
O futebol argentino tem dessas: quando você acha que já viu tudo, aparece a AFA para provar que sempre dá para surpreender um pouco mais. E agora foi a vez do Rosario Central virar campeão nacional de 2025 não dentro de campo, mas por uma canetada histórica — e, vamos ser sinceros, perfeitamente coerente com o caos apaixonante que é o futebol da Argentina. A federação decidiu criar uma taça extra baseada na soma anual de pontos, algo que não estava previsto no início da temporada. Resultado: Central na frente, Boca atrás, e uma nova estrela pintada em Rosario.
E antes que alguém reclame, há um mérito gigantesco nisso. A regularidade do ano inteiro merece ser valorizada, ainda mais em um calendário argentino que vive mudando de formato e regras. Se tem um time que se manteve constante mesmo entre turbulências, foi o Central. Conduzido pelo magnetismo de Ángel Di María — que consegue elevar qualquer ambiente em que pisa — o clube somou 66 pontos entre Apertura e Clausura, quatro a mais que o Boca. E esse detalhe sepultou qualquer discussão. Não foi uma final épica, não teve gol no último minuto, mas teve algo tão importante quanto: consistência.
Claro que o lado político dessa história também precisa ser dito. A decisão chega depois do fim das competições, o que deixou torcedores rivais fulos e gerou as clássicas teorias conspiratórias — porque nada na AFA é só futebol. Num país onde títulos já foram decididos em mata-mata inventado, em triangular improvisado e até em “promoción”, por que não coroar o melhor do ano inteiro num evento emergencial? No fim, é mais um capítulo perfeito para a novela infinita do futebol portenho.
O fato é: o Rosario Central ganhou uma estrela oficial, e ninguém vai tirar. Para a torcida, isso importa mais do que qualquer discussão de regulamento. Para Di María, que voltou ao país para encerrar a carreira onde tudo começou, virou um símbolo: seu primeiro título argentino veio, literalmente, da sala de reuniões da AFA. E para quem acompanha o futebol com paixão — e com uma pitada de ironia — esse título é a Argentina sendo a Argentina. No caos, eles encontram um jeito de fazer história.
E antes que alguém pense que essa nova taça muda tudo no cenário continental, vale esclarecer: as vagas argentinas para a Libertadores continuam exatamente as mesmas. O título simbólico do Rosario Central não cria vaga extra e não altera os critérios já definidos para os classificados. Ou seja, a briga pelas últimas posições segue intensa, e com um detalhe importante: o campeonato argentino continua rolando até dezembro, com o mata-mata. No fim, a taça do Central é uma celebração à regularidade, mas a guerra pela América segue aberta — e, como sempre, imprevisível como só o futebol argentino consegue ser.








