Categoria: Futebol Argentino

Ramón Díaz se tornou o treinador argentino com mais títulos na história

Don Ramón desbancou Helenio Herrera, Marcelo Gallardo e Carlos Bianchi ao conquistar Paulistão pelo Corinthians;

Foto: La Nación

Ramón Ángel Díaz tem uma carreira marcada por sucessos e desafios como um dos treinadores mais experientes do futebol argentino. Como jogador, destacou-se como atacante no River Plate e em clubes europeus, incluindo Napoli, Fiorentina, Internazionale e Monaco. Pela Internazionale, conquistou a Serie A na temporada 1988–89, e pelo Monaco, venceu a Copa da França em 1991. Além disso, integrou a seleção argentina na Copa do Mundo de 1982.

Após encerrar sua carreira como jogador, Ramón Díaz iniciou sua trajetória como técnico no River Plate em 1995. Durante sua primeira passagem pelo clube, obteve notável sucesso, conquistando a Copa Libertadores de 1996 e múltiplos títulos do Campeonato Argentino. Seu trabalho foi fundamental para o desenvolvimento de talentos como Ariel Ortega, Hernán Crespo e Marcelo Gallardo. O técnico tem um estilo voltado ao de dois treinadores de mesmo nome que o inspiram: Carlos Bianchi e Carlos Bilardo.

Além do River Plate, Díaz comandou equipes como San Lorenzo, onde venceu o Campeonato Argentino (Clausura) em 2007, e fez uma passagem recheada de títulos no Al-Hilal, da Arábia Saudita, conquistando o Campeonato Saudita (2016–17 e 2021–22) e a Copa do Rei (2017 e 2022–23). No Brasil, teve uma breve passagem pelo Vasco da Gama em 2023, ajudando o clube a evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. Sua frase “Vasco no vá bajar” ficou famosa como lema dele difícil ano pro clube.

Ramón Díaz é reconhecido por sua capacidade de motivar equipes e implementar estilos de jogo defensivos. Isso passa uma segurança para alguns, mas eleva críticas de outros que hoje enxergam o futebol cada vez mais ofensivo. Sua experiência internacional lhe confere uma visão ampla do futebol, permitindo adaptações táticas conforme as necessidades da equipe. Além disso, é habilidoso na gestão de vestiário e no desenvolvimento de jovens talentos. Tem um olhar apurado para ver de longe o talento de novos craques.

Apesar dos sucessos na carreira, Díaz enfrentou críticas, especialmente relacionadas à sua passagem pelo Vasco da Gama em 2024. Sob seu comando, o time foi eliminado na semifinal do Campeonato Carioca pelo Nova Iguaçu e sofreu uma goleada de 4–0 para o Criciúma, levando à sua demissão em abril de 2024. Esses resultados levantaram questionamentos sobre sua capacidade de manter consistência em diferentes contextos. 

Em 10 de julho de 2024, Ramón Díaz foi anunciado como treinador do Corinthians, assinando contrato até dezembro de 2025. Sua chegada trouxe expectativas de reestruturação e melhoria de desempenho para o clube. Sob seu comando, o Corinthians evoluiu no campeonato Brasileiro de 2024 e neste ano já alcançou uma conquista importante, como contra o Palmeiras na final do Campeonato Paulista. No entanto, a equipe também enfrenta desafios, incluindo derrotas significativas como para o Barcelona de Guayaquil na pré-Libertadores, que colocou o time somente na Sulamericana. Esses altos e baixos refletem a necessidade de maior consistência e estabilidade sob sua liderança.

Em resumo, Ramón Díaz possui uma carreira repleta de conquistas e desafios. Sua experiência e habilidades são inegáveis, mas os resultados recentes indicam a importância de adaptações e estratégias eficazes para alcançar sucesso contínuo no comando do Corinthians. O clube nessa temporada é favorito para o título da Sula, além de forte candidato na Copa do Brasil.

Com a conquista do Paulistão 2025, “Don Ramón” se tornou o técnico argentino com mais títulos na história. O bilardista tem 17 títulos na carreira como treinador, ficando a frente de Helenio Herrera (16), Marcelo Gallardo (15) e Carlos Bianchi (15). Esse é um dos motivos que o fazem ter mais motivação para continuar à beira do gramado, ao lado de Emiliano Díaz, por muito tempo ainda e tendo a chance de somar mais conquistas à sua brilhante trajetória.

