Algoz de Minotouro, Ryan Bader rouba a cena em “Coração de Lutador”

Bader interpreta brilhantemente Mark Coleman, outro gigante do MMA e melhor amigo de Mark Kerr

Foto: MMA Magazine

Ele é um dos nomes mais reconhecido no mundo do MMA. Ryan Bader foi um grande atleta, mas em Coração de Lutador ele surpreende como ator. No filme, o ex-lutador interpreta Mark Coleman — entregando uma atuação autêntica, cheia de presença e verdade. Nas cenas ao lado de Dwayne “The Rock” Johnson, dá até pra acreditar que ele atua há anos. Ele não está apenas interpretando um lutador: ele é um lutador que parece ter nascido para o papel.

A carreira de Bader no MMA é repleta de conquistas. Exímio wrestler, ele brilhou no UFC e depois no Bellator, onde se consagrou como um dos maiores nomes de sua geração. Entre suas vitórias mais marcantes estão os triunfos sobre o brasileiro Antônio Rogério Nogueira, o Minotouro, a quem venceu duas vezes, e também sobre o brasileiro Vinny Magalhães, especialista em jiu-jítsu e finalizações. Essas vitórias consolidaram sua força no cenário internacional e reforçaram sua conexão com o público brasileiro.

Com esse histórico, não é de se estranhar que sua interpretação de Mark Coleman tenha tanta naturalidade. Ryan Bader não parece um lutador tentando atuar — ele parece um ator experiente que mergulhou de corpo e alma no personagem. As cenas de luta são intensas e realistas, e os momentos dramáticos têm peso emocional. É impressionante como ele consegue se destacar mesmo dividindo a tela com uma estrela do porte de The Rock.

Vale a pena assistir Coração de Lutador não apenas por The Rock em seu papel mais desafiador, mas também por Ryan Bader ter se desafiado como ator. Ele é o típico coadjuvante que rouba a cena e poderia até ser indicado ao Oscar. Sua atuação é impecável, forte e convincente, mostrando que o talento dentro do octógono pode, sim, se traduzir perfeitamente nas telas do cinema. Além de tudo, ele também é lindo!

Coração de Lutador: Roteiro fora do ringue é chatíssimo, mas nostalgia do Pride 2000 compensa

The Rock encarnou muito bem Mark Kerr, pode chegar ao Oscar, mas passa longe de atuação digna do prêmio

Foto: Arquivo pessoal

Acabei de ver Coração de Lutador e confesso que saí com a sensação de que o filme poderia ter entregue muito mais. A história de Mark Kerr é rica, intensa e cheia de altos e baixos, mas o roteiro aqui acaba sendo arrastado demais, sem nenhuma virada realmente impactante que prenda o espectador. O filme gira em torno de Kerr, como era de se esperar, mas não emociona como poderia — falta intensidade dramática, falta aquele momento que faça o público segurar a respiração e sair da sessão com o coração acelerado.

O que realmente dá um “up” na experiência são as cenas de luta. Nessa parte me emocionei. A forma como o estilo de Mark Kerr é retratado faz justiça ao que ele representou no MMA dos anos 2000: um lutador revolucionário, que marcou época e ajudou a moldar a identidade do esporte. Nessas sequências, o filme ganha energia e consegue traduzir o impacto que ele teve dentro do octógono e do ringue no Pride 2000, algo que até hoje é lembrado pelos fãs.

Dwayne “The Rock” Johnson entrega uma atuação interessante, diferente do que costumamos ver dele (até que enfim), e se esforça para dar peso a um personagem tão complexo. Mas, para ser digna de Oscar, faltou alguma coisa. Faltou aquele brilho que diferencia uma boa performance de uma atuação inesquecível. Ele merece elogios pela dedicação e pela transformação que passou, mas não é o suficiente para colocá-lo entre os grandes desta temporada. Quem rouba a cena no filme é Ryan Bader, que interpreta Mark Coleman.

No fim, Coração de Lutador fica no meio do caminho. Não é um filme ruim, mas também não é marcante. Tem boas lutas, boas ideias e uma história que poderia ser arrebatadora, mas a execução deixa a desejar. Saí da sala com a impressão de que a vida de Mark Kerr merecia um filme mais vibrante, mais emocionante, e que realmente honrasse tudo o que ele representou para o MMA. Vale o ingresso, mas sem o combo de pipoca e refri. Passe na Americanas e compre os salgadinhos.

Vila Isabel e Beija-Flor saem na frente no quesito samba-enredo para o Carnaval 2026

Safra de bons enredos vem decepcionando nas escolhas dos sambas. Muita escola fará o povo dormir na avenida

Foto: Liesa

Os sambas-enredo para o Carnaval do Rio de Janeiro 2026 estão sendo anunciados, mas a safra vem decepcionando. Alguns sambas não empolgaram até então, com obras abaixo da média e que não corresponderam ao potencial dos enredos escolhidos. A sensação é de que as escolas não conseguiram transformar boas ideias em músicas que realmente traduzam emoção e força para a avenida. É um cenário fraco para o próximo ano, que preocupa quem espera 12 meses por um desfile marcado pela potência musical que sempre foi característica do carnaval carioca.

