demais. O Brasil é um país que ama a cultura negra, consome a cultura negra, lucra com a cultura negra — mas ainda falha vergonhosamente em proteger pessoas negras. O racismo no futebol é o espelho de uma sociedade que ainda precisa encarar sua própria história. E enquanto tratarmos crime como incidente isolado, continuaremos passando vergonha. Dentro e fora de campo.

Faltam 2 títulos para Mocidade Alegre se igualar a Vai-Vai como maior campeã do Carnaval

Pela fase ruim da escola da Bela Vista, Mocidade tem a faca e o queijo na mão para alcançar marca

Foto: O Globo

A Mocidade Alegre escreveu mais um capítulo dourado em sua trajetória ao conquistar o 13º título no carnaval paulistano. Uma vitória construída com maturidade, comunidade e, principalmente, identidade. A Morada do Samba, que tem uma gestão exemplar de Solange Bichara, mostrou que tradição e inovação podem caminhar juntas quando há planejamento e amor pela escola. O Anhembi viu uma campeã segura, vibrante e consciente do que estava apresentando em cada quesito.

O enredo em homenagem a Léa Garcia foi um acerto histórico. Reverenciar uma artista gigante, símbolo de resistência e talento, elevou o desfile a um patamar cultural raro. A narrativa foi sensível, potente e emocionante, conduzindo o público por momentos de luta, arte e representatividade. Não foi apenas um desfile bonito: foi um manifesto em forma de samba, daqueles que justificam um título.

A bateria da Mocidade Alegre merece um capítulo à parte. Precisa, cadenciada e ao mesmo tempo explosiva, ela foi o coração pulsante da escola na avenida. Comandada por Mestre Sombra, sustentou o samba com firmeza, levantou arquibancada e mostrou por que a Mocidade costuma ser temida nesse quesito. Houve variações bem executadas, bossas inteligentes e uma sintonia impecável com o restante do desfile — ingrediente essencial para a conquista.

Com o 13º campeonato, a Mocidade se aproxima perigosamente da marca histórica da Vai-Vai, maior campeã do Anhembi com 15 conquistas. Os dois últimos títulos da Vai-Vai foram com enredos musicais: Maestro João Carlos Martins (2011) e Elis Regina (2015). Faltam apenas dois títulos para a Morada conseguir a igualdade. Enquanto isso, a tradicional escola da Bela Vista vive uma fase turbulenta, distante do brilho de outras décadas.

Se o cenário atual se mantiver, a hegemonia que parecia intocável pode, enfim, ser ameaçada. O carnaval de São Paulo ganha não apenas uma campeã, mas uma disputa histórica que promete esquentar os próximos anos. A missão na avenida do Carnaval paulistano há muito tempo se repete e deve permanecer, que é de quem consegue vencer a Mocidade Alegre.

Marty Supreme: Filme feito só para Chalamet ganhar o Oscar

Foto: CBS Tv

Apesar de partir de uma história interessante, Marty Supreme é daqueles filmes que prometem intensidade, mas entregam lentidão. A premissa tem força, tem conflito, tem potencial dramático. Só que a narrativa parece patinar em câmera lenta, como se cada cena precisasse provar que é profunda demais para ser simples. O resultado é um longa arrastado, que exige paciência do espectador e testa a boa vontade de quem entrou na sala esperando algo mais pulsante.

Há uma sensação constante de que o filme foi construído sob medida para uma campanha de premiações. Cada enquadramento calculado, cada silêncio prolongado, cada close dramático parece sussurrar: “Oscar is coming”. Não é que a obra não tenha qualidades — tem. Mas o roteiro se perde em repetições emocionais e em diálogos que se alongam além do necessário, sacrificando ritmo em nome de “importância”.

É aí que entra Timothée Chalamet. A atuação dele, sim, é o motor que mantém o filme vivo. Chalamet entrega camadas, intensidade e vulnerabilidade com uma naturalidade impressionante. Ele sustenta cenas que, nas mãos de outro ator, poderiam desabar sob o próprio peso. Quando ele está em cena, o filme respira. Quando não está, a narrativa parece perder oxigênio.

Marty Supreme não é um desastre — longe disso. Mas é um daqueles casos em que o desempenho individual supera o conjunto da obra. Fica a impressão de que assistimos menos a um filme orgânico e mais a uma vitrine cuidadosamente montada para consolidar um nome na temporada de prêmios. E, no fim das contas, é Chalamet quem faz o longa andar. Sem ele, talvez nem saísse do lugar.

Ninguém quer ver Pretinho da Serrinha no meio da bateria com imagem de Tecpix, nem ouvir rádio de Harmonia na transmissão do Carnaval

Só queremos ver os desfiles!

Foto: Marco Eusébio

A transmissão do carnaval pela TV Globo conseguiu a proeza de tirar o telespectador do clima da avenida em pleno 2026. Em São Paulo, a decisão de deixar os apresentadores fora do Sambódromo do Anhembi simplesmente não faz sentido. Carnaval é calor, é vibração, é suor, é reação ao vivo. Quando o apresentador não sente o chão tremer com a bateria, a transmissão perde pulso. Fica fria, distante, protocolar. Para quem acompanha escola por escola, que espera o ano inteiro por aquele desfile, essa escolha foi um banho de água fria logo na largada.

No Rio de Janeiro, o problema foi ainda mais grave. A cobertura no Sambódromo da Marquês de Sapucaí virou um festival de interrupções desnecessárias. Em pleno desfile, a transmissão foi cortada diversas vezes para ouvirmos o rádio do diretor de Harmonia. Carnaval não é corrida de Formula 1 para acompanharmos comunicação interna de equipe. Além de ser um áudio difícil de entender, quebra totalmente o ritmo do espetáculo. A emoção da evolução, da bateria entrando no recuo, da comissão de frente executando um efeito, tudo isso perde força quando o foco sai da escola para algo que nem agrega informação clara.

E como se não bastasse, colocaram Pretinho da Serrinha no meio das baterias com uma câmera de qualidade duvidosa pior que Tecpix, invadindo o espaço e interferindo até no quesito. Ele é ótimo músico, entende de ritmo como poucos, mas o comentário poderia ser feito no estúdio. No meio da pista, com imagem ruim e enquadramento confuso, virou mais distração do que contribuição. Enquanto isso, a transmissão insistia em planos longos apenas na bateria, acelerando a percepção do desfile e ignorando alas e alegorias. Não esperamos um ano inteiro para ver segundos de um carro alegórico ou um detalhe rápido de fantasia que levou meses para ser produzido.

E aí vem outro ponto que beira o inexplicável: Mariana Gross, uma das maiores jornalistas especializadas em carnaval, fica praticamente avulsa, restrita ao esquenta e à entrada das escolas. Ela tem repertório, história e leitura crítica para conduzir a transmissão inteira. Qual a dificuldade de centralizar a apresentação em quem realmente entende do assunto? No fim das contas, para quem ama carnaval e acompanha pela TV, foi mais um ano de frustração. A avenida entrega espetáculo. Falta a transmissão entender que o público quer ver a escola inteira — e não apenas recortes desconexos.