Final de “Round 6” decepciona e não condiz nem de longe com grandeza que a série foi

Foto: Netflix

O final de Round 6 decepcionou. Não só a mim, claro. Para uma série que começou com um soco no estômago, cheia de tensão, crítica social e reviravoltas intensas, era esperado um desfecho à altura do fenômeno mundial que ela foi — e isso não aconteceu. A melancolia do último episódio não foi uma escolha estilística poderosa, foi um esvaziamento daquilo que a série prometeu e entregou tão bem ao longo dos episódios anteriores. A sensação é de que o roteiro afrouxou justamente na reta final, quando a história mais precisava de impacto e ousadia.

Até as teorias mirabolantes criadas pelos fãs nas redes sociais, principalmente no TikTok, eram mais emocionantes, mais criativas e faziam mais sentido do que a resolução escolhida pela série coreana. É como se o roteiro tivesse medo de ousar, de ir além. E nesse medo, acabou sacrificando boa parte da alma que fez Round 6 explodir no mundo todo. O final foi um desperdício criativo, que deixou no ar aquela incômoda pergunta: “Era só isso?”.

Claro que, dentro da proposta da série, a morte do protagonista, Seong Gi-hun, poderia até fazer sentido. A trajetória dele já caminhava para um desfecho trágico, e isso era algo que os fãs até esperavam — e aceitariam, se bem construído. Mas o problema é que não foi apenas a morte dele que pesou. Foi todo o resto: a falta de clímax, o esvaziamento da crítica, o tom morno que se instaurou ali nos episódios finais, onde antes havia explosão, tensão, angústia e loucura. Round 6 terminou como se tivesse cansado de si mesma.

No fim das contas, faz parte. Nem toda série sabe como se despedir, e Round 6 tropeçou justamente nesse adeus. Agora, resta torcer para que os spin-offs e derivados que já estão a caminho consigam resgatar um pouco do espírito original, ou pelo menos entregar algo mais envolvente. Porque se depender apenas do final da temporada principal, o gosto que fica é de frustração. A série terminou com mais perguntas do que respostas, mortes forçadas e com o ‘Frontman’ bad com a vida – igual a nós depois de assistir.

F1: Apesar da atuação nível Fiuk de Brad Pitt, filme entrega tudo nas cenas de corrida

Foto: Arquivo pessoal

O filme Fórmula 1 – F1 chegou com promessa de velocidade, emoção e o charme dos bastidores da categoria mais glamourosa do automobilismo mundial. E, de fato, quando se trata de emoção e adrenalina, o filme entrega tudo. A presença da Fórmula 1 como protagonista nas cenas de corridas em circuitos emblemáticos é o que realmente segura a atenção do público – não é pela atuação do Brad Pitt, infelizmente.

Brad Pitt, que interpreta o veterano piloto que tenta voltar ao topo, entrega uma performance abaixo do esperado. Em certos momentos, lembra o Fiuk nos tempos de Malhação ou A Força do Querer. Faltou uma dedicação a mais, faltou verdade. Ele está lá, mas a gente não sente ele lá. No entanto, é justamente por isso que o esporte brilha ainda mais: porque o que emociona é a Fórmula 1 em si, não o drama encenado.

O diferencial do filme está na presença de pilotos reais e figuras autênticas do paddock, o que dá um gostinho quase documental. Ver nomes de verdade em meio à ficção é um presente para os fãs. E já que é pra dar um spoilerzinho (o único, prometo): Toto Wolff aparece e rouba a cena com sua beleza. Pra mim, ele é o verdadeiro galã da Fórmula 1 – e vê-lo na telona foi um prazer à parte mesmo que em segundos de participação.

As imagens são espetaculares. Elas que carregam o filme nas costas. A fotografia impressiona, com tomadas que colocam o espectador dentro dos carros, sentindo a pressão, o barulho, a velocidade. A parte técnica do filme é um show. O som, o ritmo das corridas, tudo faz a gente vibrar ao assistir. É daqueles filmes que você sai querendo acelerar por aí (com responsabilidade, claro).

No fim das contas, F1 é uma experiência cinematográfica que vale pela emoção do esporte, pela qualidade visual e pelo respeito à Fórmula 1 como espetáculo. Só não espere muito do Brad Pitt, como já disse. Nesse grid, ele largou mal e ficou preso no pelotão do meio. Os demais do elenco estão com boas atuações.

Copa do Mundo de Clubes: Um alento e diversão em meio à tantas notícias ruins do dia a dia

Criticamos a criação do torneio e ficamos com um pé atrás antes de tudo acontecer. Agora amamos a competição como nenhuma outra;

Foto: Getty Imagens

A verdade é que todo mundo torceu o nariz quando anunciaram o novo formato da Copa do Mundo de Clubes. Calendário apertado, times cansados, excesso de jogos, times aleatórios juntos… mas bastou a bola rolar pra gente perceber o quanto esse torneio podia ser especial. A começar pela trilha sonora que escolheram para o tema da competição – Freed From Desire.

