Categoria: Música

Álbum ao vivo do Carnaval de São Paulo é muito superior ao do Rio

Foto/Reprodução

O álbum ao vivo do Carnaval do Rio 2025 chegou e, como sempre, causa expectativa entre os apaixonados por samba-enredo no pós-carnaval. Mas, na comparação com o álbum ao vivo do Carnaval de São Paulo, fica difícil sustentar que o carioca saiu na frente. Enquanto o do Rio parece mais uma lembrança protocolar da Sapucaí, o de São Paulo entrega emoção, intensidade e uma experiência muito mais completa para quem vive o Carnaval o ano inteiro e quer se sentir dentro do Anhembi.

A diferença começa no esquenta. No álbum paulista, ouvimos o esquenta das escolas, aquele momento de aquecimento que arrepia a todos, até com a fala dos presidentes das agremiações. É ali também que o intérprete se conecta com a comunidade, que a bateria esquenta de verdade e o público entra no clima. No álbum do Rio, nada disso aparece. O ouvinte cai direto na introdução da primeira passada do samba, sem esquenta, sem alma e sem o calor da preparação.

Outro ponto que pesa é a duração das faixas. No álbum de São Paulo, cada escola tem mais tempo para brilhar: a faixa ao vivo é mais longa, com três passadas completas do samba, além do esquenta e todo momento que antecede a arrancada da escola. Já no álbum do Rio, são apenas duas passadas rápidas, quase como se estivéssemos ouvindo uma versão compacta da Marquês de Sapucaí. Para quem quer sentir a energia do desfile, não é suficiente.

Ainda no ao vivo do Rio, coisas engraçadas acontecem. A Grande Rio, por exemplo, veio com um discurso forte sobre a valorização dos curimbós e jurando que a bateria foi despontuada injustamente porque dava pra ouvir o tal dos curimbós na apresentação em segundos no desfile. Mas na gravação oficial ao vivo, esses elementos praticamente não aparecem. Mal dá pra identificar os atabaques, quanto mais sentir a força dos pontos cantados. Se nem no álbum a gente ouve, dá pra imaginar o desafio de captar isso da cabine dos jurados — onde cada detalhe deveria ser ouvido com clareza e respeito.

O álbum ao vivo é mais que um registro: é a memória afetiva do desfile. E, em 2025, São Paulo entendeu isso melhor do que o Rio. Não basta ser tradicional e ter grandes escolas, é preciso entregar uma gravação à altura do espetáculo que se viu na avenida. Enquanto o álbum carioca soa apressado e protocolar, o paulista vibra com cada batida da bateria, com cada verso do samba e com a entrega das comunidades. O Carnaval também se ouve — e, nesse quesito, São Paulo levou a melhor mais uma vez. Ao menos, no álbum carioca temos o último samba cantado pelo Neguinho da Beija-Flor e a força da Viradouro, mesmo com seu desfile burocrático. Sambas da Tijuca e da Vila Isabel surpreendem no ao vivo sendo um dos melhores do ano direto da Sapucaí.

Ouça os álbuns dos sambas ao vivo de São Paulo e do Rio na Deezer!

(Neguinho da Beija-Flor é capa do Ao Vivo, em sua despedida com título em homenagem a Laíla)

Calcinha Preta: Confira o repertório e tudo que rolou na primeira gravação do Atemporal 2

Foto: Festival Atemporal

O Atemporal que aconteceu neste sábado (12), em Maceió, foi mais uma prova da força e da imensidão que é o fenômeno Calcinha Preta. O público alagoano lotou o entorno do palco 360° com uma energia que só esse evento sabe proporcionar. Os figurinos impecáveis, como sempre, deram um toque de espetáculo a cada entrada dos cantores, e as surpresas da noite deixaram os fãs em êxtase. Bell Oliver apareceu de visual novo, com o famoso cabelão que o fez ser sucesso, e foi impossível não se emocionar. Dennis Nogueira também marcou presença como convidado especial da noite e fez bonito no palco, cantando os hits que foram marcantes em sua voz na banda.

A emoção foi ainda maior com a presença de nomes históricos como Berg Rabelo, Marlus Viana e Raied Neto. A nostalgia bateu forte e a plateia vibrou com cada entrada desses ícones que marcaram gerações. Mesmo com a chuva que caiu durante o show, ninguém arredou o pé — pelo contrário, a água do céu só aumentou a emoção e deu um charme especial à noite. Silvânia Aquino estava deslumbrante, dominando o palco com seu carisma e sua voz potente. Ela é, sem dúvidas, um dos grandes pilares dessa história que nunca envelhece. Claro que Daniel Diau e O’hara Ravick também brilharam junto ao excelente repertório da noite.