Argentina dá presente de aniversário para Bilardo com goleada no Monumental

Foto: Clarín Deportes

Carlos Salvador Bilardo e a Seleção Argentina sempre estiveram profundamente entrelaçados, em uma relação de devoção, obsessão e glória. Como treinador, ele marcou época ao levar a Albiceleste ao título da Copa do Mundo de 1986, comandando Diego Maradona e um grupo de jogadores que ficaram eternizados na história do futebol. Mais do que um estrategista, Bilardo personificava uma filosofia de jogo e de vida, pautada pela busca incessante por vitórias que deu origem a “Escola Bilardista”. Seu estilo, muitas vezes polêmico, dividia opiniões, mas ninguém jamais questionou sua paixão e entrega pela camisa celeste e branca.

Mesmo após deixar o comando técnico da Seleção, Bilardo nunca se afastou da entidade. Trabalhou como dirigente, comentarista e seguiu sendo uma referência para treinadores e jogadores que vieram depois, principalmente para Alejandro Sabella, vice-campeão do Mundo em 2014 – bilardista como ele. Seu nome se tornou sinônimo de futebol argentino, sendo lembrado tanto pelo sucesso quanto pelo seu jeito peculiar de ver o jogo. Para muitos, Bilardo era mais do que um técnico vitorioso: era um pensador do futebol, um mestre que enxergava além das quatro linhas e sabia como transformar grupos em equipes vencedoras.

Nos últimos anos, Bilardo tem travado uma batalha contra uma doença degenerativa, que o afastou do protagonismo, mas não do amor pelo futebol e pela Seleção. Carlitos como o chamam seus familiares, teve idas e voltas no hospital. Desde o final de 2018 a época da pandemia, “El Doctor” precisou redobrar os cuidados com a saúde em longas internações que teve. Mesmo diante das dificuldades, ele nunca deixou de acompanhar a Albiceleste e seu clube Estudiantes de La Plata, sempre que pode, assistindo aos jogos pela televisão, com o mesmo brilho nos olhos de quem dedicou a vida ao esporte. Ver a Argentina em campo continua sendo um dos momentos que mais lhe trazem alegria, um elo inquebrável com a história que ele ajudou a construir.

Foto: TyC Sports

Na semana passada, Bilardo completou mais um ano de vida, 87 carnavais muito bem vividos. Embora sua saúde não seja mais a mesma, o carinho que recebe de jogadores, torcedores e admiradores demonstra o quanto ele é querido e respeitado. Sua influência segue viva, não apenas nos bastidores do futebol porteño, mas também no coração dos argentinos que reconhecem sua importância na construção do DNA vencedor da Seleção. Para cantar o “feliz cumpleaños” ele recebeu a visita de seis campeões mundiais de 1986 comandados por ele. E claro, sua imagem com o bolo rodou o país e ficamos imensamente felizes em ver um registro seu inédito.

A vitória da Argentina sobre o Brasil no Clássico desta noite disputado no épico Monumental de Núñez é, sem dúvidas, um presente de aniversário atrasado para Bilardo. 4 vs 1 para a felicidade dos bilardistas e de seu mentor. Um presente que ele certamente recebeu com emoção, vibrando como nos velhos tempos assistindo pela TV em seu sofá azul. Diz o irmão de Bilardo, Jorge, que ele está encantado com essa nova geração, a geração que devolveu a Copa do Mundo ao país depois de 36 anos. Ver a Albiceleste campeã novamente, triunfando nos grandes jogos e consolidando sua força no cenário mundial, é algo que o eterno treinador mais do que ninguém merecia presenciar. O melhor é que ele assiste tudo pela TyC Sports, melhor emissora argentina – sem clubismo.

O tricampeonato da Argentina conquistado no Qatar em 2022 e as vitórias recentes da equipe, são a prova de que o legado de Bilardo segue vivo. Sua influência ultrapassa o tempo e continua inspirando aqueles que vestem a camisa celeste e branca, até mesmo Lionel Scaloni, que teve como um de seus mentores o Sabella. A Seleção de hoje carrega sua mentalidade vencedora, sua fome de glória e superação que nunca foram perdidas, mas agora é recompensada por títulos. E, enquanto houver futebol, Carlos Bilardo será lembrado como um dos grandes responsáveis por transformar a Argentina em uma potência mundial. Sem esquecer, claro, de uma mãozinha do Maradona nisso tudo.