Nesse contexto, apenas duas escolas despontam de verdade: Vila Isabel e Beija-Flor de Nilópolis. Ambas largaram na frente no quesito samba-enredo, se destacando num mar de obras esquecíveis. Enquanto as demais ainda parecem buscar identidade e firmeza em suas escolhas erradas, essas duas escolas já mostraram consistência e entregaram sambas que caíram no gosto do público e ganharam corpo desde as primeiras apresentações.

O caso da Vila Isabel é especial: seu samba conquistou de imediato. Desde a primeira audição, ficou claro que a obra tinha alma, tinha força e tinha o povo do seu lado. É aquele samba que ecoa fora dos muros da quadra e se espalha naturalmente, algo raro nesta temporada. É o samba candidato a sair da bolha em 2026. Já a Beija-Flor, com sua conhecida competência, fez ajustes e junções que resultaram em um samba com cara de bicampeão. E só no primeiro ensaio com seus intérpretes que vão estrear na avenida sem Neguinho da Beija-Flor pela primeira vez, a escola já transmitiu a aura de quem briga por um bicampeonato — uma atmosfera que só a Beija-Flor consegue criar em seu terreiro de Laíla.

Diante desse quadro, a conclusão é inevitável: a Vila Isabel tem o samba do ano. É a obra mais vibrante, mais popular e mais comentada. É o samba que já nasce com status de favorito. Por enquanto, a Vila é a escola a ser batida no Carnaval de 2026, principalmente pela dupla de carnavalescos que comanda o enredo deste ano. A Beija-Flor corre logo atrás, com uma força que pode surpreender na avenida e um enredo cheio de energias positivas. As demais, infelizmente, ficam em dívida com o público, deixando a sensação de que poderiam ter entregue muito mais do que apresentaram.

Ne Zha 2: Ação, mística e emoção justificam a maior bilheteria do ano

Animação entra na briga com Demon Slayer pelo Oscar 2026 e coloca o Oriente como novo polo do cinema internacional

Foto: A2

É impossível sair de Ne Zha 2: O Renascer da Alma – sem a sensação de ter visto algo grandioso. A sequência do fenômeno de 2019 não só supera o primeiro filme, como coloca a animação chinesa em um patamar que antes parecia exclusivo da Pixar ou da DreamWorks. O filme é vibrante, cheio de ação, mas, acima de tudo, profundamente emocionante. É daquelas histórias que fazem você esquecer que está diante de uma “animação” — e isso justifica totalmente a liderança absoluta nas bilheterias mundiais em 2025.

O mais fascinante é como Ne Zha 2 consegue equilibrar espetáculo visual com densidade dramática. Cada batalha é explosiva, mas nunca gratuita; tudo tem um peso emocional que prende o espectador. Ne Zha e Ao Bing não são apenas heróis mitológicos: são personagens complexos, que lidam com dilemas universais como destino, amizade e sacrifício. Essa camada extra é o que separa um bom filme de uma obra memorável.

E se olharmos para o cenário internacional, o impacto é ainda maior. Ne Zha 2 não está apenas quebrando recordes de bilheteria, mas também derrubando a ideia de que só Hollywood sabe contar histórias globais. É um sopro de novidade em um ano em que as animações ocidentais não entregaram muito. E, cá entre nós, o Oscar nunca precisou tanto de um título fora da caixa como agora. Em uma temporada fraca para o gênero, a força e a originalidade dessa produção chinesa a tornam uma das candidatas mais fortes à estatueta. Claro que o concorrente à altura, Demon Slayer, estará colado ali.

No fim, Ne Zha 2 é mais que um sucesso: é um marco cultural. A prova de que a animação pode ser épica, poética e universal ao mesmo tempo. Se você gosta de cinema que emociona e impressiona, precisa ver. O Oriente está se conectando com o Ocidente cada vez mais pelo cinema. A liderança mundial não veio por acaso — veio porque a sequência de Ne Zha é, sem exagero, um dos filmes mais impactantes do ano.

Tiago Nunes quer repetir feito de Bauza com a LDU na Libertadores

Trabalho do técnico brasileiro tem pontos em conum com DT argentino, campeão da América em 2008 junto ao time equatoriano

Foto: LDU/@Libertadores

A LDU de Quito fez história em 2008, ao conquistar a América sob o comando de Edgardo “Patón” Bauza. A equipe equatoriana não apenas quebrou barreiras geográficas, como também provou a força de um projeto ousado, liderado por um treinador que sempre acreditou na escola menottista: futebol ofensivo, corajoso e de imposição. Naquela Libertadores, a LDU mostrou que não se intimidava diante de gigantes, vencendo o Fluminense em pleno Maracanã e entrando para a galeria dos campeões continentais de forma épica.

Quase duas décadas depois, a história parece se repetir. Ontem, a LDU voltou a viver uma noite mágica ao eliminar o São Paulo no Morumbi pela Libertadores, agora sob o comando do técnico brasileiro Tiago Nunes. A equipe já havia eliminado o Botafogo nas oitavas de final. Assim como Bauza, Nunes carrega a essência do pensamento menottista, que valoriza a construção de jogo, a busca pela posse de bola e a ideia de que atacar é o melhor caminho para se impor. Contra o Tricolor, a LDU mostrou maturidade, disciplina e, ao mesmo tempo, personalidade para segurar a pressão de mais de 50 mil torcedores e 26 finalizações do ataque moldado pelo técnico Hernán Crespo.