No entanto, um ponto que precisa ser revisto é a organização da programação. A demora entre as atrações que antecederam o show principal deixou o público visivelmente cansado. Márcia Fellipe, apesar de ter feito o melhor show entre os convidados, teve um tempo de palco absurdamente curto, o que gerou frustração entre muitos fãs. A verdade é que o festival já passou da hora de repensar seu formato: menos atrações e mais Calcinha Preta no palco.

Desde o ano passado, o público vem pedindo isso: um espaço onde a banda possa brilhar por mais tempo, sem tantas interrupções ou interlúdios que só servem para prolongar a espera. Quem vai ao Atemporal quer viver o universo de Calcinha Preta intensamente — e isso inclui mais músicas, mais tempo de palco e uma experiência mais fluida do início ao fim.

A grandiosidade da Calcinha Preta, banda que revolucionou o forró, merece ser protagonista não só no palco, mas em toda a estrutura do evento. É preciso um olhar mais cuidadoso na organização, desde a compra dos ingressos até os momentos finais do festival. Maceió entregou mais um espetáculo, mas a altura da banda exige que o Atemporal seja cada vez mais enxuto, coeso e pensado com o coração de quem realmente entende o que significa ser apaixonado pela Calcinha de verdade. E o projeto ainda terá gravações em outras cidades neste ano. Aguardemos!

As músicas gravadas no Atemporal 2 em Maceió foram:

  • Onde o sonho mora
  • Versos e promessas (Tem mais alguém?)
  • Longe
  • A casa caiu
  • Faço chover
  • Te acho tão linda
  • Encruzilhada
  • Palavras
  • Quem sabe um dia
  • Sou assim, não vou mudar
  • Fotografias
  • Meu anjo
  • Tutti-frutti / Não se apaixone não

Rionegro & Solimões estão cometendo o mesmo erro de Bruno & Marrone

Foto: Instagram

Tem coisas que a gente custa a entender. Uma delas é ver artistas consagrados jogando o talento fora com escolhas duvidosas. Rionegro & Solimões estão atravessando uma dessas fases. A dupla, que ajudou a construir a identidade do sertanejo nos anos 90 e 2000, agora parece perdida, tentando seguir tendências que não combinam com sua essência. Estão errando como Bruno & Marrone: insistindo em músicas fracas, sem alma, como se isso fosse abrir espaço entre os artistas mais jovens. Spoiler: não vai.

Me surpreendi recentemente com um anúncio deles no instagram, oferecendo um pix de 400 reais para quem se cadastrasse na promoção e ouvisse a nova música “O Peão Voltou”. Tá aí uma coisa que só artista que necessita de engajamento faz em lançamento de música ruim. E outra: Nem pagando ouvirei algo produzido pelo produtor musical inominável deles, que – acredite – é aquele mesmo que tem estragado a vida de Bruno & Marrone. Coincidência? Infelizmente não!

Rionegro & Solimões têm repertório para cantar pelo resto da vida sem precisar lançar mais nada, assim como Leonardo e Zezé & Luciano, por exemplo. Uma dupla que já entendeu isso claramente são os conterrâneos de R&S vindos de Franca (SP), Gian & Giovani, que lançaram um projeto do Lado B deles mesmos recentemente. Se montassem um show só com os sucessos antigos de Rionegro & Solimões, seria um espetáculo de primeira — cheio de emoção, lembrança boa e respeito do público.

E o mais curioso é que, anos atrás, eles até arriscaram algo diferente com “O Cowboy Vai Te Pegar”. Era comercial, divertido e até funcionava dentro do seu tempo. Mas o que vem sendo lançado agora está muito abaixo da média. Falta inspiração, falta verdade. Não tem público jovem, nem experiente que goste. É como se estivessem tentando agradar um público que nem é o deles. E nessa tentativa de se reinventar a qualquer custo, estão se afastando justamente dos fãs que os colocaram onde estão. É triste ver artistas desse tamanho presos à ideia de que precisam parecer modernos o tempo todo. Não precisam. Precisam apenas ser eles mesmos.

Leonardo entendeu isso perfeitamente, como já citado. O cantor vai gravar um DVD com 50 clássicos da própria carreira. Isso é reconhecer o valor do próprio legado. É ter consciência do impacto que a sua história tem na vida das pessoas. Rionegro & Solimões poderiam seguir por esse mesmo caminho: olhar para trás com orgulho e usar isso como combustível, em vez de se perder tentando acompanhar modinhas que não têm nada a ver com eles.