Independiente e Racing fazem duelo acirrado no clássico de Avellaneda

Foto: Arquivo Pessoal

No último domingo o Estádio Libertadores de América recebeu o disputado clássico de Avellaneda. La Academia ficou no empate contra El Rojo. Com um gol de Martirena aos 20 minutos do primeiro tempo, o time de Costas abriu o placar, mas a equipe de Vaccari empatou na etapa complementar após muita insistência. Independiente e Racing ficaram no 1 a 1 pela 10ª rodada do Torneio Apertura.

A equipe de Julio Vaccari perdeu a chance de vencer um clássico como mandante depois de vários anos e, além disso, desperdiçou a liderança isolada do Grupo B. Aos 20 minutos do primeiro tempo, Juan Nardoni roubou a bola de Lautaro Millán e, na sequência, a bola sobrou para Maravilla Martínez. O atacante encontrou Maximiliano Salas, que cruzou da esquerda e o ala uruguaio apareceu na área, para marcar o 1 a 0 parcial para o Racing.

E quando parecia que o destino do clássico de Avellaneda favoreceria o visitante do dia, Álvaro Angulo apareceu para alívio dos torcedores do Independiente. O colombiano venceu a disputa com Gabriel Arias e, de cabeça, marcou o gol que decretou o 1 a 1 final no Libertadores da América. Rodrigo Rey salvou o Rojo no primeiro tempo, enquanto Arias fez o mesmo pela Acadé na segunda etapa. Sem dúvidas, na segunda metade da partida, o time da casa foi amplamente superior ao visitante, que começou o jogo de maneira mais confortável.

O Racing precisava da vitória mais do que nunca, considerando que está distante das primeiras posições no Grupo A. Já o Independiente começou a rodada como líder isolado do outro grupo, mas, com a vitória do Rosario Central e o empate de hoje, desperdiçou a chance de se manter no topo. O time de Vaccari chegou aos 21 pontos no Torneio Apertura, assim como o Canalla, deixando o River em terceiro na Zona B, com 19 pontos. Já a equipe de Gustavo Costas somou apenas 10 pontos, ficando na décima posição, embora ainda tenha um jogo pendente contra o Unión em Santa Fe.

Viver um Clássico de Avellaneda é uma experiência única e intensa, que começa muito antes do apito inicial. As ruas ao redor do estádio se enchem de torcedores, bandeiras e cânticos apaixonados, criando um ambiente de pura emoção. Nos arredores, barraquinhas vendem clássicos da culinária argentina, como choripán, empanadas e bondiola, enquanto os torcedores brindam com copos de fernet com cola, a bebida icônica que não pode faltar em dias de jogo. O clima é de rivalidade acirrada, mas também de celebração do futebol, com cada canto e cada gesto carregando décadas de história e paixão. Seja no Libertadores da América ou no Cilindro (no próximo semestre), estar em Avellaneda em dia de clássico é sentir o futebol em sua forma mais autêntica.

Agora as expectativas para Racing e Independiente estão focadas nas competições continentais de 2025, que são distintas. Após o sorteio realizado ontem, Racing Club, atual campeão da Copa Sul-Americana, enfrentará na fase de grupos da Copa Libertadores Colo-Colo (Chile), Fortaleza (Brasil) e Atlético Bucaramanga (Colômbia) no grupo E. O clube argentino busca repetir o sucesso recente e avançar às fases finais da competição. Já o Independiente, participante da Copa Sul-Americana, caiu no Grupo A ao lado de Guaraní (Paraguai), Nacional Potosí (Bolívia) e Boston River (Uruguai). O “Rey de Copas” almeja retomar seu protagonismo internacional e conquistar mais um título continental.

Bilardo não ensinou a comemorar derrota

Foto: La Nación

O Bilardismo é um conjunto de princípios filosóficos e estratégicos baseados na mentalidade e nos métodos de Carlos Salvador Bilardo, um dos técnicos mais icônicos da história do futebol argentino que propagou uma ideia fora e dentro dos gramados formando caráter. Ele ficou famoso não apenas por suas conquistas, como o título da Copa do Mundo de 1986 com a Argentina, mas também por sua abordagem obsessiva ao jogo, sua visão pragmática e sua crença de que vencer é a única coisa que importa.

O Bilardismo é frequentemente colocado em oposição ao Menottismo, a filosofia de César Luis Menotti, que pregava um futebol mais ofensivo, técnico e artístico. Enquanto Menotti valorizava a beleza do jogo, Bilardo acreditava que o futebol era guerra, exigindo inteligência, tática e sacrifício absoluto. E mesmo na derrota, não ensinou a comemorá-la como alguns técnicos pensam.

