A soberba voltou: Thunderbolts* é um dos melhores filmes da Marvel em anos

Foto: Marvel Studios

Acabei de sair da sessão de Thunderbolts* e estou completamente impactada! Que filmaço! A Marvel conseguiu se reinventar de uma forma ousada, intensa e absolutamente envolvente. Eu entrei na sala do cinema com baixas expectativas, confesso, para não me frustrar, mas nada me preparou para a grandiosidade dessa obra. É simplesmente um dos melhores filmes que o estúdio já produziu — e não digo isso com exagero. A história é bem amarrada, o elenco entrega tudo e mais um pouco, e a direção é corajosa, com cenas que vão ficar na minha cabeça por muito tempo pela emoção e qualidade.

O que mais me impressionou em Thunderbolts* foi a forma como o filme trata os personagens. Todos eles têm profundidade, dilemas reais, camadas que tornam impossível rotulá-los como vilões ou heróis. São anti-heróis, sim, mas com alma, com conflitos humanos e cenas de redenção que me emocionaram de verdade. Ver figuras como Yelena, Bucky, Red Guardian e até o US Agent interagindo, brigando, se entendendo — foi uma montanha-russa emocional. E eles são os personagens mais parecidos com nós, meros mortais que superam seus dilemas e desafios.

O roteiro é afiado, cheio de diálogos marcantes e reviravoltas que tiram o fôlego. A ação, claro, é um espetáculo à parte. As cenas de lutas, a construção das sequências explosivas e o uso impecável dos efeitos visuais deixam claro que estamos vendo a Marvel no seu melhor estado de forma. Mas Thunderbolts* vai além da pancadaria. Ele tem algo que poucos filmes do estúdio tiveram: coragem para explorar zonas cinzentas da moralidade e mergulhar fundo no psicológico dos seus protagonistas.

O filme também acerta muito na trilha sonora, na fotografia mais sombria e até no ritmo — que é bem diferente do padrão Marvel. Vocês vão perceber isso logo no início, na famosa vinheta de abertura. E isso, pra mim, é um mérito enorme. Thunderbolts* tem identidade própria, não tenta imitar o que já foi feito antes. Ele constrói seu espaço dentro do universo Marvel com firmeza, personalidade e autenticidade. A química entre os personagens é real, viva, e eu já tô torcendo pra ver essa equipe reunida de novo em breve.

Sério, fui embora do cinema com a sensação de ter assistido a algo memorável. Thunderbolts* é o tipo de filme que nos lembra por que a gente ama esse universo — e mostra que ainda há muito gás nessa franquia. Se você curte histórias com peso, emoção, ação de alto nível e personagens imperfeitos que você aprende a amar, assista que vale a pena. Que obra-prima. Marvel, querida, você voltou, enfim, à grande forma e acertou em cheio!

OBS: Fiquem até o final para ver todas as cenas pós-crédito. E cheguem mais cedo para ver o trailer de Superman com o nosso mascote Krypto arrasando (:

“Domingão com Huck” precisa esquecer quadros chatos e apostar na nostalgia da TV

Foto: Portal Terra

O sucesso do Domingão com Huck depende muito mais de olhar para dentro, para a própria história do Domingão do Faustão, do Caldeirão do Huck, e da própria televisão do que tentar inventar moda a qualquer custo. O que faz o público se conectar é a essência dos programas de auditório que, durante anos, foram sinônimo de domingo na televisão brasileira: entretenimento leve, quadros de impacto e reverência à cultura popular. Huck precisa entender que carregar essa herança é um trunfo e não um peso, e que tentar criar um programa com quadros desconexos só afasta a audiência.

É muito nítido que quando o programa aposta em formatos já consagrados, como a Dança dos Famosos, o resultado é positivo. Outro quadro que funciona muito bem é o Batalha do Lip Sync, especialmente quando traz duas figuras icônicas para dublar artistas de peso. Isso é divertido, é leve e tem apelo popular — a fórmula certa para um domingo à noite. Mas, por outro lado, insistir em quadros como esse dos anônimos cantando é um erro crasso. O público de domingo não quer ver uma versão esticada de Raul Gil em horário nobre. Isso funciona para um sábado à tarde, não para um domingo em que a expectativa é alta.

O quadro de anônimos cantando simplesmente não tem carisma, não prende quem está em casa e ainda quebra o ritmo do programa. É arrastado, repetitivo e não combina com o clima que o público espera para encerrar o fim de semana. No lugar disso, Huck deveria apostar ainda mais na nostalgia, nas homenagens e nas histórias dos bastidores da televisão, resgatando momentos que marcaram gerações. Isso sim gera identificação, emoção e garante que o público fique até o final do programa.