De repente, um jogo inimaginável meses atrás numa terça à tarde virou desculpa pra sair mais cedo do trabalho, encontrar os amigos, abrir uma cerveja e apostar uns trocados (com responsabilidade, claro). A vida ganhou pequenas alegrias inesperadas — um respiro no meio da rotina pesada e, principalmente, das manchetes tristes como as da guerra entre Irã e Israel. O futebol fez o que sabe fazer de melhor: uniu, distraiu, emocionou.

Foi como viver um Carnaval fora de época. Intenso, colorido, imprevisível. E, como todo bom Carnaval, a graça está na dosagem certa. Se tivesse Mundial de Clubes todo fim de semana, perdia a magia. Mas do jeito que foi — concentrado, raro, vibrante — virou experiência pra guardar na memória. O mais curioso é ver no campo o que antes só era possível no videogame: confronto entre Palmeiras e Inter Miami, Flamengo contra Chelsea, Boca versus Bayern, River vs Internazionale.

Dessa vez não é só naquele jogo único de dezembro, entre o campeão da Libertadores e o da Champions. Agora é fase de grupos, oitavas, quartas… virou realidade. E que incrível foi acompanhar essa primeira etapa. Além dos cavalinhos do Fantástico que agora estão trabalhando como nunca na Central da Copa. Até deram uma nova chance para o gato francês Petit Gateau, mascote das Olimpíadas do ano passado.

Talvez o torneio das seleções não emocione tanto quanto esse. Porque aqui tem paixão de clube, rivalidade continental, torcida raiz, e aquela vontade genuína de vencer o outro por história — e não só por bandeira. E vamos combinar que tirando países como Argentina, México, África do Sul, Colômbia e Uruguai, poucas torcidas de seleção fazem a diferença em um estádio de Copa.

Que venha 2029! Quem sabe com jogos aqui mesmo, no Brasil, com sol, churrasco, pepsi e estádio cheio. Porque se a gente duvidava, hoje não duvida mais: o Mundial de Clubes deu certo. E a gente já está com saudade. Quem diria!

Elio: Animação tem uma boa história com execução instável

Foto/Reprodução: Disney Plus

Elio, nova aposta da Pixar, parte de uma premissa encantadora: um garoto tímido e criativo acaba sendo confundido com o líder da Terra por uma organização intergaláctica. A história tinha tudo para ser uma jornada emocionante sobre amadurecimento, empatia e pertencimento — mas esbarra em escolhas de roteiro que deixam a narrativa mais rasa do que poderia ser.

O universo apresentado é visualmente bonito e cheio de potencial, mas pouco explorado. Ao invés de mergulhar nas nuances das civilizações alienígenas e no impacto real dessa confusão diplomática, o filme prefere se concentrar em situações repetitivas e diálogos que nem sempre conduzem a trama de forma eficaz. Fica uma sensação constante de “quase lá”.

O protagonista, Elio, é um caso à parte. Embora seja fácil se identificar com suas inseguranças e seu desejo de ser ouvido, sua personalidade às vezes escorrega para o irritante. Em vários momentos, suas reações soam forçadas ou exageradas, o que dificulta a conexão emocional com o público. Felizmente, o arco do personagem se fecha com mais maturidade e entrega uma redenção satisfatória, ainda que previsível.

No fim das contas, Elio é um filme com alma, mas que tropeça na execução. A mensagem sobre identidade e pertencimento está lá — só precisava de um roteiro mais coeso e corajoso para brilhar de verdade. Uma boa ideia que merecia ter ido além. Sai da sessão com a mesma sensação de Lilo & Stitch, dava pra ser sido melhor. Vale o ingresso se você estiver com tempo e sem opção pra ver no cinema. Em questões técnicas, a qualidade está impecável como tudo que a Pixar e a Disney fazem juntas.

Lilo & Stitch: Funciona mais pra geração Enzo do que pra geração do desenho

Roteiro deixou a desejar pela mega promoção feita. Geração Enzo/Valentina dão um banho de educação nas sessões, enquanto os adultos não calam a boca. Até quando?

Foto: Disney Plus

A versão live-action de Lilo & Stitch chegou cercada de expectativa e nostalgia. A divulgação foi pesada, a promessa era grande — afinal, estamos falando de um clássico querido da geração que cresceu vendo o desenho original nas tardes de sábado ou nas fitas VHS. Mas, no fim das contas, o que entregaram foi um filme com ritmo arrastado, que tenta, sem muito fôlego, alcançar o coração dos fãs antigos.

O roteiro demora a engatar e parece se esforçar demais para parecer “fofinho”, o que tira um pouco da naturalidade da história. A relação entre Lilo e Stitch ainda é o ponto alto, mas falta aquele calor que o original sabia oferecer — aquele que fazia a gente rir, chorar e repetir a frase “ohana quer dizer família” com os olhos cheios d’água. No entanto, o filme funciona — só que para outro público.