Ainda dá tempo de virar esse jogo. Mas, pra isso, é preciso lembrar quem eles são. E lembrar que a história que eles construíram vale muito mais do que qualquer hit descartável. Inclusive, Rionegro teve composições incríveis feitas junto com o parceiro de caneta, Domiciano. Só essas obras gravadas principalmente por Chrystian & Ralf dariam um projeto surreal de diferente e com muita qualidade. Ah, difícil a vida de quem gosta de sertanejo atualmente, não é mesmo? Vamos ouvir as guitarras do Ximbinha mesmo, pra não passar mais raiva ainda!

DVD “Revelação – 30 anos de História” ainda é o melhor do ano

Únicos concorrentes à altura estão no forró, com Taty Girl, Márcia Fellipe e Wesley Safadão

Foto: Instagram

Nada de novo no fronte. Assim estão os projetos audiovisuais desse ano, que começou sem muitas novidades e nada tão impressionante por parte dos artistas de diversos gêneros. O mercado de DVD’s musicais anda cada vez mais acelerado, com alguns querendo estourar uma música do dia pra noite. Outros fazem coisas gigantesas por puro ego, mas o repertório deixa a desejar. E até o momento, apenas quatro projetos se destacaram de verdade como os grandes do ano: Grupo Revelação – 30 Anos de História, Taty Girl – O baú da Taty, Márcia Fellipe – Retrô e Wesley Safadão com seu DVD de vaquejas e forró raiz.

O álbum ao vivo do Revelação é uma verdadeira celebração à história do grupo, que há três décadas embala o pagode com sua identidade inconfundível. A gravação reuniu convidados renomados como Péricles e o próprio Xande de Pilares. Produzido por Bira Hawai, o projeto trouxe uma setlist que passeia por toda a trajetória da banda, entregando nostalgia e qualidade sonora de sobra. Para quem ama o estilo, é um prato cheio. Até o momento, pelo repertório e pelo contexto do álbum, é o melhor projeto ao vivo do ano com sobras.

Taty Girl foi além e entregou o que pode ser chamado de o maior baú da história do forró. Esse DVD mergulha fundo nos clássicos do gênero, trazendo sucessos que marcaram gerações e que até hoje embalam festas e vaquejadas pelo Nordeste. O projeto reforça a importância da artista dentro do forró e resgata a essência de um tempo em que as bandas dominavam o cenário. Ela acertou em cheio e vive a melhor fase de sua carreira até então valorizando sua trajetória e a de parceiros no palco.

Seguindo essa mesma linha, Márcia Fellipe apostou no formato retrô mais uma vez e fez bonito com o repertório escolhido. O DVD traz clássicos do forró, relembrando grandes momentos da sua carreira e colocando em evidência canções que nunca saem de moda na sua voz. É daqueles lançamentos que fazem o público cantar junto do começo ao fim. O que são os feats de Márcia com Safadão cantando “Farra da Marcinha”, dos tempos de Garota Safada e seu encontro com Felipão – Forró Moral, dançando ao som de “Sem Querer”?!

E fechando essa lista, Wesley Safadão apostou em um projeto que fala diretamente com seu público fiel: “Bem-vindo ao meu mundo – Forró e Vaquejada”. Sempre inovando e trazendo grandes feitos para o mercado, Safadão entrega um trabalho pensado para os amantes do sertanejo e forró de vaquejada, um estilo que tem cada vez mais força no Brasil. Sua essência está ali, como pedida há muito tempo pelos fãs do cantor. Wesley sempre que quer sabe surpreender, assim como gravou músicas do sertanejo no arrocha, projeto também lançado neste ano.

Se 2025 começou assim, já dá para imaginar que teremos outros grandes lançamentos vindo por aí do forró e do pagode. Mas até agora, esses são os DVDs que marcaram o começo desse ano, que está voado diga-se de passagem. Infelizmente quem está deixando a desejar nos lançamentos é o sertanejo. Murilo Huff é quem apostou em um projeto mais intimista e surpreendeu. Vamos ver o que Léo Magalhães tem preparado para os 20 anos de sucesso dele. Não mais, é aguardar e conferir o que já temos de bom.

Para ouvir e assistir todos os álbuns citados, busque na Deezer e no Youtube. Divirta-se!

A vida presta e Shawn Mendes está no auge dela

Foto: Globoplay

O show de Shawn Mendes no Lollapalooza Brasil 2025 foi uma celebração vibrante da conexão especial entre o artista e o público brasileiro. Ele tem uma vibe única que entrega a cada canção. Desde a abertura com “There’s Nothing Holdin’ Me Back”, Shawn demonstrou uma energia contagiante, cativando os fãs presentes no Autódromo de Interlagos, em São Paulo. Seu show foi um dos melhores do festival até agora, junto com a queridinha da geração Z, Olivia Rodrigo e o popstar brasileiro Jão.