Outro problema é a tentativa de forçar a barra com quadros de humor sem graça. Colocar Rafael Portugal e Ed Gama para fazer esquetes que não arrancam uma risada sequer é desperdiçar tempo e audiência. A intenção de deixar o programa mais leve é boa, mas a execução está completamente equivocada. Não é enchendo o programa de atrações aleatórias que ele vai se tornar dinâmico; muito pelo contrário, fica perdido, sem identidade.

No fundo, o que o Domingão com Huck precisa é de menos invenção, menos enrolação com os Lata Velha da vida e mais reverência à própria TV. Respeitar o que já foi construído, entender o que emociona e diverte o público de domingo, e saber exaltar a história da televisão brasileira. Quando Huck acerta a mão na emoção e na memória afetiva, o programa cresce, emociona e faz sentido. Quando se perde em quadros sem propósito, vira apenas mais um programa de auditório esquecível que é trocado por Patrícia Abravanel facilmente no controle remoto.

George Henrique & Rodrigo detalham tudo sobre conturbada saída de escritório no ‘Tem Base’

Bastidores sórdidos que a dupla viveu durante os últimos anos foram contados em conversa que rendeu revelações e desabafos;

Foto: Tem Base Podcast

Depois de 14 anos sob a gestão do escritório Worldshow, que tem como produto principal a consagrada dupla Bruno & Marrone, George Henrique & Rodrigo anunciaram oficialmente sua saída da empresa no início deste ano. A decisão, embora já ventilada nos bastidores do sertanejo, ganhou contornos reveladores após matérias publicadas por Leo Dias. Agora, a participação da dupla no podcast Tem Base, de Müller Bento e Juliana; os irmãos expuseram detalhes da complicada saída do escritório e episódios delicados que viveram ao longo do tempo em que estiveram vinculados aos ex-empresários. Segundo eles, o acúmulo de desgastes internos, promessas não cumpridas e dificuldades no direcionamento da carreira foram fatores decisivos para o rompimento.

Com uma trajetória marcada por grandes sucessos, George Henrique & Rodrigo conquistaram seu espaço no cenário sertanejo com canções que rapidamente caíram no gosto do público. “Receita de Amar” foi um dos primeiros hits a projetar a dupla nacionalmente, abrindo caminho para outros grandes sucessos na carreira como “Vai Lá em Casa Hoje”, “Promessa de Cachaceiro”, “De Copo em Copo” e a energética “Bagunça Minha Vida”. O talento da dupla, aliado a composições certeiras, consolidou uma base fiel de fãs, especialmente após o emblemático primeiro DVD gravado em um posto de combustíveis de Goiânia, que se tornou um símbolo da identidade jovem, romântica e popular dos dois.

Durante a conversa no Tem Base, George Henrique & Rodrigo não apenas detalharam os bastidores da saída, mas também relataram episódios sórdidos vividos dentro do escritório, como negligência de compromissos, falta de apoio estratégico em momentos decisivos da carreira e um distanciamento crescente entre artistas e gestão. Um dos fatos derradeiros para a dupla tomar a decisão de novos rumos na carreira foi ter ficado de fora – literalmente – do projeto “Inevitável”, iniciado no ano passado por Bruno & Marrone.

A franqueza com que trataram os temas surpreendeu e revelou um lado pouco conhecido da relação entre escritórios e artistas no universo sertanejo. O público muitas vezes nem faz ideia do que acontece fora dos palcos. Enfim, livres do vínculo com a Worldshow, George Henrique & Rodrigo seguem com a missão de reestruturar a carreira de maneira mais independente, apostando na própria visão artística e no relacionamento direto com o público. A saída marca o fim de um ciclo, mas também o início de uma nova fase, com a promessa de mais liberdade, autenticidade e espaço para arriscar novos caminhos no cenário musical. Talentos eles tem de sobra, pois são uma das duplas mais completas em um mercado tão carente de coisa boa nos últimos tempos.

Assistam ao podcast completo a seguir:

Ao maior do sertanejo: Piska

Foto/Reprodução: Cifras.com

O dia 22 de abril é sempre especial. Celebramos com saudade e reverência o legado de um dos seus maiores nomes nos bastidores da música – para mim, o maior: Carlos Roberto Piazzoli, o Maestro Piska. Em décadas de trabalho no rock e no sertanejo, foi muito mais do que um maestro. Piska foi um verdadeiro arquiteto sonoro do sertanejo moderno, um gênio dos arranjos, da harmonia e da emoção nas suas composições e melodias. Neste dia que seria o seu aniversário, sua contribuição permanece viva em cada acorde, em cada solo de guitarra e em cada canção cuidadosamente construída por ele ao longo dos anos 80, 90 e 2000. Seu estilo simplão e cabelo esvoaçante nem se refletem nas robustas obras que marcaram a música e mudaram o cenário nacional para sempre.