Os Ensinamentos do Bilardismo

1. O resultado está acima de tudo

Bilardo nunca teve medo de admitir: o mais importante no futebol é ganhar. Para ele, não importava como, desde que a equipe saísse vitoriosa. Isso significava que era aceitável usar qualquer estratégia necessária para garantir o resultado, mesmo que envolvesse jogar de forma defensiva, truncada ou até usando artimanhas para desequilibrar o adversário.

2. A preparação obsessiva

O Bilardismo se baseia em um estudo minucioso do adversário e na preparação detalhada da equipe. Bilardo analisava cada detalhe, desde os pontos fortes e fracos do oponente até a condição do gramado e as condições climáticas. Ele também era conhecido por preparar seus jogadores psicologicamente, criando cenários de pressão para que estivessem prontos para qualquer situação.

3. Vencer custe o que custar

Para Bilardo, não existe moralismo no futebol quando o objetivo é vencer. Ele não via problemas em fazer “cera”, provocar adversários ou usar táticas antidesportivas se isso desse uma vantagem ao seu time. Um dos episódios mais emblemáticos dessa mentalidade foi quando Sergio Goycochea se tornou herói na Copa de 1990, defendendo pênaltis. Bilardo sabia que ele tinha um ritual supersticioso de urinar no campo antes das cobranças e garantiu que o goleiro mantivesse esse hábito.

4. O grupo acima do indivíduo

Embora tenha treinado craques como Diego Maradona, Bilardo sempre colocou a coletividade acima do talento individual. Ele acreditava que um time bem treinado, disciplinado e coeso poderia superar qualquer adversário, independentemente da qualidade técnica. Cada jogador tinha um papel a cumprir e precisava se sacrificar pelo bem do grupo.

5. O futebol como batalha

Bilardo via o futebol como um campo de guerra onde o time mais inteligente e melhor preparado sairia vencedor. Ele era famoso por suas estratégias defensivas extremamente bem organizadas e pela criação do “5-3-2”, um esquema tático inovador para a época, onde os alas tinham a função de defender e atacar com a mesma intensidade.

6. Psicologia e Manipulação

Um aspecto pouco falado, mas fundamental do Bilardismo, é o uso da psicologia para desestabilizar adversários e motivar seu próprio time. Ele incentivava jogadores a pressionarem emocionalmente seus rivais, explorando fragilidades psicológicas para ganhar vantagem. Um exemplo disso ocorreu na Copa de 1990, quando a Argentina enfrentou o Brasil. Durante a partida, o massagista argentino entregou uma garrafinha d’água “batizada” ao brasileiro Branco, supostamente contendo uma substância que o deixou sonolento.

Embora esse episódio nunca tenha sido 100% comprovado, ele entrou para a história do futebol como um dos momentos mais emblemáticos da mentalidade bilardista. Bilardo também já levou bebida alcóolica para alguns jogos, dizendo ser Gatorade quando perguntado pela imprensa. Para alguns jogadores que não estavam rendendo em campo, o Doutor dava Coca-cola com Cafiaspirina para o indivíduo acordar. Tudo isso para chamar atenção do adversário.

7. Inovação e Estratégia

Bilardo sempre buscava formas de surpreender. Ele foi pioneiro em analisar vídeos dos adversários, preparar jogadas ensaiadas detalhadamente e até esconder formações táticas antes de partidas importantes. Ficava horas vendo milhares de fitas com jogos seus e de adversários. Sua atenção a detalhes era tão extrema que, em algumas ocasiões, ele chegava a escolher hotéis com barulhos controlados para que seus jogadores não fossem perturbados antes de partidas decisivas.

O legado do Bilardismo

O Bilardismo segue vivo no futebol moderno. Técnicos como Diego Simeone, José Mourinho e até Tite incorporaram elementos da filosofia bilardista em suas abordagens. O pragmatismo, a ênfase na defesa sólida e na mentalidade vencedora ainda são características valorizadas no futebol de alto nível.

Embora seja uma filosofia controversa, os ensinos de Bilardo deixou um legado inegável. Ele provou que, no futebol, talento sozinho não basta. É preciso estratégia, sacrifício e, acima de tudo, uma mentalidade inabalável de que o único objetivo é vencer. A renomada escola “Vicente López” é uma das maiores formadoras de técnicos argentinos, sendo a maioria que sai de lá, como o próprio Diego Simeone, tendem a seguir a linha bilardista.

