Se quiser ter chances reais nas eleições, PSD precisa lançar Ratinho Jr para ontem

Crise do Banco Master de Vorcaro vai bater nos líderes das pequisas, Lula e Flávio Bolsonaro. Brecha para terceira via crescer é agora

Foto: Estadão SP

Caso queira ter alguma chance real de disputar a Presidência em 2026, o PSD precisa parar de hesitar e apostar logo em um nome: Ratinho Jr.. Em política, tempo é tudo — e quem demora demais para decidir acaba chegando atrasado na corrida. O partido tem hoje alguns nomes possíveis no campo de centro-direita, mas a indecisão pode custar caro.

O cenário começa a abrir uma fresta inesperada. O escândalo envolvendo o Banco Master pode respingar justamente nos dois nomes que hoje aparecem como protagonistas da polarização nacional: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. Se a crise política ganhar corpo, abre-se espaço para uma alternativa fora desse duelo já conhecido que domina o debate público desde 2018.

É justamente aí que entra a possibilidade de crescimento de Ratinho Jr.. Jovem para os padrões da política nacional, governador bem avaliado no Paraná e com perfil menos ideológico, ele poderia se apresentar como um nome de renovação moderada. Mas isso exige construção de imagem nacional desde já — algo que não se faz em seis meses de campanha. Ter sangue novo ajuda muito, mas mostrar a experiência que já se tem provando capacidade para governar leva tempo ao chegar no eleitor.

O problema é que o PSD ainda parece preso em discussões internas, tentando decidir entre Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou o próprio Ratinho Jr.. Essa dúvida estratégica pode acabar diluindo a força de um partido que, vale lembrar, foi o que mais elegeu prefeitos nas eleições municipais de 2024, demonstrando capilaridade e presença política em todo o país.

Se existe um partido com base municipal suficiente para lançar um projeto presidencial competitivo, esse partido é o PSD. Mas para transformar estrutura em candidatura viável, será preciso abandonar a cautela excessiva. Em política, quem quer ocupar o espaço da terceira via precisa começar a caminhada antes de todo mundo — e não quando a eleição já estiver batendo à porta.

Programa de Eliana já está com cara de ser ruim

Duelo contra Domingo Legal vai complicar ainda mais a vida da apresentadora

Foto: Gshow

A guerra dos domingos na televisão brasileira sempre foi uma das mais intensas da programação. É o dia em que as emissoras apostam alto para conquistar o público que está em casa depois do almoço, procurando entretenimento leve antes do futebol ou simplesmente um programa para acompanhar em família. Neste próximo domingo, a disputa ganha um novo capítulo.

A TV Globo decidiu colocar o Big Brother Brasil às 13h para servir como impulso à estreia de Em Família com Eliana, novo programa dominical comandado pela apresentadora. A estratégia é clara: usar um produto forte para tentar alavancar uma novidade na grade. O problema é que o Em Família com Eliana já estreia com um problema sério — a impressão inicial de que é um programa morno, sem graça e engessado. Pelo que se viu da proposta, parece mais um desses formatos familiares genéricos, sem grande identidade e com uma cara de programa que já nasce datado. A proposta do dominical ainda é confusa, emvolvendo visitas à casa de famílias musicais e levando eles pro palco para um game…

Em uma faixa horária tão competitiva, começar assim é um risco enorme. Enquanto isso, o SBT chega para essa disputa com um produto que conhece muito bem o público de domingo. O Domingo Legal, comandado por Celso Portiolli, também prepara novidades. O programa ganha cenário novo e traz de volta um quadro que sempre foi sinônimo de audiência: o popular Comprar é Bom, Levar é Melhor, patrocinado pela Havan, que costuma mobilizar famílias inteiras em frente à televisão.

A Record também quer entrar nessa briga. O programa “Boom” comandado por Tom Cavalcante vem registrando bons resultados. Ou seja, novidades não faltam na programação das emissoras. Mas o domingo também é movido por hábito. E nisso o Domingo Legal leva vantagem. Para muita gente, ele já virou aquele programa conforto do início da tarde, companhia tradicional antes de começar o futebol. Eliana está de volta aos domingos, agora em outra emissora e cercada de expectativa, mas, do jeito que as coisas começam, tudo indica que Celso Portiolli ainda deve continuar soberano nessa faixa.

F1 na Globo: Parecia um velório, apesar da qualidade

Apenas Mariana Becker brilhou

Foto: Sky Sports

A estreia da Fórmula 1 na Globo neste retorno da categoria à emissora teve um gosto meio estranho para quem acompanha a categoria há anos. O GP da Austrália, que já foi naturalmente uma corrida pouco movimentada, acabou ficando ainda mais morno com uma transmissão excessivamente engessada. Nem cobertura de guerra é tão triste daquele jeito. As fofocas do caso Vorcaro/Banco Master na Globo News estavam mais divertidas durante a semana, do que a transmissão da corrida.