Maestro Piska, pode sim, ser considerado o maior arranjador e maestro da história da música sertaneja. Seu trabalho se destacou não apenas pela técnica impecável, mas principalmente pela sensibilidade artística. Ele sabia como poucos traduzir a dor, o amor, a saudade e a esperança em orquestrações que marcaram época. Era também um multi-instrumentista respeitadíssimo, com domínio de diversos instrumentos, o que lhe dava uma visão única de cada canção com a qual se envolvia. Quando ouço uma por uma, particularmente posso até sentir sua presença onde estiver.

Como compositor, deixou verdadeiras joias que continuam emocionando o público. Entre as composições mais marcantes está “Mentira que virou Paixão”, eternizada por Leonardo, uma canção de entrega intensa e melodia envolvente que tem todo seu DNA. Piska gravou todos os instrumentos dela no estúdio Mosh. Já em “Antes de Voltar pra Casa”, interpretada por Zezé Di Camargo & Luciano, Piska ofereceu uma canção profunda, com arranjo sofisticado e letra tocante, que se encaixou perfeitamente no estilo sentimental da dupla que fez em 2000 seu melhor disco – ao lado daquele de 1998, justamente.

Foto/Reprodução: Instagram

Outras obras de sua autoria também dominaram as paradas de sucesso e foram uma revolução sonora, como “Minha Estrela Perdida” e “Alguém”, gravadas por João Paulo & Daniel — verdadeiras pérolas do romantismo sertanejo, que só reforçam a versatilidade e o talento de Piska em compor temas universais com alma caipira. E quem não se emociona ao ouvir “Preciso Ser Amado”, novamente na voz de Zezé Di Camargo & Luciano, que mistura intensidade e vulnerabilidade de forma única? Ela tem uma das dobras de guitarras mais bem feitas pelo Maestro.

Além das composições, são seus arranjos orquestrais que se tornaram capítulos à parte na história do sertanejo. Ele elevou o gênero a um novo patamar técnico e emocional. Canções como “Eu Era Assim”, “Loucura Demais” e “Pare!” são exemplos perfeitos de como Piska conseguia transformar uma música em uma verdadeira experiência sensorial. “Pare!”, inclusive, também de sua autoria, é uma obra-prima que sintetiza sua genialidade: letra forte, melodia marcante e uma orquestração de arrepiar com uma introdução inconfundível. Aliás, um de seus primeiros arranjos que foi sucesso no sertanejo está na música “Eu Juro”, gravada por Leandro & Leonardo. Em seguida seu legado se iniciava de vez em 1994, na faixa “Foi a Primeira Vez” de ZC&L.

Além do sertanejo, Piska deixou sua marca também no pop e no rock nacional. Seu trabalho ficou principalmente em evidência com o trio KLB, sucesso nos anos 2000. O senhor Carlos Roberto Piazzoli partiu cedo demais, mas seu nome brilha em cada palco e em cada música que seus arranjos ecoam. Seu legado é eterno, não apenas pelas obras que assinou, mas pelo estilo, pela elegância e pela alma que deu ao gênero. Sem contar que ele era um ser humano incrível pelo que amigos e familiares relatam. Hoje, no dia em que completaria mais um ano de vida, fica o reconhecimento e a gratidão dos que reconhecem sua importância na música brasileira. O maestro multi-talentoso se foi, mas seu legado permanece e continuará a ser reverenciado eternamente.

Mesmo sem o Oscar de Melhor Filme, Conclave sai como grande vencedor da temporada

Foto: Prime Video

A obra-prima Conclave é, indiscutivelmente, o grande vencedor da última temporada do cinema, mesmo sem levar o prêmio de Melhor Filme no Oscar 2025. A obra se destacou por estar profundamente conectada com a realidade, trazendo uma narrativa que tocou o público de forma intensa e inesperada. É raro ver um filme com temática religiosa — ainda mais ligado à igreja católica — gerar tanta comoção e torcida genuína. E Conclave fez isso com sobriedade, talento e sensibilidade, sem apelar ou forçar emoções.

A forma como o filme foi feito também explica seu impacto. Entre todos os indicados, Conclave era o mais coerente, o mais sólido em termos de estrutura e mensagem. A direção foi precisa, o elenco brilhou com atuações marcantes e a história foi conduzida com o equilíbrio raro entre emoção e reflexão. Era o tipo de filme que deixava o espectador em silêncio no final, absorvendo tudo o que tinha visto. E convenhamos: quem, anos atrás, imaginaria que o público torceria tão intensamente por um filme católico?

A derrota, no fim das contas, teve gosto de injustiça. Não porque perder faz parte — e faz —, mas porque o filme que venceu, A Nora, não entregou o suficiente para justificar o prêmio de Melhor Filme. Não teve a força emocional, a relevância temática nem a mesma consistência narrativa. Foi uma escolha que muitos viram mais como política do que como mérito artístico, e isso só reforçou o quanto Conclave merecia mais.