O Bilardismo é mais do que apenas uma forma de jogar futebol. É uma mentalidade de vida, onde a vitória é o único resultado aceitável. Para os seguidores dessa filosofia, o futebol não é um espetáculo para entreter – é uma batalha onde apenas os mais preparados triunfam. O legado de Carlos Bilardo continua influenciando gerações de treinadores e jogadores que entendem que, no fim das contas, a única coisa que importa é levantar a taça. E nas derrotas, nunca abaixar a cabeça, mas não sair celebrando como se tivesse saído campeão.

Independiente vs Racing: Clássico de Avellaneda protagoniza próximo domingo

Quando se fala em grandes clássicos do futebol internacional, a rivalidade entre Independiente e Racing merece um lugar de destaque. Trata-se de um confronto que transcende gerações e carrega uma intensidade que poucos duelos conseguem igualar. Mais do que uma simples disputa de três pontos, este é um embate de identidade, tradição e orgulho, capaz de paralisar Avellaneda e dividir a cidade entre vermelho e azul-celeste.

No próximo domingo (16), Independiente e Racing se enfrentam pela 10ª rodada da Liga Argentina. Dessa vez o duelo acontece no lado rojo, no Estádio Libertadores de América. O clássico é um dos favoritos de quem realmente gosta da essência do futebol porteño.

O Charme de um Clássico Centenário

Diferente de outras rivalidades argentinas que envolvem disputas regionais ou de classes sociais, o Clássico de Avellaneda é uma guerra entre vizinhos. O Estadio Libertadores de América (Ricardo Enrique Bochini), do Independiente; e o Estadio Presidente Perón (Cilindro), do Racing; são separados por apenas uma rua, com o cruzamento de duas que levam os nomes de Bochini e Diego Milito. É uma separação quase simbólica: dois gigantes dividem praticamente o mesmo quarteirão, criando um dos cenários mais emblemáticos do futebol mundial.

O charme desse clássico reside exatamente nisso: duas potências, lado a lado, em uma cidade que respira futebol 24 horas por dia. É como se o futebol fosse um organismo vivo em Avellaneda, e a cada novo encontro entre Independiente e Racing, essa paixão fosse renovada. Pelas calles – ruas – bebidas como Fernet e comida boa não podem faltar, deixando a experiência do duelo ainda melhor.

A Importância Histórica

Se formos falar de glórias, tanto Independiente quanto Racing têm suas credenciais para justificar a grandeza do clássico. O Independiente é o “Rei de Copas”, clube argentino que mais venceu a Libertadores, sendo o único heptacampeão do continente e dono de uma trajetória internacional de respeito. Do outro lado, o Racing foi o primeiro clube argentino a conquistar a Libertadores e o Mundial em 1967, além de ter sido o primeiro grande campeão do profissionalismo nos anos 40 e dono de um dos maiores times da história do futebol argentino.

Por décadas, o clássico foi um embate de mentalidades distintas. Enquanto o Racing se orgulhava do seu histórico de “La Academia” e de um futebol refinado, “El Rojo” construiu uma identidade de equipe copeira, letal nos torneios internacionais. Essas diferenças ajudaram a alimentar a rivalidade e tornaram cada confronto ainda mais imprevisível.

O Perigo e a Paixão

Se há um clássico na Argentina onde a atmosfera pode se tornar inflamável, esse é o de Avellaneda. A proximidade entre os estádios, o fanatismo das torcidas e a sede de vitória tornam os dias de clássico um verdadeiro caldeirão de emoções. Não é raro que a rivalidade ultrapasse os limites do futebol e se traduza em confrontos violentos entre torcedores.

A violência, infelizmente, faz parte da história do futebol argentino, e em Avellaneda não é diferente. Ao longo dos anos, houve episódios de emboscadas, brigas e até mortes ligadas ao clássico. O entorno dos estádios se torna uma zona de tensão, onde qualquer deslize pode acender o estopim da confusão.

Ainda assim, para os verdadeiros apaixonados pelo futebol, essa rivalidade é um espetáculo imperdível. A explosão das arquibancadas, os mosaicos, as músicas de provocação e a entrega dos jogadores em campo fazem do Clássico de Avellaneda um evento único.