Dá pra perceber que ele foi pensado muito mais para a geração “Enzo/Valentina” do que pra quem já sabe de cor a trilha sonora original. É leve, colorido, rende algumas risadas e entrega uma boa mensagem sobre amizade verdadeira e os valores que realmente importam. No fim, é um típico “Sessão da Tarde”: passa o tempo, diverte em momentos pontuais, mas não emociona de verdade. Pra quem cresceu com o desenho, fica aquele gostinho de que poderiam ter feito mais. Ou, pelo menos, feito melhor.

Ao menos, a experiência de ir ao cinema ainda é válida só pela abertura lindíssima da Disney que sempre nos transporta para aquele mundo onde um rato nos comanda. Falando na geração Enzos, que torcem para o P$G, eles tem dado um show de educação no cinema atualmente. Desde “Moana” e outros filmes “infantis”, tenho tido boas experiências com crianças no cinema. Em compensação, os adultos estão cada dia piores. Parece que desaprenderam a se comportarem no cinema pós-pandemia.

Que falta faz o Wolverine mandando o pessoal calar a boca e desligar o celular durante a sessão antes do filme começar. Por essas e outras, muitas pessoas estão esperando os filmes nos streamings para verem no conforto do seu lar sem ninguém atrapalhar. Errados não estão. Aliás, Lilo & Stitch é um dos filmes que também valem a pena esperar em casa. Guarde seu dinheiro para os próximos lançamentos ou pro Missão Impossível – O acerto final (esse sim, precisa ser vivido na telona).

Sem inventar modismo, Leonardo acerta ao gravar lado B da própria carreira em mega projeto

Esposa do cantor tem acordado nas madrugadas para rezar pelo DVD, que celebra o legado de Leo no sertanejo

Foto: Newton Fonseca

Enquanto tantas duplas consagradas parecem perdidas tentando se reinventar no universo volátil do TikTok e do Spotify, Leonardo caminha na contramão — e, ironicamente, acerta em cheio. O cantor está gravando um novo DVD que terá parte do lado B da própria carreira. A escolha não poderia ser mais acertada. Nada de músicas feitas para viralizar, nada de parcerias forçadas com nomes da moda e nem tentando buscar hit com compositores sem essência. Leonardo aposta no que tem de mais valioso: o próprio legado. E isso, em tempos de pressa e fórmulas fáceis, é um gesto ousado, maduro e respeitoso com a grande história que ele construiu ao longo de décadas.

Enquanto nomes como Bruno & Marrone e Rionegro & Solimões seguem tentando fisgar um público mais jovem com apostas que muitas vezes soam deslocadas, Leonardo demonstra segurança e lucidez ao olhar para trás e reconhecer que seu acervo musical é mais do que suficiente para continuar encantando plateias. São 50 músicas escolhidas a dedo, passeando por clássicos da era Leandro & Leonardo e também por faixas da fase solo, especialmente aquele período mais “pop” e romântico dos anos 2000, que ainda ecoa forte na memória afetiva de milhões de fãs.

O repertório do DVD é um prato cheio para quem ama sertanejo de verdade, daquele que emociona sem precisar recorrer a fórmulas modernas ou hits descartáveis. Músicas que talvez não tenham sido os maiores sucessos nas rádios, mas que carregam a alma de uma carreira construída com consistência, talento e carisma. É a chance de ver canções esquecidas ganharem luz novamente, sob uma nova produção, mas com o mesmo coração e romantismo de sempre. Aliás, Poliana Rocha, esposa do cantor, tem feito orações para o projeto ser muito abençoado. Pelo jeito que as coisas andam, tem dado muito certo.

A produção musical está nas mãos de Newton Fonseca, nome forte por trás de projetos de artistas como Gusttavo Lima, Naiara Azevedo, Zé Felipe e tantos outros. Com Leonardo, ele tem mantido uma parceria afinada, e tudo indica que este DVD será mais um marco na carreira do cantor. Um projeto ambicioso, mas ao mesmo tempo sóbrio, sem pretensões comerciais mirabolantes — apenas a intenção de revisitar a própria trajetória com dignidade e bom gosto. E essa vai ser justamente a fórmula do sucesso que o projeto terá. Leonardo mostra, mais uma vez, por que segue sendo um gigante.

Ele não precisa se reinventar pensando em lançamento para agradar um novo público, não precisa se adequar às regras do jogo atual. Basta valorizar o que construiu. Ao contrário de muitos colegas que estão tropeçando ao tentar agradar novas audiências, Leo permanece firme, fiel ao que sempre foi: um artista de essência, com uma discografia poderosa e uma presença de palco que atravessa gerações, seja solo ou ao lado do ‘Amigos’. E esse novo DVD é a maior prova disso que ele representa. O novo projeto deve ter o mesmo impacto que o seu primeiro show no Canecão em 1991, que mexeu com o mercado mostrando a força do sertanejo de verdade na música brasileira. E atualmente, só Leonardo tem esse poder nas mãos.