Ainda assim, Conclave não saiu de mãos abanando: levou para casa o Oscar de Melhor Roteiro Adaptado — e com justiça. A adaptação foi fiel ao livro sem perder o ritmo cinematográfico, transformando páginas em cenas com uma naturalidade impressionante. Foi uma obra impecável, tanto pelo cuidado com os detalhes quanto pela profundidade dos diálogos e personagens. Um roteiro que soube respeitar a essência da história e elevar seu impacto para a tela grande.

E como se tudo isso já não bastasse, Conclave chegou ao Prime Video exatamente na semana em que sua história se repete, agora, na vida real. A coincidência da morte do Papa Francisco ampliou ainda mais o simbolismo do filme e reafirmou seu lugar como o grande título da temporada. Mesmo sem a estatueta principal, Conclave venceu no que mais importa: na relevância, na entrega e no coração do público. E isso, no fim das contas, vale mais que qualquer prêmio. E se o longa amanheceu nesta segunda-feira em 2º lugar entre os mais assistidos na plataforma, amanhã vai acordar no topo, onde deverá permanecer por muito tempo.

A paixão do Papa Francisco pelo San Lorenzo e a inédita Libertadores do seu clube

Foto: El País

O Papa Francisco, primeiro pontífice latino-americano da história, foi também um torcedor apaixonado por futebol — e mais especificamente, pelo Club Atlético San Lorenzo de Almagro. O clube argentino, fundado por padres salesianos e com fortes raízes católicas, ganhou ainda mais destaque internacional ao ser revelado como o time do coração de Jorge Mario Bergoglio, desde a infância vivida no bairro porteño de Flores. A relação do Papa com o San Lorenzo transcendeu o campo e se confundiu com fé, a identidade e a memória afetiva.

Mas se o amor pelo clube sempre foi inabalável, em 2014 ele alcançou seu momento mais glorioso. Sob o comando do técnico Edgardo Bauza, o San Lorenzo conquistou pela primeira vez a tão sonhada Copa Libertadores da América — um título que parecia inalcançável até então. A equipe mostrou um futebol pragmático, eficiente e muito inteligente na época, marcado por uma defesa sólida e jogadas cirúrgicas no ataque. O time surpreendeu com a conquista inédita iniciada em seu emblemático estádio, Nuevo Gasómetro e concretizada no Paraguai diante do Nacional.

Jogadores como Leandro Romagnoli, símbolo da garra e da história azulgrana, foram fundamentais. Ídolo da torcida e um dos grandes nomes da campanha, Romagnoli representava o elo entre a tradição e aquele time histórico. Ao seu lado, nomes como Ortigoza, Cauteruccio, Piatti, o goleiro Torrico e Mauro Mato também brilharam e fizeram história. A final contra o Nacional do Paraguai, vencida no agregado por 2 a 1, selou o feito que uniu fé e futebol como nunca antes. Muitos apontaram a conquista inédita como mérito do Papa. Mas ele mesmo reconheceu o mérito do trabalho que uma equipe que tinha muito de Bauza, um verdadeiro professor da escola argentina de treinadores.

Pouco depois da conquista continental, os jogadores do San Lorenzo foram recebidos no Vaticano por um emocionado Papa Francisco, que abençoou a taça da Libertadores — uma cena que virou símbolo máximo da comunhão entre o clube e seu torcedor mais ilustre. O San Lorenzo campeão de 2014 não foi apenas um time vencedor. Foi um capítulo inesquecível na vida de um torcedor que, mesmo vestido de branco e vivendo em Roma, nunca deixou de carregar no peito as cores azul e grená. Além disso, o Papa nunca se esqueceu dos ensinamentos que compartilhava em Boedo, bairro tradicional de Buenos Aires onde o San Lorenzo está.

Francisco foi o primeiro Papa do nosso continente, representando durante seu papado muito de seu legado propagado em vida na Argentina, nação sempre aguerrida e batalhadora como ele. Mesmo no Vaticano, Jorge nunca deixou que o futebol se tornasse apenas uma lembrança distante. Em encontros com jogadores e personalidades do esporte, como o inesquecível Diego Maradona, o pontífice mostrava sua paixão pelo jogo com a mesma leveza com que fala sobre a vida.

Maradona, aliás, o reverenciava, mesmo sendo torcedor do rival Boca Juniors — numa daquelas cenas que só o futebol e a fé conseguem proporcionar. Em outro encontro marcante do Papa com grandes nomes do esporte, Oscar Schmidt encontrou o Papa em 2013, para receber a benção na luta contra um câncer no cérebro. E ele venceu essa doença, assim como todos aqueles que tiveram Francisco como aliado em momentos decisivos, dentro e fora de campo. Agora, o histórico pontífice vai se reencontrar com “la mano de Diós”.

Foto: El País