Avellaneda: A Verdadeira Capital do Futebol

Enquanto Buenos Aires ostenta a Bombonera e o Monumental, é em Avellaneda que o futebol pulsa de verdade. Sempre falo isso com toda certeza. Nenhuma outra cidade no mundo abriga dois clubes campeões mundiais, lado a lado, separados por uma rua. Boca e River podem dominar as atenções midiáticas, mas em termos de paixão pura, Avellaneda é insuperável.

O futebol ali não é apenas um esporte, é um modo de vida. Quem cresce em Avellaneda já nasce sabendo que um dia terá que escolher um lado: vermelho ou azul-celeste. E essa escolha definirá boa parte da sua trajetória como torcedor.

Portanto, o Clássico de Avellaneda não precisa de holofotes internacionais para ser grandioso. Sua grandeza está na história, na intensidade e no amor incondicional das suas torcidas. Enquanto houver futebol em Avellaneda, haverá Independiente vs Racing. E enquanto houver esse grande clássico, o coração do futebol argentino baterá forte, fazendo do duelo sempre o protagonista quando os rivais de esquina se encontram!

Com céu colorido, Avellaneda assiste estreia do Independiente na temporada

O céu nublado logo abriu espaço no fim da tarde para a estreia do Independiente na temporada 2025. O time rojo conquistou a primeira vitória suada e emocionante contra o Sarmiento por 2×1 na noite de hoje, no lendário Estádio Libertadores da América. Em um jogo intenso, os diabólicos vermelhos abriram o placar no primeiro tempo, fazendo ainda no primeiro tempo 2×0. O Sarmiento descontou no segundo tempo, mas o time da casa manteve sua vantagem levando a torcida ao delírio em Avellaneda com a vitória na primeira rodada do Apertura. A atmosfera pulsante da casa do “Rey de Copas” foi fundamental para impulsionar o time a buscar os três pontos nesse início de campeonato, provando mais uma vez por que jogar ali é tão especial.

Avellaneda é um lugar mágico para os amantes de futebol. O bairro, conhecido por abrigar dois gigantes times porteños de rivalidade máxima – Independiente e Racing – se transforma em dias de jogo. O clima é único, com as ruas tomadas por torcedores vestindo vermelho, e o pôr do sol é um espetáculo à parte, como o de hoje. Tingindo o céu com tons alaranjados e lilás de algodão doce, a beleza do fim de tarde se misturam às bandeiras e faixas da torcida, junto com o dominante vermelho do estádio que leva o nome de Ricardo Bochini. É como se o bairro inteiro conspirasse para criar o cenário perfeito para o futebol voltar a ser o centro das atenções para os argentinos na temporada que se inicia.

O Estádio Libertadores da América não é apenas um lugar para ver partidas, mas também um templo repleto de história que vale a pena o passeio. O estádio exibe com orgulho a grandeza do clube que carrega em sua trajetória 7 Copas Libertadores. E há outra figura que merece destaque: José Omar Pastoriza, o treinador que ajudou a consolidar a fama do “Rey de Copas”. Suas pinturas no entorno do estádio, é uma parada obrigatória para quem quer entender a alma do Independiente. Durante o verão, melhor estação do ano; o Independiente abre a piscina para seus sócios. O lugar é muito tranquilo e tem espaço para aproveitar uma bela tarde no clube do coração.

A experiência em dias de jogos vai além do futebol. As ruas ao redor do estádio oferecem uma explosão de sabores gastronômicos. É impossível resistir ao cheiro do choripán grelhado nas barraquinhas, assim como as empanadas quentinhas e até o sanduíche de bondiola. Para os mais tradicionais, há opções de tamales e locro em pontos familiares. E, claro, não pode faltar uma Quilmes gelada para acompanhar. Para os que chegam cedo, vale a pena explorar o museu do clube, que conta a história das glórias do Independiente, com camisas emblemáticas, troféus, ídolos eternizados e painéis sobre os principais títulos conquistados pelo time rojo.

Estar em Avellaneda, no coração da maior rivalidade do futebol argentino, vivenciando tudo isso é uma experiência que transcende o esporte. Hoje, o Independiente venceu, mas quem realmente ganhou foi o torcedor, que pôde sentir na pele o que significa fazer parte dessa história e de quebra ter um cenário tão bonito para viver momentos especiais no fim de um dia corrido.

Que fique uma dica de viagem: Não visite só La Bombonera e Monumental. A visita em Avellaneda (do lado vermelho) é indispensável no seu guia de Buenos Aires, caso você seja realmente um amante do futebol raiz!