A conexão entre Bauza e Tiago Nunes vai além da coincidência de títulos ou classificações marcantes. Ambos representam uma linhagem de técnicos que priorizam o espetáculo sem abrir mão da competitividade. A LDU de Bauza encantava pela ousadia e coragem, enquanto a de Tiago Nunes impressiona pela organização e intensidade nas jogadas que decidem jogos. Dois estilos diferentes, mas unidos pela mesma raiz filosófica: a crença de que o futebol pode ser inteso, defensivo e vencedor ao mesmo tempo.

Se em 2008 a LDU surpreendeu o continente com sua conquista inédita, hoje ela se reafirma como protagonista do Equador. País este que quer a vaga definitiva de terceira força da América, já que seus vizinhos estão deixando esse posto passar. A camisa que Bauza ajudou a tornar histórica segue aprontando seus feitos, agora guiada pelas mãos de um brasileiro que bebe da mesma fonte futebolística sonhando em repetir o feito. E a América, mais uma vez, precisa olhar para Quito com respeito e admiração.

Foto: Clarín Deportes

Série sobre o legado de Chico Anysio, maior humorista do país, estreia no Globoplay

Foto/Reprodução: Globoplay

Desde sua origem humilde em Maranguape (Ceará), Chico Anysio construiu uma carreira que ultrapassou fronteiras do riso fácil para se tornar uma referência artística multifacetada. Ele criou centenas de personagens — com traços exagerados, mas sempre com alguma ponta de humanidade — que permitiam caricaturar tipos brasileiros, criticar vícios sociais, explorar linguagens do humor (rádio, TV, teatro) e fazer reflexões sutis sobre identidade, desigualdade, poder. Sua versatilidade impressiona: ator, roteirista, cronista, radialista, ator de cinema e sempre reinventando formatos. É quase impossível contar a história do humor no Brasil sem passar por Chico: ele marcou o desenho do humor de massa, ajudou a formar plateias — gerar risadas, empatia, reconhecimento — e abriu espaço para que humoristas posteriores caminhassem sobre terreno fértil. Foi o primeiro a fazer stand-up quando esse termo nem era usado ainda.

No âmbito da televisão, Chico Anysio foi um dos pioneiros em construir estruturas de programas de humor em que os personagens eram centrais, mais do que as tramas propriamente ditas. Programas como Chico Anysio Show, Escolinha do Professor Raimundo, especiais de humor e quadros humorísticos diversos, permitiram que seu criador explorasse estereótipos regionais, sociais, de classe, expandindo o que se podia fazer em linguagem televisiva. Ele também foi importante na inovação de formatos — por exemplo no uso de videotape, de gravações externas, de personagens que “viviam” fora dos limites de cada programa, entrando em entrevistas, participações, crossovers — e tudo isso ajudou a moldar como o humor era entendido e consumido pela TV brasileira.

A série documental Chico Anysio: Um Homem à Procura de um Personagem, que estreou no Globoplay em cinco episódios, oferece uma visão renovada desse legado — não só celebratória, mas também crítica e humana. Dirigida e roteirizada por Bruno Mazzeo, filho de Chico, ela recua no tempo: infância no Ceará, primeiros passos no rádio, a chegada ao Rio, os desafios que ele enfrentou, os sucessos que consolidaram sua reputação. Segundo Bruno, “a série não é uma ‘homenagem’, um ‘especial’, mas um mergulho não só na obra, mas na alma de Chico Anysio.”  Ele diz também que esse documento lhe parece “o mais especial dos meus trabalhos”, “um filho juntando o quebra-cabeças da vida do pai”.  Ela mostra Chico como Francisco, com falhas, inseguranças, dificuldades pessoais, relações familiares complexas — não apenas o humorista eterno, mas também o homem por trás das máscaras. 

O que isso significa para o entretenimento brasileiro? Primeiro, que revisitar sua trajetória contribui para revalorizar o humor clássico, compreender de onde vieram muitas das nossas formas atuais — stand up, esquetes, comédia de personagens, sátira social. Segundo, permite uma reflexão sobre os limites do humor, sobre o que era aceitável em diferentes épocas, e como Chico soube adaptar-se, avançar, provocar — até despontar como ponto de referência para humoristas de hoje. Ter Bruno Mazzeo à frente desse projeto traz uma camada afetiva e de intimidade, uma memória de família que também serve como memória cultural. A série oferece ao público mais jovem o contato com vivências que talvez não conhecessem; para quem já era fã, a possibilidade de enxergar além do personagem, de entender decisões, contradições, sacrifícios. Em suma: a obra reforça que Chico Anysio não foi apenas um comediante de todas as classes e de muitas vozes, mas alguém cujo trabalho ajudou a moldar o Brasil que ri — e, nesse rir, se reconheceu em seu legado.