Faltou leveza, faltou emoção e, principalmente, faltou aquela sensação de espetáculo que sempre acompanhou as manhãs de Fórmula 1 na TV brasileira. Mesmo com a qualidade nas imagens e com boa cobertura, mostrando inclusive o pódio e bastidores pré e pós-corrida que eram cobrados pelo público, tudo pareceu um pouco chato.

A narração e os comentários pareciam presos a um tom sério demais, quase burocrático. Em vários momentos, a transmissão lembrava mais a cobertura de um telejornal ou até de uma situação de guerra do que de um evento esportivo que também é entretenimento. Fórmula 1 é tecnologia, estratégia, velocidade, mas também é paixão, narrativa e clima de espetáculo — algo que simplesmente não apareceu nessa primeira corrida.

Foto: Instagram

Quem acabou se destacando foi Mariana Becker. E não foi pouca coisa. A repórter, que já era um dos grandes trunfos das transmissões, brilhou praticamente sozinha. Continuou fazendo o excelente trabalho de sempre nos boxes e ainda estreou como comentarista, com observações inteligentes, naturais e muito bem contextualizadas. Foi quem trouxe vida a uma transmissão que, em vários momentos, parecia anestesiada.

É curioso porque a Band, com todos os seus defeitos técnicos e limitações, tratava a Fórmula 1 como entretenimento de verdade. Havia mais vibração, mais conversa, mais clima de corrida. Na Globo, pelo menos nesta estreia, tudo pareceu excessivamente protocolar. Claro que é apenas a primeira etapa da temporada e ajustes sempre acontecem.

Mas para quem passou a madrugada acordado para ver, lembrou a protocolar transmissão do carnaval de São Paulo. Era uma festa, mas sem emoção alguma. Vale aguardar as próximas transmissões para ver se a emissora encontra um tom mais leve — porque Fórmula 1 também precisa ser divertida de assistir! 🏁

Ser mulher no Brasil é um inferno

Não é apenas no futebol, como escrevi dias atrás. E não nos venha com florzinha dia 08

Foto: Reprodução

O Brasil vive uma pandemia que não apareceu em boletins epidemiológicos, mas que mata, dilacera e traumatiza todos os dias: a violência contra a mulher. Não é exagero, não é força de expressão — é uma realidade sustentada por números, manchetes e histórias que se repetem com uma crueldade quase automática. São atropelamentos propositais após discussões, são mulheres assassinadas por ex-companheiros inconformados, são estupros que acontecem à luz do dia e também dentro de casa. É uma rotina brutal que já deixou de chocar como deveria.

A cada semana, um novo caso absurdo ocupa os noticiários: mulheres perseguidas, agredidas em elevadores, mortas na frente dos filhos, queimadas, esfaqueadas, silenciadas. Muitas tinham medida protetiva. Muitas pediram ajuda. Muitas avisaram que estavam correndo risco. E mesmo assim, o desfecho foi o mesmo. O ciclo é perverso: ameaça, violência, omissão, luto. E depois, mais uma estatística. Como se a vida delas coubesse apenas em um número frio.

Quando se observa o cenário internacional, o alerta é ainda mais grave. O México aparece com frequência em rankings globais como um dos países mais perigosos para mulheres, especialmente pelos altos índices de feminicídio. Mas o Brasil parece disputar essa posição com uma constância assustadora. A sensação é de que estamos normalizando o inaceitável, como se fosse apenas “mais um caso” em um país que já se acostumou à barbárie.

É impossível não dizer com todas as letras: é um inferno ser mulher no Brasil. É viver com medo de voltar sozinha para casa, de aceitar um encontro, de terminar um relacionamento. É calcular roupa, horário, trajeto. É compartilhar localização em tempo real como estratégia de sobrevivência. É crescer aprendendo que a responsabilidade pela própria segurança é sempre sua — nunca de quem ameaça. Aí chega dia 08 de março é florzinha com adesivo: Feliz dia da mulher… Jura?

E o mais cruel é que essa pandemia não tem vacina simples. Ela exige educação, políticas públicas eficientes, punição rigorosa e, principalmente, mudança cultural profunda. Não basta indignação nas redes sociais depois de cada tragédia. É preciso romper o ciclo estrutural que permite que mulheres continuem sendo tratadas como propriedade, como alvo, como corpo disponível. Enquanto isso não acontecer, continuaremos enterrando sonhos, projetos e vidas. E continuaremos repetindo, com dor e revolta: não é normal. Não pode ser normal. Não aguentamos mais!