A setlist equilibrada transitou entre sucessos consagrados e faixas mais recentes do astro canadense. Clássicos como “Treat You Better” e “Señorita” foram entoados em coro pela plateia, evidenciando a sintonia entre o cantor e seus admiradores. Músicas do álbum “Shawn”, lançado em novembro de 2024, também marcaram presença, incluindo “Isn’t That Enough” e “Heart of Gold”, esta última acompanhada por uma emocionante homenagem dos fãs, que ergueram balões amarelos em memória de um amigo do cantor. 

A performance de “Mas Que Nada” foi um dos pontos altos da noite. Ao interpretar o clássico brasileiro, Shawn reafirmou seu apreço pela cultura nacional. Ao final da canção, ele surpreendeu ao dizer em português: “A vida presta”, uma referência à atriz Fernanda Torres, que viralizou nas redes sociais. A relação de Shawn Mendes com o Brasil é marcada por momentos significativos.

Desde sua estreia no país em 2017, no Rock in Rio, o cantor expressa carinho pelo público brasileiro. Em 2019, retornou para apresentações individuais, embora tenha enfrentado desafios, como o cancelamento de um show em São Paulo devido a problemas de saúde. Após uma pausa na carreira para cuidar da saúde mental, Shawn escolheu o Rock in Rio 2024 para seu retorno aos palcos, declarando: “Brasil, você é uma luz neste mundo”. 

Esse amadurecimento artístico foi evidente no Lollapalooza 2025. Shawn apresentou arranjos sofisticados e uma presença de palco confiante, refletindo sua evolução como músico e intérprete. A interação calorosa com os fãs, descendo do palco para abraçá-los e incorporando elementos da cultura brasileira em sua apresentação, reforçou a autenticidade de sua conexão com o país. Suas passagens pelo Brasil sempre deixam marcas e boas lembranças.

O encerramento com “In My Blood”, acompanhado por fogos de artifício, simbolizou não apenas a grandiosidade do espetáculo, mas também a resiliência de um artista que, ao longo dos anos, construiu uma relação sólida e afetuosa com seus fãs. Shawn Mendes não apenas entregou uma performance memorável, mas também reafirmou seu lugar especial no coração do público latino, assim como fez em Buenos Aires na semana passada. Além de tudo, mostra que está vivendo a melhor fase da carreira e da vida com o amadurecimento que demonstra no palco.

Quem é o autor de “Balada”, maior hit do futebol internacional atualmente

Essa música nunca pode ficar de fora das playlist’s dos principais estádios do mundo, especialmente os da Colômbia, do México, do Oriente Médio, de Portugal e claro, da Argentina. Nessa semana então, tocou em dobro. O compositor por trás do sucesso “Balada” (Balada Boa – Tchê Tchê Rere Tchê Tchê) de Gusttavo Lima é Cássio Sampaio. Natural de Pernambuco, ele se destacou no mercado da música sertaneja ao criar hits que marcaram época, em especial por escrever tanta música boa sozinho.

Além de “Balada”, música que virou a chave da carreira de Gusttavo e também deu nome ao escritório do cantor, Cássio também é o responsável por “Festa na Piscina”, gravada por Carlos & Jader, e o sucesso icônico “Inquilino”, interpretado por Naiara Azevedo. Seu talento para compor refrões marcantes e melodias envolventes fez com que suas músicas fossem gravadas por grandes nomes do gênero.

Foto: @cassiosampaiooficial

Balada”, lançada em 2011, se tornou hit mundial e atemporal, levando a música brasileira para diversos países no mundo. A letra chiclete acabou consolidando Gusttavo Lima como um dos principais nomes do sertanejo universitário. Ela chegou para o repertório do segundo DVD do cantor faltando poucas horas para o projeto ser gravado. Improvisando nos arranjos, Maestro Pinocchio nem conseguiu ensaiar com a banda e a música foi feita ao vivo, gravada diversas vezes para se tornar um video que iria pro DVD. Isso também ajudou o público a decorar a letra com muita facilidade e na mesma semana, ela já foi parar nas rádios se tornando o sucesso que é.

Nos últimos anos, “Balada” se tornou uma das músicas mais tocadas nos estádios e ficou atrelada ao futebol brasileiro internacionalmente. Talvez pela letra e melodia contagiante, ela caiu no gosto das torcidas. Na última terça-feira, o goleiro Dibu Martízes chegou a postar o hit para comemorar a vitória da Seleção Argentina contra o Brasil, na goleada por 4×1 no Monumental de Núñez. Se a música já era queridinha dos boleiros, agora se tornou ainda mais. Sorte do Cássio, autor único desse hit futebolístico!