Galvão estreia pelo SBT na vice-liderança em embate contra Craque Neto

“Galvão FC” foi bem promovido na grade da emissora e não tem gritaria como no concorrente. Continua sendo a melhor opção para as noites de segunda-feira

Foto: Reprodução

A estreia de Galvão Bueno no SBT marca um daqueles momentos que entram para a história da televisão brasileira. Depois de décadas sendo a voz oficial das grandes transmissões esportivas da Globo, Galvão começa um novo capítulo em uma emissora que respira entretenimento popular e proximidade com o público. E começou bem: vice-liderança na audiência, ficando atrás apenas da Globo, que exibia o Big Brother Brasil e um especial sobre os Mamonas Assassinas. Não é pouca coisa. É sinal claro de que o público quis ver essa nova fase.

O programa é um debate de verdade. Todo mundo fala, todo mundo é ouvido. Mesmo com o Galvão — que, como a gente sabe, adora uma boa narrativa e não economiza palavras — o formato não vira gritaria, não vira bagunça. Há organização, há respeito e há espaço para opinião. A presença de Ratinho deu um tempero especial, mostrando que o SBT soube misturar perfis diferentes sem perder o controle da mesa. É um programa que dá gosto de assistir porque tem conteúdo, mas também tem leveza.

Galvão está visivelmente feliz. E isso a gente já vinha comentando na coluna: ele precisava de novos ares. No SBT, ele parece mais solto, mais à vontade, menos engessado do que em seus últimos anos na Globo. A mudança de emissora fez bem. Ele continua sendo o grande comunicador de sempre, com a experiência de quem atravessou gerações, mas agora com um brilho diferente no olhar — aquele brilho de quem está se divertindo de novo fazendo televisão. Seu programa na Band em 2025 também foi legal, mas lá agora, no mesmo horário tem o “Apito Final” de Craque Neto como concorrente. Nesta segunda ele ficou em apenas 5º lugar na audiência.

Algo que comprova a leveza e felicidade de Galvão na nova casa, foi vê-lo participando do Passa ou Repassa, no Domingo Legal, levando tortada na cara e rindo de si mesmo. É outro Galvão. Ou melhor: talvez seja o Galvão de sempre, mas sem amarras. Ver um ícone histórico da TV se permitindo brincar, sair do pedestal e se misturar ao espírito irreverente do SBT é muito mais interessante do que acompanhá-lo preso a um formato rígido. Essa nova fase promete — e, pelo começo, será marcante. Além disso, ele continua sendo a melhor opção para as noites de segunda.

Há 30 anos, Gugu fazia o programa que mudaria sua história

Apresentador comandou a maior cobertura sobre o fatal acidente dos Mamonas Assassinas

Foto: SBT

No dia 2 de março de 1996, o Brasil acordou em choque com a morte dos integrantes do Mamonas Assassinas. E foi naquele domingo que Gugu Liberato deixou de ser apenas um apresentador de auditório popular para se tornar protagonista de um dos capítulos mais marcantes da televisão brasileira. À frente do Domingo Legal, ele transformou um programa de entretenimento em uma cobertura histórica, conduzida ao vivo, com emoção, agilidade e senso de responsabilidade.

A televisão dos anos 90 tinha dono aos domingos. Existia disputa, tensão no Ibope, guerra declarada por audiência. Mas naquele 2 de março, Gugu fez algo que poucos imaginariam: ele assumiu o papel de comunicador completo. Organizou entradas ao vivo, acionou helicóptero, mobilizou equipe e levou ao público informações em tempo real sobre o acidente na Serra da Cantareira. O resultado? 37 pontos de média e picos de 47 — um feito que até hoje ecoa como a maior audiência da história do programa e uma das maiores já registradas pelo SBT.

Mas reduzir aquele domingo a números é pequeno demais. O que Gugu fez foi entender o sentimento do país. Ele sabia que o Brasil não queria apenas chorar — queria informação, contexto, despedida. E ele entregou isso com o carisma que sempre foi sua marca registrada. Não era jornalismo tradicional, mas era comunicação pura. Era o apresentador que entrava nas casas brasileiras todos os fins de semana assumindo, ali, um papel que ia além do entretenimento. Em certo momento daquele domingo, todas as outras emissoras e veículos da imprensa foram para o estúdio de Gugu fazer a cobertura em tempo real do acidente com a banda que o Brasil mais amava na época.

Trinta anos depois da despedida dos Mamonas, falar daquele domingo na TV aberta é, inevitavelmente, falar de Gugu. Ele ajudou a moldar o formato dos programas dominicais, misturando emoção, prêmios, histórias humanas e, quando necessário, informação. Ele entendeu que domingo é ritual. É família reunida, é almoço estendido, é televisão ligada como trilha sonora da casa e banheira do Gugu pra divertir. A cobertura da morte dos Mamonas não foi apenas o maior programa de sua carreira — foi o momento em que ele mostrou que dominava o palco, a audiência e, principalmente, o coração do público.

Quando a banda foi em sua única participação no Domingo Legal, também bateu recordes de audiência (Foto: Uol)